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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Sepultura, Arise...mais um de 91!









Realmente, como observou meu amigo e parceiro musical Mateus, 1991 foi um ano pródigo em bons lançamentos para o então um pouco desacreditado rock. Talvez tenha sido o último, talvez Nevermind na verdade marque justamente o fim de uma época, como argumenta com boas razões André Forastieri (aqui: http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2011/09/23/nevermind-nao-importa/ ), então só nos resta comemorar os seus bons discos.

Porque este aqui é um blog de pessoas que adoram música, mas somos tiozinhos de 40 e poucos anos que aprenderam a adorar música ouvindo rock, sob uma provável ilusão de ótica de que este poderia ser 'rebelde' ou mesmo 'revolucionário', mesmo sob críticas paternais de 'alienado'. Talvez divertido seja o suficiente.


Its only metal, but I love it.


Então mesmo assim, lamento não ter ido no Rock in Rio e não ter visto o impressionante Slipknot e o sempre clássico Metallica (há mais de 20 anos, em 1989, eu os vi no Maracanãzinho, com o melhor som que já passou por ali!), nem a mistureba Paralamas/Titãs/Orquestra, nem os amigos do NX Zero, nem o divertido Matanza com BNegão...Isso pra não falar no aqui resenhado SEPULTURA com um showzaço com Tambours do Bronx que obviamente merecia o palco principal.

Aliás, como bem perguntou o blog collectorsrrom (aqui: http://collectorsroom.blogspot.com/2011/09/porque-o-brasil-nao-tem-um-festival.html ),

por que o Brasil não tem um festival exclusivo de heavy metal????




Os argumentos são tantos que nem vou me estender. Pessoalmente prefiro a não segregação, sempre gostei de ouvir vários tipos de música num festival, mas a verdade é que os organizadores de festival tem feito dias específicos para metal, não sei como será o SWU.


Sempre lembrando que apesar de assustadora em alguns sentidos, a platéia de metal em geral é menos 'problemática', como discretamente observou o globo (aqui: http://oglobo.globo.com/cultura/rockinrio/mat/2011/09/26/rock-in-rio-facts-as-curiosidades-dos-tres-primeiros-dias-de-shows-do-rock-in-rio-2011-925440293.asp ):"Hoje é rock mesmo. E por incrível que pareça, dá menos problema". Coronel Gaspar, chefe do policiamento no Rock in Rio, sobre o dia metaleiro.



Ao disco então.



Além do fato de 'ser de 1991', este álbum também comparece no livrão no qual nos inspiramos, 1001 discos pra ouvir antes de morrer.

O Sepultura em 1991 foi surpreendido em ser chamado pro Rock in Rio II, por pressão dos fã-clubes e inteligência do Medina, então tiveram que lançar às pressas antes do festival o disco numa pré-mixagem meio tosca mas interessante, chamada de Arise Rough Cuts, por isso aqui tem duas capas, a de cima é referente a este lançamento surpresa e hoje raro de encontrar.

O disco foi gravado em 1990 na Flórida, EUA, novamente com o produtor/engenheiro Scott Burns, que mais uma vez, dessa vez com mais dinheiro, fez um excelente trabalho, o disco tem um sonzaço, pesado mas nítido.


O som mudou um pouco depois de 'Beneath the remains', incorporando elementos de música industrial, iniciante na época (como Ministry por exemplo, com quem estiveram em turnê em 1992 juntamente com o inclassificável Helmet), acrescentando groove através de síncopas e quebradas na pauleira. Mas ainda é metal, thrash, death ou heavy, chame-se como quiser.

O disco entrou até na Billboard 200 USA na posição 119, alcançando a marca de um milhão de discos vendidos mundialmente em 1993.

Os sintetizadores, assim como nos 2 anteriores, ficam a cargo de Henrique, provavelmente o Henrique Portugal do Skank.



E claro, começa com uma paulada na cabeça: 'Arise'! Rapidíssima, agressiva, pesada, com um riff agoniado e uma bateria alucinada, além dos vocais sempre gritados do Max.

'Dead embryonic cells' é das minhas preferidas, pesada mas com aquela quebrada sensacional no meio, bateria com um sonzaço. Tem até um video (foram vários deste disco: Arise, Under siege e Orgasmatron!), estavam podendo os meninos...

'Desperate cry' também é legal sem ser mais do mesmo, começa com um belo dedilhado de guitarra limpa e depois vem aquele peso todo, mas quando começa a voz é que o bicho pega, uma levada avassaladora e cavalar!! E tem aquela quebrada no meio que continua sendo demais! Música longa com muitas passagens diferentes.



'Murder' e 'Subtraction' são boas músicas, sem nada especial.



'Altered state' já traz um idéia tribal a ser mais desenvolvida a partir do próximo disco (Chaos A.D.) e levada à perfeição em Roots. Mas é só no início, depois vem aquela massa sonora pesada e violenta.

'Under siege (Regnum Irae)' também começa com dedilhado, agora num violão e acompanhado por uma bateria com um som enorme. Diferente, mas depois entram os riffs brutais das guitarras e passagens mais trabalhadas, com vocais alterados eletronicamente (parecem gravados ao contrário). Mais uma música de muitas passagens, mas longe de ser confusa.



O disco prossegue à toda velocidade e peso com 'Meanigless movements', metal sem parar, mas sem maiores destaques, tanto nessa quanto na próxima música, 'Infected voice', a última do disco normal.

Digo normal porque no Brasil o disco incluía uma música a mais, um lado B do single de 'Dead embryonic cells', 'Orgasmatron' do Motörhead, que, pra variar, ficou sensacional, mesmo com a lenda de que o Max cantou bêbado...o Lemmy (se vc não sabe quem é, pare de ler já!) diz que gosta da versão mas não da voz...hahaha.

A versão relançada em 1997 também traz mais músicas: 'Intro', 'CIU (criminals in uniform)' e um mix diferente de 'Desperate cry' by Scott Burns, já que a mixagem posterior é de Andy Wallace.

E assim foi...depois do disco, sucesso mundial, excursão mundial. Antes de ir pro mundo, o Sepultura deu um show gratuito em Sampa na Praça Charles Müller, em frente ao Pacaembu. Esperados 10.00 fãs (e providenciada força policial para isto...), compareceram 40.000. O que aconteceu? Tumultos, brigas, muitos feridos e um morto. Culpa da banda, claro, que faz música pesada...Fala sério!

Sobram a fama e o prestígio. Sepultura, a grande banda brasileira. Que continua na ativa.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Revolusongs, Sepultura





Esse é um disco pós-Max Cavalera, acho que o primeiro assim postado aqui.


Preferências são pessoais, mas é saudosismo inútil e extrema má vontade dizer que 'o Sepultura era melhor antes'. Derick Green é um puta vocalista (tô escrevendo em paulistês...), com voz, atitude e garra, e ajudou a criar excelentes álbuns. Mas acontece muito, 'o Sting era melhor no Police', 'o Cazuza não deveria ter saído do Barão', 'os Beatles nunca deveriam ter acabado', bla bla bla.


E este aqui é um EP (extended play, disco de menor duração que o LP, long play) de covers!


Mas que serve justamente pra mostrar que eles não são covers de si mesmos, dando uma cara bem pessoal a um repertório com bastente tolerância elástica, como diriam alguns dos meus amigos detratores...

'Messiah' é uma música tosca de um grupo tosco suíço (!), o Hellhammer, pré-Celtic Frost, aqui com uma versão raivosa e pesada. Até parece que eles vão fazer um disco só com metal...

...claro que não! Na seqüência a improvável 'Angel' do Massive Attack, que ficou muito legal, com dinâmica extrema, do suave, sombrio e sussurrado ao metal gritado e caótico.

Mais estranha ainda, 'Black steel in the hour of chaos' (Public Enemy!) ficou muito legal, com groove e peso, além do mais traz o saudoso Sabotage fazendo um rap em português maneiríssimo e a guitarra de Andreas Kiser soando cheia de efeitos eletrônicos de filtro!!

'Mongoloid' (Devo, mais uma inesperada) ficou menos new wave e mais old wave punk com pitadas de cross-over e heavy. Boa pra balançar o esqueleto na roda de pogo!

'Mountain song' (Jane's Addiction) é mais uma que ficou excelente by Sepultura.

Mas o destaque é mesmo 'Bullet blue sky' (U2), talvez a mais difícil de tornar característica, devido ao fato de ser de um grupo de rock pop extremanente conhecido, com o acréscimo do fato da música já ser relativamente pesada no original. Mas o Sepultura mostra sua cara e versatilidade. Rendeu até um video na MTV.


Começando e terminando com metal, no caso a última música oficial é da banda californiana de thrash metal, o Exodus, cujo guitarrista Gary Holt esteve recentemente no Brasil com o Slayer, onde ele substituía o guitarrista original, vítima de bactérias comedoras de carne humana...é, vc achou que isso era tema de músicas de heavy metal mas é real. 'Piranha' coincidentemente obviamente fala sobre aquele peixinho faminto, é uma música rápida e foda, simples assim.


Como faixa escondida temos uma sacanagem com o Metallica, a música começa como se fosse 'Enter sandman', bem tosca, dá uma atravessada e entra 'Fight fire with fire' quebrando tudo!!


Sepultura rules!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Lisbela e o prisioneiro - trilha sonora



Um filme leve, divertido, a cara da antiga sessão da tarde, se é que você me entende.

A trilha também diverte, é original e bem variada, com boas canções e versões.


Caê inicia bem o disco, com uma versão da música extremamente brega e bela 'Você não me ensinou a te esquecer', do repertório de alguém que eu não sei (socorro, Zeba!). A versão aqui traz um som mais muderno com uns lopps eletrônicos discretos mas interessantes, a cargo do excelente produtor André Moraes (que inclusive tem ou tinha uma banda de metal, Infierno, que será resenhada por aqui) e Pedro Mamede. Belíssimas cordas (violoncelo e violinos).


Em seguida uma surpresa maneiríssima: Zé Ramalho com Sepultura!! 'A dança dos borboletas' ficou sensacional, com as vozes se combinando muito bem sobre a base pesada do Sepultura ainda com o Igor, além da guitarra extra e Citar guitar do André.


'A Dama de Ouro' com Zéu Britto é uma daquelas engraçadinhas e divertidas, meio forró meio metal (parede de guitarras pesadíssimas no refrão) meio reggae...é, a matemática não tá muito coerente, né?


'Para o diabo os conselhos de vocês' é do antigo e malandro Carlos Imperial (com Nenéo), aqui interpretada pelos Condenados, com a voz hard rock de Clarice Falcão, bem legal.


'Espumas ao vento' acho que é do repertório do Fagner, aqui cantada pela Elza Soares, muito emocionada, voz fluindo entra o choro e a raiva, mais uma muito legal nessa excelente trilha.

O André Moraes toca aqui violão flamenco (o cara toca em todas as faixas até aqui!).


Aqui entra um gênio ainda não resenhado por aqui: Yamandú Costa, debulhando o violão de 7 cordas, fazendo uma base de luxo pra voz do Geraldo Maia na canção 'Deusa da minha rua'. Linda.


Aparece o vampiro Jorge Mautner acompanhado do Caetano cantando a antiga 'Oh Carol' (John Sedaka/Howard Greenfield), rock'n'roll doce e suave.


Lirinha, acho que do Cordel do Fogo Encantado, canta aqui 'O amor é filme', bela canção, aqui com todas aquelas percussões típicas pós-Nação Zumbi e mais umas guitarras pesadas a cargo do André...Tem até uma passagem meio jazz no meio.


A faixa-título, de Caetano e José Almiro, vem cantada pelos Los Hermanos, com os dois vocais cantando!! E o Rodrigo ainda toca uma viola caipira de dar gosto, muito muito legal.


'O matador' é da trilha incidental, uma instrumental do Sepultura com uns instrumentos orquestrais e mais a guitarra do André Moraes.


A próxima, 'O boi', também é instrumental e mais curtinha, só que aqui só com o André e mais uma outra banda.


No fim duas versões pra músicas já tocadas: uma orquestral de 'O amor é filme' e uma versão forró de 'Lisbela' pelo Trio Forrozão, que inclusive traz a informação de que a canção foi composta para a peça de mesmo nome.


Veja o filme e compre o disco.


(Dão)

domingo, 19 de junho de 2011

Chaos A.D., Sepultura



Finalizando o domingo metal e prosseguindo com a saga Sepultura, vem este excepcional disco.

Anterior ao clássico dos clássicos 'Roots', não fica nem um pouco atrás no quesito repertório, tendo até mais músicas excelentes do que o outro. Só que como não inclui a percussão tribal como elemento essencial, fica pra trás no quesito originalidade.

Letras excelentes, num inglês quase razoável, mostram que metal não era só alienação.

Também deu origem a videos muito bons, a gravadora estava abrindo a mão, porque estava entrando dinheiro também, claro. E as gravadoras ainda eram relevantes.

Além de tudo o disco tem um trabalho de arte caprichado, o que inclui a capa e várias ilustrações internas.


Começa com um som de coração acelerado, no útero ainda, do filho do Max cavalera, Zyon, seguido pela bateria meio Olodum mixada à parede de guitarras. Muitos riffs bons e uma letra que fala sobre questonamento das autoridades, o que resultou num video muito legal. Uma das melhores! 'Refuse/Resist' é o nome do petardo.


'Territory' também começa com uma bateria mega ultra múltipla do 'polvo' Igor Cavalera, seguida de mais riffs brutais, além de mais uma letra sobre guerra por territórios. O vídeo, gravado em Israel, foi premiado na MTV americana. Mais uma sensacional.


'Slave new world' começa lentona com um riff de arrepiar, depois dá aquela acelerada. Com passagens mais cadenciadas no meio, é de um arranjo maneiríssimo, incluindo um break matador. Mais um vídeo bom. Letra crítica ao autoritarismo, fazendo referência a 'Admirável mundo novo' do Aldous Huxley.


'Amen' é mais lenta mesmo, com voz falada, espaço entre as guitarras, um arranjo mais amplo, coisa rara no metal. Crítica à religião, claro.


'Kaiowas' é uma instrumental com violões, melodias de viola e percussões tribais, em homenagem a uma tribo amazônica que preferiu o suicídio coletivo a perder suas terras e crenças. Bela e forte.


'Propaganda' começa com umas guitarras caóticas, seguidas por uma bateria com bumbo duplo, muitas variações, som trampado no dialeto metal.

"Don't believe what you see

don't believe what you read

no!!"


'Biotech is Godzila' é uma letra primorosa do Jello Biafra (Dead Kennedys), que inclusive fala algumas coisas lá pelo meio da música. Mesmo sem a letra já seria um musicão. Rapidíssima, hardcore pesado, com um refrão empolgante pra ser gritado pela massa.

"Biotech is A.I.D.S.?"


'Nomad', mais um que começa com guitarras flutuantes, arrastada e quebrada. Refrão com uma bateria genial. Massa de guitarras ao final.


'We who are not as others' é uma música estranha, o instrumental é um pouco diferente com guitarras harmonizadas, mas a letra só repete isso, com vocais variados e risadas ao final. O que evita que o disco fique cansativo, coisa comum em discos pesados, mas que aqui passa longe, mesmo sendo um álbum longo.


'Manifest' é sobre o massacre em Carandiru, narrada com a voz de um suposto jornalista através de uma voz de rádio, com a voz gritada de Max entrando só no meio da música. Tem uma passagem com baixo e bateria muito legal. E o final, pesadão e espaçado é sensacional!


Aí vem uma versão pra uma música do New Model Army, 'The hunt', que ficou bem com a cara da banda, com uma levada punk e vozes dobradas.


'Clenched fist' é mais uma cadenciada, com uma guitarra dialogando com os gritos de Max, no final dá aquela acelerada e retorna pra levada quebrada típica e original ao mesmo tempo.


Na versão brasileira do disco vinha a versão pra 'Polícia' dos Titãs. Fiel à original, mas mais rápida e pesada, claro, além de um coro sampleado de algum jogo ou manifestação: 'filha da puta' meio embaralhado pra não ficar muito óbvio...


No relançamento em 1997 também foram acrescentadas 4 músicas: 'Chaos B.C.' (uma mixagem de baterias/batucadas com várias partes de Refuse/resist, que dá pra ser usada na noite dançante heavy), 'Kaiowas (tribal jam)', 'Territory (live)' e 'Amen/Inner self (live)'.


DISCAÇO!!!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Continuando a saga Sepultura



Beneath the remains


Aqui começa uma seqüência de grandes discos do Sepultura. Depois do excelente 'Schizofrenia' a banda ganhou respeito e pode gravar um disco com mais condições, depois de uma semana de negociação do Max Cavalera com a gravadora Roadrunner em Nova Iorque, com orçamento inicial de US$8.000, que depois dobrou...

Foi contratado como produtor Scott Burns, que já havia trabalhado com bandas de metal extremo na Flórida (Obituary, Death, Morbid Angel), uma escolha certeira para a originalidade e sonoridade brilhante do disco.

O disco conta mais uma vez com os sintetizadores eventuais do amigo de BH Henrique Portugal (Skank).


Começando com a faixa título, que inicia com um dedilhado limpo e vozes fantasmagóricas, seguindo em frente depois com riffs acelerados e a voz bruta de Max, além de várias mudanças de ritmo, característica marcante da banda.

A segunda faixa, 'Inner self', teve até video na MTV, com cenas de skate e a banda numa produção tosca. A música se tornou um hit da banda, sempre cantada pela massa metaleira. Tem até uma passagem estranha no meio, com uma parte dedilhada e a voz falada.

'Stronger than hate' vem em seguida com força e rapidez, com um tapping de baixo no final.

'Mass hypnosis', mais uma letra excelente da banda que melhorava muito os temas, fugindo do satanismo/anarquismo primitivo anterior. Também sempre cantada pela galera, teve um video ao vivo que rolava às vezes, tirado de um show gratuito que a banda deu em sampa, novo lar dos mineiros. Um solo muito legal e uma bateria matadora no break pós-solo, com mais um dedilhado muito legal.

Foi após esse disco que os vi pela primeira vez no Circo Voador-RJ, me impressionou o som nítido e as variações de dinâmicas. A banda começava a ficar grande e extremamente profissional.

'Sarcastic existence' começa com a bateria com bumbo duplo e a massa sonora aparece na seqüência.

'Slaves of pain' mantem o pique e a bateção de cabeça continua, até a hérnia cervical chegar...idade é foda.

'Lobotomy' é mais do mesmo, o que não chega a ser ruim, mas o estilo faz com que as músicas não sejam muito diferentes entre si, mesmo com muitas mudanças durante a música.

'Hungry' também é bem legal e mais uma do estilo 'muitas mudanças, que música é essa mesmo?'.

'Primitive future' encerra muito bem o álbum, com um dos melhores vocais (pra quem gosta do estilo) do Max.


A reedição de 1997 traz mais 3 músicas, sendo 2 versões 'drum tracks' (Inner self & Mass hipnosys) e o cover dos Mutantes 'A hora e a vez do cabelo crescer', cantada aqui em inglês. Esse cover saiu originalmente no disco Sanguinho novo, um tributo ao Arnaldo Baptista, e, se não me engano, nesse disco era cantada em português. Se alguém tiver isso, aliás, é um bom disco pra ser postado aqui!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

SE PUL TURA



Voltamos à grande banda brasileira do século XX, a mais conhecida no mundo inteiro, a de maior sucesso internacional, e provavelmente a única que fazia shows para uma maioria de não brasileiros no exterior (com exceção dos Paralamas na América Latina).

Já postamos o grande e sensacional álbum 'Roots' e agora começo a seqüência de bons discos que chegaria ao auge no já citado.

'Schizophrenia' marca algumas mudanças fundamentais no grupo: a entrada de Andreas Kisser, a mudança para um som mais thrash metal e heavy tradicional (ao invés do death metal anterior) e um salto enorme na qualidade do som (produção, gravação e masterização).

A porradaria começa com uma intro com violino e sintetizadores (a cargo de Henrique 'Pouso Alto', hoje conhecido como Henrique Portugal, membro do Skank) e um grito gutural aparentemente revertido em estúdio do Max Cavalera.
Daí pra frente é 'paulada na moleira', som 'trampado' (gíria metaleira, se vc não entende, não adianta eu explicar) com eventuais calmarias acústicas pra dar contraste, como todo bom álbum de Metal.

As músicas são bem diferentes, com muitas mudanças de andamento, quebras de levadas e um som muito, muito bom. Mas o som, pra quem não gosta do estilo, é parecido mesmo.

Difícil destacar alguma música, mas 'From the past comes the storm', 'To the wall' e 'Escape to the void' são minhas preferidas.
A grande música é 'Inquisition Symphony', uma instrumental maravilhosa. Lembro quando ouvi no programa Guitarras da finada Fluminense FM de Niterói e, gravando em fita cassete, não acreditava que era o mesmo grupo tosco que não me interessava muito. Mostrava para os amigos e ninguém adivinhava que grupo era...
Esta mesma música foi regravada pelo grupo instrumental Apocalyptica, com 4 violoncelos, vale a busca.

Ainda não é original como o grupo viria a se tornar a partir dos discos seguintes, mas já soa autêntico e chamou atenção da mídia especializada no mundo todo.

Foi o último álbum pela gravadora Cogumelo de Minas Gerais (que, entre outros, também lançou o primeiro do Pato Fu), pela qual a banda já tinha lançado o Bestial Devastation (dividido com o Overdose) e o Morbid visions.

O disco foi lançado nos EUA pela New Renaissance e em seguida o grupo assinou com a Roadrunner.

Lançado em 1987, foi relançado em 1990 com a regravação de 'Troops of doom' e novamente relançado em 1997 com 3 demos/rough mixes.

Bom pra caralho!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Bloody!!!!! - (Roots - Sepultura - 1996)



Roots

Hoje comento um disco atípico, brasileiro sim, mas quase todo ‘cantado’ em inglês. É um marco no metal mundial, influenciando tudo o que foi feito de lá pra cá nesta área restrita e fechada do rock.
Esse disco também está citado no livro 1001 original, sendo que o Sepultura tem o álbum ‘Arise’ também na lista.
O disco já começa na pancada clássica e obrigatória em todo show: ‘Roots bloody roots’, gritada a plenos pulmões pelo fundador Max Cavalera.
‘Attitude’ começa com um berimbau, tem efeitos de DJ, uma batida quebrada, passagens mais calmas, percussões muito legais. Foge totalmente da mesmice do metal. Tem um clipe muito legal com o pessoal do Brazilian Jiu-Jitsu, procure no youtube.
Entre as influências, além da percussão (muitas das quais a cargo do Carlinhos Brown) e DJs, o Sepultura traz nesse disco afinações baixíssimas, um tom ou dois tons e meio abaixo do padrão.
Segue ‘Cut-throat’, mais uma porrada com efeitinhos dissonantes e percussão na cara. Os solos fogem do padrão metal, abusando de alavancas e dissonâncias com wah-wah.
‘Ratamahatta’ começa com uma batucada e vozes do Brown e Max, seguindo numa letra fraca em português, mas é uma música empolgante. Também tem um clipe bem legal, com animação em massinha...
‘Breed apart’ vem com um riff de batucada e guitarra muito legal – que lembra a rítimica de tamborins em sambas, na seqüência vem uma música típica do Sepultura, com quebradas, um riff agressivo no refrão e uma passagem lenta e barulhenta no meio e no fim. A novidade fica por um diálogo entre berimbau e guitarra. Muito bom.
‘Straighthate’ começa com baixo e bateria, seguindo em harmônicos de guitarra estranhos e dissonantes, feedbacks de dar gosto em Hendrix, descambando pra paulada, lenta e com vocais distorcidos.
‘Spit’ é uma música mais típica, thrash, rápida, gritada, com uma quebrada no final.
‘Lookaway’ já é outro papo, começa com uma bateria arrastada, entra o instrumental pesado que some em seguida, entra uma voz etérea, umas vozes faladas, uns efeitos de DJs (DJ Lethal, do Limp Bizkit). A música tem particpações de Johnathan Dvis (Korn) e Mike Patton nos vocais. Diferente, mas não é das minhas preferidas.
‘Dusted’ é típica música heavy, com as quebradas atípicas do Sepultura.
‘Burn stubborn’ começa com uma guitarra tipo sirene, seguida de 2 outras em estéreo fazendo o paredão de peso e preparando o riff corrido em oitavas, típico de Andréas Kisser. O vocal se alterna entre gritado nas partes rápidas e gutural/sombrio nas partes mais lentas. Ao final entram os índios Xavante com um coral que tem tudo a ver com o peso.
E aí vem a música ‘Jasco’, com Andréas ao violão, bonitinha.
‘Itsári’ (que significa raízes) mescla esse violão e os vocais ‘Datsi wawere’ (canto de cerimônia de cura dos índios) dos Xavantes, além de uma percussão tocada pela banda ao vivo na aldeia Pimentel Barbosa, MT. Muito legal.
Seguem mais 3 excelentes músicas pesadas, ‘Ambush’ (com uma batucada meio nada a ver no meio), ‘Endangered species’ (arrastada e com mais uma batucada no meio, deve ser pra justificar o cachê do Brown) e ‘Dictatorshit’.
A edição nacional vêm com dois bônus: os covers ‘Procreation (of the wicked)’ dos suíços Celtic Frost e ‘Symptom of the universe’ do Black Sabbath, que já tinha sido lançada no NIB vol 1 (tributo ao Sabbath). Boa escolha e excelente versão, com parte lentinha e tudo (que o Max não canta, mas o Andreas improvisa no violão).
Em 2005 foi lançada uma edição comemorativa com um cd extra, contendo as covers já citadas, mais ‘War’ (Bob Marley), excelente versão!! Ainda vem com umas versões demo e mixagens alternativas de músicas do disco original.
Após esse disco, Max saiu. Depois de 10 anos, o Igor Cavalera também saiu, fazendo alguns trabalhos de DJ com a mulher. Também se reuniu ao irmão e lançou uma pancada do Cavalera Conspiracy. Max lançou vários discos interessantes com sua banda experimental/metal Soulfly. Os boatos sobre uma reunião continuam vivos.