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sábado, 9 de julho de 2011

Dente de ouro, Blues Etílicos




E pra um dia frio, blues.


Blues brazuca, com letras típicas - algumas em português, versões, muitas instrumentais e um suíngue apimentado.


Maior banda brasileira de blues, com 26 anos de estrada, merece estrear a seção blueseira do nosso blog.




Play the blues!




Que inclusive começa rock'n'roll: 'It's my soul' tem essa vibe, aquele shuffle típico com aquela gaita bem tocada pelo sensacional Flávio Guimarães, além do slide do Otávio Rocha! Soul blues.




'O sol também se levanta' é um exemplo de blues bem transportado pro Brasil, uma letra sobre ressaca (podia ter tocado no dia seguinte do Itupervastock), instrumental acústico.


"O sol me acorda e ainda é cedo!


Eu fico logo de mal humor


A minha cabeça ta rodando, de onde é que vem esse tambor


É de manha e eu tô numa ressaca, eu me arrasto até o banheiro


me sentindo enjoado enfio a cara no chuveiro


É nessas horas, eu digo pra mim mesmo nunca mais vou beber


Mas vem caindo a tardinha...


Preparo outra caipirinha"




'Cachorrada' é instrumental, com uns metais (gaita, trompete by Greg Wilson e sax barítono by Henrique Band) muito legais, além do solo matador!




Aí vem a maneiríssima faixa-título, uma música de capoeira com berimbau e atabaque do Mestre Garrincha, arranjada pro formato blues com slide dobro e tudo! Muito muito legal! Solo de gaita sensacional.


"Ela tem dente de ouro


Aih meu deus foi eu quem mandei 'botar'


Vou rogar é, uma praga prá esse dente se quebrar


Ela de mim não se lembra, aih meu deus nem dela vou me lembrar


Casa de palha é palhoça, se eu fosse fogo queimava


Toda mulher ciumenta, se eu fosse a morte eu matava"




Mais uma instrumental 'Dromedário', cheia de wah-wahs, solo de baixo e gaita altíssima.




'Misty mountain' é mais contemplativa, começando com um violão e voz bonitos, solinho de gaita e entra a banda, dinâmica é tudo...vale a audição, eu sempre gosto de ouvir essa lá de cima das montanhas.




Mais uma instrumental, 'Texas frogs', animada e alto astral, tá até esquentando esse frio gélido curitibano.




'It ain't easy' é um suinguezinho maneiro, não tipicamente blues, mas se mistura bem no geral.




'William's influence' é uma instrumental com um som de gaita diferente, é a cromática. Só não sei quem é o William...




Toca Raul!! 'Canceriano sem lar (Clínica Tobias blues)' ficou muito legal, num blues acústico com aquelas paradinhas típicas e um slide dobro malandro.




Na seqüência mais uma instrumental, 'Albert's mix', agora com um pouco mais de drive! A música termina de repente, estranhíssimo, deve ser o Albert King cortando a mix...




'Águas barrentas', provavelmente em homenagem ao Muddy Waters, sacode a casa.




'Mambo chutney' é bem latina, com uma guitarra balançante, congas e trompete, legal.




'Liberdade' é uma boa surpresa, de Fernando Pessoa (acho que é o poeta português) e Márcia de Carvalho, bluesão quase acústico com uma voz com distorção ao fundo.




Que já emenda numa instrumental mais lenta e bem curtinha, 'Elefante'. Acho que tem instrumentais demais, por mais que sejam legais, né?




'Cerveja' lembra por que eles são etílicos! Co-autoria dos caras com o Fausto Fawcett, que inclusive canta aqui com aquela voz carioca típica.


"Vou virar vou virar esse copo


Cheio de espuma cheio de ouro


Vem cerveja vem beijar meu sangue


Alquimia de espuma libertaria


O mundo é veia aberta a minha volta


Hoje eu to bebendo cerveja


Toda bebida é binóculo da alma


É raio x da perdição dos sentimentos


Cerveja me libera, me leva ao paraíso


Ah loura liquida me leva pro seu liquid sky


O mundo é veia aberta a minha volta


Hoje eu to bebendo cerveja


É paraíso dos desejos, encruzilhada violenta de tesão


Que me importa como o tempo passa


Cerveja me libera


Pra tempestade da carne


Pra tempestade da rua pra tempestade do sexo


Pra tempestade de tudo


O mundo é veia aberta a minha volta


Hoje eu to bebendo cerveja"




E depois de 16 músicas, 'Little Martha' (D. Allman) termina bonito o disco, acústica e leve.




Long live the blues.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Som de caráter urbano e de salão, Sheik Tosado



Hoje vamos começar pesado porque amanhã tem SLAYER em Curitiba e eu já quero entrar no clima.

Esse disco é mais um da linha 'pesado de um jeito que ninguém espera', como um outro que será postado aqui, do Catapulta, da Bahia, que tem até uma capa parecida com esta aqui do Sheik.

Eles são, ou pelo menos o grupo era, de Olinda, Pernambuco, ligados no mangue beat como a geração seguinte, mas bem diferentes de Chico Science ou mundo livre s. a., talvez com um algumas coisas lembrando mais os Devotos, banda punk também de Pernambuco. Aliás o mangue beat é mais uma definição geográfica e de 'conceito e intenção' (ui) do que propriamente de sonoridade.

Tergiverso. E esse disco é supreendemente pesado porque mistura uma batucada/percussão dos infernos com frevo, maracatú e guitarras pesadas, muito noise, numa música acelerada e empolgante. Literalmente, não dá pra ficar parado, inclusive, a não ser que você esteja numa autobahn alemã ou dirija um Hummer, não recomendo esse disco no carro...

Apareceram no Abril pro Rock, festival hoje consolidado, de 1998, assinando com a Trama e gravando este disco na seqüência.


Que começa acelerando, com bateria e percussão em cima, além de um riff bacana de uma guitarra legal (Bruno Ximarú). Dá uma diminuída antes do refrão (dinâmica é tudo, irmãos): "Toda casa tem um pouco de África/ toda casa tem um terreiro/ e uma mucama para lhe servir".


'Esquenta barracão' parece um punk/hardcore no começo e aí dá uma suingada maneiríssima, e volta pro hardcore, "abre logo essa roda que eu quero é sambar/ samba noise esquenta barracão". E dê-lhe noise!


'La ursa' deve ser algum bloco ou festa local (confere, Mateus?), "que la ursa quer dinheiro/ e quem não dá é pirangueiro". Também começa pesada e acelerada, mas no refrão fica mais suingada, com um baixão bonito (Risaldo), muito legal. Essa aqui lembra os clássicos grupos já citados do mangue beat.


'Sheik tosado' inicia com um pandeiro misturando "samba, funk, punk rock, hardcore, capoeira da pesada na batida do ganzá"!! Dá até pra jogar uma capoeira aqui, com risco de algum sangue.


'Malê' é pesadona, metal nordestino da melhor safra, com uma percussão muito legal no refrão. "o corte da estrovenga/ o rasgão do facão/ a foice afiada/ dentro do seu coração".


'Hardcore brasileiro', mais uma ligeira, ainda bem que eles tem dinâmica e não fica chato. "som de caráter urbano e de salão/ frevo passando destroçando a multidão/ pre quem vem de fora o som é ligeiro/ batuque forte é o hardcore brasileiro./ Hardcore brasileiro é o frevo".


'Repente envenenado' é mais suingada, com um riff de guitarra limpa com wah-wah muito muito legal! Minha preferida, esta lembra bastante o saudoso Chico. O China, vocal hoje com carreira solo, assim como todos nós, deve ter ouvido muito. "ei menino/ o papangú quer te pegar".


'Baleia' é uma instrumental benvinda, curtinha.


Que segue com 'Vinheta para Jackson', daquele jeito, pesada e com uma percussão animal (Oroska e Hugo Carranca somados ao baterista Gustavo da Lua, além do convidado especialíssimo da Nação Zumbi, Pupillo, tocando zabumba e bateria), uma diminuída e o refrão explosivo. "É dia de sol/ fumaça no ar/ o cheiro do mato/ me faz viajar/ Hoje tem pandeiro/ tem baque virado/ tem Sheik Tosado/ pra você dançar". Noise barulhento no final, distorção digital clipando. Como esclarecido no encarte (pois é, além de comprar discos, eu tenho o arcaico hábito de ler encartes), "Quaisquer ruídos ou distorções extremas são propositais".


'Zum, Zum, Zum, pancada' começa também com noise, baixão distorcido com bateria quebrada, guitara esperta aparecendo e sumindo. "Pancada na cabeça"!!!


Disco curtinho, com gosto de quero mais.

Pena que o grupo acabou depois de se apresentar no Rock in Rio III, em 2001. Eu tava lá, mas não lembro...