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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Bora Bora - Paralamas (1988)


Eu estava agorinha ouvindo uma palestra do marido da querida Beba, o Ricardo Piglia. Ele disse uma coisa super interessante sobre o momento da leitura e que rapidinho me instigou a escrever esse texto. O Ricardo acha que o ato de ler, a relação entre o leitor e o seu livro é algo muito íntimo.


Nunca havia passado pela minha cabeça a palavra intimidade para o ato de ler. É raro o encontro entre um ser inanimado com um ser animado gerar algo tão sublime e acho que a música quando encontra o ouvido humano gera o mesmo sentimento – a intimidade.


“Bora Bora” me traz um pouco essa sensação de intimidade. Não só pelas músicas contidas no redondo, mas pelas lembranças que carrega… De todos os Paralamas, Bora Bora é meu favorito. Adoro a capa branca e o Bora Bora colorido, ensolarado-vivo, estampado como um retalho de patchwork.


“Bora Bora” é vibrante, reggeado-rock, maré cheia de sopros, bateria vigorosa. O som transborda malícia e malícia atrai intimidade. E esse realmente é o fio do disco: em “Beco” a violência explode como se não fosse nada, em “Fingido” não sei se te amo para sempre ou pra nunca mais, em “Don’t Give Me That” e a pirada “The Can” com o jamaica Peter Metro e seu sotaque que só quem tem intimidade com o seu mundo consegue decifrar – don’t give me no coke no crack…


E o disco vai rolando e o rock vai pegando fogo. “Uns Dias”, mistura sensações, sabores, vertigens, uma onda diferente. É o ponto máximo, super acelerado, quase o êxtase. Na lindíssima “Quase Um Segundo” o disco faz uma curva, volta para dentro, vai acalmando… É simultaneamente delicada e forte. Piano com notas precisas, teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo/ Que não me deixa em paz.


Intimidade?


“Bora Bora” é sonzeira. E daqueles que a gente para e pensa: peraí, isso aqui é bom demais! É ticket de viagem, entrega e transcendência. Tudo que deliciosamente a intimidade pode te oferecer…

[ANDRÉA]

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Big bang, Paralamas do Sucesso



Aproveitando que comprei (e estou devorando) o 'Vamo batê lata', biografia do Paralamas pelo Jamari França - do excelente blog Jam Sessions do ogloboonline, da qual tirei muitas informações aqui expostas, vamos a mais um dos caras.

Durante a gravação, a banda inventou e divulgou que o disco se chamaria 'Rumo ao planeta ovo' e a imprensa caiu e divulgou.

Agora um septeto, com tecladista e naipe de metais, é um disco que aproveita essas possibilidades sonoras.



Inicia com o sacolejante xaxado 'Perplexo', levada pelo baterista João Barone quebrando tudo, além dos sopros mostrando a cara com vigor, incluindo um solo de trompete a cargo de Demétrio Bezerra no finzinho. Fala da perplexidade da população diante dos planos furados do governo (Cruzado 1 e 2), apesar da nova Constituição ("fim da censura, do dinheiro/ muda nome, corta zero/ entra na fila de outra fila pra pagar"). E a incredulidade e a disposição de luta, claro: "Não penso mais no futuro/ é tudo imprevisível/ posso morrer de vergonha/ mas eu ainda estou vivo/ eu vou lutar/ eu sou Maguila, não sou Tyson". No fim, Maguila foi à lona e elegemos Collor...



'Dos restos', co-autoria com Liminha, já traz uma guitarrona poderosa num riff maneiríssimo e ainda a resistência e a perplexidade: "Pra essa nova moral oportunista/ eu me viro e digo não", "Será que eu existo?/ será que não?/ surgem novas criaturas/ novos pontos de interrogação". Tem um solinho rápido no meio, harmonizado e criativo.

Coladinha (muito legal quando as músicas ficam mixadas assim!) já entra 'Pólvora', reggae rápido quase ska bombando com todo mundo sincronizadíssimo, além de uma das melhores letras de Mr Vianna, que aqui cita o título do disco ("as teorias que explicam o universo"). Dá aquela subida de tom no meio e acaba sensacional!



Diminuindo o ritmo vem a new bossa (obrigado, Jamari!) 'Nebulosa do amor', linda e intimista, depois coerentemente regravada no 'Acústico'. Cuíca de Armando Marçal dialogando com o naipe de metais.



'Vulcão dub' é uma instrumental arrasa quarteirão, com metais solando e alternando as luzes entre si. HUUUU!



'Se você me quer' começa diferente e quase acústica, pandeiro e violões, quase um samba, com pitadas de música sertaneja, vai crescendo a massa sonora no meio.

"Se você me quer eu te quero

se não eu não me desespero

afinal eu respiro por meus próprios meios

afinal eu vivo enquanto espero"



'Rabicho do cachorro rabugento' é no estilo 'Melô do marinheiro', reggae repente com bateria usando timbres eletrônicos, engraçadinho, cantado por Bi Ribeiro (canal esquerdo) e João Barone (canal direito). A música volta ao fim, com o nome 'Cachorro na feira'.



'Esqueça o que te disseram' é mais uma influenciada pela ju ju music africana, que já tinha gerado 'Alagados', com a qual inclusive é parecida. Vocais quase de lambada...

"É preciso sangue frio pra ver

que o sangue é quente

e que vai ser diferente"



'Lanterna dos afogados' é uma das mais belas canções do Herbert, belos arpejos, imagens ambíguas, podendo ser um local físico ou emocional. Foi uma das primeiras que eu notei (deve haver outras) que era afinada meio tom abaixo, o que facilita o trabalho sincronizado com os metais, em geral nos tons transpostos de Eb ou Bb. Alterna um belo solo de flugelhorn com um matador de guitarra por Mestre Vianna. Talvez uma das últimas geradas das infelicidades amorosas com Paula Toller (momento Caras...).



'Bang bang', reggae típico com bons riffs de metais, tenso, quando um bala perdida que matasse um jovem ainda era notícia. Hoje deixou de ser, pela freqüência e banalidade.

'Mas naquele dia até Deus se escondeu

não quis ouvir pedidos de socorro

a voz da razão sumiu

quando a polícia civil subiu o morro"



'Lá em algum lugar' é mais uma romântica, lentinha meio motel, bela e discreta guitarra, com o saxofone safado de George Israel (Kid Abelha).

"Eu sei que em algum lugar ficou uma luz acesa

no escuro desse amor que se apagou

a luz que um dia brilhou só existe num canto do coração"



'Jubiabá', versão do folclórico baiano Jerônimo para 'Give me the things', completa o excelente repertório do discaço. Animada e acelerada, quase um axé music.



Do release poético de lançamento, pelo então titã Arnaldo Antunes, trechos:

"O pé que dança decodifica melhor o recado.

As misturas rítmicas (África Londres Caribe Bahia Mangueira Kingston) se dão com uma naturalidade orgânica. Os contrastes já não são a meta, mas a matéria prima.

Entre a bossa a roça.

Entre a fossa e a troça.

Banalidade para pensar: 'Pode ser exatamente o que eu digo/e também pode não".

Profundidade para dançar: 'O que é tudo isso diante da pólvora?/(Dessa paixão que se renova)'.

Novos pontos de interrogação."



Na seqüência vêm mais discos dos Paralamas, além de pitacos complementares e secundários nos já postados da banda.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Cinema mudo, Paralamas do Sucesso



Fazendo uma retrospectiva do nosso blog (o Zeba também o fez e chegou à conclusão de que até chegarmos aos 1001 discos pretendidos demoraremos mais de 25 anos...), vi que os Paralamas ainda têm poucos discos, sendo 'emocionalmente sub-representados' por aqui, afinal todos nós ouvimos e curtimos muitas músicas nas nossas adolescências e juventude, além de festas e fossas. E não ficamos relegados ao passado, ontem mesmo, no ensaio dos The Xavados, 'Selvagem' (do disco de mesmo nome a ser postado por aqui - ou já foi?) entrou no repertório numa jam de 20 minutos psicodélicos e reggísticos...
Então, ao invés de reclamar dos fãs do Lenine (entre os quais me incluo), mãos à obra e vamos ao primeiro registro fonográfico de nossos ídolos.

A bem da verdade, o disco se iniciou numa demo em fita K7 de 1982, que tocou bastante na saudosa e niteroense Rádio Fluminense FM, a conhecida Maldita, o que proporcionou à banda tocar bastante no Rio de Janeiro nessa época, no Circo Voador e em danceterias, como se dizia no século passado.

Essa demo tinha 4 músicas: "Vital e sua Moto", "Patrulha Noturna", "Encruzilhada Agrícola-Industrial" e "Solidariedade Não!". Tirando a que falava sobre o sindicato polonês, todas as outras entraram nesse primeiro disco.

Eu ainda me lembro da versão da demo de 'Vital', que infelizmente nunca foi lançada em cd. Eu talvez até tenha num K7 mofado...Ficamos no aguardo dos basement tapes of Maldita, alô Antonio Carlos Miguel!

O Herbert reclama que o disco foi muito manipulado para se encaixar nos parâmetros de FM da época, com muitas dobras (dizem que os Golden Boys fazem os backing de Vital, entre outras músicas), com acréscimos de ecos, reverbs, solos, teclados, dobras de vozes e instrumentos - fato que eles compensaram na produção enxuta do já postado 'O passo do Lui'. Primeiro álbum, estouro recente do Brock, desprestígio novato da banda, incompetência de executivos de gravadoras etc etc etc blah blah blah. Mas o fato é que o disco é legal, têm excelentes composições e, hoje em dia, quando eles tocam músicas desse disco, mantêm os arranjos próximos dos originais.

O lado A começava matador: 'Vital e sua moto' (riff antológico), 'Foi o mordomo' (faixa lazy reggae, fossa de meio de tarde), 'Cinema mudo' ("rolê rolê ô ô ô ô ô ô ô", dá-lhe The Police, aliás uma clara influência da banda) e 'Patrulha noturna' ("qualé, seu guarda, que papo careta, só tô tirando chinfra com a minha lambreta" - que ao vivo podia ser modificado para, por exemplo, "que papo furado só tô tirando chinfra com o meu bas...." - pra bom entendedor, me pala bast), já com uma guitarra sensacional e um solinho bonito do mestre Herbert Vianna; também foi lado B do compacto 'Vital e sua moto'. Terminava o lado A (se vc não entendeu vá ao google!) a instrumental 'Shopstake', primeira co-autoria, aqui com Bi Ribeiro, no disco; também era lado B do compacto 'Cinema mudo'.

Ao lado B: 'Vovó Ondina é gente fina' (uma homenagem e agradecimento rock'n'roll à vó do Bi, que hospedava os ensaios da banda), 'O que eu não disse' (co-autoria de HV, João Barone e Renato Russo, pop delicioso com violões, uma discreta slide guitar by Lulu Santos e um belo solo no final em fade-out), 'Química' (do Renato Russo, guru da geração de Brasília, aqui numa versão pesada e que, se não me engano, foi gravada antes do autor lançar a sua), 'Encruzilhada' (mais um lazy reggae, com letra descartável pseudo-crítica, "não sei se falo mal da safra do feijão ou da imperfeição da indústria do Brasil") e, pra finalizar, a atípica 'Volúpia' (com letra sexy e arranjo de metais 'a la Vitória Régia' por conta de Léo Gandelman).

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Selvagem? - Paralamas do Sucesso (1986)



Para os Paralamas do Sucesso, e para toda a geração "rock Brasil" dos anos oitenta, "Selvagem?" representou a transição da adolescência para a idade adulta. Trata-se do primeiro disco de uma banda nacional com temática mais sofisticada, produção caprichada e a incorporação de elementos até então pouco utilizados nos trabalhos aqui realizados. No final, os Paralamas acertaram a mão e, por intermédio desse trabalho, acabaram por influenciar toda a obra imediatamente posterior de sua geração.

Produzido por Liminha, "Selvagem?" foi gravado e lançado no primeiro semestre de 1986. Os Paralamas vinham do sucesso de crítica e público obtidos com o deliciosamente adolescente "O Passo do Lui" (já resenhado aqui), mas queriam dar um salto qualitativo na carreira. Nas palavras do baterista João Barone, nada de muito especial - "os Paralamas do Sucesso só queriam fazer algo diferente e não repetir a fórmula do disco anterior".

"Selvagem?" abre com "Alagados", um dos maiores hits do disco e do grupo. Com uma deliciosa levada de guitarra, a canção faz um relato da dura realidade da vida nas favelas brasileiras, refletindo em parte a crise econômica enfrentada pelo Brasil durante a "década perdida" - os anos oitenta. Gilberto Gil participa da música - ele contribui ainda com "A novidade", parceria do baiano com os três paralamas.

Depois de "Alagados" aparecem, em sequência, o rock de protesto "Teerã", a já citada "A novidade", a divertida "Melô do Marinheiro" e "Marujo Dub", que mostra toda a influência que o trio recebia, nesse período, de gente como Yellowman, Sparrow, Toure Kundá e Fela Kuti. Conexão Jamaica-África-Brasil.

Para quem tem o vinil, o lado B começa com a pesada "Selvagem", uma canção de letra forte e contundente:

"A polícia apresenta suas armas
Escudos transparentes, cacetetes
Capacetes reluzentes
E a determinação de manter
Em seu lugar

O governo apresenta suas armas
Discurso reticente, novidade inconsistente
E a liberdade cai por terra
Aos pés de um filme de Godard

A cidade apresenta suas armas
Meninos nos sinais, mendigos pelos cantos
E o espanto está nos olhos de quem vê
O grande monstro a se criar

Os negros apresentam suas armas
As costas marcadas, as mãos calejadas
E a esperteza que só tem quem tá
Cansado de apanhar"

O disco não era só de protesto e denúncia, porém. Talvez interessados em manter certos vínculos com seus discos anteriores, os Paralamas gravaram duas canções mais leves - "A dama e o vagabundo", que fala das dificuldades da vida a dois, e "Você", clássico setentista de Tim Maia. Como não podia deixar de ser, as duas músicas atingiram os primeiros lugares das paradas. O disco tem ainda a alegrinha "There´s a party", com a voz desafinada de Herbert Vianna em seu estado mais puro. Um deleite para os fãs do grupo.

O resto é história. Depois de "Selvagem?", os Paralamas foram alçados a outro patamar dentro do que se chama de Música Popular Brasileira. Se isso é bom ou ruim, não vem ao caso. O importante é escutar "Selvagem? com atenção, para se captar todos os detalhes desse trabalho tão instigante e tão importante para a cena rock no Brasil.

André Xampu

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Os Grãos – Paralamas do Sucesso (1991)


Este é o primeiro disco de rock dos Paralamas, ainda que muito do som característico da banda ainda tenha lugar garantido. Depois de Cinema Mudo, O Passo do Lui (ver nos postos anteriores), Selvagem, Bora-Bora e Big Bang; onde predominavam ska, reggae e ritmos latinos, Os Grãos trazem os Paralamas mais roqueiros, (quase) sintonizados com o som grunge que dominava o hemisfério norte. Tribunal de Bar ainda traz resquícios dos trabalhos anteriores, apesar de alguns efeitos eletrônicos. O mesmo vale para a excelente Sábado, um skazão ainda carregado de sopros, mas que contém samples de Good Times Bad Times do Led Zeppelin e uma guitarra mais ardida que o de costume.

Tendo a Lua é uma das melhores baladas do Paralamas, a melancolia do Herbert (eu hoje joguei tanta coisa fora...) é muito bem acompanhada pela banda e ele parece ter encontrado o ponto certo de inserir comentários de guitarra que vão além da simples execução do ritmo. A faixa título, Os Grãos, é um pouco mais experimental, na linha da faixa que abre o disco e que viria a ser mais explorado no disco seguinte, O Rio Severino. Carro Velho que vem depois, é uma faixa que caberia muito bem em Big Bang e é a última música deste disco mais ao estilo dos anteriores.

Vai Valer
é uma música linda, uma balada acústica orquestrada de forma imponente que confere um crescente a música que faz lembrar o folk dos anos 60 (ou o Refavela do Gil), uma balada hippie, melancolicamente otimista.
Trac-Trac é a versão em português da música de Fito Paez (que aparece nos vocais) e foi a música de rádio do disco. Pop-rock irresistível num estilo que os Paralamas não gravavam desde Vital e sua Moto.

A minha favorita é a próxima. O Rouxinol e a Rosa abre com um riff inspirado por Keith Richards: sujo e malandro. A guitarra com a distorção no ponto certo executa uma frase simples e sincopada, mas a música que entra em seguida é uma surpresa, um r&b gostoso pra quem se deixou se enganar pelo riff de abertura. O solo também é inspirado nos stones dos 70, com jeitão de Mick Taylor (pelo jeito Stikcy Fingers andava fazendo a cabeça do Herbert nesta época).

A Outra Rota
é daquelas canções de amor tristes e arrependidas de Herbert Viana, tentando descobrir caminhos a seguir. Dainos segue com uma melancolia levemente psicodélica. As duas canções lembram que o disco é um tanto irregular, com ótimas canções e outras nem tanto. Ah, Maria! recupera o fôlego das boas canções do disco e mostra o lado mais pop e inspirado da banda. Não Adianta traz um pouco das baladas mais antigas do Paralamas (como Caleidoscópio) mas com uma produção mais bem resolvida. E o disco termina com a quase-bossa Trinta Anos, lembrando que o tempo passa, eu já não uso óculos e até mesmo o rock pode ser bom quando maduro. [MATEUS]

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Eu não nasci de óculos, mas eu era assim (O passo do Lui - Paralamas do Sucesso - 1984)


Alguns discos que comentamos por aqui não são admirados puramente pela estética, mas fizeram (fazem?) parte de nossa vida, em particular daquela fase confusa e marcante que é a adolescência.
'O passo do Lui' é assim.
Trilha sonora de muitas festinhas, lembro muito bem de dançar lentinho com as meninas 'Romance ideal' (trilha perfeita da desilusão adolescente, além de um solo lindo do Herbert, que o Lulu se chateou porque substitui um que ele tinha feito), 'Mensagem de amor', 'Me liga' (mais uma adequada à ansiedade do dia seguinte).
Mas as que embalaram mesmo aquelas danças new wave estranhas com os braços girando feito helicópteros esquizofrênicos foram as mais agitadas: 'Óculos', 'Meu erro', 'Ska' (com o saxofone de Leo Gandelman) e 'O passo do Lui' (que poderia estar num disco do The Police, influência óbvia da banda).
O disco tem uma qualidade de som limpa, com espaço entre os instrumentos, poucos efeitos e poucos teclados, fugindo do som pasteurizado à época, com muitos reverbs, sintetizadores e vocais sobrepostos (som esse abraçado com gosto pelo Kid Abelha, mas isso fica pra outro post).
Completam o repertório 'Fui eu', 'Assaltaram a gramática' (de Waly Salomão e Lulu Santos, com participação vocal deste e de sua mulher, Scarlet Moon) e 'Menino e menina'.
Não é o mais original dos Paralamas, nem o que tem as melhores composições (apesar de estar longe de ser fraco nesse quesito), mas o que me vem à cabeça (e aos ouvidos na seqüência) quando quero visitar minha adolescência.