
domingo, 9 de outubro de 2011
V, Legião Urbana (ainda em 1991...)

terça-feira, 27 de setembro de 2011
Sepultura, Arise...mais um de 91!


Realmente, como observou meu amigo e parceiro musical Mateus, 1991 foi um ano pródigo em bons lançamentos para o então um pouco desacreditado rock. Talvez tenha sido o último, talvez Nevermind na verdade marque justamente o fim de uma época, como argumenta com boas razões André Forastieri (aqui: http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2011/09/23/nevermind-nao-importa/ ), então só nos resta comemorar os seus bons discos.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Vinte anos depois... Mais um de 91!
É na rua Paulo que me sinto bem
Pois meus amigos estão la também
Já faz algum tempo que não sei como é que estão
Advogados, bêbados, dentistas eu faço canção
Da esquerda para direita não consigo encontrar
Um lugar para residir um lugar para descansar
Sou menino da rua Paulo de um bairro em Budapeste
Sou menino de São Paulo lá da Vila Mariana
Os Meninos da Rua Paulo é um clássico húngaro de Ferenc Molnár datado de 1906, relatando a luta de gangues de Budapeste pelo controle de um terreno baldio. Do outro lado do oceano, quase um século depois, este outro Os Meninos da Rua Paulo é o sexto álbum do Ira! Fã da banda não sou, nem nunca fui, nem mesmo nos áureos tempos. E a escolha deste disco mostra isso.
Mas basta que o lick de abertura da Rua Paulo comece a circular pela minha corrente sanguínea... bing! Já era... Scandurra é foda. Scandurra é o cara, ele e a guitarra são uma coisa só. O Ira! é a banda do Edgard, eu vejo as coisas desse jeito, ainda que ele não tenha de maneira nenhuma esta postura, e, o mais importante, ainda que as canções da banda raramente orbitem em torno da sua guitarra, e sim o contrário: ele geralmente tem o contraponto inteligente, de muito bom gosto e, como não poderia deixar de ser, inspiradíssimo.
O disco veio à tona no emblemático ano de 1991 (ó aí, Dão! Mais um...). Ano dos Nevermind, Ten, Black Album, Blood Sugar Sex Magik (to cite a few...). Da maneira como eu vejo o rock nacional entretanto, isso não passa de mera coincidência. O ponto aqui é uma banda pioneira do movimento de renovação do pop nacional que assolou o país junto com a Nova República e o Rock in Rio (o I!) que busca novos caminhos. O que mais me interessa aqui é o que faz uma banda de garotos que cresceram, amadureceram e ainda amam o rock’n’roll, o bom e velho rock’n’roll... A faixa de abertura dá bem este tom, os garotos da Rua Paulo estão à procura do velho bando, que terá virado dele?
Eu entendo isso mais na psiquê do que na geografia. A grande encruzilhada do rock’n’roll: envelhecer. Os rebolados de Elvis, os cabelos longos de John, Paul e sua turma, você deixaria sua filha se casar com um Rolling Stone? Pra quem assistiu trechos dos mascarados Slipknot ontem, isso soa como música de câmara!
Eu já sou um homem, mas mereço umas palmadas
Ó amor te peço, só não batas na minha cara
Voltando ao Ira!, este o álbum de uma banda que lançou seu primeiro disco em 83, naquela onda toda positiva. Oito anos depois, não dá mais pra assustar ninguém, não é? Bem, e nem parece ser a intenção. O legal é que esse disco me parece muito honesto e extremamente bem equilibrado entre novas idéias, novos ares e o som original da banda, que aqui aparece bem em O Ladrão Era Eu, Um Dia Como Hoje, e da qual Amor Impossível é o melhor exemplar, uma bela canção para um imaginário amor impossível que sempre é possível no universo das canções.
Pense na mistura de We Will Rock You com Lucy in the Sky with Diamonds... Parece meio fora de sincronia, não? Mas aquie eles revisam a iiteressante versão (que eu desconheço...) de Raulzito para a clássica dos Beatles, que aqui vira Você Ainda Pode Sonhar, mensagem otimista com gostinho de nostalgia. Na abertura é usado o clássico ritmo de bateria-e-muro-de-palmas que costuma não deixar poeira sentada no hiperclássico da Rainha. Mistura improvável que funciona de maneira magistral: a versão ficou psicoheavyca.
O blues Prisão das Ruas e baladas como Cavalos Selvagens ou O Tolo dos Tolos (essas duas últimas na voz do Edgard) são mais sintomas da transição do garoto que está virando homem. Enquanto que a levada de Imagens de Você sugere o uso de ritmos eletrônicos (simulados de maneira inteligente por André Jung? Ou foram usados mesmo? Bem, não sei dizer...), coisa que poderia destoar e seria meio proibido nos discos primitivos da banda. E: o resultado ficou muito legal! Não Matarás é curiosa porque tem uma levada meio disco com guitarras country, wah-wah... outra mistura improvável que funciona bem. E o mandamento é claro:
Não matarás, não matarás, não matarás a ti mesmo...
Nosso mundo é tão pequeno... não matarás teus desejos...
Mas nada é tão bom neste disco como A Etiópia e Meus Problemas (thanx, Paul!). Aliás, ouso dizer, nada é tão bom na discografia inteira da banda!!! Menos pela letra (muito menos, diga-se, mas, cá pra nós, quem se importa com as letras do Ira!? Nunca foi seu ponto forte). Edgard toca a guitarra dos sonhos de qualquer guitarrista: limpa, estalada e estrelada. Um golpe de ousadia na discografia de uma banda que costuma(va) ser bastante “conservadora” em relação à sonoridade original de seu rock’n’roll. Acompanhada de um violão el justiciero, percussão da península ibérica árabe, e um coro simulado, ahn, ahn, ahn... que me lembra a música do sertão nordestino. Um primor, a obra-prima do Ira!...
O disco termina na marcha instrumental Meninos da Rua Paulo, assobiada como a ponte do rio Kwai, lembrando que os meninos vão à batalha (ou a batalha vem aos meninos?), mas (quase) sempre há o retorno pra casa. E, musicalmente, este retorno é glorioso.
[M]
ps: refiz o post de ontem, que me deixava meio insatisfeito, mas mudei pouca coisa. Hoje no rádio tava ouvindo Guitar Man:
Who draws the crowd and plays so loud,
Baby it's the guitar man
Who's gonna steal the show, you know
Baby it's the guitar man,
He will bring you down, then he'll get you high...
pra mim não há dúvidas: eles estão falando do Scandura...
terça-feira, 28 de junho de 2011
E se?... (tudoaomesmotempoagora - Titãs, 1991)
De certa forma, o passo dado no disco Titanomaquia era ensaiado aqui, Tudo ao Mesmo Tempo Agora. Os Titãs vinham de três discos de tirar o fôlego, que os deixaram enterrados a raízes profundas nos corações mentes dos homens e mulheres primatas, o pulso pulsando e a miséria musical para sempre extinta de uma geração que era chamada de coca-cola.
Tudo ao Mesmo Tempo Agora talvez seja o depoimento de uma banda que não queria mais ser “ícone” de uma geração, ei! Estamos abandonando de vez a cola, ficamos só na coca! Acho o último grande álbum deles, uma missa de réquiem, ainda que nos álbuns seguintes, aqui e ali, colham-se alguns frutos saborosos. É o disco onde o compositor olha para dentro de si mesmo e explode seus conflitos internos e externos de maneira irreprimível e irrevogável.
A capa do disco já mostra isso, uma capa desagradável de se olhar, recortes de Atlas do corpo humano, as cores de açougue e as palavras grafadas no alfabeto grego, como quem avisa: este disco é só nosso e não vai ser fácil ouvi-lo, mais ainda gostá-lo. Pra quem queria mais do mesmo, uma decepção. Pra quem se dispõe a acompanhá-los como quem confia nas viagens de um grande amigo: vale a pena.
A lista de músicas não aparece na capa nem contra-capa, onde só consta, em letras miúdas, mais um aviso: composto arranjado e produzido por Titãs. Isso que pode parecer um enigma, na verdade se revela a pista mais evidente aqui.
As músicas de rádio deste disco não eram fáceis. Clitóris faz Igreja soar como canção natalina, e Saia de Mim é a canção sem-vergonha de ser humano, do ser-humano. O último disco com Arnaldo e talvez aquele que sugeria a Nando Reis a porta da rua. Algumas das canções são bem fracas, como Isso Para Mim é Perfume, uma forçada de barra para parecer mais agressivo do que se é. Mas é um disco mais centrado no som da banda, que está muito afiada, o núcleo guitarra(s), baixo e bateria dá as cartas aqui, então, aquela que era conhecida pelas letras e diversos vocalistas se revezando, troca de foco, e o sinal são canções com letras curtas, de conteúdo mínimo, hai-cais a la Titãs, roc-kais, como Obrigado, Cabeça, Se Você está Aqui, e faixa que dá nome ao disco e o encerra de maneira acachapante.
Em tom de depoimento, confessionário vem Eu Não Sei Fazer Música e Não é Por Não Falar, enquanto que em Filantrópico, Eu Vezes Eu e O Fácil é o Certo são os ‘velhos’ Titãs, dando o ‘toque’. Mas as minhas favoritas deste disco mesmo, que mostram a banda viajando em outras direções são Já e Agora. Essas duas são as melhores músicas de toda a discografia dos Titãs... Pra mim pelo menos. Música muitas vezes agente ouve e gosta mais pelo conforto de se encontrar em mares conhecidos, do que pelo espanto causado pelo novo. E os Titãs sempre foram a banda do espanto, e o espanto aqui vem nestas duas canções, com um som de banda magnífico que eles não tinham ainda alcançado em nenhum dos discos anteriores...
Já colocou todas as roupas na mala? Agora que agora é nunca
A sua casa já desmoronou no meio da sala? Agora posso recuar
você já tentou varrer a areia da praia? Agora a última resposta
Já dormiu sozinho num canto de rodoviária? Agora a língua em minha boca
Já dormiu com alguém por migalha? Agora é só meu corpo nu...
Outra pista é o fato de que, diferente do que acontece nos discos anteriores, a autoria das composições não é explicitada faixa a faixa, sinal de que, ou o processo de composição foi diferente, ou ela é menos importante aqui do que a execução, que se torna mais autoral até do que a própria fabricação... E a última pista talvez seja o Flat-Cemitério-Apartamento, música onde a chave é... E se ?
Pois é, neste disco os Titãs estão dizendo isso:
E se ?
[M]
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Os Grãos – Paralamas do Sucesso (1991)

Vai Valer é uma música linda, uma balada acústica orquestrada de forma imponente que confere um crescente a música que faz lembrar o folk dos anos 60 (ou o Refavela do Gil), uma balada hippie, melancolicamente otimista.
Trac-Trac é a versão em português da música de Fito Paez (que aparece nos vocais) e foi a música de rádio do disco. Pop-rock irresistível num estilo que os Paralamas não gravavam desde Vital e sua Moto.
A minha favorita é a próxima. O Rouxinol e a Rosa abre com um riff inspirado por Keith Richards: sujo e malandro. A guitarra com a distorção no ponto certo executa uma frase simples e sincopada, mas a música que entra em seguida é uma surpresa, um r&b gostoso pra quem se deixou se enganar pelo riff de abertura. O solo também é inspirado nos stones dos 70, com jeitão de Mick Taylor (pelo jeito Stikcy Fingers andava fazendo a cabeça do Herbert nesta época).
A Outra Rota é daquelas canções de amor tristes e arrependidas de Herbert Viana, tentando descobrir caminhos a seguir. Dainos segue com uma melancolia levemente psicodélica. As duas canções lembram que o disco é um tanto irregular, com ótimas canções e outras nem tanto. Ah, Maria! recupera o fôlego das boas canções do disco e mostra o lado mais pop e inspirado da banda. Não Adianta traz um pouco das baladas mais antigas do Paralamas (como Caleidoscópio) mas com uma produção mais bem resolvida. E o disco termina com a quase-bossa Trinta Anos, lembrando que o tempo passa, eu já não uso óculos e até mesmo o rock pode ser bom quando maduro. [MATEUS]