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sábado, 29 de dezembro de 2012

Arnaldo Baptista: 'Lóki?' & 'Loki' (dvd)



Estas são obras independentes e com uma distância de 34 anos (o disco de 1974 e o dvd de 2008), mas mesmo assim, uma ajuda muito na compreensão da outra. E mesmo nunca tendo resenhado dvds por aqui, acho que este em especial tem seu lugar por aqui.

O dvd dá uma perspectiva de contexto e do criador Arnaldo, não só como autor, mas como músico, compositor, arranjador, cantor, marido, pai, irmão, etc.
Em muitos momentos do dvd as lágrimas aparecem e me pego perguntando porque estou vendo uma história tão triste, principalmente nesta época, com altas tendências à depressão...Mas o filme é de sobrevivência, forte e ao final otimista, como deve ser esta história. A primeira vez que o vi fiquei muito impressionado, queria fazer logo a resenha do disco, mas pensei que talvez devesse dar um tempo e vê-lo de novo mais tarde, o que fiz agora.
Também há muitos depoimentos, que algumas vezes colocam o Arnaldo (e os Mutantes) num nível de reconhecimento altíssimo, a saber:
- o Maestro Rogério Duprat diz com todas as letras que os Mutantes foram o que de mais relevante havia no movimento Tropicália, que inclusive foi objeto de um recente (e a comprar) dvd de documentário; pra mim faz todo o sentido, os Mutantes foram os primeiros (e além disso originais, criativos e competentes) a traduzir o rock'n'roll pra uma versão brasileira com cara própria - a Jovem Guarda o fazia sem mudar quase nada do rock estrangeiro, principalmente do italiano; e por mais que eu goste e admire Gal, Gil e Caetano, o rock brasileiro pra mim é muito mais importante e relevante do que a mpb; o Devendra Banhart chega a dizer que os Mutantes são melhores do que os Beatles!
- vários artistas e críticos (Lobão, Liminha, Roberto Menescal - que produziu este disco juntamente com Mazola, João Ulhoa - que produziu 'Let it bed' do Arnaldo, Tarik de Souza, Nelson Motta, Gilberto Gil, Sean Lennon - que cita um paralelismo interessante entre o Arnaldo e Syd Barret, Tom Zé, Kurt Cobain etc) ressaltam a importância do Arnaldo e do disco 'Lóki';
- contextualizando a autor e sua história, você ouve com muito mais atenção a 'densidade emocional' no disco, onde percebemos o quão exposto e corajoso o Arnaldo se pôs e, mais do que tudo, o quanto de alma e coração ele colocou no álbum.

E há mais que coração e alma: intensa dor, depressão, desespero e isolamento, delírios e imagens pessoais, problemas graves com drogas (principalmente o LSD que, como lembrado por várias pessoas, não é brincadeira não), frustração e decepção amorosa, angústia e solidão, sexo e ovnis, paranóias e incertezas, lucidez e loucura entrelaçadas, um grito desesperado de um jovem genial de 25 anos que tinha perdido a mulher e a banda. Mas que ainda tinha o rock'n'roll.

"Rock eu gosto porque é meu sangue. É minha vida, desde que nasci" (Arnaldo em entrevista à Ana Maria Bahiana, publicada no Globo em 1978).

É um disco de rock sem guitarras. Arnaldo tem a seu lado velhos companheiros: Liminha no baixo, Dinho Leme na bateria, Rita Lee (vocais de apoio em 'Não estou nem aí') e Rogério Duprat. Em alguns momentos Arnaldo se indispôs com os músicos, por se negar a refazer algumas faixas (por isso o disco é em alguns momentos muito cru e contém alguns pequenos erros).
É um disco feito com urgência e sofreguidão, visceral, o que em algum artigo aí abaixo o ligou coerentemente a 'Plastic Ono Band'.
Há uma grande mistura de gêneros: glam rock, boogie-woogie, rock progressivo, bossa nova, samba, rock'n'roll, música clássica etc.

Os dois lados originais iniciam-se com canções perguntas: o lado A 'Será que vou virar bolor' e o B com 'Cê tá pensando que eu sou loki?'.
Qual o futuro? O esquecimento? A loucura?
Cada música traz um pouquinho de resposta, ou melhor, um monte de procuras...

A minimalista canção final, 'É fácil', parece ter um resposta: a genialidade da música!
"Eu me amo
como eu amo você
é fácil"

"Hoje eu percebi que venho me apegando às coisas materias que me dão prazer
(...)
não gosto do pessoal da NASA
Cadê meu disco voador?"
(Será que vou virar bolor)

'Uma pessoa só' foi herdada dos Mutantes, utópica sobre a plenitude da convivência humana, traz um belo arranjo de cordas e versos lindos:
"Estamos numa boa pescando pessoas no mar
Aqui
Numa pessoa só"

'Não estou nem aí' é a exata antítese da canção anterior, negando os projetos utópicos e enfrentando o mundo material, o instant karma da vida cotidiana.
"Ontem me disseram que um dia eu vou morrer
mas até lá eu não vou me esconder
porque eu não estou nem aí pra morte
não estou nem aí pra sorte
eu quero mais é decolar toda manhã"

'Vou me afundar na lingerie' traz mais uma possibilidade, com muito humor: o hedonismo, o ócio, como destruidores das opressões e barras pesadas. (Antecipando ''Diversão é solução sim")
"quem já dançou sempre tem medo dos homens"

Finalizando o lado A, 'Honky tonky', instrumental onde Arnaldo passeia por estilos ao piano.

Iniciando o lado B, 'Cê tá pensando que eu sou loki?', que meio que cita a bossa nova e o disco do Tom com Sinatra.

'Desculpe' pode ser interpretada como releitura de 'Desculpe, Baby' dos Mutantes, e traz mais uma possibilidade de resposta: o Amor. Mesmo sendo 'uma das baladas mais corta-pulso da história'...
"Desculpe
se eu fiz você chorar
Te esqueça
Olha, o sol chegou
Diga-me o meu nome
Diga-me que você me quer
Sinta o pulso de todos os tempos
Comigo
Até quando, eu não sei
Mas desculpe
mas eu vou me fechar
não sou perfeito
nem mesmo você é
me abrace, diga-me o o meu nome
(...)
sinta o barato de ser humano
Comigo
até quando Deus quiser"

'Navegar de novo' traz uma resposta concisa: seguir em frente. Traz uma das primeiras críticas à nascente sociedade de consumo e sua superficialidade, mas com esperança.

'Te amos podes crer' é uma canção de amor, em menos de 3 minutos Arnaldo faz um tratado das dores de amores.
"é muito triste pensar em você como quem não vive depois da morte"

Finaliza com 'É fácil'. Que traz Arnaldo ao violão, com um impressionante domínio do instrumento, que não era seu principal.

No cd se perde uma coisa meio louca: os dois lados tem exatamente 16 minutos e 50 segundos.
E na ficha técnica: "Este disco é pra ser ouvido em alto volume".

Arnaldo não gostou do nome, imposto pela gravadora, nem da capa, além do que havia imaginado.
Logo após o lançamento, Arnaldo sofreu uma das suas primeiras internações psiquiátricas.

Sobre os anos pós-Loki: "Passei 4 anos num ostracismo. Não tinha ninguém, mulher nenhuma. Ninguém me queria. Não tinha amor. Aí me internaram, porque parece que fiquei uma pessoa violenta. E eu não quero ser uma pessoa violenta. Diziam que eu era. Me internaram. Agora estou bem. Cortei as drogas. Tomo uns remédios. Estou bem. (...) Não sou violento. A bateria é. O piano não consegue, por causa da amplificação" (Arnaldo na entrevista citada).

O dvd traz muita história anterior (Mutantes principalmente, infelizmente sem depoimento da Rita) e posterior, culminando com o retorno dos Mutantes, e os shows em Londres (2006) e em Sampa (2007).

Ana Maria Bahiana, na entrevista citada: "Subitamente pede licença, vai correndo ao palco cuidar, pessoalmente, das ligações elétricas de seu teclado Hohner. Se é possível ter certeza de algo, de uma coisa sei: ele não está brincando de pirado. Todo seu corpo, todo seu rosto está empenhado numa batalha surda e intensa, digna, que não tem nada a ver com as possíveis fantasias de sua ex ou atual plateia. Agachado atrás dos amplificadores, metodicamente checando fios e plugs, sobrancelhas cerradas, ele não parece um herói: está lutando por sua vida. Com todas as forças".

Links (de onde eu tirei muita informação e onde roubei uma ou outra frase...):
Wikipedia do Arnaldo
Wikipedia do 'Lóki?'
Wikipedia do 'Loki' (dvd)
site música estranha e boa
site do Arnaldo

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Sou (ou nós), Marcelo Camelo



Atrevo-me agora a postar uma resenha em complemento à da nossa querida amiga e infelizmente única mulher a postar por aqui - resenha logo aí embaixo, do disco da Mallu. Não cairei em generalizações ou simplificações, tais como 'mulher é mais sensível', mas é fácil notar que as resenhas da Andréa são lindas e bem diferentes das nossas (homens; se bem que não ponho a mão no fogo por ninguém...). Melhores? Eu acho.


Esse disco do Marcelo Camelo (pra quem acabou de chegar ao Brasil, vocalista e guitarrista da banda 'em suspensão temporária' Los Hermanos) é o primeiro solo dele. Como informação 'Caras', ele faz casal com a Mallu, com participações (e provavelmente influências) recíprocas nos discos uns dos outros.


A primeira curiosidade é o título, que oficialmente é 'Sou', mas olhando-se de ponta cabeça vira 'nós', como fica óbvio na capa. Surgiu de um poema visual do amigo Rodrigo Linhares.



Há um 'cantar baixo, quase sussurrado', como observou o irmão do Marcelo numa resenha aí pela net. Foi ajudado pelo grupo Hurtmold, com gravações ao vivo. Há também participações outras, como Dominguinhos, Clara Sverner, Mallu Magalhães e Domenico Lancelotti.

Há barulhos de mar e crianças entre as músicas e muito espaço nos arranjos, o que me sugere uma respiração mais tranquila, num ambiente praiano.

O disco se aproxima mais da MPB tradicional quase clássica, mas sem sê-lo na totalidade, não é a geração do Camelo, que, assim como eu, foi (ou é?) fã de Bon Jovi...

Foi lançado pelo selo do compositor, Zé Pereira, e distribuído pela Sony/BMG.


O disco começa com 'Teo e a gaivota', que originalmente tinha sido composta para um filme de um amigo. Introdução instrumental longa, Camelo só começa a cantar depois de mais de um minuto. Belo início. Não é um disco que você ache demais de primeira, demora pra perceber, digerir, ouvir detalhes e dinâmicas. No meio a música fica um pouco mais rock, mas depois retorna pra dinâmica mais tranquila. Como de costume, traz versos bonitos e melancólicos: "Todo amor encontra sempre a solidão".


'Tudo passa' quase cita uma música de bossa nova cujo nome esqueci ("eu, você ..."), mas é original e com muitas mudanças e boas ideias. "E até esse pra sempre / Tudo passa". Coincidência esa semana eu ter visto e compartilhado um video onde o fotógrafo fotografou as irmãs por 36 anos, o tempo passa, o que levou a piadinhas infames características, tais como tudo passa, até uva passa...hohoho.


'Passeando' traz um violão de nylon, instrumento não usado na banda antida do Marcelo, mais ligado a uma MPB clássica ou a música instrumental brasileira. Música curta com letra mínima "E lá vai deus sem sequer saber de nós/ saibamos pois / estamos sós".


'Doce solidão' conta com um assovio antes da voz cantando "posso estar só mas sou de todo mundo" (eco tribalista?), mais uma música tranquila e sossegada. E com um piano bonito.


'Janta' é a música que aproximou o casal, depois de Camelo ter 'assediado' (como ele disse) a cantora por emails. Fez a música e convenceu-a a cantar uma parte em inglês. Esta é bem a cara da Mallu, um quase folk com violões de aço e nylon dialogando, assim como os cantores, que alternam as partes no meio. "Pode ser cruel a eternidade".


'Mais tarde' já é um pouco diferente, começa com um tecladinho e o ritmo dá uma pequena levantada, quase rock, com uma guitarra invertida discretíssima no final.


'Menina bordada' continua o fictício lado B mais animado, numa levada com a bateria mais presente e suingada, sendo que no meio se mantém só com belos vocais. Parece feita pra Mallu: "menina bonita bordada de flor / eu vi primeiro / todo o encanto dessa moça / moça por favor / cuida bem de mim".


Dominguinhos aparece tocando a introdução da bela 'Liberdade', que respira e deixa entrar o violão e depois a voz, seguindo assim até o final. "De que vale ser aqui / onde a vida é de sonhar liberdade?". É uma música das mais antigas, que quase entrou no disco '4' dos Los Hermanos. Assim como 'Santa chuva', que já havia sido gravada pela Maria Rita.


'Saudade', 'Santa chuva' e as duas últimas, versões de 'Saudade' e 'Passeando' eu não posso comentar, pois não existe na minha 'versão' do disco (pois é, esse eu baixei e ainda não comprei...).


'Copacabana' é uma marcha-frevo, uma singela homenagem ao bairro, uma música alegre, ou pelo menos tanto quanto um 'quase samba' pode ser, com seus metais típicos.


'Vida doce' é mais uma que começa com violão, mais alegre e com a bateria e vocais bonitos. "Onde você for ó vida me leva / todo sentimento me carrega".


Um belo disco, tranquilo e original. Mas tenho a impressão que quem deveria ter postado esse disco se chama Andréa.

(Dão)

sábado, 31 de janeiro de 2009

Amor e Caos - Ana Cañas (2008)


É a primeira vez que acontece de um livro me lembrar um som. Lendo a “História do Olho” de Georges Bataille, muitas vezes a música de “AMOR E CAOS” da Ana Cañas me vinha à cabeça. O curto-circuito deve ter um motivo: acho o som desse cd estridente, um grito, quase uma necessidade. O filtro é poroso, passando quase todas as emoções. Ana Cañas brinca, assim como Simone e seu comparsa, personagens do livro.

Georges Bataille entra no mundo da literatura por sugestão de seu psicanalista: ele, paciente, era perturbado por suas altas fantasias eróticas e, sem saber o que fazer com elas, seu analista sugeriu que as colocasse no papel. Através da escrita, Bataille derivaria suas fantasias para o texto, fator decisivo para o processo de cura. Um livraço para quem gosta de literatura erótica.
Bem, a Ana Cañas parece fazer o mesmo. Sua música é um rasgo no marasmo de suas emoções e, por consequência, entra como uma flecha nas nossas. E isso é o que mais me atrai no seu som meio “jazzy” – essa capacidade que raspa o infantil, ao fazer um som que escuta e traduz seus próprios desejos.

“Mandinga Não” abre com uns sons deliciosos, já te preparando pro que vem! É uma música teimosa, um jogo: “Você diz sim/Mas eu digo não/Você, talvez/ Mas eu volto a dizer não”. É aquela dúvida que nos ronda, eu quero, eu não quero? Ah! Azar ou sorte. Cabo de guerra.
A Ana tem uma voz linda, usa e abusa, está confortável inventando sons. Parece que não tem medo, deixa tudo rolar. É envolvente com sua teia de arranjos e cordas.

“A Ana” é uma música que poderia ser “A Andréa”, “A Duda”, “A Gabi”, “O João”. Tantos versos simples, despretensiosos e verdadeiros. A primeira vez que ouvi me senti completamente identificada com “A Ana é azeda/ Mas é doce quando é doce/ A Ana é azeda/ Mas muito doce quando é doce”.
Ana Cañas abre fogo para o jogo de sedução, mostra o seu verso e reverso, tudo muito bem acompanhado por um violão e uma guitarra, que aparecem discretamente e docemente. Ana Cañas é dona aqui de uma música que poderia ser uma crônica, um rascunho desses que a gente faz na última folha do caderno espiral, sabe? E aí é que está sua graça.

“Vacina na Veia” é o máximo! O som é bonito, estoura como bolhas. A voz é transparente, quase líquida. Um balanço eletrônico na medida.
É uma contra-música: “Se você olhar pra trás e sentir uma saudade/ Não espere, não vacile/ Vá em frente e volte atrás”. É um som certeiro, rápido, que pede ação.
“Aqui não tem otária/ Só a mulher com a guarda em punho”. De novo o som me lembra o livro... A mulher numa posição “esperta”. E a história é assim: “The beauty of the sun/ By and by a cloud/ Takes all away”.

“Para todas as Coisas” é uma música de amor. De amor porque claramente é uma homenagem a “Diariamente” de Marisa Monte, ao Guimarães Rosa, à Clarice Lispector. Eu acho bem legal essas músicas que são feitas por associações livres. Acho a idéia legal, são geralmente letras cruas que trazem a fantasia do artista de querer sair da própria casca de artista.
A música seguinte “?” traz mais uma vez a dúvida. Linda! Uma mistura de dúvidas tão delicadas, tão humanas, tão infantis e ao mesmo tempo repleta de feminilidade.
“Como faz para musicar?/ Como faz pra não machucar?/Como faz para se libertar?”.
A melodia é um arraso... para cada pergunta, para cada como faz, tem um som de um baixo, que funciona como um companheiro, como o som daquela saliva difícil de engolir.
O movimento é super vivo: inicia discreto, quase sombrio e cresce, se ilumina, sugerindo vida. Tudo isso cantado por uma voz suave fazendo na voz dela, a tua.

“Cadê Você” chega rapidinha, me lembrando a Céu. Acho que essa é a minha favorita! É um som que se fosse uma imagem seria um quebra-cabeça, porque vai e volta, no movimento de tentativa e erro. Massa.
A banda tá forte, com um vigor, uma tensão especial. Ana Cañas é clara, pausada, segura a onda bonito e faz um som viajante. A música parece uma fuga, com gestos ágeis e que num ponto parece encontrar seu porto seguro. Que delícia de ouvir...
“Por isso me traga uma flor/ E faça o favor/ De não me irritar/ E conte uma bela história/ Se for confiante, vou acreditar”.
Se eu fosse você, ia correndo ouvir essa música!

“Devolve, moço/ Devolve, moço/ O meu coração pro bolso”. Foi o Dão que me contou da Ana Cañas, falou pra eu ouvir a música dessa paulista de voz bonita. “Devolve Moço” tem uma batida que é uma mistura jazz, dengo e tecno. E vem com o mesmo tom invocado, imperativo, provocador. Mas o jogo taí, o tom é provocador, mas o tema é sedutor. Essa é a novidade desse cd – Ana Cañas está se emancipando e achando o máximo esse processo! Ela vai e volta, brinca e fica brava, mostra as unhas e lambe. Testa as emoções e os limites. Sem fronteiras.
“Super Mulher” com sua anticapa voadora voa na mesma direção, mas com a alegria de trazer a chuva africana de Naná Vasconcelos . “Ela tem uma pantera/ Que arrasta na coleira/ Ela gosta dessa fera/ Porque é grande feiticeira/ E seduz os corações”. “Super Mulher” tem um som vibrante, ela tem aquela transa.

“They’ll stone you when you’re playing your guitar
Yes, but I would not feel so all alone
Everybody must get stoned”
(Rainy Day Women – Bob Dylan)

E Ana Cañas encerra seu disco na alma de Bob Dylan , pra gente nunca esquecer desse passado pulsante que insiste em trançar por nossas pernas.

[ANDRÉA]