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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Tempos modernos, Lulu Santos



Bom, depois da longa e elaborada manufatura da postagem do Camelo (e sofrida, porque fui vendo que nunca ficaria Andréa style), vamos pra uma mais fluida e fácil, atendendo ao pedido do (quase fictício) amigo Baiano.


Primeiro assinado só pelo Lulu (antes, em 1981, tinha lançado em parceria com Nelson Mota 'Tesouros da juventude'), tem clássicos eternos, regravados e sempre re-arranjados, parecendo uma coletânea (ops).


Começa com tudo, a faixa título tem aquele riff fluido seguido de um comentário da slide guitar meio havaiana do nosso herói pop. A letra é muito boa, otimista sem ser piegas. Já foi gravada pela Marisa Monte numa versão muito legal no disco 'Barulinho bom'. "E não há tempo que volte, amor, vamos viver tudo que há pra viver, vamos nos permitir". E termina com aquelas cordas fake tão anos 80 a cargo do mago execrado Lincoln Olivetti.


Na seqüência mais uma clássica eterna, 'Tudo com você', com todo o pacote Lulu: letra romântica, guitarra bonita e marcante, refrão emocionante e ganchudo. Enfim, vocês conhecem. "Foi mais profundo com você, me fez chorar mas fez viver, não vá para Nova York, não, não vá".


'De repente California' também é sempre presente em shows e nas muitas coletâneas do Lulu. Surf music sem ser surf music. É uma parceria com Nelson Motta, um quase tango com guitarra slide quase havaiana de novo, aqui num solinho marcante e redondinho. Mais tarde, quando todos estavam fascinados pelo Buena Vista Social Clube, Lulu pôde dizer convicto "eu já tinha feito isso".


Aqui vem uma das menos conhecidas, autoria de Rita Lee pra Scarlet Moon (é esse o nome da música), mulher do guitarrista eclético e inventivo. Pop, cheio de 'uh uh uuuuuhs'. Solinho com drive, como não mais se vê.


'Sirigaita', balançada e simples, é uma das esquecidas no tempo. Fala sobre aquelas pessoas a quem você faz muito e recebe muito pouco. Mas como ele diz, "fui teu cão e gostei". Solinho tipo guitarra pica-pau, atípico.


'Palestina' não tem na minha 'versão' do disco...mais um que eu baixei e não tenho o disco. Na minha versão tem 'Bole-bole', com uma bateria eletrônica, uma música estranha.


'Areias escaldantes' é uma pérola do disco, às vezes ele toca ao vivo ou em acústicos. Guitarrona grande e limpíssima, letra sobre o deserto (ou sobre praia?), épica sem ser grandiloqüente.


Aí vem o calcanhar de Aquiles do disco (na verdade nem sei se tinha no disco original, sei que foi single antes do disco, em 1981): uma versão de 'Get back' do Beatles, aqui 'De leve', com uma letra sobre Chuchu, que saiu de Pelotas. Vale a chacota, né? Mas é divertida e tem um baixão bem legal, além de ser bem diferente do country original.


Quando saiu em cd, trazia também 'Tesouros da Juventude' e 'Fricção científica'.

(Dão)

sábado, 14 de maio de 2011

Lulu, Lulu Santos



Trago hoje aqui o maior hitmaker pop do Brasil, sua ausência no blog era injustificável.


Escolha pessoal e emocional, lembro como se fosse hoje o primeiro show que vi dele, no ginásio do colégio Salesianos em Santa Rosa (hoje Jardim Icaraí) em Niterói, RJ. Aliás, todos nós temos momentos em que lembramos pro resto da vida onde estávamos (onde vc estava no dia da queda das torres ou do anúncio da morte do Tancredo, por exemplo). É engraçado que os mais marcantes pra mim sejam ligados à música: lembro do dia do assassinato do Lennon (e eu tinha 9 ou 10 anos!) e lembro perfeitamente onde e com quem eu estava, pra onde eu estava olhando e mesmo como o céu estava no momento em que ouvi 'Smells like teen spirit'...

É uma frase batida, mas verdadeira: minha vida mudou ali. PQP, som perfeito, guitarra maravilhosa, luzes, adolescentes lindas (Niterói é pródiga), fumaças, arrepios! Quero ser músico! Quero ser o Lulu! Bom, isso mudou, mas ainda sou muito grato por essa epifania, que inclusive me levou a muitas outras, shows são pra mim o mais próximo de uma religião. E acabei comprando uma Sitar Guitar igual à dele.


Luís Maurício Pragana dos Santos lançou muitos discos e incontáveis sucessos ao longo de sua prolífica carreira, mas esse aqui contem hits dos quais eu gosto muito e alguns são cantados/reinterpretados até hoje, ir a um show dele é cantar quase tudo mais antigo com quase toda a platéia.


Ao disco: o início com 'Casa (o eterno retorno)' já mostra muito do que são as músicas do Lulu: guitarras limpas e lindas com um arpejo criativo, letras narrativas e aqueles refrões ganchudos que normalmente já são cantados em seguida por quem ouve. Linha de baixo pulsante, guitarrinha slide discreta, solo mágico e emocionante com Ebow (afinal mágica é aquilo que feito/executado de um modo pelo qual vc nem sabe como, e eu nem imaginava o que era um Ebow; aliás se vc tb não sabe procura no google, ou melhor, no youtube, pra ver como funciona). Excelente canção com excelente embalagem.


O disco segue bem com uma música atípica para a época: 'Condição' traz uma guitarra mais pesada e é um quase-rap, sendo cantado uma vez por Lulu e na vez seguinte pelo genial baixista niteroense Arthur Maia, que acho que tocava no disco inteiro (não tenho esse disco fisicamente nem achei a ficha técnica na internet). Ainda tem aquela voz com vocoder que seria tão banalizada na música dance dos anos 00. E aquele feedback de guitarra que deve ter ensurdecido alguém no estúdio.


'Minha vida' é uma das músicas da qual eu mais me lembro no show citado, momento auto-biográfico do Lulu, mais um arpejo lindaço e um baixo fretless contribuem pro sonzão da canção. Piegas, mas compensa.


'Pé atrás' não é das conhecidas do Lulu, o que não quer dizer que seja ruim, é uma música bem balançada e balançante com apelo pop, antecipando uma linha um pouco mais brazuca e samba-rock que seria adotada no disco 'Popsambalanço e outras levadas'.


'Um pro outro' também é das clássicas e românticas do nosso ídolo pop, trazendo a característica slide guitar discreta e marcante. Refrão pra galera cantar fechando os zolhinhos..."Nós somos feitos um pro outro, pode crer, por isso é que eu estou aqui".


A música seguinte, 'Twist', é também muito legal, com uma letra estranha e uns harmônicos subliminares. Tem um solinho dialogando com o sax.


'Duplo sentido' é uma das desconhecidas, rápida e quase dispensável.


'Telegrama' diminui o ritmo, parecendo até com algo dos Paralamas mais antigos. Cantada com uma voz mais calma, é uma bela música. Aqui, Luís Maurício, guitarrista subestimado que mostrava todo a veia rock no trio Jacaré, nos brinda com um dos poucos solos com mais notas e bem mais drive.


'Demon' começa com um riff rock e desemboca num reggae cheio de ecos e dubs, e uma letra nonsense em inglês, finalizando com mais um solo dialogando com o saxofone. Interessante e bizarra, um pouco longa demais.


'Ro-que-se-da-ne' fecha o disco com um rock'n'roll rápido e mais uma letra estranha: "o cara fuma bebe e cheira e quer pegar no meu pau"...estranhíssima, aliás. Solo rock'n'roll pegando fogo. "as minas fuma bebe e cheira até passar mal, cheira a noite inteira, fala sem parar". Acho que estive nessa festa...


(Dão)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

20 anos de rock brasil cd 3



Continuo o cd quádruplo com o número 3, que tem o subtítulo de 'Mudança de comportamento', nome também de uma música aqui presente e, se não me engano, um disco do Ira!.

O cd começa muito bem, com 'Exagerado', co-autoria de Cazuza com Ezequiel Neves e Leoni, uma música muito boa e a cara do cantor. Do primeiro disco solo de Cazuza, que ainda (ou já) trazia músicas com o sempre parceiro Frejat, uma das quais inclusive fecha o presente cd.

E volta o Lulu, com um quase ska abrasileirado e uma guitarra MUITO legal. 'Sincero' é uma das muitas pérolas do nosso maior hitmaker, e você ainda leva um solinho safado e hard com wahwah, com um saxofone querendo aparecer, do Leo Gandelman.

'Os outros' é mais uma pérola do subestimado Leoni, aqui quando ainda era do Kid Abelha, que inclusive na época ainda era K.A. e os Abóboras Selvagens. Do álbum 'Educação sentimental', já comentado por aqui. Informação nova: o release do disco era assinado por Caetano Veloso, o que confirma minha teoria: quem sempre chuta uma hora acerta no gol.

'Mudança de comportamento' é uma das duas músicas do Ira! nesse cd. Como já falei aqui, adoro o Scandurra mas a voz do Nasi não me agrada (o Zeba me achou injusto com o Nasi, mas nem é essa a questão, eu respeito seu trabalho e principalmente sua atitude, mas a verdade é que não gosto da voz). E a música nem é das melhores deles.

'Bete Balanço' é crássica, como diriam uns amigos aqui do blog. Balançada, tema de filme nacional teen soft porn, solinhos bonitos, voz carioquíssima (esses bem puxados, erres bem arrastados), guitarra pesada dialogando com a voz. Enfim, desafia o argumento do Baiano de que as bandas cariocas são 'mais fraquinhas'. De onde ele tirou isso??? Aguardo a tréplica, com exemplos.

Camisa de Vênus era chamada de banda punk na época, mas quando ouvimos 'Eu não matei Joana D'Arc' fica muito difícil entender isso. A música é muito legal e divertida, com uma bateria claramente new wave e um som rockabilly (os quais na verdade são filhotes do punk).

'Pelado', apesar de ter sido música de abertura de novela, nunca ficou chata. Deve ser porque a música é muito inteligente e de um humor sensacional, mas mesmo assim é surpreendente. E o solinho de poucas notas do Roger é genial. 'Indecente é vc ter que ficar despido de cultura' e 'Sem roupa, sem saúde, sem casa, tudo é tão imoral, a barriga pelada é que é a vergonha nacional' ainda são versos eternos.

Engenheiros da Hawaii, banda controversa, alguns adoram, muitos odeiam. Mas 'Infinita highway' é clássica, todo mundo canta ou já cantou junto, com sua letra que alterna entre o criativo e lírico e o ridículo e absurdo. Um sonzaço de baixo, claramente inspirado no ídolo Geddy Lee.

'Flores em você' é uma música atípica do Ira! e do rock brasil. Uma orquestra e um violão fazem o instrumental para a voz do Nasi. E mais uma que foi abertura de novela (por que os rocks de hoje não são mais utilizados? rock virou música de tiozinho? mas tiozinhos não vêem novela??). Diz a lenda que Liminha, produtor do segundo disco 'Vivendo e não aprendendo', em franca hostilidade com a banda durante a gravação, disse ao fim da gravação da base: 'Vcs estão vendo como é uma música afinada?'. hahahaha

Inocentes vêm dar um toque punk no cd: 'Pânico em SP', cujo EP já foi comentado por aqui. A música foi lançada 20 anos antes do fato realmente ocorrer, mas a música já era legal mesmo se fosse só ficção e não profecia.

Até aqui as bandas são conhecidas e quase todas ainda sobreviventes. As próximas duas ficaram conhecidas somente pelas músicas aqui presentes: 'Carta aos missionários' dos Uns e Outros e 'Camila, Camila' do Nenhum de Nós. As duas músicas são realmente muito interessantes e radiofônicas, pena que não conheço mais nada de nenhuma delas. O Nenhum de Nós acho que ainda sobrevive no Rio Grande do Sul com acústicos e quetais. A música deles ainda foi regavada pelo Biquini Cavadão e por um dueto entre Cazuza e Sandra de Sá (!!!).
É engraçado pra mim as duas bandas virem em seqüência. Uma vez eu estava num teatro no Rio vendo um show daqueles comemorativos de rádios, e na minha frente estava o pessoal do Casseta & Planeta, exalando maresia, ainda cult, fazendo piadas a rodo. Daqui a pouco, depois de uma dessas tocar, o Bussunda mandou 'enquanto nenhum de nós ganha porra nenhuma, uns e outros ficam ricos'...kkkkkkkkk.

Esse cd realmente é um dos melhores, não tem música ruim.

RPM foi uma banda pop de uma maneira que hoje ninguém imagina que seja possível, principalmente pelo fato que, talvez devido ao fato de vir do underground paulistano e também o sr Paulo Ricardo ter sido jornalista, a crítica era bem positiva e compreensiva com a atitude magalomaníca. Mesmo que hoje a letra e o som soem datados, 'Revoluções por minuto' é uma música pop-rock muito legal. Acho que ninguém vai postar o primeiro disco deles por aqui...mas merecia.

'Ideologia' (de Cazuza/Frejat) fecha o cd, na versão ao vivo, poderosa e raivosa, antecipando em um ano a queda do muro. Versos sensacionais.

Só falta o cd 4.

quinta-feira, 17 de março de 2011

20 anos de rock brasil cd 2


Continuamos a apreciação de mais um cd dessa coleção de 4.
O cd2 inicia bem, com a zen-surfista 'Como uma onda' do hitmaker supremo Lulu Santos, em parceria com o onipresente Nelson Motta. Belíssima e cheia de boas sacadas e timbres caprichados.
'Pro dia nascer feliz' foi mais uma música de sucesso do Barão Vermelho, a princípio gravada pelo catador de pérolas Ney Matogrosso. Rock'n'roll visceral e carioca, ponto alto de shows até hoje.
'Uniforme' é uma música fraca do Kid Abelha, que poderia estar melhor representado nesse cd, mas não fui eu que fiz a seleção...
O Ultraje a Rigor aparece com um clássico da new wave brasileira, só que com bateria de verdade. Mais uma letra genial do Roger, música pra dançar nas danceterias (como se dizia nos idos dos anos 80), solinho preguiçoso e interessante. 'Rebelde sem causa': "como é que eu vou crescer sem ter com quem me rebelar?".
'Música urbana', se não me engano - e eu me engano bastante, é uma música do Aborto Elétrico, banda primitiva do trovador Renato Russo, mas aqui vem embalada pela superprodução com metais synth quase cafonas, pianos suingados e aqueles conhecidos 'ô ô ôs' do Dinho. Gosto muito! 'E essa aqui eu dedico ao amigo distante Xampu, ilustre e feliz morador da nossa capital, onde as ruas têm o cheiro de gasolina'. E onde não têm?
Aí chega o Ira!, com uma clássica deles, 'Núcleo base'. Adoro o Scandurra, mas sinceramente nunca gostei da voz do Nasi, então sou suspeito em dizer que pulo essa música.
'Tédio' é uma música interessante e, como muitas da época (como 'Lágrimas e chuva' ou 'Fixação', por exemplo), é uma letra depressiva/obsessiva que devido ao som de festa(?) passa batida. O grande sucesso(??) do Biquini Cavadão!
'Até quando esperar' é das minhas preferidas. Desde o início inusitado com violoncelo passando pelas belas guitarras e aquele riff surpreendente de baixo. Mas acho a letra panfletária e quase chata. E continuo esperando a resenha de 'O concreto já rachou', promessa do Xampu...
'Beat acelerado II' nos lembra da figura deliciosa à frente da brazilian one hit band Metrô, da qual eu infelizmente não lembro o nome.
O grupo feminino e feminista libertário Sempre Livre (ótimo nome; o absorvente é anterior ao grupo? será que elas receberam royalties pela ideia??) aparece com a divertidíssima 'Eu sou free', seu grande sucesso(?), regravada por mais alguém de quem eu não lembro o nome. Se não me engano a Dulce Quental saiu daqui. O interessante é que a música é de co-autoria da global Patrícia Travassos (acho que é isso).
'Só pro meu prazer' é uma das Muitas excelentes músicas do grande compositor Leoni (a já citada 'Uniforme' é dele e do Léo Jaime - olha ele aqui de novo, Mateus), com seu grupo pós-kid Abelha Heróis da Resistência. Poesia musicada ('é tudo real nas minhas mentiras' etc), piano bonito com violão bonito, bateria real emulando bateria eletrônica, guitarra de fundo com ebow, caprichada.
O Zero foi uma das muitas bandas injustiçadas que ficaram pelo caminho, com um bom disco e algumas boas composições esquecidas. Era uma das poucas com um bom vocalista que realmente sabia cantar (além de tocar saxofone!). Além de um guitarrista com sonzaço. 'Agora eu sei' foi bem executada nas rádios pops e rocks, alavancada pela participação especial do pop star Paulo Ricardo. Bela música.
'Tempos modernos' é mais um dos hits do Lulu Santos. Clássico absoluto, foi regravado pela Marisa Monte no disco 'Barulinho bom'.
E pra finalizar o cd duplo vem a banda multi platinada dos grandes tempos de venda de discos, RPM, com uma música do seu segundo disco ('ao vivo'!!), 'Alvorada voraz', com a letra datada e pseudo rebelde. Teria sido melhor se eles tivessem caído de avião, não é verdade? Mas o apelo pop e o sonzaço são inegáveis.
Depois completo com os cds 3 e 4.
(Dão)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

20 anos de rock brasil cd 1



Como foi aberto o precedente de coletâneas, venho aqui comentar o primeiro dos 4 cds dessa boa coletânea.
É legal principalmente porque nos permite ver bandas médias ou mesmo medíocres que emplacaram um ou poucos hits nesse louco mercado nacional de rock.

Começa com um dos muitos hits daquele que é o nosso maior rock hit maker, Lulu Santos, que, incrivelmente não tem nenhum disco individual ainda postado por aqui. 'De repente, Califórnia' é uma música estranha, mas que com o tempo nos acostumamos. Já vi ele próprio falar sobre isso, pois é meio bolero com slide, e ele comenta que anos depois o Ry Cooder fez o mesmo no 'Buena Vista Social Club'. Também é surf music, mesmo que não corresponda à sonoridade esperada por esse tipo de música e por essa tribo.

Na seqüência vem o delicioso Kid Abelha, com 'Educação sentimental', que eu não sei se é inspirado no livro, filme ou seja lá o que for. Pop bom e sem culpa, ainda com a voz mais ou menos da Paula Toller, que depois melhorou enormemente.

'Todo amor que houver nessa vida' foi uma música do Barão que estourou por conta do Caetano, que a cantou num show e a partir daí se abriram os olhos para a excelente banda carioca. O som é fraco, sem pressão, confuso, só se salvando a voz rasgada do Cazuza. Mas é rock autêntico!

Uma piada, mesmo uma boa piada, só tem graça nas primeira vezes em que é contada, às vezes só na primeira vez. Esse é o caso da engraçada 'Serão extra' da banda Dr Silvana e Cia, do infame refrão 'eu fui dar, mamãe'.

Mais uma banda de um hit só, o Magazine, do histórico Kid Vinil, comparece aqui com a também engraçada mas um pouco irônica 'Sou boy'.

E mais uma banda engraçadinha, o Inimigos do Rei, traz 'Uma barata chamada Kafka', uma música que mistura humor e Kafka, com um som bem legal, inclusive uma guitarra com distorção! Outro sucesso bizarro deles foi 'Adelaide, minha anã paraguaia'. Dessa banda saiu o Paulinho Moska.

Aí chega o Ultraje a Rigor, distante anos-luz com seu humor inteligentíssimo e ainda atual, primeiro com 'Nós vamos invadir sua praia' e no fim do cd com o eterno quase-hino nacional 'Inútil'. Sonzaços!

'Perdidos na selva' é aquele caso que é difícil criticar. Parafraseando uma conhecida citação sobre o cinema nacional, Julio Barroso era um gênio mas o som é uma merda. A banda é Gang 90 & Absurdettes.

Tokyo era a banda do Supla, com um único sucesso 'Garota de Berlim', que conta com a participação especial da Nina Hagen. Legal, superficial, nonsense e com um som ótimo. Destrooooy.

'Menina veneno' foi o grande sucesso dessa geração, ultrapassando a barreira das rádios AM e alcançando uma massa maior do que adolescentes bem criados e roqueiros. Um som pop acessível e redondinho. Pra quem gosta, eu não sou muito fã. Ah, quem canta é o Ritchie, se você tem menos de 35 anos.

Léo Jaime tem um disco que merece ser postado por aqui, mas hoje ele será (bem) citado com a boa canção 'A fórmula do amor', na qual divide os vocais com a já citada Paula Toller.

Blitz! Um nome de impacto, quase tanto sucesso quanto o Ritchie, sendo absoluta na faixa infanto-juvenil, principalmente carioca. Eu lembro da primeira vez que ouvi 'Você não soube me amar' e que fiquei chocado no trecho 'eu preferia que você estivesse NUUUUAAA'. Outros tempos. Humor carioca e praiano, com boa música de fundo pras divertidas performances da trupe.

Antes da derradeira faixa 'Inútil', vem a Camisa de vênus, que teve problemas com a censura por conta de seu nome. A princípio identificada com o punk por jornalistas ignorantes, a banda traz um humor mais cáustico e uma sonoridade mais rockabilly, como na excelente 'Simca Chambord', na qual a história do golpe de 64 é vista pelos olhos de uma criança/adolescente.

(continua por mais 3 cds, sabe-se lá quando eu postarei; alguém pode dar seguimento)

(Dão)