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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Viola extrema - Moda de rock


Hoje, pra variar, um pingo de bizarrice e uma colherada de metal!
Esse projeto é muito legal, formado por dois violeiros, que já participavam do grupo Matuto Moderno, "uma banda que já toca o som caipira com uma pegada rocker: viola caipira com pedais de distorção, slide, teremim, o que puder ser utilizado para dar uma roupagem moderna e pessoal no som". Muita coisa estou copiando mesmo daqui:
http://www.modaderock.com.br

Antes uma discussão sempre produtiva, mais pela pergunta frequente do que pela impossibilidade de resposta definitiva: o que faz um disco ser brasileiro e, por consequência, poder ser postado aqui?
Em primeiro lugar, já aviso: vou postar aqui o que eu quiser. Isso aqui é para diversão, minha e de todos os colaboradores, principalmente. Se alguém gosta, ótimo; senão, foda-se.
Mas voltando à pergunta, já incluí aqui o do Tom com o Sinatra, e justifiquei pelo fator 'o que', tocavam música brasileira, bossa nova ou standards da música americana com arranjos próximos da bossa, o que os aproxima do fator 'como'.
Que também está presente aqui, afinal tocam viola. Mas também há o fator 'quem', os caras (Ricardo Vignini & Zé Helder) são brasileiros, o que justifica por exemplo todos os discos do Sepultura.

Esse fator 'como' será retomado em breve num dos discos mais bizarros que tenho em casa, e que, provavelmente, mesmo assim com muitas dúvidas, só agradará ao Mestre X, porque gosta de punk e ironia. Aguardem.

Outra coisa é que esse foi o primeiro disco virtual que comprei via itunes! Quase dez doletas...devia ter pesquisado e comprado o cd mesmo.

Então vamos ao disco, dessa vez sem comentar faixa por faixa pra não entediar o Baiano: trata-se de várias canções de rock, hard rock e heavy metal que fazem parte do histórico de quase todo metaleiro dos anos 80, interpretadas com muita fidelidade, mas pela sonoridade, ficam às vezes irreconhecíveis pra quem não é obcecado e conhece todas os riffs e frases:

1. Kashmir (Led Zeppelin): perfeita, o Jimmy Page até tem uma viola e uma craviola, ficou linda mesmo (acho que vou comentar faixa por faixa...);

2. Master of Puppets (Metallica): essa versão acho até que o Mateus vai gostar mais do que da original, detalhista ao extremo, foi a que me motivou a postar o cd hoje, ouvindo e viajando na beira da piscina ontem de manhã (é, não trabalho todo dia, graças a Deus...), ao mesmo tempo a levada é bem violeira mas as linhas de guitarra são iguais!!

3. Norwegian wood (Beatles): mais uma que tem tudo a ver, começa com uma introdução meio livre e depois segue a original, sonoridade meio oriental, que também tem a ver com as violas;

4. In the flesh (Pink Floyd): essa acho a mais estranha, a eletricidade faz falta, mas de qualquer jeito ficou bonita;

5. Kaiowas (Sepultura): uma das poucas com mais improvisação em cima da base original, é a única com alguma percussão, por conta do 'palmeado e sapateado de catira' do Edson Pontes;

6. May this be love (Jimi Hendrix): essa ficou lírica, tem um arco  (aquela paradinha que usam pra tocar instrumentos de corda eruditos, viola, violino etc) no comecinho, cheia de virtuosismo;

7. Aces high (Iron Maiden): mais uma extremamente fiel às linhas originais de guitarra, mas o mais legal são as levadas aceleradas de viola;

8. Mr Crowley (Ozzy Osbourne): lindona também, explicita as raízes clássicas do Randy Rhoads, guitarrista do Ozzy na época dos primeiros discos, mas a levada é bem típica de viola, mesmo os solos estarem extremamente fiéis ao original;

9. Smells like teen spirit (Nirvana): uma das menos fiéis, demora-se pra reconhecer, mas quando começa a melodia não tem como não cantar junto; o solo é mais improvisado também, provavelmente pra fugir do original, que repete a melodia;

10. Hangar 18 (Megadeth): ficou com cara nova, bem legal e fiel às dobras de guitarra e levadas rápidas alternando com partes lentas;

11. Aqualung (Jethro Tull): termina bem o álbum, também fiel às guitarras, com as violas fazendo até aquela virada de bateria do começo, maneiríssima.

O legal, entre outras coisas, é que o disco é em estéreo total, você ouve uma viola de cada lado!!! Zé Helder no canal esquerdo e Ricardo Vignini no direito, dobras no centro em Kashmir, com participação especial de Renato Caetano no centro em Aqualung.

Produzido pelo Ricardo e mixado no Abbey Road!

(Dão)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Sepultura, Arise...mais um de 91!









Realmente, como observou meu amigo e parceiro musical Mateus, 1991 foi um ano pródigo em bons lançamentos para o então um pouco desacreditado rock. Talvez tenha sido o último, talvez Nevermind na verdade marque justamente o fim de uma época, como argumenta com boas razões André Forastieri (aqui: http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2011/09/23/nevermind-nao-importa/ ), então só nos resta comemorar os seus bons discos.

Porque este aqui é um blog de pessoas que adoram música, mas somos tiozinhos de 40 e poucos anos que aprenderam a adorar música ouvindo rock, sob uma provável ilusão de ótica de que este poderia ser 'rebelde' ou mesmo 'revolucionário', mesmo sob críticas paternais de 'alienado'. Talvez divertido seja o suficiente.


Its only metal, but I love it.


Então mesmo assim, lamento não ter ido no Rock in Rio e não ter visto o impressionante Slipknot e o sempre clássico Metallica (há mais de 20 anos, em 1989, eu os vi no Maracanãzinho, com o melhor som que já passou por ali!), nem a mistureba Paralamas/Titãs/Orquestra, nem os amigos do NX Zero, nem o divertido Matanza com BNegão...Isso pra não falar no aqui resenhado SEPULTURA com um showzaço com Tambours do Bronx que obviamente merecia o palco principal.

Aliás, como bem perguntou o blog collectorsrrom (aqui: http://collectorsroom.blogspot.com/2011/09/porque-o-brasil-nao-tem-um-festival.html ),

por que o Brasil não tem um festival exclusivo de heavy metal????




Os argumentos são tantos que nem vou me estender. Pessoalmente prefiro a não segregação, sempre gostei de ouvir vários tipos de música num festival, mas a verdade é que os organizadores de festival tem feito dias específicos para metal, não sei como será o SWU.


Sempre lembrando que apesar de assustadora em alguns sentidos, a platéia de metal em geral é menos 'problemática', como discretamente observou o globo (aqui: http://oglobo.globo.com/cultura/rockinrio/mat/2011/09/26/rock-in-rio-facts-as-curiosidades-dos-tres-primeiros-dias-de-shows-do-rock-in-rio-2011-925440293.asp ):"Hoje é rock mesmo. E por incrível que pareça, dá menos problema". Coronel Gaspar, chefe do policiamento no Rock in Rio, sobre o dia metaleiro.



Ao disco então.



Além do fato de 'ser de 1991', este álbum também comparece no livrão no qual nos inspiramos, 1001 discos pra ouvir antes de morrer.

O Sepultura em 1991 foi surpreendido em ser chamado pro Rock in Rio II, por pressão dos fã-clubes e inteligência do Medina, então tiveram que lançar às pressas antes do festival o disco numa pré-mixagem meio tosca mas interessante, chamada de Arise Rough Cuts, por isso aqui tem duas capas, a de cima é referente a este lançamento surpresa e hoje raro de encontrar.

O disco foi gravado em 1990 na Flórida, EUA, novamente com o produtor/engenheiro Scott Burns, que mais uma vez, dessa vez com mais dinheiro, fez um excelente trabalho, o disco tem um sonzaço, pesado mas nítido.


O som mudou um pouco depois de 'Beneath the remains', incorporando elementos de música industrial, iniciante na época (como Ministry por exemplo, com quem estiveram em turnê em 1992 juntamente com o inclassificável Helmet), acrescentando groove através de síncopas e quebradas na pauleira. Mas ainda é metal, thrash, death ou heavy, chame-se como quiser.

O disco entrou até na Billboard 200 USA na posição 119, alcançando a marca de um milhão de discos vendidos mundialmente em 1993.

Os sintetizadores, assim como nos 2 anteriores, ficam a cargo de Henrique, provavelmente o Henrique Portugal do Skank.



E claro, começa com uma paulada na cabeça: 'Arise'! Rapidíssima, agressiva, pesada, com um riff agoniado e uma bateria alucinada, além dos vocais sempre gritados do Max.

'Dead embryonic cells' é das minhas preferidas, pesada mas com aquela quebrada sensacional no meio, bateria com um sonzaço. Tem até um video (foram vários deste disco: Arise, Under siege e Orgasmatron!), estavam podendo os meninos...

'Desperate cry' também é legal sem ser mais do mesmo, começa com um belo dedilhado de guitarra limpa e depois vem aquele peso todo, mas quando começa a voz é que o bicho pega, uma levada avassaladora e cavalar!! E tem aquela quebrada no meio que continua sendo demais! Música longa com muitas passagens diferentes.



'Murder' e 'Subtraction' são boas músicas, sem nada especial.



'Altered state' já traz um idéia tribal a ser mais desenvolvida a partir do próximo disco (Chaos A.D.) e levada à perfeição em Roots. Mas é só no início, depois vem aquela massa sonora pesada e violenta.

'Under siege (Regnum Irae)' também começa com dedilhado, agora num violão e acompanhado por uma bateria com um som enorme. Diferente, mas depois entram os riffs brutais das guitarras e passagens mais trabalhadas, com vocais alterados eletronicamente (parecem gravados ao contrário). Mais uma música de muitas passagens, mas longe de ser confusa.



O disco prossegue à toda velocidade e peso com 'Meanigless movements', metal sem parar, mas sem maiores destaques, tanto nessa quanto na próxima música, 'Infected voice', a última do disco normal.

Digo normal porque no Brasil o disco incluía uma música a mais, um lado B do single de 'Dead embryonic cells', 'Orgasmatron' do Motörhead, que, pra variar, ficou sensacional, mesmo com a lenda de que o Max cantou bêbado...o Lemmy (se vc não sabe quem é, pare de ler já!) diz que gosta da versão mas não da voz...hahaha.

A versão relançada em 1997 também traz mais músicas: 'Intro', 'CIU (criminals in uniform)' e um mix diferente de 'Desperate cry' by Scott Burns, já que a mixagem posterior é de Andy Wallace.

E assim foi...depois do disco, sucesso mundial, excursão mundial. Antes de ir pro mundo, o Sepultura deu um show gratuito em Sampa na Praça Charles Müller, em frente ao Pacaembu. Esperados 10.00 fãs (e providenciada força policial para isto...), compareceram 40.000. O que aconteceu? Tumultos, brigas, muitos feridos e um morto. Culpa da banda, claro, que faz música pesada...Fala sério!

Sobram a fama e o prestígio. Sepultura, a grande banda brasileira. Que continua na ativa.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Revolusongs, Sepultura





Esse é um disco pós-Max Cavalera, acho que o primeiro assim postado aqui.


Preferências são pessoais, mas é saudosismo inútil e extrema má vontade dizer que 'o Sepultura era melhor antes'. Derick Green é um puta vocalista (tô escrevendo em paulistês...), com voz, atitude e garra, e ajudou a criar excelentes álbuns. Mas acontece muito, 'o Sting era melhor no Police', 'o Cazuza não deveria ter saído do Barão', 'os Beatles nunca deveriam ter acabado', bla bla bla.


E este aqui é um EP (extended play, disco de menor duração que o LP, long play) de covers!


Mas que serve justamente pra mostrar que eles não são covers de si mesmos, dando uma cara bem pessoal a um repertório com bastente tolerância elástica, como diriam alguns dos meus amigos detratores...

'Messiah' é uma música tosca de um grupo tosco suíço (!), o Hellhammer, pré-Celtic Frost, aqui com uma versão raivosa e pesada. Até parece que eles vão fazer um disco só com metal...

...claro que não! Na seqüência a improvável 'Angel' do Massive Attack, que ficou muito legal, com dinâmica extrema, do suave, sombrio e sussurrado ao metal gritado e caótico.

Mais estranha ainda, 'Black steel in the hour of chaos' (Public Enemy!) ficou muito legal, com groove e peso, além do mais traz o saudoso Sabotage fazendo um rap em português maneiríssimo e a guitarra de Andreas Kiser soando cheia de efeitos eletrônicos de filtro!!

'Mongoloid' (Devo, mais uma inesperada) ficou menos new wave e mais old wave punk com pitadas de cross-over e heavy. Boa pra balançar o esqueleto na roda de pogo!

'Mountain song' (Jane's Addiction) é mais uma que ficou excelente by Sepultura.

Mas o destaque é mesmo 'Bullet blue sky' (U2), talvez a mais difícil de tornar característica, devido ao fato de ser de um grupo de rock pop extremanente conhecido, com o acréscimo do fato da música já ser relativamente pesada no original. Mas o Sepultura mostra sua cara e versatilidade. Rendeu até um video na MTV.


Começando e terminando com metal, no caso a última música oficial é da banda californiana de thrash metal, o Exodus, cujo guitarrista Gary Holt esteve recentemente no Brasil com o Slayer, onde ele substituía o guitarrista original, vítima de bactérias comedoras de carne humana...é, vc achou que isso era tema de músicas de heavy metal mas é real. 'Piranha' coincidentemente obviamente fala sobre aquele peixinho faminto, é uma música rápida e foda, simples assim.


Como faixa escondida temos uma sacanagem com o Metallica, a música começa como se fosse 'Enter sandman', bem tosca, dá uma atravessada e entra 'Fight fire with fire' quebrando tudo!!


Sepultura rules!

domingo, 14 de agosto de 2011

Carro Bomba, Carcaça


Mais uma resenha 'convidada' do excelente blog http://collectorsroom.blogspot.com , do Ricardo Seelig agora. Muito grato!

Por Ricardo Seelig
Nota: 9,5
Ricardo Batalha, o mais importante jornalista de hard rock e heavy metal do país, classificou o Carro Bomba como “a melhor banda de heavy metal cantado em língua portuguesa”. Esse comentário, naturalmente, faz com que qualquer pessoa que vá ouvir o novo álbum do quarteto paulista encare o disco com grande expectativa. E quer saber? Ela é plenamente alcançada!
Em seu quarto disco, o Carro Bomba alcançou um nível de qualidade que o coloca, com justiça, no topo do heavy metal brasileiro. Composições inspiradas e muito bem construídas, todas amparadas por riffs pesadíssimos, garantem a satisfação do mais exigente fã. O timbre extremamente pesado e grave dos instrumentos salta aos ouvidos, e é um dos principais diferenciais de Carcaça. Para alguém que cresceu ouvindo Black Sabbath – principalmente da fase Dio – como eu, o ato de não se empolgar com o que sai dos alto-falantes é impossível.
Entrosadíssima e extremamente fiel aos seus princípios, a banda gravou em Carcaça o seu melhor disco. Não há nada negativo no álbum – tudo bem, a voz de Rogério Fernandes pode dividir opiniões, mas casa perfeitamente com a proposta do grupo -, uma avalanche sucessiva de canções empolgantes que pegam o ouvinte de jeito e o fazem bater cabeça compulsivamente.
Faixas mais cadenciadas como “Combustível” e “Mondo Plástico” tornam evidente a influência de Tony Iommi e companhia, enquanto composições como “Bala Perdida” e “Queimando a Largada” são heavy metal puro da melhor estirpe. A veia blues dos caras surge forte em “Blueshit”, uma das melhores faixas do álbum e um convite explícito ao 'banging'. Vale uma menção especial às letras, inteligentes e sempre explorando temas urbanos e comuns nas grandes cidades, saindo totalmente do lugar comum.
Ao final da audição de Carcaça chega-se a uma conclusão pura e simples: se esse disco tivesse sido gravado por uma banda gringa a repercussão em nosso mercado seria muito maior do que está sendo. E mais: Carcaça tem qualidade de sobre para cair no gosto de qualquer fã de metal em qualquer parte do mundo, e receber críticas positivas em qualquer publicação do planeta.
Vou concordar com Ricardo Batalha, o Eddie Trunk brasileiro, e assinar embaixo, mas com um adendo: o Carro Bomba não é apenas a melhor banda de heavy metal cantado em português do Brasil. O quarteto formado por Rogério Fernandes (vocal), Marcello Schevano (guitarra), Fabrizio Micheloni (baixo) e Heitor Shewchenko (bateria) é responsável, hoje, pelo melhor metal produzido em nosso país, sem sombra de dúvida.
Nasceu um novo clássico, e seu nome é Carcaça!

Faixas:
Bala Perdida
Queimando a Largada
Carcaça
Combustível
O Medo Cala a Cidade
Mondo Plástico
Blueshit
Corpo Fechado
O Foda-se III
Tortura (Pau Mandado)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Titanomaquia, Titãs





Hahaaaaa, o metal continua...vcs não contavam com a minha astúcia!


Sem brincadeira, esse disco dos Titãs (que já foram do Iêiê) é bem pesado, inclusive produzido pelo Jack Endino (que seguiu trabalhando com eles em vários outros discos), conhecido pelas suas produções na cena grunge: Mudhoney (que abriu o show do Pearl Jam no Brasil), Soundgarden e, claro, Nirvana (o primeiro deles, Bleach), além do estranhíssimo disco solo do Bruce Dickinson, o Skunkworks (deve ter sido um work with a lot of skunk, hehe). Outro dia inclusive eu estava no aeroporto, comprando uma Billboard com os 20 anos do grunge na capa e de repente, do meu lado, o Paulo Miklos olhando a mesma revista (aliás, de repente não, que eu encontro ele tantas vezes em aeroportos que eu acho que ele mora nos aeroportos; bom, ele pode achar o mesmo de mim...). Quase que eu fiz a pergunta 'e quantos anos tem o Titanomaquia?'. Mas não perguntei, achei pentelho demais.


E na verdade, apesar da óbvia influência do grunge na sonoridade, principalmente das guitarras, o disco não se parece em nenhum momento com nada da cena citada. A banda na época estava envolvida com o selo Banguela, em parceria com Carlos Eduardo Miranda, que lançou Raimundos, mundo livre s.a., Graforréia Xilarmônica, Maskavo Roots e Kleiderman (banda pesada paralela de Branco Mello e Sergio Britto). Então acho que ele queriam fazer algo mais pesado e chamaram o cara, e não o contrário.


Esse aqui é o primeiro no qual o Arnaldo Antunes não participa como membro (ops). Mas ele é co-autor de 3 músicas muito legais.

A banda vinha de um disco massacrado pela crítica, mas que eu acho muito legal, o 'Tudo ao mesmo tempo agora'. Que infelizmente também foi fracasso comercial.


Nando Reis não compôs nenhuma pro disco (ou nenhuma se encaixou na proposta), o que, aliado ao fato que o baixo num disco pesado se limita a acompanhar as linhas das guitarras, pode ter gerado insatisfação/frustração. Na seqüência vários trabalhos paralelos pipocaram.


O disco vinha embalado num saco de lixo.




O álbum começa já com uma pancada, 'Será que é isso o que eu necessito?' (sic), mas ele canta certo: será que é disso que eu necessito. Bateria na cara quebrando tudo, guitarras pesadas, melodia meio dobrada com a guitarra. Sonzeira boa pra começar shows, lembro de um Hollywood Rock onde eles começaram assim.



Em seguida continua animado, rápido e pesado, 'Nem sempre se pode ser Deus', do excelente refrão "não é que eu vou fazer igual / eu vou fazer pior", muito cantado pela minha amiga Juliana ('que mala eres, Juliana'!).

'Disneylândia' é sensacional, uma das colaborações do Arnaldo, letra longa falando pontualmente sobre a loucura que é a globalização, pessoas e coisas circulando velozmente pelo mundo, mas no final 'crianças iraquianas, fugidas da guerra, não obtem o visto no consulado americano do Egito para entrarem na Disneylândia'...



'Hereditário' é mais uma do Arnaldo, a única cantada pelo Nando, bem legal.

'Estados alterados da mente' é das minhas preferidas, por motivos óbvios:

"Atitudes mecânicas

Movimentos involuntários

Estímulos elétricos, tempestades mentais

Choques térmicos, crises de melancolia

Choro compulsivo, riso histérico

Euforia, vertigens

Estados alterados da mente

Devaneios, delírios, desvarios

Estados alterados da mente"



E o que é 'Agonizando'? PQP, um riffão de guitarra meio oriental (provavelmente modo frígio), um hardcore sensacional, aceleradíssimo, gritado, uma letra animal, vozes alteradas, solo bizarro, perfeita!



'De olhos fechados' é delirante, histérica, pesada. No final tem uma voz meio acelerada discreta, estranhíssima.

"eu não quero saber o que se passa na sua cabeça quando você está dançando de olhos fechados"

'Fazer o quê' é a mais atípica, parecendo metal mesmo, começa com umas guitarras sozinhas, só depois entra a música, com aquelas letras meio primitivas titânicas. E manda um 'foda-se' enorme...

'A verdadeira Mary Poppins' também é sensacional, bem punk (que aliás, os Titãs já tinham feito em 'A face do destruidor' no Cabeça Dinossauro), clima decadência e loucura totais.

"Mesmo que ninguém escute

Mesmo que ninguém ouça

Mesmo que ninguém acredite

No que sai da minha boca

Eu sou o verdadeiro Bruce Lee

Eu sou o verdadeiro Bob Marley

Eu sou o verdadeiro Peter Sellers

Eu sou a verdadeira Mary Poppins

E eu sei que estou fedendo

Eu sei que estou apodrecendo

Eu sei que estou fedendo

Eu sei que estou apodrecendo"



'Felizes são os peixes' é mais uma punk acelerada com mais uma letra louca. Mas as músicas não são parecidas entre si e o disco não é nem cansativo nem repetitivo, mesmo que a sonoridade mais bem pesada possa desagradar a alguns.



'Tempo pra gastar' é mais no estilo titânico, as guitarras um pouquinho mais pesadas do que o usual, um solinho de wah-wah malandro, mas poderia estar em qualquer outro disco deles.


'Dissertação do Papa sobre o Crime seguida de Orgia' acho que é uma letra do Marquês de Sade musicada estranhamente pela banda, no estilo de 'Violência'. Meio chata. Como Sade.

'Taxidermia' traz a pancadaria de volta, começando com um baixo distorcido sozinho, depois Paulo Miklos entra cantando com sangue na boca:
"Se eu estivesse embrulhado em papel alumínio
Se eu tivesse o seu grupo sanguíneo
Se eu estivesse embrulhado em papel alumínio
Se eu tivesse o seu grupo sanguíneo
Se eu tivesse seus olhos eu seria famoso" (coro poderoso!)
"Não quero ser útil
quero ser utilizado
fossilizado"
Fim caótico e barulhento. Metal puro!

domingo, 19 de junho de 2011

Chaos A.D., Sepultura



Finalizando o domingo metal e prosseguindo com a saga Sepultura, vem este excepcional disco.

Anterior ao clássico dos clássicos 'Roots', não fica nem um pouco atrás no quesito repertório, tendo até mais músicas excelentes do que o outro. Só que como não inclui a percussão tribal como elemento essencial, fica pra trás no quesito originalidade.

Letras excelentes, num inglês quase razoável, mostram que metal não era só alienação.

Também deu origem a videos muito bons, a gravadora estava abrindo a mão, porque estava entrando dinheiro também, claro. E as gravadoras ainda eram relevantes.

Além de tudo o disco tem um trabalho de arte caprichado, o que inclui a capa e várias ilustrações internas.


Começa com um som de coração acelerado, no útero ainda, do filho do Max cavalera, Zyon, seguido pela bateria meio Olodum mixada à parede de guitarras. Muitos riffs bons e uma letra que fala sobre questonamento das autoridades, o que resultou num video muito legal. Uma das melhores! 'Refuse/Resist' é o nome do petardo.


'Territory' também começa com uma bateria mega ultra múltipla do 'polvo' Igor Cavalera, seguida de mais riffs brutais, além de mais uma letra sobre guerra por territórios. O vídeo, gravado em Israel, foi premiado na MTV americana. Mais uma sensacional.


'Slave new world' começa lentona com um riff de arrepiar, depois dá aquela acelerada. Com passagens mais cadenciadas no meio, é de um arranjo maneiríssimo, incluindo um break matador. Mais um vídeo bom. Letra crítica ao autoritarismo, fazendo referência a 'Admirável mundo novo' do Aldous Huxley.


'Amen' é mais lenta mesmo, com voz falada, espaço entre as guitarras, um arranjo mais amplo, coisa rara no metal. Crítica à religião, claro.


'Kaiowas' é uma instrumental com violões, melodias de viola e percussões tribais, em homenagem a uma tribo amazônica que preferiu o suicídio coletivo a perder suas terras e crenças. Bela e forte.


'Propaganda' começa com umas guitarras caóticas, seguidas por uma bateria com bumbo duplo, muitas variações, som trampado no dialeto metal.

"Don't believe what you see

don't believe what you read

no!!"


'Biotech is Godzila' é uma letra primorosa do Jello Biafra (Dead Kennedys), que inclusive fala algumas coisas lá pelo meio da música. Mesmo sem a letra já seria um musicão. Rapidíssima, hardcore pesado, com um refrão empolgante pra ser gritado pela massa.

"Biotech is A.I.D.S.?"


'Nomad', mais um que começa com guitarras flutuantes, arrastada e quebrada. Refrão com uma bateria genial. Massa de guitarras ao final.


'We who are not as others' é uma música estranha, o instrumental é um pouco diferente com guitarras harmonizadas, mas a letra só repete isso, com vocais variados e risadas ao final. O que evita que o disco fique cansativo, coisa comum em discos pesados, mas que aqui passa longe, mesmo sendo um álbum longo.


'Manifest' é sobre o massacre em Carandiru, narrada com a voz de um suposto jornalista através de uma voz de rádio, com a voz gritada de Max entrando só no meio da música. Tem uma passagem com baixo e bateria muito legal. E o final, pesadão e espaçado é sensacional!


Aí vem uma versão pra uma música do New Model Army, 'The hunt', que ficou bem com a cara da banda, com uma levada punk e vozes dobradas.


'Clenched fist' é mais uma cadenciada, com uma guitarra dialogando com os gritos de Max, no final dá aquela acelerada e retorna pra levada quebrada típica e original ao mesmo tempo.


Na versão brasileira do disco vinha a versão pra 'Polícia' dos Titãs. Fiel à original, mas mais rápida e pesada, claro, além de um coro sampleado de algum jogo ou manifestação: 'filha da puta' meio embaralhado pra não ficar muito óbvio...


No relançamento em 1997 também foram acrescentadas 4 músicas: 'Chaos B.C.' (uma mixagem de baterias/batucadas com várias partes de Refuse/resist, que dá pra ser usada na noite dançante heavy), 'Kaiowas (tribal jam)', 'Territory (live)' e 'Amen/Inner self (live)'.


DISCAÇO!!!

Antes do fim, Dorsal Atlântica



Quase no fim do domingo metal, vamos aos antigos e desconhecidos crássicos do metal nacional.

A Dorsal Atlântica é uma banda carioca formada nos anos 80 pelo lendário Carlos 'Vândalo' Lopes.

O disco aqui resenhado foi pioneiro na mistura de gêneros que na época eram como água e óleo, o punk hardcore e o metal thrash. Mal gravado devido a restrições orçamentárias e provável inexperiência de estúdios em gravar metal na época, foi regravado e relançado em 2005 com o nome de 'Antes do fim, depois do fim'.

Esse eu tenho e ainda ouço em vinil. O original nunca foi lançado em cd.

Ao contrário da maioria de letras de metal, este disco, adotando uma postura mais punk, falava de problemas cotidianos e sentimentos.


'Caçador da noite' inicia com aquele som zumbido e rápido de guitarra, além da voz assustadora do Carlos, cantando sobre um serial killer. Solo criativo e em estéreo, extraía-se sangue de pedra no estúdio.


'HTLV-3' é mais uma rápida, falando sobre o vírus da aids, criticando a ignorância e o preconceito numa letra panfletária:

"As pessoas se incomodam com a “liberdade”que o mundo tem

Se aproveitam de uma doença

Discriminar mais as minorias

Quatro letras condenam à morte

Foram escolhidos

Teu sêmen vai gerar mortos

Teu sangue, veneno maldito

HTLV-3 destroí

Verdadeira caça às bruxas promovida pela imprensa

Achem os culpados para salvar as famílias dos burgueses"

O legal de muitas músicas desse disco é que de repente a música muda pra um ritmo mais lento, o que dava origem às rodas nos animadíssimos shows, inclusive um no Maracanazinho abrindo pro Exciter e Venom, onde não se entendia nada, um som horrendo...


'Álcool' é das melhores do disco, uma guitarra zumbindo e a velocidade da luz fazem vc entrar em espasmos...Por incrível que pareça é crítica mas com numa abordagem oblíqua com o ponto de vista do cara que se embebeda. Esta aqui tem um dos melhores breaks do disco, sensacional, dá pra ver a roda se formando e as botas passando perto da sua cabeça.


'Depressão suicida' tem aqueles gritos agudos à Rob Halford, quase cômicos, mas divertidos. Mais uma rápida e com um solo cheio de alavancadas.


'Vorkuta' é uma crítica a Stalin, no mínimo inusitado, principalmente pra adolescentes que nem sabiam do que se tratava.


'Joseph Mengele' você deve imaginar sobre quem se fala (antecipando 'Angel of death' do Slayer). Mais uma rápida (cansa um pouco os ouvidos, admito), mas com mais um break maneiríssimo. E esta música tem uma surpresa muito legal que deve ter estragado muitos toca-discos: ao final da música uma voz que parece alemão, mas que girando o disco ao contrário, mostrava ser na verdade um monte de palavrões...divertidíssimo.


'Guerrilha' é mais cadenciada, quase lenta em comparação às outras. Parece panfletária, mas na verdade há uma crítica sutil ao messianismo comum no meio:

"Rifle responde força com fogo

Você tem um ideal

Meio caminho entre vida e morte, entre herói e assassino

Precisa lutar

Guerrilha por liberdade

Guerrilha em busca da verdade

Todos cegos

Só você vê a luz

Ao vencedor resta a história

De que vale a vida de alguns para salvar milhões?

Luta sozinho, luta por todos"


'Inveja' também é mais arrastada, com um riff heavy maneiro, depois dá a acelerada com guitarras em estéreo e muitas quebradas da bateria.

"Por que o ser humano não consegue se ver livre?

Não aprende com os erros do passado

Lições de cobiça e rancor

Se a vida é tào efêmera

Por que tantos sentimentos fúteis?

No íntimo você não quer errar, mas nào consegue domar

Só o futuro vai julgar

O impulso imbecil

Inveja

Os olhos e a alma cegos continuam a se corroer"


'Morte aos falsos' era um discurso metal da época, dirigindo-se aos apreciadores de última hora, diluidores do movimento. Bullshit, nem sei como um cara inteligente caiu nessa balela. Mais tarde ele mesmo montou uma banda mais hard rock, a Mustang.


Enfim, baixe este sem dó, imperdoavelmente está fora de catálogo.

Guerra civil canibal, Ratos de Porão





Continuamos no peso, agora um punk um pouco mais tradicional, hardcore, com pitadas de metal, dos nossos já conhecidos RxDxPx.


'Obesidade mórbida constitucional' começa com aquele baixo e bateria típicos do punk, meio parecido até com 'California ubber alles' dos Dead Kennedys (inclusive nos EUA o disco foi lançado pelo Alternative Tentacles do Jello Biafra), fala sobre a condição gorda do João, que quase morreu e emagreceu depois. Como não dá pra entender quase nada do que o João Gordo canta (?), segue um pouco da letra:


"Atentado contra a vida,suícidio,punição


Sofrimento na UTI,tortura,medo,falta de ar


Pro inferno não quero ir e no céu eu não quero chegar


Eu vi a morte!Morte!


Mas nunca me arrependi,vida louca sem igual


De primeira quase morri, show de horror no hospital"


'Toma trouxa' é rapidona, fala sobre um balão em drogas que o João pelo jeito tomou de uma gostosinha...


'Guerra civil canibal' é a panfletária típica anti-guerra:


"Por quê?


Inocentes sempra vão


Pagar,sofrimento e o que vai restar?


Nova guerra por religião,carne humana mata a fome ou não?


Guerra civil canibal


Em nome de Deus


Sempre igual,sempre igual,


Realidade podre ficção.


Refugiados agora vão chorar,


Pelo sangue da populaçào


Quem dá mais,quem dá mais?


Morre o fraco,carne boa ou não?


O mais forte vai se alimentar,


No banquete da religião"


'Estaca zero esquerda' é mais do mesmo, com um refrão mais balançado, legal, com solinho de guitarra e tudo. Dá uma enganada no meio, entra uma guitarra mais leve, mas é só pra pegar vc. Bem metal crossover (vai anotando, Zeba!).


'Fire to burn' é um cover da banda/dupla Half Japonese ou 1/2 Japonese, de proto-punk (como diria o Xampu; por falar nele, vc conhece eles, Xampu?) ou de rock alternativo. Dizem até que o Kurt estava usando uma blusa deles quando se matou. Legal, acelerada e até dá pra entender o que o João canta aqui. Incrível, é mais fácil entender ele cantando em inglês...se bem que acho que outra pessoa cantando.


Mais um cover, 'Biotech is Godzilla' (Sepultura/Jello Biafra), sensacional!


'A cola' é uma piada, parece que alguém chega com a cola, usam a cola e ficam escutando um som ao fundo (que eu não consegui identificar) e rindo... :)


'Kill the Varukers' fecha o EP, disco curto, com alguém que não é o João cantando, que depois entra urrando no refrão. Metal!!!

Lapadas do povo, Raimundos



Permanecemos nos sub gêneros metálicos, o forrocore, invenção dos Raimundos.

Este disco puxa um pouco mais pro metal, com guitarras poderosas e extremamente bem gravadas. Inclusive foi gravado em Los Angeles (Sound City, onde Nirvana, Rage Against the Machine e Red Hot Chili Peppers tb gravaram), com letras mais sérias, o que pode ter sido o motivo de ter vendido bem menos do que seus antecessores.


E o disco começa bem com as guitrras se sobrepondo em 'Andar na pedra'. Um efeito flanger no final maneiríssimo.


Na seqüência a rapidíssima (1:03) 'Véio, manco e gordo', hardcore paulada na moleira!


'O toco' é mais no estilo antigo da banda, guitarras pesadas mas sem muita velocidade, vocais bem sacados no refrão mais pop.

"Fiz um toco grande e frouxo

Pra ficar com o olho roxo

Queimar meu dedo no fim

Ela veio trazendo o peso

E eu com medo de ser preso

Pintar meu dedo no fim "


'Poquito más' é um rockão com letra estranha e guitarras pesadas com riffs pegajosos, legal. Tem até uns metais fazendo fundo num clima quase mexicano tipo Fishbone!


'Wipe out' é daquelas pesadas e suingadas, a galera devia estar ouvindo Pantera. Wipe out significa a temida e conhecida vaca numa onda grande, quando vc se dá mal mas a galera da areia se diverte...Mais boas e pesadas guitarras, com solo de wah-wah magrinho.


'CC de com força' é mais uma aceleradíssima e curta. E é escatologicamente sobre cecê mesmo.


Mais uma acelerada, 'Crúmis odámis', pancadaria sem parar.

"(Eu sei que tem) eu sei que tem gosto pra tudo

A moda vai, a moda vem, o tempo passa e eu não mudo

E até pensando bem filho da puta de um sortudo

Durmo mal, comendo bem, fazendo grana pelo mundo"


'Bonita' é daquelas quase baladas que os Raimundos faziam muito bem, apelo pop com roupa punk, que deu origem a muito do emo de hoje em dia. Mas a culpa não é deles, né? Quem cria não pode se responsabilizar pela diluição.


'Ui ui ui' é mais rapidinha (0:47) e escatológica do disco.


A surpresa vem com a versão da música 'Oliver's army' do Elvis Costello! Bem legal, até com mais vigor que o original, o que também não é difícil.


'Nariz de doze' é uma letra meio enigmática sobre uma nave de marcianos que cai perto do maluco que escreveu a letra, se é que eu entendi isso direito. Bom riff e bom solo.


'Pequena Raimunda' é também uma versão, desta vez de 'Ramona' dos Ramones, que mesmo fiel ao original, ficou legalzinha. Só não sei como autorizaram essa letra lamentável...vale pela diversão.

"Olhe só Rodrigo, Rodolfo,Fred e Canisso

Feia de cara mas é boa de bunda

Olhe só é a Pequena Raimunda.

Se ela tá indo até que dá pra enganar,

Se ela tá vindo não é bom nem olhar,

Ela de 4 fica maravilhosa,

Na 3x4 é horrorosa"


'Baile funky' é a minha preferida, bem pesadona, guitarronas, riff thrash em fusas tipo Metallica/Slayer, letra (um pouco) melhor. Boa pra malhar!

"A porta tá sempre aberta pro povo

Casca do cerrado chegaram os mortos de fome

Sujeira de outra parte que vem pra sujar seu nome

Eu te falei que o ladrão que rouba mesmo

É bem vestido e eu vi de monte

Essa zoada no telhado é o vento que a vida leva

É o pensamento antiquado, te apaga queimando a erva

Enraizado fica o dono do pé que finca na terra

E faz a ponte Povo de Zé ofensa

É na igreja que o povo esvazia as bolsa

Tem quatro santos, três queimando o kunk

Decidindo o destino dos outros como se fosse Deus

Atrás da mesa o açougueiro comanda

E a intolerância me manda de novo pro banco dos réus

Armando com propaganda"


'Bass hell (Bônus crap)' é a experimental, programações eletrônicas com baixo em loop, scracth by DJ Romes, guitarra funk e aí no meio entra o peso dos infernos, depois volta pro balancinho soft.


Bom disco, mas mal sucedido comercialmente.

Música para beber & brigar, Matanza

Para o Zeba, que é curioso acerca das subdivisões metal, chega a surpresa do domingo metal: o countrycore!! ;)
Uma mistura louca de uns mutcho loucos cariocas (Jimmy London, autor da lapidar "Estou cagando para os meus fãs, sou músico, não sou modelo de vida", e seus comparsas Donida nas guitarras, China no baixo e Fausto na bateria) que gostam de punk quanto de Johnny Cash e até de música irlandesa.
Pesado e divertido, ao mesmo tempo violento e mal-humorado, não é uma banda para ouvidos fracos e frescos.
Este aqui é o segundo álbum da banda, que depois disso, até hoje 2011, gravou mais 2 de inéditas e um tributo matador ao citado Johnny Cash (To hell with Johnny Cash).
Este é um dos discos que me anima muito a postar aqui, pois é uma banda muito legal e pouquíssimo conhecida.

'Pé na porta, soco na cara' já dá o tom! "e toda paciência um dia chega ao fim...essa noite vai dormir feliz"...Refrãozão, deve ser boa de começar shows.

'O último bar' já apresenta elementos country, pesadão, além do clima velho oeste.
"O último bar quando fecha de manhã
Só me lembra que não tenho aonde ir.
Bourbon tenho demais,
Mas que diferença faz se você não está aqui pra dividir?
Toda noite tem sempre alguém pra me dizer,
Que mulher que vai querer te ver assim.
Pleno festival, mulherada, carnaval e eu aqui
Com uma garrafa já no fim"

'Todo ódio da vingança de Jack Buffalo Head' começa meio instrumental, de repente dá uma acelerada e atropela.
"Meio dia pego o trem
que dessa cidade eu ja cansei
Todas puta ja comi
o que tinha de roubar eu ja roubei
Quem vai me dizer se eu to errado
se eu to vivo muito bem e não tem pra ninguem
Quem tentou me segurar pro inferno mandei
Procurado vivo ou morto
no retrato até que eu fiquei bem"

'Maldito hippie sujo' é mais pesadona e cadenciada com um riff bacana de guitarra pesada. E polêmica, ou engraçada se vc ouve como piada.

'Bota com buraco de bala' é um quase romântica, meio rock'n'roll acelerado, com um slide muito legal.
"Eu sei que ela me ama, e eu vivo só por isso, mas não é exatamente um paraiso.
Com ela eu não discuto é sempre sim senhora, e quando fica puta pega as coisas e vai embora.
E não há nada que eu diga, não há nada que eu peça, com essa vagabunda eu não consigo ter um pingo de conversa.
E só o que sobrou foi um buraco de bala"

'Taberneira, traga o gim' dá uma desacelerada, mas mantem o nível alcoólico...aquele efeito conhecidíssimo "que fica a cada drink mais bonita".

'Interceptor v-6' fala sobre carro, tema comum no rock'n'rol, no caso um Diplomata, "nem o demônio eu vi bebendo tanta gasolina". Punk acelerado. Tem um fim falso surpresa.

'Busted' é uma versão de uma música do Cash, bem de leve, aquele ritmo de valsa country. Porra, eu não queria gostar de algo como Johnny Cash, mas eu adoro. Mais ainda no vozeirão original.

E aí vem de volta a porradaria na sensacional 'Bom é quando faz mal'!
"20 caixas de cerveja
um barril de puro whisky
Quilos de carne vermelha
Fique longe não se arrisque
Não importa onde esteja
E sempre onde tem mais barulho, maior cheiro de bagulho
Disso eu me orgulho
Vai saber o que é normal?
E só que eu posso lhe dizer:bom e quando faz mal!
Conseqüência qualquer coisa traz
Quando é bom nunca e demais
E se faz bem ou mal tanto faz, tanto faz, tanto faz..."

'Pandemonium' começa com um trovão e depois vem a guitarra com um riff punk aceleradíssimo, contando uma história de bebida, assassinato e ressaca...No meio dá aquela quebrada cadenciada meio heavy pro solo simples e eficiente.

'Quando bebe desse jeito', countrycore acelerado com slide country sinuoso e banjo discreto, é auto-explicativa, né? Mas de qualquer jeito segue um pouco mais da letra:
"Segunda-feira, dia do bebum profissional
Mal a noite cai, já vai cair no mal
Nunca vai faltar um bom motivo pra quem quer se divertir
Não precisa de momento nem de ocasião
Todo dia é dia, é só chamar que vai
Tudo que não presta, certamente, deixa a vida mais feliz"

'Matarei', mais do mesmo estilo divertido, um pouco mais metal pé-na-porta, boa pra roda de pogo ao vivo!

Pra terminar a grossa balada country acelerada 'Bebe, arrota e peida'. Minha filha adorava essa música quando era menorzinha, mas em geral não faz muito sucesso com o público feminino, claro, ainda mais com essa letra:
"Chega já pedindo a saideira
Mais é saideira uma atrás da outra
e assim lá pela décima terceira
Já tá trocando o nome da garota
Não vá não, fique por aqui
Você não tem nenhuma condição de dirigir
Não consegue se manter de pé
Bebe, arrota e peida bem na frente da mulher"
IIIIHAAAAAAAA!!!!

Quem sabe uma hora o Tarantino não descobre os caras.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

E depois do Soulfly...Blunt Force Trauma, Cavalera Conspiracy



Na verdade o Soulfly não acabou, esse aqui é só um projeto dos irmão Cavalera, a saber Max (guitarras e vozes) e Igor (baterias e percussões, possivelmente programações, tendo em vista seu projeto Mixhell, de música eletrônica, ao lado de sua esposa DJ).

Essa resenha foi copiada, com a devida autorização do seu autor - Ben Ami Scopinho, do excelente blog http://collectorsroom.blogspot.com. O Ben acho que também é colaborador do whiplash.net.

Roubarei outros, hein, Ben! Tem muitas resenhas boas de discos de metal/rock nacionais, além de muitas excelentes matérias sobre colecionadores (dããã, foi daí que veio o nome da coluna original no citado Whiplash) e rock em geral!

(Dão)


Taí então o que você queria:


Por motivos óbvios, foi natural que parte do público ligasse o antigo Sepultura ou o próprio Soulfly à Inflikted, o debut que os irmãos Cavalera liberaram em 2008. Pois bem, agora está chegando ao mercado nacional Blunt Force Trauma, um sucessor que mostra o Cavalera Conspiracy procurando se estender além da violência do thrash metal, hardcore e punk proporcionada por seu antecessor.


É claro que Blunt Force Trauma mantém muitos dos conhecidos elementos nas estruturas de suas composições, em especial o thrash e hardcore, e tudo com aquele simplicidade que há tempos se comprovou atraente. Se não há muito espaço para Igor explorar sua fissura tribal, ou os riffs sejam apenas apenas eficientemente genéricos, é nos solos de guitarra onde reside um dos pontos positivos de Blunt Force Trauma, com Marc Rizzo mostrando definição e explorando as melodias com muito bom gosto.


E essa melodias também estão espalhadas pelo corpo de várias faixas, e empregadas de tal forma que até conseguem amenizar em parte a faceta realmente e tão típica de Max. Investindo com força no groove, o resultado é um repertório com um dinamismo que não se encontrava no disco anterior e, sem ser particularmente inovador ou original, o Cavalera Conspiracy mostrou que vai fazer as coisas como desejar, independente das críticas que surjam por aí.


Assim, desde a muita velocidade de “Thrasher”, com algumas passagens tipicamente death metal; a mais moderna “I Speak Hate”; “Lynch Mob”, que tem como convidado Roger Miret (Agnostic Front) dividindo as vozes com Max, o que a distingue do resto do repertório; ou a excelente “Genghis Khan”, são exemplos de muita diversidade e atrairão os mais variados gostos entre o público.


Curiosamente, Max alardeou por aí que este novo álbum faz com que Inflikted soe como música pop – um exagero típico. A realidade é que, mesmo sendo muito agressivo, a adoção dessas tais melodias aí poderão ser um motivo para a discórdia entre as diferentes gerações de fãs.


Mas, enquanto alguns ficam discutindo prós e contras, outros passarão o tempo curtindo Blunt Force Trauma, que se revelou um discaço!


Faixas:

1 Warlord

2 Torture

3 Lynch Mob

4 Killing Inside

5 Thrasher

6 I Speak Hate

7 Target

8 Genghis Khan

9 Burn Waco

10 Rasputin

11 Blunt Force Trauma


(Ben Ami Scopinho)

domingo, 22 de maio de 2011

Vingança, Azul Limão


Voltamos à programação metal e, conseqüentemente, às capas toscas e bizarras...
Entre outras idiossincrasias, o heavy metal é criticado por uma temática de fantasia, castelos, dragões, satanismo etc.
Mas esse disco também traz letras mais contemporâneas e críticas, APESAR da capa acima.

Como cantava a torcida mais gay do Rio 'recordar é viver'.
Representante do metal carioca dos anos 80, esse disco foi gravado em condições 'precárias', mas mesmo assim traz um som razoável (para a época, claro), principalmente o instrumental típico, já que a voz tem uma sonoridade sofrível, principalmente nos momentos 'gritos a Rob Halford', justamente pela provável inexperiência do estúdio em gravar esse tipo de som, aliado ao fatos de que o vocalista (Rodrigo Esteves) não é o Rob Halford nem o Bruce Dickinson e ainda os vocais não terem sido 'dobrados', recurso freqüente que encorpa vozes, principalmente agudos sem punch.

Lembro de vê-los tocar no arcaico Caverna II, 'templo do metal carioca' (depois honradamente substituído pelo Garage), que ficava ao lado do shopping Rio Sul próximo ao Canecão, no Rio de Janeiro, junto com outras bandas daquela época, tais como Calibre 38, Metalmorphose e Dorsal Atlântica (que em breve terá um disco postado aqui). Naquele solão de 40ºC e a galera toda de preto e coturnos...é, o metal não foi feito pro Rio, como desmonstram a ausência freqüente de shows que não mais passam por lá. Também tocavam no Circo Voador às vezes, dividindo inclusive o palco com Robertinho do Recife na sua fase metal e o lendário guitarrista, hoje habitante de Joinville, Celso Blues Boy (que também merece um disco por aqui). Tempos mais tolerantes.

Também lembro de demo-tapes que tocavam na rádio Fluminense FM, nos programas Guitarras e Rock Alive, quando eu e meu irmão Adolpho ficávamos com as fitas K7 a postos para gravar algo inédito e/ou interessante, não necessariamente ao mesmo tempo... O Azul emplacava às vezes 'Johnny voltou' e 'Não vou mais falar', depois regravada para este álbum aqui resenhado.

Antes, chegaram a gravar um compacto para o selo B.B. Records do Billy Bond, no estúdio da Polygram, mas não foi lançado por ser 'muito pesado' para as rádios rock da época, rendendo só uma versão bem gravada de 'Satã clama metal', tocada na programação da Maldita.

Trata-se de um disco curto (acreditem, já existiram discos com menos de 70 minutos, nos tempos do vinil!) e com letras ingênuas. Mas é original, com estilo e garra. E é METAL, porra!

Começa com uma 'Introdução' rápida e emenda em 'As portas da imaginação', que 'não são mais que ilusão'. Música que começa rápida e dá aquela quebrada no meio. Volta a acelerar e tem um belo solo com ótimo som (milagroso!) quase no fim.
'Satã clama metal' é legal, rápida e na adrenalina, mas é quase caricato com a letra típica.
'Sangue frio' é minha preferida, um blues heavy com aquela levada pesada e as convenções típicas. Além disso, a voz é menos gritada, e aí vemos que é bonita. E a letra também é bem melhor:
"Dias e noites passam
E eu sempre a procurar
Alguém que possa ver
Ou entender o que eu vou tocar
Às vezes me sinto só
Ao lado da hipocrisia
Virei um homem de metal
Perdia a noção de gostar
Somos o corte profundo
Luz do sol"
(Tá tudo bem, não é Caetano, mas nem é pra ser, né?)
Tem um solo bem bonito também, sem malabarismo e emocionante, com vocais coletivos fechando bem com os 'ô ô ôs'.
'Fora da lei' é mais um boa música, com intro metal e acelerada depois, e um baixão na cara. Mas a voz parece outra língua, totalmente incompreensível...exceto no refrão. Aqui um solo rápido e legal, mas mixado baixo. Urros e bateção de cabeça!
'Não vou mais falar' é uma das que tocava em rádios, boa música bem canata e tocada, com apelo quase pop e uma letra interessante:
"Não vou mais falar em amor
Pois o ódio se apossou
Não vou mais falar em estrelas
Pois o universo todo se apagou
Só este sonho permanece
Só essa vida me enlouquece
Estou perdido, perdido no espaço
Quero acabar com o meu cansaço
Tudo que eu tenho é rock’n’roll
Pois só ele me dominou
Não vou mais falar em paixão
Estou derrotado, caído no chão"
Ainda se cantava em português o metal nacional. Em inglês, tirando o Sepultura, eu nem ouço.
'O grito' é mais uma no clima blues metal, com um bom riff e mais uma vez a bela voz cantada. No meio tem uma guitarra limpa bonita que caiu muito bem na mixagem. E um solo magistral, dobrado com perfeição, depois espalhado e dialogando pelos canais direito e esquerdo (apesar dos elogios da Andréa, esses aspectos técnicos às vezes são entediantes pra quem não é músico, eu sei).
"Se num mar de estrelas
Nós vamos deitar
Com o mais lindo sonho
Nós vamos sonhar
Ver a liberdade fatigando a mente
Entrando num mundo que tudo é diferente"(sic)

'Você não faz nada' é a menos legal pra mim, mais uma rápida mas com uma letra ainda atual:
"Pra tanta violência basta indiferença de quem pode mudar, de quem pode gritar
E você não faz nada
E você não faz nada "

O disco termina bem, com a acelerada faixa título, onde se ouve melhor a voz e seus gritos em falsete, além do instrumental nítido e o solo de bateria no fim.

A banda, além do vocal citado, tinha os seguintes músicos: Ricardo Martins (bateria), Vinícius Mathias (baixo) e Marcos Dantas (guitarra). Depois Rodrigo foi cantar ópera na Espanha(!!), o baixista também deixa a banda e rola um show de despedida em 1989, sendo que por duas vezes, em visitas do Rodrigo ao Brasil, a banda tocou no Garage. Marcos e André Chamon (baterista do Stress que chegou a tocar com o Azul numa reencarnação mista) formaram o X-Rated, banda de metal que chegou a ter alguma projeção local.