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domingo, 9 de outubro de 2011

Cabeça dinossauro, Titãs




Que 1991 o caralho, o ano do rock nacional é 1986, porrrraaaa!!
(Aliás o mesmo dos sensacionais discos de metal Master of puppets e Reign in blood!).
Selvagem?, O futuro é vortex, Pânico em SP, O rock errou, Antes do fim, Dois, etc...

E este aqui, que é sensacional, forte, bruto e essencial!

Temas simples, críticas contundentes a coisas e instituições, porrada!
Às vezes resvala pro excessivamente simplificador e/ou simplório, mas em tempos politicamente corretos dá uma saudade dessa vitalidade adolescente 'foda-se'...

Vindos de um frustrado disco, 'Televisão', com produção do Lulu, onde não conseguiram dar o peso supostamente desejado, seguidos de problemas com a polícia (lembrando o gênio Keith "nunca tive problemas com drogas, só com a polícia"), onde Arnaldo e Bellotto foram presos por tráfico e uso, os Titãs acharam em Liminha, que antes tinha sido criticado pelo Branco Mello, um produtor parceiro, que soube transformar as boas ideias em boas execuções e num disco magistral, iniciando uma longa colaboração.

As ilustrações, tanto da capa contra da contracapa, são de Leonardo da Vinci, respectivamente, 'A expressão de um homem urrando' e 'Cabeça grotesca'.

A faixa-título, de P. Miklos/Branco M/A Antunes, que inicia o disco, traz elementos de um cerimonial de índios do Xingu. O show na época começava com esta! Poderoso som.


'AA UU' (S Britto/M Frommer) já vem na seqüência, com sua mistura original de funk e rock, numa crítica ou constatação da ansiedade, do sempre ter algo a fazer, uma preocupação constante e desgastante. Solinho de guitarra bacana, bateria quebrando tudo, sonzeira.

'Igreja' (N Reis) é mais uma crítica à instituição, o que dividiu a banda; Arnaldo, que acredita em Deus, saía do palco nas apresentações ao vivo.


'Polícia' (T Bellotto) é basicamente uma resposta raivosa ao episódio da prisão dos Titãs, uma pancada, que inclusive já foi coverizada pelo Sepultura.


'Estado violência' (C. Gavin) é um libelo anarquista pós-punk, com tecladinhos com pitch bends e tudo! Guitarras em estereo, muito legais!

Por falar em punk, 'A face do destruidor' (P Miklos/A Antunes) é um hardcore raivoso com efeitos bizarros, com certeza a música mais pesada dos caras, mesmo levando em consideração o 'Titanomaquia'. Em 38 segundos.

'Porrada' (A Antunes/S Britto) também é quase punk, principalmente pelo tema. Como canta feliz o amigo e colaborador Zeba 'a música que não tem em karaokê':
''Porrada nesses caras que não fazem nada"!!

'Tô cansado' (B Mello/A Antunes) pra mim é uma das dispensáveis do disco.

Ainda mais porque na seqüência vem 'Bichos escrotos', música antiga do repertório que só foi gravada pra este disco. Na época 'vão se fuder' (fuder ou foder??) era ofensivo e foi proibido pela censura. Mas mesmo assim as rádios tocavam a versão editada ou pagavam multa. A música é muito legal, guitarras suingadas e pesadas, um solo sensacional de baixo com wahwah!!

Os Titãs eram sete cabeças pensantes e opinantes, e isto se reflete tanto na dificuldade de decidir quanto na variedade de gostos e sons. Assim aqui temos um reggae, bem legal e um pouco ácido, 'Família'. Vocais de fundo bem legais, guitarrinhas pica-pau, baixo gordo, tecladinho no contra-tempo, taí a fórmula. Vc acha fácil? Vai fazer...

Mais crítica, agora ao capitalismo selvagem: 'Homem primata' (S Britto/M Frommer/ N Reis/C Pessoa), rock brasileiro pesado e divertido.

'Dívidas' (B Mello/ A Antunes) também é fraquinha e dispensável.

'O quê' (A Antunes) é uma surpresa no disco, letra experimental concretista, antecipando experimentos com funk, samples e música eletrônica que seriam mais presentes nos discos seguintes, 'Jesus não tem dente no país dos banguelas' e 'Õ blesq blom'.

Mas como diria o Charles Gavin no programa 'O som do vinil': "isso já é outra história''...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Revolusongs, Sepultura





Esse é um disco pós-Max Cavalera, acho que o primeiro assim postado aqui.


Preferências são pessoais, mas é saudosismo inútil e extrema má vontade dizer que 'o Sepultura era melhor antes'. Derick Green é um puta vocalista (tô escrevendo em paulistês...), com voz, atitude e garra, e ajudou a criar excelentes álbuns. Mas acontece muito, 'o Sting era melhor no Police', 'o Cazuza não deveria ter saído do Barão', 'os Beatles nunca deveriam ter acabado', bla bla bla.


E este aqui é um EP (extended play, disco de menor duração que o LP, long play) de covers!


Mas que serve justamente pra mostrar que eles não são covers de si mesmos, dando uma cara bem pessoal a um repertório com bastente tolerância elástica, como diriam alguns dos meus amigos detratores...

'Messiah' é uma música tosca de um grupo tosco suíço (!), o Hellhammer, pré-Celtic Frost, aqui com uma versão raivosa e pesada. Até parece que eles vão fazer um disco só com metal...

...claro que não! Na seqüência a improvável 'Angel' do Massive Attack, que ficou muito legal, com dinâmica extrema, do suave, sombrio e sussurrado ao metal gritado e caótico.

Mais estranha ainda, 'Black steel in the hour of chaos' (Public Enemy!) ficou muito legal, com groove e peso, além do mais traz o saudoso Sabotage fazendo um rap em português maneiríssimo e a guitarra de Andreas Kiser soando cheia de efeitos eletrônicos de filtro!!

'Mongoloid' (Devo, mais uma inesperada) ficou menos new wave e mais old wave punk com pitadas de cross-over e heavy. Boa pra balançar o esqueleto na roda de pogo!

'Mountain song' (Jane's Addiction) é mais uma que ficou excelente by Sepultura.

Mas o destaque é mesmo 'Bullet blue sky' (U2), talvez a mais difícil de tornar característica, devido ao fato de ser de um grupo de rock pop extremanente conhecido, com o acréscimo do fato da música já ser relativamente pesada no original. Mas o Sepultura mostra sua cara e versatilidade. Rendeu até um video na MTV.


Começando e terminando com metal, no caso a última música oficial é da banda californiana de thrash metal, o Exodus, cujo guitarrista Gary Holt esteve recentemente no Brasil com o Slayer, onde ele substituía o guitarrista original, vítima de bactérias comedoras de carne humana...é, vc achou que isso era tema de músicas de heavy metal mas é real. 'Piranha' coincidentemente obviamente fala sobre aquele peixinho faminto, é uma música rápida e foda, simples assim.


Como faixa escondida temos uma sacanagem com o Metallica, a música começa como se fosse 'Enter sandman', bem tosca, dá uma atravessada e entra 'Fight fire with fire' quebrando tudo!!


Sepultura rules!

sábado, 6 de agosto de 2011

A invasão do sagaz Homem Fumaça, Planet Hemp

,
Mais um dos hemp ativistas cariocas malandros. Mas o assunto é sério, cada vez mais.
Esse disco, como todos da Hemp Family (que além de Planet Hemp, inclui o Rappa, Pedro Luís, Funk Fuckers e todos os filhotes dos ex-membros do Planet: D2, BNegão e Black Alien), merece estar aqui sim, mas hoje pra mim é pretexto pra comentar um recente engasgo.
O STF (Supremo Tribunal Federal) não tem que liberar a Passeata pela legalização da maconha (ou qualquer outra passeata ou manifestação de expressão), eles simplesmente RECONHECEM QUE NÓS TEMOS ESSE DIREITO.
Essa não foi a primeira vez que autoridades municipais e estaduais se comportaram assim pessimamente, tentando limitar a manifestação da passeata pela legalização da maconha, seja lá como se chame a cada ano.
E sempre depois tem que se recorrer ao STF para que o direito seja reconhecido. Talvez a melhor solução fosse uma manifestação prévia de que O DIREITO DE LIVRE EXPRESSÃO PODE SER REGULAMENTADO MAS NÃO PODE SER SUPRIMIDO, sendo assim fica sujeito à conveniência das autoridades municipais e/ou policiais para a melhor oportunidade e conveniência da segurança e trânsito.
Não há apologia em discutir a mudança de qualquer lei.
Se você se incomoda, está no seu direito, pode inclusive manifestar esse incômodo também, fique à vontade.
Mas, apesar dos Bolsonaros (é, se liga porque já são três!), o que NÃO EXISTE NUMA DEMOCRACIA É O DIREITO DE NÃO SE INCOMODAR.
E, na minha opinião não humilde, dizer que eu gosto de fazer qualquer atividade, inclusive se drogar (e isso é, claro, uma hipótese retórica, estúpido) ou dar a bunda (outra hipótese, claro, aqui só pra incomodar mesmo) não é fazer apologia, porque o que é bom pra mim (ou o que eu acho que é) pode não ser bom pra você. Mas isto ainda está sujeito a interpretações jurídicas, e não estamos nos EUA, apesar da recente e benvinda emenda do Cristóvão Buarque de incluir a busca da felicidade como princípio constitucional.
Porque, 'como já dizia o Samuca da Patrulha da Cidade', citado aqui no disco pelo Seu Jorge na última música: "Quem não reage rasteja".





Isto dito, vamos ao disco, né...

1. 12 com dezoito: música boa pra começar, rápida, agressiva (inclusive com distorção nas vozes e num teclado eletrônico ao fundo), metralhadora verbal solta! '12 com dezoito é o caralho, o bicho vai pegar!'

2. Ex-quadrilha da fumaça: 'adivinha, doutor, quem tá de volta na praça? Planet Hemp, esquadrilha da fumaça'! 'sujou sujou, disfarça'. Bom riff de guitarra, base suingada pro rap, aqui pelos 3 MCs: Marcelo D2, BNegão e Black Alien, solo de guitarra com fuzz sujo.
'Intoxicados pela ignorância reinante
Os homens fumaça mais uma vez se apresentam pra missão'

3. Test drive de freio de camburão: provocativa à polícia corrupta, lida com a conhecida 'dura', lembrando que a banda podre não responde por toda a instituição.

4. Procedência C.D. : hardcore pesado e acelerado, mas não captei qual é a mensagem...acho que é sobre a mítica e poderosa organização Comando Delta.

5. Stab: aqui dá pra prever o que D2 faria na sua carreira solo, um bom mix de funk e rap, ainda sem o samba, letra inteligante e criativa, refrão maneiro!
'Sempre representando o hip hop,
não tem Faustão nem Gugu,
eu sou primeiro no ibope
Revolução eu vou fazer de maneira diferente,
tiro o ódio do coração e tento usar mais a mente
Botam barreiras no caminho mas sou persistente,
posso cair mas me levanto e sigo em frente
Seguro a bronca, dou um 2 e mantenho a calma'

'Vários irmãos se recolhem e vão em frente, vários também escravizam sua mente
Eu sei bem, quebro a corrente onde passo implanto a minha semente
Gafanhotos nunca tomam de quem tem
Predadores, senhores que mentem, esperem sentados a rendição
Nossa vitória não será por acidente'
(mas afinal o que é stab??)

6. Four track: uma boa surpresa, um rap/hip hop com violão slide! muito legal, prova da criatividade em misturas by Mr D2!

7. Gorilla grip: instrumental tradicional nos discos do Planet, bem surf music pesada.

8. Contexto: já traz o mix samba e hip hop, letra fluida e citações espertas de Zeca Pagodinho e dos irmãos Valle...
'Quem é que joga fumaça pro alto?
Planet Hemp
Chega na cena e toma de assalto
Planet Hemp
Conexão entre o morro e o asfalto
Planet Hemp
(...)
A coisa certa rapa é que tem que ser feita
Cabeça feita, pago o que eu consumo
Se eu quiser beber eu bebo, se eu quiser fumar eu fumo
(...)
Fazendo aquela média clássica
Entre a Lei de Murphy
E a teoria do caos
(...)
Ai Gustavo ai Gustavo a parada é o seguinte
Tem gente que ta dizendo que o Planet Hemp faz apologia as drogas
É mentira tchu tchu é mentira' (citação da música 'Mentira')

9. DZ Cuts: apresentação do DJ Cuts com samples malandríssimos.

10. Raprockandrollpsicodeliahardcoreragga: começa com um sample do João Nogueira da música 'Baile no Elite': "Nelson Motta deu a nota que hoje o som é rock'n'roll" e aí entra uma música pesada e suingada apresentando a carta de referêncvias do grupo. Bata a cabeça, rapá!
'Raprockandrollpsicodeliahardcoregga, mc no microfone em atitude e HC
Representa o Hip Hop, pesadelo do pop, não ta ligado na missão, foda-se'

11. Quem tem seda? : pergunta clássica dos adeptos da ganja, aquele momento de definição e ansiedade. Participação especial de Sen Dog e Micky, que eu não sei de que grupo são. O que interessa é a música, que é muito legal, começando lentinha e ganhando balanço. Apologia?

12. É isso que eu tenho no sangue... : mais uma suingada, samba funk, com citações a vários músicos que influenciaram o Planet.
'Hip hop é o ar que eu respiro
a sabedoria de quem não precisa resolver mais no tiro'

13. Quarta de cinzas: vinheta instrumental suave, com flauta e tecladinhos vintage.

14. HC3: mais um hardcore pesado e acelerado, acho que cantado pelo guitarrista Rafael Crespo.

Ao final, como uma introdução pra próxima música, um cara explicando o que é o jongo.

15. O sagaz Homem Fumaça: um reggae com introdução e vocais auxiliares de Seu Jorge, termina bem e calmo um disco raivoso e contundente. Depois da música tem uma surpresinha, um recado deixado numa secretária eletrônica, hilário...

Produção do grupo e Mario Caldato (Beastie Boys, Marisa Monte, Tone Loc, Seu Jorge & Almaz, Bebel Gilberto, Chico Science & Nação Zumbi).

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Titanomaquia, Titãs





Hahaaaaa, o metal continua...vcs não contavam com a minha astúcia!


Sem brincadeira, esse disco dos Titãs (que já foram do Iêiê) é bem pesado, inclusive produzido pelo Jack Endino (que seguiu trabalhando com eles em vários outros discos), conhecido pelas suas produções na cena grunge: Mudhoney (que abriu o show do Pearl Jam no Brasil), Soundgarden e, claro, Nirvana (o primeiro deles, Bleach), além do estranhíssimo disco solo do Bruce Dickinson, o Skunkworks (deve ter sido um work with a lot of skunk, hehe). Outro dia inclusive eu estava no aeroporto, comprando uma Billboard com os 20 anos do grunge na capa e de repente, do meu lado, o Paulo Miklos olhando a mesma revista (aliás, de repente não, que eu encontro ele tantas vezes em aeroportos que eu acho que ele mora nos aeroportos; bom, ele pode achar o mesmo de mim...). Quase que eu fiz a pergunta 'e quantos anos tem o Titanomaquia?'. Mas não perguntei, achei pentelho demais.


E na verdade, apesar da óbvia influência do grunge na sonoridade, principalmente das guitarras, o disco não se parece em nenhum momento com nada da cena citada. A banda na época estava envolvida com o selo Banguela, em parceria com Carlos Eduardo Miranda, que lançou Raimundos, mundo livre s.a., Graforréia Xilarmônica, Maskavo Roots e Kleiderman (banda pesada paralela de Branco Mello e Sergio Britto). Então acho que ele queriam fazer algo mais pesado e chamaram o cara, e não o contrário.


Esse aqui é o primeiro no qual o Arnaldo Antunes não participa como membro (ops). Mas ele é co-autor de 3 músicas muito legais.

A banda vinha de um disco massacrado pela crítica, mas que eu acho muito legal, o 'Tudo ao mesmo tempo agora'. Que infelizmente também foi fracasso comercial.


Nando Reis não compôs nenhuma pro disco (ou nenhuma se encaixou na proposta), o que, aliado ao fato que o baixo num disco pesado se limita a acompanhar as linhas das guitarras, pode ter gerado insatisfação/frustração. Na seqüência vários trabalhos paralelos pipocaram.


O disco vinha embalado num saco de lixo.




O álbum começa já com uma pancada, 'Será que é isso o que eu necessito?' (sic), mas ele canta certo: será que é disso que eu necessito. Bateria na cara quebrando tudo, guitarras pesadas, melodia meio dobrada com a guitarra. Sonzeira boa pra começar shows, lembro de um Hollywood Rock onde eles começaram assim.



Em seguida continua animado, rápido e pesado, 'Nem sempre se pode ser Deus', do excelente refrão "não é que eu vou fazer igual / eu vou fazer pior", muito cantado pela minha amiga Juliana ('que mala eres, Juliana'!).

'Disneylândia' é sensacional, uma das colaborações do Arnaldo, letra longa falando pontualmente sobre a loucura que é a globalização, pessoas e coisas circulando velozmente pelo mundo, mas no final 'crianças iraquianas, fugidas da guerra, não obtem o visto no consulado americano do Egito para entrarem na Disneylândia'...



'Hereditário' é mais uma do Arnaldo, a única cantada pelo Nando, bem legal.

'Estados alterados da mente' é das minhas preferidas, por motivos óbvios:

"Atitudes mecânicas

Movimentos involuntários

Estímulos elétricos, tempestades mentais

Choques térmicos, crises de melancolia

Choro compulsivo, riso histérico

Euforia, vertigens

Estados alterados da mente

Devaneios, delírios, desvarios

Estados alterados da mente"



E o que é 'Agonizando'? PQP, um riffão de guitarra meio oriental (provavelmente modo frígio), um hardcore sensacional, aceleradíssimo, gritado, uma letra animal, vozes alteradas, solo bizarro, perfeita!



'De olhos fechados' é delirante, histérica, pesada. No final tem uma voz meio acelerada discreta, estranhíssima.

"eu não quero saber o que se passa na sua cabeça quando você está dançando de olhos fechados"

'Fazer o quê' é a mais atípica, parecendo metal mesmo, começa com umas guitarras sozinhas, só depois entra a música, com aquelas letras meio primitivas titânicas. E manda um 'foda-se' enorme...

'A verdadeira Mary Poppins' também é sensacional, bem punk (que aliás, os Titãs já tinham feito em 'A face do destruidor' no Cabeça Dinossauro), clima decadência e loucura totais.

"Mesmo que ninguém escute

Mesmo que ninguém ouça

Mesmo que ninguém acredite

No que sai da minha boca

Eu sou o verdadeiro Bruce Lee

Eu sou o verdadeiro Bob Marley

Eu sou o verdadeiro Peter Sellers

Eu sou a verdadeira Mary Poppins

E eu sei que estou fedendo

Eu sei que estou apodrecendo

Eu sei que estou fedendo

Eu sei que estou apodrecendo"



'Felizes são os peixes' é mais uma punk acelerada com mais uma letra louca. Mas as músicas não são parecidas entre si e o disco não é nem cansativo nem repetitivo, mesmo que a sonoridade mais bem pesada possa desagradar a alguns.



'Tempo pra gastar' é mais no estilo titânico, as guitarras um pouquinho mais pesadas do que o usual, um solinho de wah-wah malandro, mas poderia estar em qualquer outro disco deles.


'Dissertação do Papa sobre o Crime seguida de Orgia' acho que é uma letra do Marquês de Sade musicada estranhamente pela banda, no estilo de 'Violência'. Meio chata. Como Sade.

'Taxidermia' traz a pancadaria de volta, começando com um baixo distorcido sozinho, depois Paulo Miklos entra cantando com sangue na boca:
"Se eu estivesse embrulhado em papel alumínio
Se eu tivesse o seu grupo sanguíneo
Se eu estivesse embrulhado em papel alumínio
Se eu tivesse o seu grupo sanguíneo
Se eu tivesse seus olhos eu seria famoso" (coro poderoso!)
"Não quero ser útil
quero ser utilizado
fossilizado"
Fim caótico e barulhento. Metal puro!

domingo, 19 de junho de 2011

Antes do fim, Dorsal Atlântica



Quase no fim do domingo metal, vamos aos antigos e desconhecidos crássicos do metal nacional.

A Dorsal Atlântica é uma banda carioca formada nos anos 80 pelo lendário Carlos 'Vândalo' Lopes.

O disco aqui resenhado foi pioneiro na mistura de gêneros que na época eram como água e óleo, o punk hardcore e o metal thrash. Mal gravado devido a restrições orçamentárias e provável inexperiência de estúdios em gravar metal na época, foi regravado e relançado em 2005 com o nome de 'Antes do fim, depois do fim'.

Esse eu tenho e ainda ouço em vinil. O original nunca foi lançado em cd.

Ao contrário da maioria de letras de metal, este disco, adotando uma postura mais punk, falava de problemas cotidianos e sentimentos.


'Caçador da noite' inicia com aquele som zumbido e rápido de guitarra, além da voz assustadora do Carlos, cantando sobre um serial killer. Solo criativo e em estéreo, extraía-se sangue de pedra no estúdio.


'HTLV-3' é mais uma rápida, falando sobre o vírus da aids, criticando a ignorância e o preconceito numa letra panfletária:

"As pessoas se incomodam com a “liberdade”que o mundo tem

Se aproveitam de uma doença

Discriminar mais as minorias

Quatro letras condenam à morte

Foram escolhidos

Teu sêmen vai gerar mortos

Teu sangue, veneno maldito

HTLV-3 destroí

Verdadeira caça às bruxas promovida pela imprensa

Achem os culpados para salvar as famílias dos burgueses"

O legal de muitas músicas desse disco é que de repente a música muda pra um ritmo mais lento, o que dava origem às rodas nos animadíssimos shows, inclusive um no Maracanazinho abrindo pro Exciter e Venom, onde não se entendia nada, um som horrendo...


'Álcool' é das melhores do disco, uma guitarra zumbindo e a velocidade da luz fazem vc entrar em espasmos...Por incrível que pareça é crítica mas com numa abordagem oblíqua com o ponto de vista do cara que se embebeda. Esta aqui tem um dos melhores breaks do disco, sensacional, dá pra ver a roda se formando e as botas passando perto da sua cabeça.


'Depressão suicida' tem aqueles gritos agudos à Rob Halford, quase cômicos, mas divertidos. Mais uma rápida e com um solo cheio de alavancadas.


'Vorkuta' é uma crítica a Stalin, no mínimo inusitado, principalmente pra adolescentes que nem sabiam do que se tratava.


'Joseph Mengele' você deve imaginar sobre quem se fala (antecipando 'Angel of death' do Slayer). Mais uma rápida (cansa um pouco os ouvidos, admito), mas com mais um break maneiríssimo. E esta música tem uma surpresa muito legal que deve ter estragado muitos toca-discos: ao final da música uma voz que parece alemão, mas que girando o disco ao contrário, mostrava ser na verdade um monte de palavrões...divertidíssimo.


'Guerrilha' é mais cadenciada, quase lenta em comparação às outras. Parece panfletária, mas na verdade há uma crítica sutil ao messianismo comum no meio:

"Rifle responde força com fogo

Você tem um ideal

Meio caminho entre vida e morte, entre herói e assassino

Precisa lutar

Guerrilha por liberdade

Guerrilha em busca da verdade

Todos cegos

Só você vê a luz

Ao vencedor resta a história

De que vale a vida de alguns para salvar milhões?

Luta sozinho, luta por todos"


'Inveja' também é mais arrastada, com um riff heavy maneiro, depois dá a acelerada com guitarras em estéreo e muitas quebradas da bateria.

"Por que o ser humano não consegue se ver livre?

Não aprende com os erros do passado

Lições de cobiça e rancor

Se a vida é tào efêmera

Por que tantos sentimentos fúteis?

No íntimo você não quer errar, mas nào consegue domar

Só o futuro vai julgar

O impulso imbecil

Inveja

Os olhos e a alma cegos continuam a se corroer"


'Morte aos falsos' era um discurso metal da época, dirigindo-se aos apreciadores de última hora, diluidores do movimento. Bullshit, nem sei como um cara inteligente caiu nessa balela. Mais tarde ele mesmo montou uma banda mais hard rock, a Mustang.


Enfim, baixe este sem dó, imperdoavelmente está fora de catálogo.

Guerra civil canibal, Ratos de Porão





Continuamos no peso, agora um punk um pouco mais tradicional, hardcore, com pitadas de metal, dos nossos já conhecidos RxDxPx.


'Obesidade mórbida constitucional' começa com aquele baixo e bateria típicos do punk, meio parecido até com 'California ubber alles' dos Dead Kennedys (inclusive nos EUA o disco foi lançado pelo Alternative Tentacles do Jello Biafra), fala sobre a condição gorda do João, que quase morreu e emagreceu depois. Como não dá pra entender quase nada do que o João Gordo canta (?), segue um pouco da letra:


"Atentado contra a vida,suícidio,punição


Sofrimento na UTI,tortura,medo,falta de ar


Pro inferno não quero ir e no céu eu não quero chegar


Eu vi a morte!Morte!


Mas nunca me arrependi,vida louca sem igual


De primeira quase morri, show de horror no hospital"


'Toma trouxa' é rapidona, fala sobre um balão em drogas que o João pelo jeito tomou de uma gostosinha...


'Guerra civil canibal' é a panfletária típica anti-guerra:


"Por quê?


Inocentes sempra vão


Pagar,sofrimento e o que vai restar?


Nova guerra por religião,carne humana mata a fome ou não?


Guerra civil canibal


Em nome de Deus


Sempre igual,sempre igual,


Realidade podre ficção.


Refugiados agora vão chorar,


Pelo sangue da populaçào


Quem dá mais,quem dá mais?


Morre o fraco,carne boa ou não?


O mais forte vai se alimentar,


No banquete da religião"


'Estaca zero esquerda' é mais do mesmo, com um refrão mais balançado, legal, com solinho de guitarra e tudo. Dá uma enganada no meio, entra uma guitarra mais leve, mas é só pra pegar vc. Bem metal crossover (vai anotando, Zeba!).


'Fire to burn' é um cover da banda/dupla Half Japonese ou 1/2 Japonese, de proto-punk (como diria o Xampu; por falar nele, vc conhece eles, Xampu?) ou de rock alternativo. Dizem até que o Kurt estava usando uma blusa deles quando se matou. Legal, acelerada e até dá pra entender o que o João canta aqui. Incrível, é mais fácil entender ele cantando em inglês...se bem que acho que outra pessoa cantando.


Mais um cover, 'Biotech is Godzilla' (Sepultura/Jello Biafra), sensacional!


'A cola' é uma piada, parece que alguém chega com a cola, usam a cola e ficam escutando um som ao fundo (que eu não consegui identificar) e rindo... :)


'Kill the Varukers' fecha o EP, disco curto, com alguém que não é o João cantando, que depois entra urrando no refrão. Metal!!!

Lapadas do povo, Raimundos



Permanecemos nos sub gêneros metálicos, o forrocore, invenção dos Raimundos.

Este disco puxa um pouco mais pro metal, com guitarras poderosas e extremamente bem gravadas. Inclusive foi gravado em Los Angeles (Sound City, onde Nirvana, Rage Against the Machine e Red Hot Chili Peppers tb gravaram), com letras mais sérias, o que pode ter sido o motivo de ter vendido bem menos do que seus antecessores.


E o disco começa bem com as guitrras se sobrepondo em 'Andar na pedra'. Um efeito flanger no final maneiríssimo.


Na seqüência a rapidíssima (1:03) 'Véio, manco e gordo', hardcore paulada na moleira!


'O toco' é mais no estilo antigo da banda, guitarras pesadas mas sem muita velocidade, vocais bem sacados no refrão mais pop.

"Fiz um toco grande e frouxo

Pra ficar com o olho roxo

Queimar meu dedo no fim

Ela veio trazendo o peso

E eu com medo de ser preso

Pintar meu dedo no fim "


'Poquito más' é um rockão com letra estranha e guitarras pesadas com riffs pegajosos, legal. Tem até uns metais fazendo fundo num clima quase mexicano tipo Fishbone!


'Wipe out' é daquelas pesadas e suingadas, a galera devia estar ouvindo Pantera. Wipe out significa a temida e conhecida vaca numa onda grande, quando vc se dá mal mas a galera da areia se diverte...Mais boas e pesadas guitarras, com solo de wah-wah magrinho.


'CC de com força' é mais uma aceleradíssima e curta. E é escatologicamente sobre cecê mesmo.


Mais uma acelerada, 'Crúmis odámis', pancadaria sem parar.

"(Eu sei que tem) eu sei que tem gosto pra tudo

A moda vai, a moda vem, o tempo passa e eu não mudo

E até pensando bem filho da puta de um sortudo

Durmo mal, comendo bem, fazendo grana pelo mundo"


'Bonita' é daquelas quase baladas que os Raimundos faziam muito bem, apelo pop com roupa punk, que deu origem a muito do emo de hoje em dia. Mas a culpa não é deles, né? Quem cria não pode se responsabilizar pela diluição.


'Ui ui ui' é mais rapidinha (0:47) e escatológica do disco.


A surpresa vem com a versão da música 'Oliver's army' do Elvis Costello! Bem legal, até com mais vigor que o original, o que também não é difícil.


'Nariz de doze' é uma letra meio enigmática sobre uma nave de marcianos que cai perto do maluco que escreveu a letra, se é que eu entendi isso direito. Bom riff e bom solo.


'Pequena Raimunda' é também uma versão, desta vez de 'Ramona' dos Ramones, que mesmo fiel ao original, ficou legalzinha. Só não sei como autorizaram essa letra lamentável...vale pela diversão.

"Olhe só Rodrigo, Rodolfo,Fred e Canisso

Feia de cara mas é boa de bunda

Olhe só é a Pequena Raimunda.

Se ela tá indo até que dá pra enganar,

Se ela tá vindo não é bom nem olhar,

Ela de 4 fica maravilhosa,

Na 3x4 é horrorosa"


'Baile funky' é a minha preferida, bem pesadona, guitarronas, riff thrash em fusas tipo Metallica/Slayer, letra (um pouco) melhor. Boa pra malhar!

"A porta tá sempre aberta pro povo

Casca do cerrado chegaram os mortos de fome

Sujeira de outra parte que vem pra sujar seu nome

Eu te falei que o ladrão que rouba mesmo

É bem vestido e eu vi de monte

Essa zoada no telhado é o vento que a vida leva

É o pensamento antiquado, te apaga queimando a erva

Enraizado fica o dono do pé que finca na terra

E faz a ponte Povo de Zé ofensa

É na igreja que o povo esvazia as bolsa

Tem quatro santos, três queimando o kunk

Decidindo o destino dos outros como se fosse Deus

Atrás da mesa o açougueiro comanda

E a intolerância me manda de novo pro banco dos réus

Armando com propaganda"


'Bass hell (Bônus crap)' é a experimental, programações eletrônicas com baixo em loop, scracth by DJ Romes, guitarra funk e aí no meio entra o peso dos infernos, depois volta pro balancinho soft.


Bom disco, mas mal sucedido comercialmente.

Música para beber & brigar, Matanza

Para o Zeba, que é curioso acerca das subdivisões metal, chega a surpresa do domingo metal: o countrycore!! ;)
Uma mistura louca de uns mutcho loucos cariocas (Jimmy London, autor da lapidar "Estou cagando para os meus fãs, sou músico, não sou modelo de vida", e seus comparsas Donida nas guitarras, China no baixo e Fausto na bateria) que gostam de punk quanto de Johnny Cash e até de música irlandesa.
Pesado e divertido, ao mesmo tempo violento e mal-humorado, não é uma banda para ouvidos fracos e frescos.
Este aqui é o segundo álbum da banda, que depois disso, até hoje 2011, gravou mais 2 de inéditas e um tributo matador ao citado Johnny Cash (To hell with Johnny Cash).
Este é um dos discos que me anima muito a postar aqui, pois é uma banda muito legal e pouquíssimo conhecida.

'Pé na porta, soco na cara' já dá o tom! "e toda paciência um dia chega ao fim...essa noite vai dormir feliz"...Refrãozão, deve ser boa de começar shows.

'O último bar' já apresenta elementos country, pesadão, além do clima velho oeste.
"O último bar quando fecha de manhã
Só me lembra que não tenho aonde ir.
Bourbon tenho demais,
Mas que diferença faz se você não está aqui pra dividir?
Toda noite tem sempre alguém pra me dizer,
Que mulher que vai querer te ver assim.
Pleno festival, mulherada, carnaval e eu aqui
Com uma garrafa já no fim"

'Todo ódio da vingança de Jack Buffalo Head' começa meio instrumental, de repente dá uma acelerada e atropela.
"Meio dia pego o trem
que dessa cidade eu ja cansei
Todas puta ja comi
o que tinha de roubar eu ja roubei
Quem vai me dizer se eu to errado
se eu to vivo muito bem e não tem pra ninguem
Quem tentou me segurar pro inferno mandei
Procurado vivo ou morto
no retrato até que eu fiquei bem"

'Maldito hippie sujo' é mais pesadona e cadenciada com um riff bacana de guitarra pesada. E polêmica, ou engraçada se vc ouve como piada.

'Bota com buraco de bala' é um quase romântica, meio rock'n'roll acelerado, com um slide muito legal.
"Eu sei que ela me ama, e eu vivo só por isso, mas não é exatamente um paraiso.
Com ela eu não discuto é sempre sim senhora, e quando fica puta pega as coisas e vai embora.
E não há nada que eu diga, não há nada que eu peça, com essa vagabunda eu não consigo ter um pingo de conversa.
E só o que sobrou foi um buraco de bala"

'Taberneira, traga o gim' dá uma desacelerada, mas mantem o nível alcoólico...aquele efeito conhecidíssimo "que fica a cada drink mais bonita".

'Interceptor v-6' fala sobre carro, tema comum no rock'n'rol, no caso um Diplomata, "nem o demônio eu vi bebendo tanta gasolina". Punk acelerado. Tem um fim falso surpresa.

'Busted' é uma versão de uma música do Cash, bem de leve, aquele ritmo de valsa country. Porra, eu não queria gostar de algo como Johnny Cash, mas eu adoro. Mais ainda no vozeirão original.

E aí vem de volta a porradaria na sensacional 'Bom é quando faz mal'!
"20 caixas de cerveja
um barril de puro whisky
Quilos de carne vermelha
Fique longe não se arrisque
Não importa onde esteja
E sempre onde tem mais barulho, maior cheiro de bagulho
Disso eu me orgulho
Vai saber o que é normal?
E só que eu posso lhe dizer:bom e quando faz mal!
Conseqüência qualquer coisa traz
Quando é bom nunca e demais
E se faz bem ou mal tanto faz, tanto faz, tanto faz..."

'Pandemonium' começa com um trovão e depois vem a guitarra com um riff punk aceleradíssimo, contando uma história de bebida, assassinato e ressaca...No meio dá aquela quebrada cadenciada meio heavy pro solo simples e eficiente.

'Quando bebe desse jeito', countrycore acelerado com slide country sinuoso e banjo discreto, é auto-explicativa, né? Mas de qualquer jeito segue um pouco mais da letra:
"Segunda-feira, dia do bebum profissional
Mal a noite cai, já vai cair no mal
Nunca vai faltar um bom motivo pra quem quer se divertir
Não precisa de momento nem de ocasião
Todo dia é dia, é só chamar que vai
Tudo que não presta, certamente, deixa a vida mais feliz"

'Matarei', mais do mesmo estilo divertido, um pouco mais metal pé-na-porta, boa pra roda de pogo ao vivo!

Pra terminar a grossa balada country acelerada 'Bebe, arrota e peida'. Minha filha adorava essa música quando era menorzinha, mas em geral não faz muito sucesso com o público feminino, claro, ainda mais com essa letra:
"Chega já pedindo a saideira
Mais é saideira uma atrás da outra
e assim lá pela décima terceira
Já tá trocando o nome da garota
Não vá não, fique por aqui
Você não tem nenhuma condição de dirigir
Não consegue se manter de pé
Bebe, arrota e peida bem na frente da mulher"
IIIIHAAAAAAAA!!!!

Quem sabe uma hora o Tarantino não descobre os caras.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Som de caráter urbano e de salão, Sheik Tosado



Hoje vamos começar pesado porque amanhã tem SLAYER em Curitiba e eu já quero entrar no clima.

Esse disco é mais um da linha 'pesado de um jeito que ninguém espera', como um outro que será postado aqui, do Catapulta, da Bahia, que tem até uma capa parecida com esta aqui do Sheik.

Eles são, ou pelo menos o grupo era, de Olinda, Pernambuco, ligados no mangue beat como a geração seguinte, mas bem diferentes de Chico Science ou mundo livre s. a., talvez com um algumas coisas lembrando mais os Devotos, banda punk também de Pernambuco. Aliás o mangue beat é mais uma definição geográfica e de 'conceito e intenção' (ui) do que propriamente de sonoridade.

Tergiverso. E esse disco é supreendemente pesado porque mistura uma batucada/percussão dos infernos com frevo, maracatú e guitarras pesadas, muito noise, numa música acelerada e empolgante. Literalmente, não dá pra ficar parado, inclusive, a não ser que você esteja numa autobahn alemã ou dirija um Hummer, não recomendo esse disco no carro...

Apareceram no Abril pro Rock, festival hoje consolidado, de 1998, assinando com a Trama e gravando este disco na seqüência.


Que começa acelerando, com bateria e percussão em cima, além de um riff bacana de uma guitarra legal (Bruno Ximarú). Dá uma diminuída antes do refrão (dinâmica é tudo, irmãos): "Toda casa tem um pouco de África/ toda casa tem um terreiro/ e uma mucama para lhe servir".


'Esquenta barracão' parece um punk/hardcore no começo e aí dá uma suingada maneiríssima, e volta pro hardcore, "abre logo essa roda que eu quero é sambar/ samba noise esquenta barracão". E dê-lhe noise!


'La ursa' deve ser algum bloco ou festa local (confere, Mateus?), "que la ursa quer dinheiro/ e quem não dá é pirangueiro". Também começa pesada e acelerada, mas no refrão fica mais suingada, com um baixão bonito (Risaldo), muito legal. Essa aqui lembra os clássicos grupos já citados do mangue beat.


'Sheik tosado' inicia com um pandeiro misturando "samba, funk, punk rock, hardcore, capoeira da pesada na batida do ganzá"!! Dá até pra jogar uma capoeira aqui, com risco de algum sangue.


'Malê' é pesadona, metal nordestino da melhor safra, com uma percussão muito legal no refrão. "o corte da estrovenga/ o rasgão do facão/ a foice afiada/ dentro do seu coração".


'Hardcore brasileiro', mais uma ligeira, ainda bem que eles tem dinâmica e não fica chato. "som de caráter urbano e de salão/ frevo passando destroçando a multidão/ pre quem vem de fora o som é ligeiro/ batuque forte é o hardcore brasileiro./ Hardcore brasileiro é o frevo".


'Repente envenenado' é mais suingada, com um riff de guitarra limpa com wah-wah muito muito legal! Minha preferida, esta lembra bastante o saudoso Chico. O China, vocal hoje com carreira solo, assim como todos nós, deve ter ouvido muito. "ei menino/ o papangú quer te pegar".


'Baleia' é uma instrumental benvinda, curtinha.


Que segue com 'Vinheta para Jackson', daquele jeito, pesada e com uma percussão animal (Oroska e Hugo Carranca somados ao baterista Gustavo da Lua, além do convidado especialíssimo da Nação Zumbi, Pupillo, tocando zabumba e bateria), uma diminuída e o refrão explosivo. "É dia de sol/ fumaça no ar/ o cheiro do mato/ me faz viajar/ Hoje tem pandeiro/ tem baque virado/ tem Sheik Tosado/ pra você dançar". Noise barulhento no final, distorção digital clipando. Como esclarecido no encarte (pois é, além de comprar discos, eu tenho o arcaico hábito de ler encartes), "Quaisquer ruídos ou distorções extremas são propositais".


'Zum, Zum, Zum, pancada' começa também com noise, baixão distorcido com bateria quebrada, guitara esperta aparecendo e sumindo. "Pancada na cabeça"!!!


Disco curtinho, com gosto de quero mais.

Pena que o grupo acabou depois de se apresentar no Rock in Rio III, em 2001. Eu tava lá, mas não lembro...