Mostrando postagens com marcador Otto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Otto. Mostrar todas as postagens

sábado, 17 de novembro de 2012

Otto - Samba pra burro


Esse aqui não deixa de ser um álbum solo também porque antes o Otto era percussionista da banda mundo livre s. a., mas ele ficou realmente conhecido como artista solo.
Excepcionalmente, farei um post minimalista, até porque o cd permite isso...

Há duas grandes músicas no disco, as duas primeiras: 'Bob' e 'Low'.

A primeira (que tem um video muito legal 'filmado ao contrário', se não viu procure no youtube) começa lentinha, com uns tecladinhos maneiros, depois vai crescendo, com os elementos entrando em camadas (recurso trazido da música eletrônica): bateria a princípio leve, baixo sintetizado, vozes, etc, uma música com muita dinâmica, como todo grande música. Além disso tem a participação da Bebel Gilberto, coincidentemente o outro cd que trouxe para talvez postar hoje, numa voz etérea e linda.

'Low' tem um groove sensacional, tecladinhos vintage, um baixão forte, boas vozes e uma percussão muito muito legal, juntando tudo com uma letra em francês (o cara morou em Paris por dois anos) resulta numa ótima surpresa.

As minhas expectativas depois de ouvir esse começo eram altas, claro, mas infelizmente as outras não correspondem...

Não que sejam ruins, mas ficam longe das ótimas iniciais, merecendo citação 'Tv a cabo/ o que dá na lama' (com o verso "acabo de compra um tv a cabo/ acabo de entra pra solidão, acabo") e 'Distraída pra morte' com uns sopros bem legais (fluegelhorn e trumpete a cargo do Walmir Gil).

O disco tem aquela cara de mistura experimental com percussões, rap com repente e forró, drum'n'bass e outros estilos de música eletrônica, até cantigas de roda entram, acertando às vezes, às vezes errando feio.

Mesmo 'O celular de Naná', que traz como música incidental 'O chapéu tá no alto do céu' de Naná Vasconcelos (que incrivelmente ainda não tem nenhum disco por aqui), é meio frouxa e o Otto dá umas derrapadas na afinação.

Mas é um disco que merece estar aqui, simplesmente porque as duas músicas iniciais são MUITO boas mesmo, excepcionais eu diria.

Há muitas participações especiais, incluindo membros da Nação Zumbi (Gilmar Bola 8, Pupilo, Dengue e Lúcio Maia), Fred 04, Skowa, Zé Gonzales, entre muitos, até mesmo Carlos Eduardo Miranda, citado como tocando 'porta' (????) na música 'Café preto'...

A produção é de Apollo 9 com participação do DJ Soul Slinger em duas músicas.

(Dão)

domingo, 19 de outubro de 2008

modnoC kcalB (Condom Black - Otto - 2001)





O branco que se pinta de preto, o branco que se emaranha nos sons negros. Esse é o Otto no CONDOM BLACK (2001).

Não dá pra começar a falar do cd sem falar do encarte: é um visual meio vermelho-preto-esfumaçado, meio sex shop, meio demoníaco, meio candomblé, meio cidade do Recife. E com muita inspiração e batuque de primeira, ele transforma essas imagens em música.

As músicas falam também de amor, mas no Condom Black não tem espaço para o amor puro, no Condom Black só cabe o amor carnal, aquele que dilata, aquele que procria.

O cd abre com “Dilata”, música com batida e vocabulário eletrônicos que com o vocal de Luciana Mello e um trompete discreto e delicado dão ao som um suingue e um charme todo especial.

Aí os Orixás começam a entrar em cena em “Anjos do Asfalto”, com o aviso de Exu dizendo que é melhor você se salvar! Música gostosa de ouvir, com um batuque manso e constante. Girando para a próxima, caímos na “Armadura”. O que eu adoro nessa música são as rimas, as palavras não convencionais para contar a busca da felicidade e do amor - “Armadura buracos de fechadura/ não tape mais, mulher/ a tua alma nua”. E sempre com um fundo eletrônico, melodioso, circular.

Aterrissamos em Cuba. Os sopros nessa música dão um sotaque caribenho incrível! Aqui mistura tudo: América do Sul, Caribe, Brasil, Cuba, rap, Xangô, Iemanjá, Papa. Um caldeirão tão familiar pra gente. E Cuba foi o nosso grande amor… A Babilônia e que se tudo aquilo é uma farsa, então disfarça…

Em “Dias de Janeiro”, “Londres”, “Por que” e “Retratista” (minha favorita...) o Otto acalma e volta a falar do amor de uma forma dilacerada, com uma poética maliciosa, quente, musical, ritmada, aérea e com perfume de rosa. Sempre com vozes femininas abafadas, porém muito vivas. É de uma sensibilidade muito masculina essa insistência do Otto em usar vozes femininas na música dele. E isso é uma característica também do “Sem Gravidade”, seu último disco (2003). Ele parece não conseguir falar de amor sem ter a contrapartida da mulher, como num jogo erótico.

O Otto vai pra rua com “Street Cannabis Street” e quando escuto essa música imediatamente me vem à cabeça a versão de um Bob Marley do século XXI, algo ligado ao futuro e que a gente deve perder o medo. É uma celebração de coisas que podem trazer prazer - cannabis, sêmem e as crianças. Tudo isso de uma maneira bem da rua, de sarjeta. Lindo!

E termino aqui falando de “Condom Black”, - resultado de todo o amor que o Otto foi cantando, batucando e nos eletrizando ao longo do cd. De tudo que é gostoso - do pau, do cu e da boceta, alguns dos personagens que habitam nossas vidas e nossas fantasias. E ele dá o último respiro e canta o maior presente: “o filhim” dele com a preta, fruto do amor das misturas: do preto com branco, do eletrônico com batuque, da natureza com a cidade e do homem com a mulher. Isso é o condom black!
[ANDRÉA]