Mostrando postagens com marcador 1973. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 1973. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Chico Canta (Calabar: o elogio da traição)


À esquerda, a primeira capa, branca após censurarem a capa original com Calabar escrito, e à direita, a capa de outras edições, com o nome Chico Canta



Após serem citados três álbuns do Chico Buarque no presente blog (um que eu mesmo tinha escrito – Construção), percebi que certamente caberia mais. Um deles, em especial, merece uma atenção especial: Calabar (cujo nome foi censurado e ficou Chico Canta).

Entre 1972 e 1974, em parceira com Ruy Guerra, Chico Buarque escreve uma peça musical denominada “Calabar: o elogio da traição” tendo como tema a vida de Domingos Fernandes Calabar, senhor de engenho do início do século XVII que se aliou aos holandeses e que, por isso, foi condenado e entrou na história (escrita pelos portugueses) como um traidor.
Capa original censurada
Na véspera da estreia da peça, a Policia Federal censurou totalmente a sua apresentação, estendendo a proibição à divulgação de que o espetáculo tinha sido proibido. Quanto ao disco com a trilha do musical, o nome Calabar foi proibido. Por isso, o disco teve que excluir seu nome e foi lançado apenas como “Chico Canta”. Muito mais do que questionar versões oficiais e demonstrar que a história depende de quem a escreve, a peça foi uma forma inteligente de questionar a própria ditadura que o Brasil vivia no início da década de 1970.

O disco começa com uma canção instrumental denominada “Prólogo”, para emendar em uma das minhas preferidas do Chico: “Cala a Boca, Bárbara”, canção que apresenta as faces romântica e política lado a lado. Como pessoalmente não conhecia o teor exato da peça proibida, fui pesquisar sobre quem seria a personagem Bárbara e encontrei uma análise muito interessante feita pela ensaísta Adélia Bezerra de Meneses, professora de literatura da USP e da Unicamp e autora de dois livros que dissecam a poética de Chico Buarque em entrevista à CULT ( ver http://revistacult.uol.com.br/home/2010/03/lirismo-e-resistencia-de-chico-buarque).

 “O “Cala a boca” que marca a canção estigmatiza a peça e os tempos que a geraram: remete ao mesmo silêncio imposto de “Cálice” (= Cale-se) da época em a canção foi produzida, a década de chumbo dos inícios dos anos 70, auge da ditadura militar; mas também remete a uma imposição de silêncio, à proibição de pronunciar o nome de Calabar, personagem da história colonial do Brasil, na época do domínio holandês, e que tinha sido julgado pelos portugueses como traidor, executado e esquartejado, e condenado à extinção de sua memória, o que implicaria a proibição de mesmo pronunciar o seu nome (o que é infringido na canção, à força de repetição do refrão: CALA a boca BARbara: CALABAR). E esse é um dos mais belos poemas eróticos da língua portuguesa.”

A terceira é a bela “Tatuagem” (quero ficar no seu corpo feito tatuagem... que é pra te dar coragem..pra seguir viagem...quando a noite vem..).

“Ana de Amsterdam”, que vem na sequência, é outra música que retrata uma personagem da peça, no caso uma prostituta holandesa que cruzou o oceano em busca de dias melhores. Ana de Amsterdam reaparece na canção seguinte (“Bárbara”) em um tocante diálogo de amor entre as duas: Bárbara... Bárbara..nunca é tarde, nunca é demais. (...) Vamos ceder enfim à tentação das nossas bocas cruas ..E mergulhar no poço escuro de nós duas.”

As próximas duas (“Não existe peca ao sul do Equador/ Boi Voador não pode”), gravadas juntas, são marchinhas de carnaval levadas com muita alegria. A censura moralista novamente incomodou e o Chico teve que trocar o verso “Vamos fazer um pecado safado debaixo do meu cobertor” por “Vamos fazer um pecado rasgado, suado, a todo vapor”. Anos depois, ao ser gravada por Ney Matogrosso, atingiu grande popularidade.

“(...) Sabe, no fundo eu sou um sentimental...Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo... (além da sífilis, é claro)...Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar. ..Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora. (...)”

“Fado Tropical” (com pequeno trecho citado acima), tem, como o próprio nome diz, o tradicional ritmo lusitano que dá nome à música, uma verdadeira poesia. Nesta há partes cantadas por Chico Buarque, que se contrapõem aos lindos versos recitados por Ruy Guerra. O resultado é belíssimo. Para variar, a censura novamente interferiu e mandou suprimir a palavra “sífilis”. Na gravação final restou um breve silêncio no lugar.

Depois do romantismo de “Tira as mãos do mim”, “Cobra de Vidro” retoma a crítica política finalizando sensacionalmente com vários Presta Atenção com inegável tom policialesco.

“Vence na Vida quem diz sim” teve a letra totalmente censurada, restando na primeira versão do disco apenas a versão instrumental. Posteriormente, com a letra um pouco alterada, Nara Leão gravou-a, com a participação do Chico Buarque.

Para fechar o álbum, a breve e contundente “Fortaleza”: (...) minha fortaleza é de um silêncio infame... Bastando a si mesma, retendo o derrame... A minha represa”. Simples e forte ao mesmo tempo.


Sou obrigado a confessar que quando comprei esse disco (em formato CD há uns 20 anos) e com o nome de “Chico Canta” (com a sua foto de perfil na capa), desconhecia a sua história e até mesmo o fato de que o nome era para ser “Calabar”. Mesmo assim sempre gostei muito desse disco a ponto de, como muito bem lembrou a Carol, ter sido o escolhido como trilha sonora para o primeiro café da manhã que fiz para ela. Quanto à capa, tempos depois de ter sido lançado com a branca ou ainda com o seu perfil, o disco finalmente teve sua capa original divulgada. Pena que nos tempos atuais poucos compram CD ou vinil.

Sobre a influência dos anos de chumbo, que se caracterizou pela forte repressão e censura na primeira metade da década de 1970, em entrevista à Rádio Eldorado em 1989 (encontra-se em seu site oficial www.chicobuarque.com.br) Chico Buarque  diz o seguinte:

“Existe alguma coisa de abafado, pode ser chamado de protesto... eu nem acho que eu faça música de protesto....mas existem músicas aqui que se referem imediatamente à realidade que eu estava vivendo, à realidade política do país”.

De fato, fica evidente essa relação e só temos a agradecer o Chico Buarque por ter transformado esses graves obstáculos políticos em inspiração para compor e encantar. Triste é constar que quarenta anos depois, Chico Buarque ao invés de lidar com estúpidos censores de uma ditadura, tenha que aguentar os filhotes da ditadura que voltam a perturbar todos aqueles que, como Chico Buarque, lutaram por um país mais democrático. A esses, resta dizer um sonoro "Tire as Mãos de Mim!"

Para escutar esse verdadeiro clássico da MPB pode-se utilizar o aplicativo de músicas Spotify: https://open.spotify.com/album/2HbAJZnA6a8orrEtZEooRH

Paul

domingo, 22 de fevereiro de 2015

"Eu quero é botar meu bloco na rua", Sérgio Sampaio





Capixaba de Cachoeiro do Itapemirim, tal como Roberto Carlos, chegou no Rio de Janeiro em 1967 para dar início a sua carreira artística, a começar com trabalhos em rádios como locutor. Após um início repleto de dificuldades e vivendo intensamente as noites cariocas, conheceu Raul Seixas, quando este era produtor da CBS, e gravaram juntos A Sociedade da Grã-Ordem Cavernista apresenta Sessão das 10 (disco que também merece uma resenha nesse blog), em companhia de Edy Star e Míriam Batucada em 1971, inspirado por Freak Out (1966), de Frank Zappa e Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967), dos Beatles

Em 1972, sua carreira finalmente parecia que iria decolar quando apresentou-se no VII Festival Internacional da Canção com a marcha-rancho “Eu Quero é Botar meu Bloco na Rua”. Apesar de não ganhar o festival, foi um imenso sucesso popular, servindo como carro-chefe para que o disco das melhores canções do VII FIC chegasse a 500 mil cópias vendidas. Parte do seu sucesso pode ser atribuída ao fato de sua letra simbolizar tão bem um sentimento coletivo na época do auge da repressão imposta pelo regime militar no Brasil.

No ano seguinte, catapultado pelo sucesso dessa música, assinou com a Philips/Polygram para gravar um disco com esse mesmo nome. Segundo André Midani, presidente da gravadora na época, Sérgio Sampaio chegou à gravadora como um artista completo[1].

Produzido por ninguém menos que Raul Seixas, acompanhado ainda por músicos como José Roberto Bertrami, Alexandre Malheiros, Ivan Conti, Renato Piau e Wilson das Neves, o disco inicia-se com a criativa “Leros, Leros e Boleros”, cujo ritmo faz mesmo menção a um bom bolero e segue com a ótima “Filme de Terror”, que inspirou um criativo vídeo de Antonio Celso Barbieri (https://www.youtube.com/watch?v=M2RjMh17CVk).

Em seu conjunto, o vinil apresenta algumas canções mais autorais (“Pobre meu Pai”, “Eu sou aquele que disse”), outras mais melódicas (“Não tenha medo não”) e por fim algumas com uma batida mais ritmada como “Labirintos Negros”. 

Destaca-se ainda a ótima “Cala a boca Zebedeu”, composta por seu pai, Raul Sampaio, maestro de uma banda em sua cidade natal; a bela letra de “Viajei de Trem”, que conta com a participação de Raul Seixas; e o animado samba “Odete” (não é vivendo que se aprende, Odete... mas é vivendo que se aprende a viver), em que cita trechos de “Que Maravilha” de Jorge Ben.

O disco culmina de maneira apoteótica com “Eu quero é Botar meu Bloco na Rua”, a sua mais conhecida e tantas vezes regravada, e finaliza com “Raulzito Seixas”, uma espécie de homenagem ao seu parceiro que o ajudou no início. Para escutar o disco mais facilmente para quem não conhece, recomendo acessar: https://www.youtube.com/watch?v=etf6oyZmS-A

Apesar de músicas como Cala a boca, Zebedeu", "Odete" e "Viajei de trem" terem tocado nas rádios, infelizmente as vendas decepcionaram (estima-se em 5 mil cópias). Nessa época, Sérgio Sampaio já era muito conhecido pelo seu comportamento inquieto, um artista fora do sistema,  considerado para muitos como o maldito da MPB. Como diria Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello, com seu porte magérrimo, seu cabelão comprido e seu comportamento bizarro, sempre bebendo, cantando ou gargalhando com espalhafato, ele jamais poderia passar despercebido ao mais distraído habitué de bares da zona sul carioca[2]

Nos anos 1970 e início dos 1980 teve ainda dois discos lançados (o último de forma independente) e acabou atravessando a maior parte da década de 1980 esquecido, embora compondo canções cada vez mais aprimoradas.

Tentou retomar a carreira nos anos 1990 mas morreu antes de finalizar seu novo trabalho, “Cruel, que acabou sendo posteriormente produzido e lançado por Zeca Baleiro em 2006. Em termos de melodias e qualidade das canções, pode-se afirmar que o resultado desse último trabalho supera o aqui citado, mas optei por começar com esse pela sua importância histórica com o intuito mais de falar do artista do que do disco em si. 

Embora sua importância para a música brasileira tenha sido relegada a segundo plano durante muito tempo, felizmente nos últimos anos trabalhos como a sua biografia escrita por Rodrigo Moreira; regravações interpretadas por cantores como Zeca Baleiro e Elba Ramalho; ou ainda o documentário "Cabine 103", de Julia Bosco (filha de João Bosco), Gustavo Macacko e Juliano Rabujah, com direção de Chico Regueira e Inês Garçoni (https://www.youtube.com/watch?v=yAS3nrLn8_U) tem contribuído para o justo resgate de sua memória. 

Depois de tanto tempo vivendo no ostracismo e após sua morte quase no esquecimento, nos damos conta da falta que nos faz artistas que como ele que contestam o sistema e que, fundamentalmente, vivem com intensidade. De acordo com Sérgio Natureza, seu parceiro em diversas canções e autor do prefácio do livro de Rodrigo Moreira, Sérgio Sampaio foi o verdadeiro "Garrincha da MPB" devido à postura rebelde e não enquadrada que sempre norteou sua vida. Tal como o eterno camisa 7, Sérgio Sampaio morreu abandonado, mas nos deixou um belo legado.[3]

[Paul]  



[1] MIDANI, André. Mùsica, Ídolos e Poder – do vinil ao download, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.
[2] SEVERIANO, Jairo e HOMEM DE MELLO, Zuza, A Canção no Tempo – 85 anos de músicas brasileiras, São Paulo: Editora 34, 2006 (5ª. Edição).
[3] Parte das informações que constam aqui é de Bruno Ribeiro, no site: http://www.samba-choro.com.br/artistas/sergiosampaio, obtido em 22 de fevereiro de 2015.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Todos os olhos para Tom Zé


Nos antigos discos de vinil, uma das vantagens era que as capas assumiam um papel muito mais importante do que nos práticos CDs, a ponto de algumas terem se tornado verdadeiras obras de arte. O problema era quando a capa acabava adquirindo uma importância maior do que a obra musical em si, como ocorreu em Todos os Seus Olhos, disco do Tom Zé de 1973. Nesse caso a polêmica levantada pela capa que seria uma foto de uma bolinha de gude em um ânus em pleno regime militar acabou relegando às canções um papel secundário, mesmo quando tinham todos os elementos para serem protagonistas. Desse modo, o presente post tem como objetivo recolocar as coisas no seu devido lugar.

Confesso que só vim a conhecer efetivamente esse disco há cerca de 10 anos, quando Charles Gavin, baterista do Titãs e também grande estudioso da música brasileira, passou a relançar clássicos de vinil em formato CD, inclusive juntando duas obras de cada músico (esse disco foi relançado juntamente com o também memorável Se o Caso é Chorar, em 2000).

Contando com um texto de apresentação do poeta concretista Augusto de Campos (dando pistas da trilha a ser seguida por Tom Zé), o disco abre (e termina) com “Complexo de Épico”, uma nítida resposta provocativa à canção “Épico”, do ex-companheiro do movimento tropicalista Caetano Veloso, que naquela época seguia rumo completamente distinto.

Todo compositor brasileiro é um complexado...

Porque então essa mania danada,

Essa preocupação de falar tão sério,

De parecer tão sério...

O recado estava muito explícito nessa canção em que Tom Zé exagera na tintura “cabeça” (digamos que não é daquelas de fácil audição).

Em seguida, uma releitura de “A Noite do Meu Bem”, de Dolores Duran (única canção que não é de sua autoria no disco), introduzindo alterações no ritmo da clássica canção. Dois anos depois, em Estudando o Samba, ele repetiu a mesma experiência na canção “Felicidade” de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. O resultado surpreende em ambos os casos.

Depois de “Cademar” (parceira com Augusto de Campos), em “Todos os Olhos” Tom Zé aproveita para negar o papel de “herói” que muitos esperavam dele: (...) Mas eu sou inocente, eu sou inocente, eu sou inocente. O disco segue com um criativo diálogo musical com Odair Cabeça de Poeta em “Dodó e Zezé” e um animado forrozinho “Quando eu era sem ninguém”, para adotar um Tom completamente melancólico em “Brigitte Bardot”, que nos dias de hoje poderia facilmente ser adaptada a tantas outras musas de outrora.

A Brigitte Bardot está ficando velha

Envelheceu antes dos nossos sonhos(...)

E os nossos sonhos querem pedir divórcio(...)

A seguir, as ruas de São Paulo adquirem vida própria na “Augusta, Angélica e Consolação”, uma linda homenagem desse baiano à cidade que ele havia adotado. Além de original, a letra finaliza com uma bela passagem:

Eu fui morar na Estação da Luz

Porque estava tudo escuro

Dentro do meu coração.

No seu disco anterior (Se o Caso é Chorar) já havia utilizado do mesmo subterfúgio na excelente “A Briga do Edifício Itália com o Hilton Hotel”, quando as personagens eram prédios invejosos da capital paulista, que continua com vida própria na canção seguinte, “Botaram Tanta Fumaça”, uma espécie de xote que fala das doenças que a cidade estava enfrentando com tanto lixo e fumaça. Lembre-se que estamos falando do início dos anos 1970, quando qualquer preocupação ambiental mal existia e a tônica vigente era de que as indústrias traziam “progresso”.

A fase concretista de Tom Zé volta com força total em “O riso e a faca” . Antes de finalizar novamente com “Complexo de Épico”, o cantor brinca com sons, tempos e contratempos na música “Um oh! E um ah!”.

Enfim, nessa obra Tom Zé desfilou criatividade e originalidade, alterando os estilos, com canções que conseguiam ser ao mesmo tempo poéticas e provocativas.

Quanto à capa, recentemente o fotógrafo Reinaldo de Moraes, autor da foto, revelou que a idéia de Décio Pignatari era, de fato, retratar um ânus, mas que depois de muitas tentativas infrutíferas com uma namorada de ocasião anônima, acabaram mesmo tirando foto da bolinha de gude na boca dela. Nessa, até o Tom Zé foi enganado, e se divertiu com isso, como revelou posteriormente.

[Paul]

terça-feira, 31 de maio de 2011

Krig-Ha Bandolo!, Raul Seixas



Toca Raul, né?! Só tinha um por aqui, falha lamentável. Por falar nesse único post, ele foi comentado por dois colaboradores, tomara que isto se repita com este aqui, sintam-se à vontade para agregar suas impressões e experiências ao clássico do nosso Maior Herói Cult Underground Alternativo e Maluco!

Na verdade isso seria muito legal, um disco com todos nossos colaboradores (inclusive aqueles que ainda não colaboraram...), qual seria o mais próximo da unanimidade? Porque o blog é sobre música, mas também é sobre nós mesmos.


'Krig-Ha Bandolo' parece uma invocação mágica, mas é uma expressão usada nos quadrinhos do Tarzan, um grito de guerra que significa 'cuidado com o inimigo'.


Este aqui é o primeirão solo, também o que inaugura a produtiva e criativa parceria com o compositor e Mago Paulo Coelho.


O disco começa estranhíssimo, com uma gravação de Raul aos 9 anos cantando o clássico do rock'n'roll 'Good rockin' tonight'.


E já emenda com um dos muitos clássicos eternos de nosso querido roqueiro baiano, 'Mosca na sopa', que mistura capoeira com rock'n'roll! Gêêênio!!!! Tudo que incomoda cabe aqui, e MUITA coisa incomoda, não é mesmo?!


Mais um clássico absoluto, 'Metamorfose ambulante', muito cantada e pouquíssimo praticada.

"Prefiro ser essa metamorfose ambulante

do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo"

Perfeita, redondinha, intro com vocais femininos inspirados, versos afiados, guitarra bonita, refrão no início de surpresa, depois de novo mais empolgado e uma melodia dificílima de manter afinada naquela modulação no meio...pegadinha antecipada para a praga dos karaokês...


'Dentadura postiça' é muito legal, só pouco conhecida porque o repertório do disco é muito foda mesmo. Country acelerado, rimas inteligentes, letra afiada. Raul.


'As minas do Rei Salomão' é mais um country, um pouco mais conhecida, em algumas rodas de violão pelas últimas gerrilhas hippies pelo Brasil adentro às vezes alguns cantam junto depois do indefectível bordão nacional: "TOCA RAUL". Sempre, sim, senhor. A versão mais recente, da última versão 'remasterizada', tem um efeito de modulação na voz que eu nunca tinha percebido.


'A hora do trem passar' é uma daquelas belas baladas quase bregas dele, mais uma desconhecida pela comparação. Pianão e um teremim(?).


'Al Capone' é a anima festa/show/bailão. Mas ainda é uma letra atemporal, pelo que têm de eterno seus personagens e situações históricas. Nada bobo o nosso herói metafórico. Mas talvez inteligente e pioneiro demais pra ser perigoso no seu tempo.


'How could I know', em ingrês mesmo, dizem que foi em homenagem a Elvis, mas a letra cita palavras de Dylan. Ou eu viajo também, vai saber...


'Rockxixe' é das minhas preferidas, metais bonitos, arranjo vigoroso, letra muito confiante pra um primeiro disco. Toca Raul, porra! Mas toca essa aqui!!

"o que eu quero eu vou conseguir

pois quando eu quero todos querem

quando eu quero

todo mundo pede bis"


'Cachorro urubu', baladão de estrada, quase uma vinheta. Legal.


E o disco termina literalmente com chave de ouro, 'Ouro de tolo', uma letra provocadora pra sacudir (mas que traz um mito erradíssimo, o tal 'que só usa 10% de sua cabeça, animal', o cérebro não é assim; pois é, Raul também erra; nem vou comentar sobre discos voadores pra evitar ser pára-raio de maluco, mas tem gente que acredita que o homem não foi a lua, não tem?), um vocal aparentemente desleixado que me incomodava muito. Mas o cara foi produtor, caprichosíssimo e atencioso em tudo, do geral aos detalhes. Ele queria que fosse assim. E é uma música louca e linda.


Toca Raul sim, de novo, maluco.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Chamando o Síndico (Tim Maia, 1973)


ok, nosso primeiro tim, vamos e venhamos: demorô pacas! Mas veja bem caro leitor, o Dão esqueceu, o Zeba postaria um disco do Tim pra falar sobre o Cassiano e o Baiano, bem, este, depois que o ônibus atropelou-lhe o celular, vamos ter que esperar aquelas 8 resenhas que já estavam prontas pra depois da copa do mundo. Da Rússia, claro.


Tim Maia não tava nem aí para a ditadura ou movimento hippie ou tropicália. Só queria cantar suas verdades (e mentiras), e isso ele fez como ninguém. É o cara que durante anos só absorveu, e depois começou a absolver. Graças a deus (ou não, depois do último post por aqui, eu ando até com medo...)!


O disco de 73 é menos um desfile de canções clássicas que faz os dois anteriores parecerem volumes de uma (excelente) coletânea, mas além de fechar uma trilogia (bem, essa mania é típica, eleger trilogias, ainda que, duvido que tenha sido eu a eleger esta), porque depois deste, o síndico embarcaria na viagem racional.


Mesmo assim, em relação aos anteriores, algo aqui me parece que vai mais além, os arranjos me parecem mas cuidadosos e mais focados no soul (bem este último não chega a ser ir mais além, aliás em certo sentido, é exatamente o contrário), e se ele não tinha uma excelente coleção de canções, soube com maestria cuidar para que a parte instrumental desse conta do recado. Algumas canções beiram o esquecimento imediato, como Música no Ar, A paz do Meu Mundo é Você e Preciso ser Amado (que conta com o raro episódio de se ouvir tim, voz e violão), muita coisa em inglês (3 de 12 músicas), mas de quebra, Encontramos aqui duas lindas canções de amor, Gostava Tanto de Você e a minha favorita de todas, Réu Confesso. Oxalá todo final de romance rendesse uma música como esta, seria o melhor de dois mundos...


Das músicas em inglês, destaque para Over Again, onde apesar da letra, a música é Brasil a toda, muito balanço, é o síndico single malt! O disco fecha com a belíssima instrumental Amores, que me faz lembrar Baby Huey, e além do que, justíssimo, pois o ponto forte deste terceiro disco é realmente o instrumental.


[M]


ps: Acho que me enganei... Primeiro Tim?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Um Zepelin de Minas Gerais, uai!


Recentemente morreu Zé Rodrix. Triste notícia que não teve muito destaque na mídia. Por um lado, uma injustiça. Por outro, uma coerência com um artista que nunca foi muito de mídia mesmo. Senão o primeiro, um dos primeiros registros da música de Zé Rodrix deve-se ao trio formado por ele, Luis Carlos Sá e Gutemberg Guarabira. Relançado recentemente pela EMI o álbum chamado simplesmente de Sá, Rodrix e Guarabira recebeu um tratamento pífio da gravadora que lançou aquela edição baratinha em digipack sem encarte nenhum. Tudo bem que você pode comprar o disco por uns 15,90 (ou esperar ele aparecer na gôndola de 9,90 das americanas). Mas pra ter a mais, só a capa, o nome das músicas e seus autores, fica realmente muito difícil simplesmente não baixar de graça. Eu pagava uns “déish pila” a mais tranquilamente para ter um disco (contextualizando: disco pra mim inclui o encarte, a arte gráfica, notas históricas no caso de um relançamento...) com o tratamento digno que esta coleção de canções merece. Mas, vamos a ela.

Este trio ficou famoso por ter criado o rock rural tupiniquim. Veja bem que hoje, em 2010, este termo fica totalmente desprovido de sentido. Lá nos 70, comunidades alternativas, os hippies, vá lá. E a impressão de que o termo rural fica deslocado se adensa porque a música de Zé Rodrix (e ele predomina aqui) tem um ar rebuscado que lembra muito mais a cidade que o campo (claro que a música caipira pode ter lá sua sofistificação também, mas não me parece o caso aqui...). Talvez em oposição a Rita Lee e os Mutantes, Secos e Molhados e o pessoal do progressivo nacional que começava a botar suas manguinhas de fora, só tenha sobrado este nicho para o trio (bem, tem aquela história “eu quero uma casa no campo...”, e na voz da Elis tudo vira muito facilmente a mais pura expressão da verdade).
Eles começam num passeio de Zepelin, divertidíssimo que tem um som de música de quermesse como o Mr. Kite dos Beatles. Ou seja, já na abertura eles dão o recado sobre suas referências. “Eu tô doidinho por uma viola...” canta o Zé em Hoje ainda é dia de Rock uma das melhores músicas do disco com seu baixão escorregadio e xubi daun daun... Cumpadre Meu já tem o arzinho de poeira da música que seria típica, anos depois quando Zé Rodrix saiu, deixando Sá e Guarabira tocando, agora: uma dupla. E aqui já emenda a Primeira Canção da Estrada, outro clássico de seu repertório: “eu tinha apenas dezessete anos, no dia em que saí de casa... e não fazem mais de quatro semanas que eu estou na estrada...”. Aos dezessete estas quatro semanas bem vividas podem dar uma noção mais real que o rei, sobre o que é o passado e o presente.

Seguem as canções no zepelin rural, alternando títulos como Blue Riviera, Pindurado no Vapor e Juriti Butterfly. Sem jamais perder as raízes no rock como em Os Anos 60, eles entram na melhor música do disco, quiçá a melhor de todo o repertório de Zé Rodrix: Mestre Jonas. A “música do Zeba” é pontuada pelo teclado alucinante de Zé Rodrix que cria um caleidoscópio sonoro absurdo para quem mora dentro de uma baleia, quase uma contradição, mas o resultado é sublime, um dos melhores rocks brasileiros de todos os tempos não só pela música em si, mas por mostrar outra possibilidades para a nossa música. A capa também desmistifica um pouco o rock nacional. O dirigível em chamas desenhado em preto e branco no primeiro disco da banda de Mr. Jimmy Page e cia, aqui aparece colorido em meio ao jardim, flanado tranquilamento rumo aonde o vento levasse...

Zé se foi, como inevitável é. Mas sua música já é eterna.

[M]

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Pérola Negra - Luiz Melodia (1973)


O caminho para alguns discos está longe de ser óbvio. Enquanto que na maioria dos casos, você ouviu alguma coisa no rádio ou na casa de alguém ou conhece o artista (e confia nele) e aí você acaba comprando o disco, às vezes as coisas acontecem de forma diversa.

No final dos 80 eu entrei na universidade, achando que o mundo estava errado e que eu iria ajudar a salva-lo de alguma forma. Claro que eu não fazia idéia de “como”, mas achava que com o tempo descobriria. É claro que, conhecendo a discografia completa do Led Zeppelin, eu só poderia estar certo e, logo logo convenceria todo mundo disso. Mas quando nós temos 18, 20 anos, precisamos de uma pausa nesta árdua tarefa de salvar o mundo e nos dedicar um pouco ao sexo oposto. Claro que você não percebe isso na hora, mas rapidamente as prioridades se invertem e você acaba deixando a missão de salvar o mundo para os intervalos da missão de conquistar as chicas. E os intervalos vão se tornando cada vez mais raros e curtos... Enfim, eu achava que, tanto pra salvar o mundo, quanto quando estamos “amando” (ou a mando), Led Zeppelin me indicaria o caminho.

Tsc, tsc, tsc... É duro, é um golpe quase mortal e irrecuperável quando a tua primeira estratégia de ataque vai por água abaixo: Led Zeppelin?!?!... Você nunca ouviu Luiz Melodia?

Louis the fucking who? Eu deveria ter feito esta cara, esta frase, mas o golpe foi muito duro, as linhas inimigas já tinham minado meu ponto fraco. Quem mandou se meter a estudar ciências humanas? Viola recolhida, eu não tinha mais nada a declarar... Muito tempo depois fui me deparar com o estranho disco que trazia, na capa, o Melodia deitado numa banheira segurando o globo terrestre emoldurado por uma coleção de feijão preto cru.

Para apreciar um disco como este o sujeito não pode enxergar o mundo sob o prisma da discografia do Led, então levou muito tempo até eu chegar aqui. O disco é perfeito pra quem descobriu que não vai ajudar a salvar o mundo ou que Whole Lotta Love não é receita nem trilha pra conquistar qualquer garota. Pérolas são raras (e caras), e as negras então são o ó do borogodó. Este disco de ’73 é pérola negra em todos os sentidos. As letras são herméticas e a música é difícil de encaixar em categorias. Tem choro (a belíssima Estácio, eu e você que abre o disco), tem rock (Pra Aquietar, onde o título faz um jogo de palavras com a ilha de Paquetá, rock suingado e temperado por um lick de guitarra fuzz que não se ouvia muito por aqui), blues (Vale Quanto Pesa, uma baita música triste que não é blues no sentido clássico e termina orquestral, quase em festa), samba (Estácio, Holly Estácio, canção com o andamento mais lento onde aparece mais uma vez um de seus temas preferidos, a escola de samba do Estácio de Sá, música que ficaria perfeita na voz de Bethânia) e tem coisas que beiram o jazz (Objeto H e Absolutamente Morte, uma das minhas preferidas, só violão e a voz marcante do Melodia e poesia pra lá de difícil de entender... E dá pra entender porque que o “infalível” Led falhou naquele dia...). A música que dá nome ao disco é mais um blues a la Melodia e ficou célebre na voz de Gal Costa no famoso show A Todo Vapor (que viro disco e espero ver resenhado em breve, por aqui). O destaque fica mais uma vez pro arranjo que contrapõe voz e um naipe de sopros, e só. Ah, e o refrão que é das poucas frases que se entende no disco, mas que é de uma felicidade única: baby te amo, nem sei se te amo?!...

O disco segue com mais um blues de arranjo mínimo em Magrelinha, pra depois arrebentar com banda completa, metais e tudo que se tem direito na deliciosamente suingada Farrapo Humano, antes de voltar à jazzística Objeto H. E finaliza em Forró de Janeiro, que nem precisa dizer que tipo de música é. O que confere unidade ao disco é a voz única de Melodia, certa melancolia que às vezes é discreta e às vezes é explícita, quase suicida e, é claro, a ótima seleção de canções. Luiz Melodia foi durante muito tempo artista de década, pois lançava um disco a cada 10 anos. Isso antes de ser redescoberto nos anos 2000 e hoje parece que sai um disco ao vivo dele como se fosse um espirro.

Aquela noite terminou solitária pra mim, e eu abusei da bolacha ouvindo minha trilha oficial de fossa, Since I’ve been Loving You. O saldo positivo foi que, desde então o nome do Luiz Melodia não me saiu da cabeça, e hoje eu vejo que valeu a pena. [M]

domingo, 23 de novembro de 2008

Ao Vivo na USP – Gilberto Gil (1973)



Dessa vez vou falar de um disco que não foi lançado, mas descoberto. Trinta anos depois, foi encontrada uma fita com um show que Gil fez na Poli-USP em 1973 em protesto contra o assassinato dos estudantes Honestino Guimarães, à época presidente da UNE, e Alexandre Vanucchi Leme, pelo governo militar. Reza a lenda que o show, programado para meia hora de voz e violão, acabou durando três e foi repleto de estórias de Gil, bate-papos, interação com o público, num clima de intimidade que foi perfeitamente captado pela gravação.

As estórias são um ponto alto do show. Exemplo: o público pede Cálice, música dele e de Chico, prevista para ser tocada no Festival Phono 73, mas que na hora H o som foi desligado, para a irritação dos dois. Ele não só conta essa estória, como explica que como cada um iria cantar sua parte na apresentação, ele acabou não decorando a parte de Chico. Finalmente alguém da platéia escreve a letra em um papel para ele cantar. Terminada, ele pede pra ficar com o papel, pois não tinha a letra. Claramente viajandão, ele está no melhor da sua verve, da sua retórica gilbertiana (que nem nesse vídeo aqui http://www.youtube.com/watch?v=LfYM3iFG8qU).

Essas estórias saborosíssimas por si só já justificariam a citação desse disco, mas acima de tudo isso, há a música. Muito à vontade entre os estudantes, num show sem roteiro, como não se vê mais, ele vai desfilando canções próprias (Procissão, Expresso 2222, Back in Bahia) e do repertório de artistas que gosta, como Germano Matias (Senhor Delegado), Gordurinha e Almira Castilho (Chiclete com Banana), Dominguinhos (Eu só Quero um Xodó), João Gilberto (que lhe ajudou a entender Eu quero um samba), Clementina de Jesus (de quem ele evoca o espírito em O Sonho Acabou) e mostra consciência da importância e da qualidade da própria obra (“Não vai nenhuma vaidade, eu tô falando de fora de mim, agora. Eu gosto de Domingo no Parque, acho uma música belíssima. Se não fosse minha eu admiraria mais ainda”, fala aos risos, dele e de todos).

Gil dispensa justificativas, mas nesse caso vale um comentário. Caetano tem uma tese que a linha evolutiva da música popular brasileira se deu por meio de artistas que usavam o violão como instrumento preferencial de sua arte: Caymmi, João Gilberto, Jorge Ben e Gilberto Gil. E aqui a gente tem a oportunidade de ouvir o violão de Gil por inteiro, despido e, nesse caso, numa versão às avessas do rei nu, não há vestimenta mais rica. Ele passeia por sambas tradicionais, novos, xote, rock, bossa, afoxé, num largo leque de influências e interesses, todos transformados por sua forma personalíssima de tocar. Mostra em seu violão, na prática, a tese de Caetano. E depois de escutá-lo tocando, fica difícil não concordar com ela.

Luiz Marcelo

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Secos e Molhados - Secos e Molhados (1973)




Uma das mais importantes bandas brasileiras dos anos setenta, os Secos e Molhados influenciam a cena local até hoje. A formação clássica do conjunto - que incluía Ney Matogrosso, João Ricardo e Gerson Conrad - explorou ao máximo alguns efeitos cênicos até então inéditos no Brasil, como maquiagens e figurino ousado. Nota-se, assim, uma grande sintonia dos Secos e Molhados com o cenário artístico internacional, que vivia a efervescência do glam-glitter rock (David Bowie, Alice Cooper, Kiss).


O primeiro disco, aqui resenhado, é o que se pode chamar de "clássico absoluto".

Lançado em 1973, após quinze dias de gravação, o álbum de estréia dos Secos e Molhados incorpora a músicalidade da MPB da época e à ela adiciona toques de rock, folk music, baião, fado, entre outros - uma autêntica salada sonora, que acaba dando certo (e como!). O compositor principal das canções do disco foi João Ricardo e há uma versão musicada de "Rosa de Hiroshima", de Vinícius de Moraes.

Três músicas, porém, se destacam das demais. A primeira é "Sangue Latino", que abre o disco. Balada de peso, é conduzida por violões sobrepostos e por uma linha de baixo pulsante. Logo a seguir aparece "O Vira", o maior sucesso comercial do grupo. Canção mais tocada no país em 1973, é uma espécie de sátira da música portuguesa.

A oitava faixa é a melhor de todas, em minha opinião. Com apenas 57 segundos de duração (sim, menos de um minuto), "El Rey" é das mais belas canções de protesto já compostas. Simples, apenas violão, um toque de flauta e voz. Precisa mais?

"Eu vi El Rey andar de quatro
de quatro caras diferentes.
E quatrocentas celas cheias de gente.
Eu vi El Rey andar de quatro,
de quatro patas reluzentes.
E quatrocentas mortes...

Eu vi El Rey andar de quatro,
de quatro poses atraentes.
E quatrocentas velas
feitas duendes"

A música era um claro recado para os militares. No auge da ditadura, em pleno governo Médici, era preciso muita coragem para se criticar abertamente o regime. Os Secos e Molhados tiveram essa coragem.

Por último, a capa do disco é antológica. A foto de uma mesa, com as cabeças dos quatro integrantes do conjunto "servidas" em meio a garrafas de vinho, pães, cebolas e grãos - produtos de venda de secos e molhados.

Uma obra de arte. Um trabalho fundamental.

(André Xampu)