sábado, 17 de janeiro de 2015
Álibi. Maria Bethania.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Âmbar, Maria Bethânia
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Mais um com Robertão!

Um amigo um dia afirmou: “O problema da Maria Bethania é que se ela canta parabéns a você, realmente você se sente envelhecendo”.
Mas também é uma virtude. Veja o caso desse disco que ela fez só com canções de Roberto e Erasmo.
A principio achei uma heresia. Ninguém canta Roberto, como Roberto. E essa verdadeira tentativa infeliz de esquecer o fato não deve cair bem.
Mas, basta uma conferida superficial para concluir-se que a Bethania está para o Roberto nas suas intimistas, como a Ternurinha para a Jovem Guarda. Parceria tardia.
E bota tardia nisso. O disco é de 1993. Nesta época Roberto era o mesmo de hoje, só não andava de navio por aí. Fico pensando. Se essa parceria fosse mais constante, talvez o Robertão não pagasse o mico que andou pagando com musica pra gordinha, caminhoneiro...rimando Amazônia com insônia e, sonho dos sonhos, talvez Baleias não fosse sequer intuída.
Imagino assim: um belo dia Roberto Carlos acordaria suando, tremendo, cutuca a esposa e fala que teve um sonho estranho com mar, Moby Diky, arpões, coisas do gênero. Em vez da mulher falar ciosas do tipo “que os pesadelos são algum problema adormecido, durante o dia a gente tenta com sorrisos disfarçar alguma coisa que na alma conseguimos sufocar”, mandaria ele ouvir um Bethania qualquer, sugerisse uma bela muqueca baiana e mandava ele não mais encher o saco com essas bobagens que ela queria dormir.
Seja como for, as baleias sobreviveram.
Mesmo sendo de 1993, temos aí uma Maria Bethanea que tomou o cuidado de só escolher musicas da velha fase. Naturalmente, excluindo tudo da Jovem Guarda, por Deus!
As musicas do Roberto e Erasmo que se situam entre a Jovem Guarda e o Guerra dos Meninos (essa eu gosto, fazer o que?) são geniais e sempre foram as minhas prediletas de toda MPB. Esse disco resgata o que há de melhor desse interim. Pena que não é duplo!
Fera Ferida e Olha são, de longe, as minhas prediletas de toda obra da dupla. E estão no disco.
Essa obra com suas musicas só é comparável em sua biografia com o seansacional show que ele acaba de fazer para o centenário do TIMÃO!
ZEBA
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Maria Bethania - Pirata (2006)

Entre os quatro baianos tropicalistas mais próximos (isto é, estou excluindo o Tom Zé), Maria Bethânia é sem dúvida a artista mais diferente. Talvez por isso até, seja menos popular que os outros três, e seja tão difícil encontrar um fã ardoroso seu. Eu mesmo, só conheci um. Chamava-se Alexandre e morava na rua 9 nos idos de 1987-88, por aí.
Com direção musical do violonista Jaime Alem, que se encarrega das cordas no disco, Pirata é um disco dedicado às águas, do mar e dos rios. Como de costume, Bethânia intercala poemas e/ou trechos de poemas com canções que evocam estes temas. História pra Sinhozinho de Dorival Caymmi é a primeira canção do disco, seguida por O Tempo e o Rio de Edu Lobo e Capinam. Nas duas a ênfase é na voz e interpretação de Bethânia, com o arranjo mínimo, acompanhada só ao violão. Todo cais é uma saudade de pedra declama a cantora antes de cantar os Argonautas do mano Caetano. Apesar de regravação, a canção é obrigatória devido à temática do disco: Navegar é preciso / Viver não é preciso... Se “preciso“ aqui vem do verbo precisar indicando necessidade ou do substantivo precisão que denotada certeza, talvez já tenha sido até esclarecido pelo autor, mas a dúvida torna a canção ainda mais bela. O arranjo com violão, baixo acústico e bandolim dá um belíssimo ar de fado, de Portugal...
Bethânia declama Perto de muita água tudo é feliz antes de Santo Amaro, samba em homenagem à terra natal. Aqui fica claro o cuidado na produção do disco, essas quatro músicas em seqüência dão um crescente de ritmo, de pique no disco. Depois vem a minha favorita, De Papo pro Ar. Clássico da música caipira (caipira mesmo!) acompanhada na viola por Jaime Alem, conta a vida boa do caipira que vive do rio da caridade alheia e não se incomoda com nada. Ou melhor, quase nada: Quando no terreiro faz noite de luar / E vem a saudade me atormentar / Eu me vingo dela, tocando viola de papo pro ar...
Fui quase injusto acima, pois Sereia de Água Doce é outra das músicas lindíssimas deste disco. Samba de autoria de Vanessa da Mata (Ei! Alguém tem que resenhar o disco Vermelho!?), mostra a sintonia de Bethânia com a novíssima geração de compositores, fazendo uma sutil e muito bem dosada mescla com canções da velha guarda.
Eu que Não Sei Quase Nada do Mar de uma levada meio espanhola também é da nova safra. Passando (bem) longe da minha lista de compositores favoritos, Ana Carolina e Jorge Vercilo assinam esta belíssima canção que parece sob medida para a sensual voz de Bethânia, como exige a letra carregada de erotismo. O arranjo traz um dos raros momentos orquestrais do disco. Segue A Saudade Mata a Gente, outro clássico de João de Barro e Antônio Almeida, desacelerando um pouco o bpm depois das duas anteriores, mais uma vez com arranjo bem suave centrado em violão em voz. De Antônio Almeida, Serenô segue na toada da canção anterior, ma um pouco mais bonita que aquela:
Minha vida, ai, ai ,a / È um barquinho, ai, ai, ai / Navegando sem vela, sem luz
Quem me dera, ai, ai, ai, quem me dera / O farol dos teus olhos azuis...
Segue o samba com batida de candomblé Memória das Águas e depois com Águas de Cachoeira de Jovelina Pérola Negra, samba de terreiro com cavaquinho e acompanhamento de palmas. Jaime Alem agrega várias Cantigas Populares, na faixa que leva o mesmo nome. Ainda que misture melodias distintas nos versos tirados de diferentes cantigas, a música apresenta uma unidade surpreendente. Bethânia declama Antonio Vieira e termina com A Coroa: voz solo, acompanhada no finalzinho por tambores e coral, tudo agregado com se fosse uma só canção.
Onde Eu Nasci Passa Um Rio é outra da safra antiga de Caetano e essa aqui é a interpretação definitiva de uma canção pouco conhecida da obra do baiano. O arranjo, mais uma vez se destaca, só violão, voz e cello, conferindo a esta bela canção o tratamento que ela merece. O verso o rio da minha terra deságua em meu coração é de arrepiar... Francisco, Francisco é uma bela canção em homenagem ao velho Chico, e o disco termina de maneira bastante pessoal com Meu Divino São José.
O encarte é outro destaque, com figuras feitas de bordados...
Tudo isso faz deste, o melhor disco dos quatro baianos desde O Estrangeiro (resenhado aqui) ou até mesmo, desde Velô (que mais dia, menos dia, vai acabar pintando também). Como canta em Memória das Águas:
Amores são águas doces
Paixões são águas salgadas
Queria que a vida fosse essas águas misturadas,
neste Pirata, Bethânia consegue misturar essas águas. [M]
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Diamante Verdadeiro (Álibi - Maria Bethânia - 1978)

Lembro bem deste LP com as cores fortes da capa contrastando com o ar levemente entristecido da Bethania. Na época, eu não dava a mínima pra este LP, e ele rodava um monte no aparelho lá de casa. Isso foi há uns trinta anos atrás. Hoje, sou fã. Dizer que o disco é maravilhoso ainda é pouco! A produção combina de maneira magistral, orquestração suave com o som da banda de bethania, destacando nessa salada, é claro, a voz privilegiada da cantora. Por onde começamos? O disco abre com Diamante Verdadeiro, choro do irmão Caetano, belíssimo por sinal. A faixa título vem em seguida, Bethania grava pela primeira vez um então pouco conhecido compositor alagoano, Djavan. A música não é das minhas preferidas nem do repertório dela, nem entre as composições dele, ainda assim é um daqueles tipicos "blues do Djavan". Depois vem um dueto com Alcione em O Meu Amor, composição magistral de Chico que na voz das duas cantoras é insuperável, transbordando sensualidade... Segue A Voz de uma Pessoa Vitoriosa, composição de Caetano com letra de Wally Salomão (uma parceria que, até onde eu saiba, se restringe a esta única canção), sambinha que começa suave e que Bethania trata de eletrizar à medida que se aproxima do refrão (repare na sutileza do solinho de guitarra). Bethania gravou ainda dois super clássicos, Ronda, de Paulo Vanzolini e Negue (Adelino Moreira e Enzo Passos), duas versões que também ficaram imbatíveis em sua voz. Explode Coração foi o hit deste disco, composição de Gonzaguinha, tocou até furar o vinil. Sonho Meu de Dona Yvonne Lara é um samba delicioso que conta com a participação mais do que especial de Gal Costa. Mais uma canção do Chico aparece aqui, De Todas as Maneiras. Outro momento caprichadíssimo. Depois vem Cálice de Chico e Gil, o que dizer? Você vai perdendo o fôlego porque o disco realmente é de arrebentar... Essa música recebe um tratamento diferenciado do restante do disco. Começa só com violão e suave percussão. A banda só vai entrando aos poucos e a orquestração fica em terceiro plano. O disco finaliza com uma deliciosa composição de Rosinha de Valença. Aliás, Rosinha de Valença (que me foi apresentada pelo Paulinho seguindo uma sugestão do Zédu) é um capítulo à parte. Ela toca todos os violões e cavaquinhos no disco. Seu estilo é bastante sutil, mas essencial (principalmente nas duas últimas faixas onde a produção é mais econômica). A música, que se chama Interior, é levada só no violão e gaita e a voz de Bethania. Perfeita.
O fato de ter sido campeão de vendas em 1978 é só um sintoma, ainda que não seja o motivo de estar aqui. A verdade é que este disco é um verdadeiro diamante. [MATEUS]
