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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Tudo Azul....Tudo Azul meu Amor


Em 1999, paralelamente ao trabalho de cantora e compositora, Marisa Monte decidiu resgatar todo o trabalho da Velha Guarda da Portela, cuja comunidade em Madureira tinha forte relação (seu pai - Carlos Monte - tinha sido diretor da Escola de Samba). O resultado ficou belíssimo, a começar pelo encarte. Em uma época em que as gravadoras estavam reduzindo os custos e os CDs vinham com pouco material, Tudo Azul vai na contramão, incluindo letras cifradas e páginas azuis com trabalho artístico de primeira (fotos de Rodrigo Monte).


A seleção das músicas também foi digna de louvor,incluindo canções dos principais expoentes da Velha Guarda da Portela: Monarco, Alvaide, Chico Santana, Chatim, Manacéia, Áurea Maria, David do Pandeiro, Candeia, Alvarenga, Jair do Cavaquinho, Colombo, Casquinha, Ramon Russo, Casemiro da Cuíca, Alberto Lonato, Josias e Ventura, autores das 18 canções gravadas.


Com “Portela desde que eu nasci”, o disco inicia-se marcando terreno:

Eu sou portela ...Desde os tempos de criança...Ainda guardo na lembrança...Algo e vou revelar


Em seguida, a inspirada letra de “O Mundo é Assim” (Alvaiade) dá o tom ao mesmo tempo nostálgico e filosófico:

O dia se renova todo dia
Eu envelheço cada dia e cada mês
O mundo passa por mim todos os dias
Enquanto eu passo pelo mundo uma vez


Continuando com a clássica “Nascer e Florescer”, na Manacéa, na voz de Monarco e emenda com “Vai Saudade”, canção em que se destaca o cavaquinho de Jair do Cavaquinho (com o perdão da redundância).


A temática nostálgica prossegue nas músicas seguintes (“Vai Saudade” e Sabiá Cantador”), e acaba levando a memória do ouvinte a uma agradável tarde de sábado regado a cervejinha em uma mesa de bar, acompanhado de bons e velhos amigos.


Em “A Noite que tudo Esconde”, destaca-se a participação especial justíssima de Paulinho da Viola, que afinal de contas, é o responsável direto pela primeira constituição da Velha Guarda da Portela em 1970 (informação que consta do próprio encarte de Tudo Azul).


Depois de “Eu te quero”, “Volta meu amor” conta com a participação especial da própria Marisa Monte, e o resultado não poderia ter sido melhor: Uma canção belíssima:


Volta, volta, meu amor
Quero sentir novamente seu calor

O disco segue em melhor estilo com “Falsas Juras” (Eu já lhe disse.... Que não quero mais o seu amor porque... As falsa juras nos seus beijos... Me fizeram padecer) e emenda em “Tentação”, bela canção levada só com a cuíca e voz de Casemiro da Cuíca.


Você me abandonou...Ô ô eu não vou chorar...Mas hei de me vingar...Não vou te ferir...Eu não vou te envenenar...O castigo que eu vou te dar é o desprezo...Eu te mato devagar (...).A dor de cotovelo levada de forma alegre permanece dominante na canção “Você me abandonou”.


O rtimo cadencia em “Vem Amor” para acelerar novamente em “Benjamim” e emendar em “Tudo Azul”, canção que providencialmente batiza o disco, em referência não só ao bem estar, mas também à cor da tradicional escola de samba do Rio: “Tudo azul...Tudo azul...meu amor”.


A cadência mais lenta de “Minha Vontade” conta com a participação especial de Cristina Buarque para, em seguida, dar lugar ao ritmo do pandeiro e a cuíca em “Sempre o Teu Amor”.


Para finalizar, depois de mais uma participação do excelente cavaquinho de Mauro Diniz em “Corri pra ver” (ao todo participa de 4 canções), o disco encerra com a participação especial de Zeca Pagodinho, que divide o vocal com Monarco em “Lenço”: Pega esse lenço e não chora...enxuga o pranto, diga adeus e vá embora”.


E enxugando o pranto diante do término dessa preciosidade, o disco finaliza no melhor estilo. Com esse trabalho, Marisa Monte presta um grande favor a todos amantes da boa música, resgatando um trabalho que, antes de tudo, envolve emoção e sentimento, do tempo em que a música era, antes de tudo, uma manifestação cultural autêntica e não o ganha-pão de ninguém.


[Paul]

PS: para escutar o disco:

http://grooveshark.com/#/playlist/Dj+Paul+Velha+Guarda+Da+Portela+Tudo+Azul/62013188

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Bebadosamba, Paulinho da Viola (1996)


De certa forma, o Bebadosamba é a continuação da (minha) triste história de Pérola Negra e sua tentativa de ganhar uns beijinhos aqui e ali. Luis Melodia me havia ensinado que a trilha muitas vezes vem a reboque do roteiro e não vice-versa. Mas a roda do tempo gira e depois que a Marisa Monte decidiu gravar a Dança da Solidão no seu disco rosa, a música do Paulinho da Viola foi redescoberta por um público um pouco maior do que o que vinha sendo costumeiro seu nos anos 80 e 90.
E acompanhando os giros da roda do tempo, vinha o fato de que os vestidinhos na cantina do IEL eram mais coloridos e melhor recheados que os da cantina do IMECC, e então Jimmy Page continuava sendo uma fraqueza minha, mas confessada em ocasiões muito restritas...
Luiz Melodia não era mais o cara, o cara agora era o Paulinho da Viola, que aliás, diga-se de passagem que esse nome é meio estranho, porque a viola pra mim é aquela de 10 cordas da música caipira, mas como paulinho do cavaquinho é por demais óbvio e paulinho do violão tem um puta som esquisito, esse nome fica bem legal.
Paulinho da Viola aproveitou o vento favorável e caprichou neste samba bêbado, e o urso colimério aqui, flanando no espaço acabou dele bebendo, descobrindo e curtindo essa jóia, apesar de não ser, estritamente, um homem do samba. Sua volta foi em grande estilo, com capa e encarte cheios de desenhos de Elifas Andreatto, que havia sido seu parceiro de disco na sua fase áurea, uns 20 anos antes.
Musicalmente falando, o samba do Paulinho não é o da avenida, não é o samba heavy metal, é mais aquele samba de mesa de buteco, cujo único compromisso é ali, consigo mesmo, e com as ampolas douradas que dividem a mesinha. Daí que o nome Bebadosamba é baita de adequado. Em muitas das canções o tema é o próprio samba, em outros é a vida cotidiana, o amor, a Portela... Tudo delicadamente embalado pelos arranjos que incluem, ora, o piano inusitado de Cristóvão Bastos, ora a formação clássica do samba de mesa de buteco, ora um conjunto completo de choro. E de quebra, minha canção favorita na obra do Paulinho (mesmo considerado a pilha de clássicos dos anos 70): Timoneiro. Com letra de Hermínio Belo de Carvalho, a música começa com um balanço marcado no surdo, como o vai e vem das ondas:
Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar...

[M]