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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Celso Blues Boy - Som na guitarra


Essa semana vou postar alguns artistas que me deixam até culpado de não estarem por aqui, começando pelo saudoso e recentemente falecido Celsuba!
Por coincidência acabei de ler o post duplo sobre o 'Abre-te Sésamo' do Raul, onde o Mateus cita o Celso, que começou tocando com o Raulzito ('Liberdade' é co-autoria do Celso com Raul!) e Sá & Guarabira, eu acho.
Depois seguiu sua carreira solo, gravando Blues com a cara brazuca, sempre em português. Mesmo tendo escolhido seu nome artístico em homenagem ao B. B. King, com quem tocou e compôs.
Recordista em apresentações no Circo Voador, RJ (só competindo com a Orquestra Tabajara, cujo maestro também nos deixou esse ano), ir a um show dele no Circo era um tipo de iniciação nos anos adultos, sempre tinha um ou uma padrinho ou madrinha pra nos iniciar naquele ambiente divertido, liberal, exótico, engraçado e perigoso, principalmente se nossos pais soubessem como era liberal... Não lembro quantos shows vi dele, aliás, não tem dado pra confiar muito na minha memória ultimamente.
Nascido Celso Ricardo Furtado de Carvalho, conseguiu alguma projeção ao mandar um 'fita k7' (artefato analógico do século passado) para a Rádio Fluminense, que mesmo tendo um repertório mais voltado pro rock, tocava quase de tudo. Tempos diferentes, os Paralamas também tiveram 'Vital e sua moto' tocada assim, numa versão demo que até hoje não saiu em cd...
Mas tergiverso...

Esse é o primeiro álbum solo, e já é excelente, 'antológico' como disse bem o Jamari França, tendo músicas que permaneceram no repertório até o fim de sua vida, quando já morava em Joinville.
"Som na guitarra!!!!!" Começando pela clássica 'Aumenta que isso aí é rock'n'roll', o disco não tem como não agradar, Celso tem uma vibração rock mas raízes blues, e conseguiu fazer boas letras em português ao longo de sua carreira. Mas aqui é puro rock!
Para em seguida cair no puro blues 'Fumando na escuridão': aquele riff manjado roubado do Led/Muddy/John Lee Hooker, bom pra ouvir fumando, coisa que aliás levou ao câncer de garganta do nosso herói...
"não há ninguém nesse maldito vagão
eu continuo
fumando na escuridão"
'Tempos difíceis' é mais pop rock, com boas melodias e guitarras alternando entre o riff e a calma, com um belo solo.
"Porque chorar não vale mais a pena"
Aí vem um dos maiores clássicos underground do cara, 'Brilho da noite' (que já havia saído na coletânea 'Rock voador' da Warner), que eu não sei se é uma metáfora pra outro tipo de brilho (tenho impressão de ouvir uma fungada no meio da música)... Bluezão!! Piano bonito, melancolia e muito sentimento, tanto na voz quanto no solo chorado e cheio de reverb.
"Quando o dia amanhece
o brilho da noite se vai"
'Amor vazio' começava o lado B, acho. O disco inteiro desce redondo, agradável e animado apesar de blues, caprichado e natural.
"eu continuo aqui mesmo sozinho
sentindo calor
tremendo de frio"
'Rock fora da lei' é um blues rock quase americano em Memphis, Tenessee, legal, com um refrão do tipo que levanta a galera e solo cheio de drive.
'Filhos da bomba' é quase um hard rock, fruto da paranóia de medo da guerra nuclear (eu sonhava com a bomba nessa época, alguém mais?), tem até aquela sirene típica, música meio datada e diferente (tem até uma voz meio operística/metal), com solo mais virtuosístico com várias guitarras.
'Blues Motel' encerra o disco suavemente, com lirismo e beleza, apesar da guitarra bluesy gritando nos seus momentos de solo.
"marcas de batom
uísque na cama
e a emoção de uns
no coração do blues"

Descanse em paz, Celsuba.

Mais fontes de informação:
Jamari França sobre a morte de Celso
ahtabom
Wikipedia

(Dão)

sábado, 9 de julho de 2011

Dente de ouro, Blues Etílicos




E pra um dia frio, blues.


Blues brazuca, com letras típicas - algumas em português, versões, muitas instrumentais e um suíngue apimentado.


Maior banda brasileira de blues, com 26 anos de estrada, merece estrear a seção blueseira do nosso blog.




Play the blues!




Que inclusive começa rock'n'roll: 'It's my soul' tem essa vibe, aquele shuffle típico com aquela gaita bem tocada pelo sensacional Flávio Guimarães, além do slide do Otávio Rocha! Soul blues.




'O sol também se levanta' é um exemplo de blues bem transportado pro Brasil, uma letra sobre ressaca (podia ter tocado no dia seguinte do Itupervastock), instrumental acústico.


"O sol me acorda e ainda é cedo!


Eu fico logo de mal humor


A minha cabeça ta rodando, de onde é que vem esse tambor


É de manha e eu tô numa ressaca, eu me arrasto até o banheiro


me sentindo enjoado enfio a cara no chuveiro


É nessas horas, eu digo pra mim mesmo nunca mais vou beber


Mas vem caindo a tardinha...


Preparo outra caipirinha"




'Cachorrada' é instrumental, com uns metais (gaita, trompete by Greg Wilson e sax barítono by Henrique Band) muito legais, além do solo matador!




Aí vem a maneiríssima faixa-título, uma música de capoeira com berimbau e atabaque do Mestre Garrincha, arranjada pro formato blues com slide dobro e tudo! Muito muito legal! Solo de gaita sensacional.


"Ela tem dente de ouro


Aih meu deus foi eu quem mandei 'botar'


Vou rogar é, uma praga prá esse dente se quebrar


Ela de mim não se lembra, aih meu deus nem dela vou me lembrar


Casa de palha é palhoça, se eu fosse fogo queimava


Toda mulher ciumenta, se eu fosse a morte eu matava"




Mais uma instrumental 'Dromedário', cheia de wah-wahs, solo de baixo e gaita altíssima.




'Misty mountain' é mais contemplativa, começando com um violão e voz bonitos, solinho de gaita e entra a banda, dinâmica é tudo...vale a audição, eu sempre gosto de ouvir essa lá de cima das montanhas.




Mais uma instrumental, 'Texas frogs', animada e alto astral, tá até esquentando esse frio gélido curitibano.




'It ain't easy' é um suinguezinho maneiro, não tipicamente blues, mas se mistura bem no geral.




'William's influence' é uma instrumental com um som de gaita diferente, é a cromática. Só não sei quem é o William...




Toca Raul!! 'Canceriano sem lar (Clínica Tobias blues)' ficou muito legal, num blues acústico com aquelas paradinhas típicas e um slide dobro malandro.




Na seqüência mais uma instrumental, 'Albert's mix', agora com um pouco mais de drive! A música termina de repente, estranhíssimo, deve ser o Albert King cortando a mix...




'Águas barrentas', provavelmente em homenagem ao Muddy Waters, sacode a casa.




'Mambo chutney' é bem latina, com uma guitarra balançante, congas e trompete, legal.




'Liberdade' é uma boa surpresa, de Fernando Pessoa (acho que é o poeta português) e Márcia de Carvalho, bluesão quase acústico com uma voz com distorção ao fundo.




Que já emenda numa instrumental mais lenta e bem curtinha, 'Elefante'. Acho que tem instrumentais demais, por mais que sejam legais, né?




'Cerveja' lembra por que eles são etílicos! Co-autoria dos caras com o Fausto Fawcett, que inclusive canta aqui com aquela voz carioca típica.


"Vou virar vou virar esse copo


Cheio de espuma cheio de ouro


Vem cerveja vem beijar meu sangue


Alquimia de espuma libertaria


O mundo é veia aberta a minha volta


Hoje eu to bebendo cerveja


Toda bebida é binóculo da alma


É raio x da perdição dos sentimentos


Cerveja me libera, me leva ao paraíso


Ah loura liquida me leva pro seu liquid sky


O mundo é veia aberta a minha volta


Hoje eu to bebendo cerveja


É paraíso dos desejos, encruzilhada violenta de tesão


Que me importa como o tempo passa


Cerveja me libera


Pra tempestade da carne


Pra tempestade da rua pra tempestade do sexo


Pra tempestade de tudo


O mundo é veia aberta a minha volta


Hoje eu to bebendo cerveja"




E depois de 16 músicas, 'Little Martha' (D. Allman) termina bonito o disco, acústica e leve.




Long live the blues.