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sábado, 6 de agosto de 2011

A invasão do sagaz Homem Fumaça, Planet Hemp

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Mais um dos hemp ativistas cariocas malandros. Mas o assunto é sério, cada vez mais.
Esse disco, como todos da Hemp Family (que além de Planet Hemp, inclui o Rappa, Pedro Luís, Funk Fuckers e todos os filhotes dos ex-membros do Planet: D2, BNegão e Black Alien), merece estar aqui sim, mas hoje pra mim é pretexto pra comentar um recente engasgo.
O STF (Supremo Tribunal Federal) não tem que liberar a Passeata pela legalização da maconha (ou qualquer outra passeata ou manifestação de expressão), eles simplesmente RECONHECEM QUE NÓS TEMOS ESSE DIREITO.
Essa não foi a primeira vez que autoridades municipais e estaduais se comportaram assim pessimamente, tentando limitar a manifestação da passeata pela legalização da maconha, seja lá como se chame a cada ano.
E sempre depois tem que se recorrer ao STF para que o direito seja reconhecido. Talvez a melhor solução fosse uma manifestação prévia de que O DIREITO DE LIVRE EXPRESSÃO PODE SER REGULAMENTADO MAS NÃO PODE SER SUPRIMIDO, sendo assim fica sujeito à conveniência das autoridades municipais e/ou policiais para a melhor oportunidade e conveniência da segurança e trânsito.
Não há apologia em discutir a mudança de qualquer lei.
Se você se incomoda, está no seu direito, pode inclusive manifestar esse incômodo também, fique à vontade.
Mas, apesar dos Bolsonaros (é, se liga porque já são três!), o que NÃO EXISTE NUMA DEMOCRACIA É O DIREITO DE NÃO SE INCOMODAR.
E, na minha opinião não humilde, dizer que eu gosto de fazer qualquer atividade, inclusive se drogar (e isso é, claro, uma hipótese retórica, estúpido) ou dar a bunda (outra hipótese, claro, aqui só pra incomodar mesmo) não é fazer apologia, porque o que é bom pra mim (ou o que eu acho que é) pode não ser bom pra você. Mas isto ainda está sujeito a interpretações jurídicas, e não estamos nos EUA, apesar da recente e benvinda emenda do Cristóvão Buarque de incluir a busca da felicidade como princípio constitucional.
Porque, 'como já dizia o Samuca da Patrulha da Cidade', citado aqui no disco pelo Seu Jorge na última música: "Quem não reage rasteja".





Isto dito, vamos ao disco, né...

1. 12 com dezoito: música boa pra começar, rápida, agressiva (inclusive com distorção nas vozes e num teclado eletrônico ao fundo), metralhadora verbal solta! '12 com dezoito é o caralho, o bicho vai pegar!'

2. Ex-quadrilha da fumaça: 'adivinha, doutor, quem tá de volta na praça? Planet Hemp, esquadrilha da fumaça'! 'sujou sujou, disfarça'. Bom riff de guitarra, base suingada pro rap, aqui pelos 3 MCs: Marcelo D2, BNegão e Black Alien, solo de guitarra com fuzz sujo.
'Intoxicados pela ignorância reinante
Os homens fumaça mais uma vez se apresentam pra missão'

3. Test drive de freio de camburão: provocativa à polícia corrupta, lida com a conhecida 'dura', lembrando que a banda podre não responde por toda a instituição.

4. Procedência C.D. : hardcore pesado e acelerado, mas não captei qual é a mensagem...acho que é sobre a mítica e poderosa organização Comando Delta.

5. Stab: aqui dá pra prever o que D2 faria na sua carreira solo, um bom mix de funk e rap, ainda sem o samba, letra inteligante e criativa, refrão maneiro!
'Sempre representando o hip hop,
não tem Faustão nem Gugu,
eu sou primeiro no ibope
Revolução eu vou fazer de maneira diferente,
tiro o ódio do coração e tento usar mais a mente
Botam barreiras no caminho mas sou persistente,
posso cair mas me levanto e sigo em frente
Seguro a bronca, dou um 2 e mantenho a calma'

'Vários irmãos se recolhem e vão em frente, vários também escravizam sua mente
Eu sei bem, quebro a corrente onde passo implanto a minha semente
Gafanhotos nunca tomam de quem tem
Predadores, senhores que mentem, esperem sentados a rendição
Nossa vitória não será por acidente'
(mas afinal o que é stab??)

6. Four track: uma boa surpresa, um rap/hip hop com violão slide! muito legal, prova da criatividade em misturas by Mr D2!

7. Gorilla grip: instrumental tradicional nos discos do Planet, bem surf music pesada.

8. Contexto: já traz o mix samba e hip hop, letra fluida e citações espertas de Zeca Pagodinho e dos irmãos Valle...
'Quem é que joga fumaça pro alto?
Planet Hemp
Chega na cena e toma de assalto
Planet Hemp
Conexão entre o morro e o asfalto
Planet Hemp
(...)
A coisa certa rapa é que tem que ser feita
Cabeça feita, pago o que eu consumo
Se eu quiser beber eu bebo, se eu quiser fumar eu fumo
(...)
Fazendo aquela média clássica
Entre a Lei de Murphy
E a teoria do caos
(...)
Ai Gustavo ai Gustavo a parada é o seguinte
Tem gente que ta dizendo que o Planet Hemp faz apologia as drogas
É mentira tchu tchu é mentira' (citação da música 'Mentira')

9. DZ Cuts: apresentação do DJ Cuts com samples malandríssimos.

10. Raprockandrollpsicodeliahardcoreragga: começa com um sample do João Nogueira da música 'Baile no Elite': "Nelson Motta deu a nota que hoje o som é rock'n'roll" e aí entra uma música pesada e suingada apresentando a carta de referêncvias do grupo. Bata a cabeça, rapá!
'Raprockandrollpsicodeliahardcoregga, mc no microfone em atitude e HC
Representa o Hip Hop, pesadelo do pop, não ta ligado na missão, foda-se'

11. Quem tem seda? : pergunta clássica dos adeptos da ganja, aquele momento de definição e ansiedade. Participação especial de Sen Dog e Micky, que eu não sei de que grupo são. O que interessa é a música, que é muito legal, começando lentinha e ganhando balanço. Apologia?

12. É isso que eu tenho no sangue... : mais uma suingada, samba funk, com citações a vários músicos que influenciaram o Planet.
'Hip hop é o ar que eu respiro
a sabedoria de quem não precisa resolver mais no tiro'

13. Quarta de cinzas: vinheta instrumental suave, com flauta e tecladinhos vintage.

14. HC3: mais um hardcore pesado e acelerado, acho que cantado pelo guitarrista Rafael Crespo.

Ao final, como uma introdução pra próxima música, um cara explicando o que é o jongo.

15. O sagaz Homem Fumaça: um reggae com introdução e vocais auxiliares de Seu Jorge, termina bem e calmo um disco raivoso e contundente. Depois da música tem uma surpresinha, um recado deixado numa secretária eletrônica, hilário...

Produção do grupo e Mario Caldato (Beastie Boys, Marisa Monte, Tone Loc, Seu Jorge & Almaz, Bebel Gilberto, Chico Science & Nação Zumbi).

terça-feira, 10 de maio de 2011

Terminando a saga 20 anos de rock brasil



20 anos de Rock Brasil cd 4


Rá! Você achou que eu não fosse terminar, né? Mas é sempre bom finalizar um projeto, mesmo que inútil como esse blog, música, cultura ou arte em geral...

Eu sempre olhava pra esse último cd meio com estranhamento, pois na verdade eu achava que a coletânea era sobre o rock dos anos 80, quando na verdade o título é claro e auto-explicativo: 20 anos de rock, e não rock de 20 anos atrás, bundão! E esse cd traz o rock dos anos 90.


Então vamos lá: começamos com os decanos Titãs, com a música do cd de renascimento 'Acústico' (que inclusive teve um filhote volume 2!) 'Os cegos do castelo', uma das poucas inéditas do disco, ainda cantada pelo agora solo Nando Reis. Música legalzinha, os Titãs têm muitas outras melhores.


Depois vem o Rappa, com certeza a melhor banda dos anos 90 e (mais ou menos) na ativa até hoje. 'Pescador de ilusões' não é a minha preferida, mas é hit pop reggae e cantada até hoje nos (cada vez mais raros) shows da banda.


'Por você' é uma música atípica de um disco atípico (Puro êxtase, com abordagem dance eletrônica) do Barão Vermelho, mas é uma belíssima balada entre as muitas já compostas pelo grupo.


Cidade Negra é uma banda antiga (com o nome de Lumiar), ainda dos anos 80, mas na época não fazia sucesso. 'Falar a verdade' ainda é cantada pelo Ras Bernardo, o antigo e desconhecido vocalista, depois substituído (ou saído) pelo Toni Garrido (vindo da banda Bel, não a baiana), quando a banda virou pop e merecidamente estourou a boca do balão.


O Skank traz um reggae tipo dancehall (vai no google, Zeba!), estilo no qual começaram, depois enveredando por um caminho mais rock anos 60 com pitadas de Clube da Esquina. 'Garota nacional' é um mega hit do disco 'Samba poconé'.


Tem gente que adora, tem gente que odeia. Eu gosto de Charlie Brown Jr, acho animado, bom pra festa e sessions de skate, principalmente os primeiros discos, ainda com a banda original azeitada e mais pesada, mais ligada no hardcore ou grindcore. 'Proibida pra mim (grazon)' podia ser uma balada, e assim foi gravada pelo Zeca Baleiro.


Raimundos sempre foi uma banda engraçada e com talento pra escrever quase-baladas grudentas. Aqui eles atingem o auge, numa música eterna, 'Mulher de fases', com um finalzinho com cordas e tudo! É do único disco deles que eu não tenho, 'Só no forevis'.


'Mantenha o respeito' é o hino definitivo do maconheiro bem educado, aquele que pede se pode acender no carro ou se deve ir fumar lá fora pra não incomodar. 'Usuário', já comentado por aqui, é um crássico desde sempre! É uma pena o grupo estar inativo, mas a carreira do D2, do BNegão e do Black Alien mantêm a tocha (entre outras coisas) acesa.


'Minha alma (a paz que eu não quero)' é uma bela composição do Rappa, daquele que é o seu melhor álbum, o 'Lado B lado A', o último com o compositor e baterista Marcelo Yuka. Deu origem a um belíssimo video.


'Anna Júlia' é um dos raros pop perfeitos criados no Brasil, o que levou o grupo Los Hermanos de um mundinho alternativo carioca para uma super-mega-ultra exposição nacional, o que levou a um previsível desgaste e antipatia por parte dos ouvintes. Mas a pérola resiste, mesmo que ninguém consiga ouvir mais...como os amigos daqui dizem, está de quarentena por alguns anos. E depois a banda se redimiu e fez um dos melhores discos ever, já comentado aqui pelo amigo e baixista Paulinho.


'Fácil' também é um pop muito tocado em festas, baladas e exposições agropecuárias Brasil afora e adentro. O Jota Quest é isso, sem vergonha e com muita vontade de ser isso, e são bons músicos e eficazes. Tem quem goste, eu até ouço se estiver tocando, mas pagar por isso...


Quase acabando o cd, vem o ex-Titãs Nando Reis, com uma música que a princípio foi gravada pela Cassia Eller e depois gravada pelo autor no disco solo 'Infernal', e em seguida regravada pela Cássia no seu estourado 'Acústico'. Essa música já foi interpretada por amigos aqui do blog sob uma ótica pornô-cosmológica, mas como eu não estava presente, vou me abster. Se alguém quiser anexar um adendo, fique à vontade.


Pra terminar o sempre pop Kid Abelha, agora sem 'os abóboras selvagens', trazendo aqui uma versão de uma música do síndico Tim Maia, 'Não vou ficar', animada e pra cima, com um sonzaço, presente no disco 'Tudo é permitido'. Mas podiam ter colocado aqui uma música própria, né?


Então é isso, terminou. Até que lancem '30 anos de rock brasil' incluindo os anos 00...

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Legalize it!


Já que o Mateus veio até o presente, vamos voltar um pouquinho no tempo, mas continuar na vibe maconheira...a Céu, em entrevista à Rolling Stone de setembro, admite isso quanto ao disco Vagarosa!
Esse disco foi muito importante por muitas razões: 1. pra mim, porque eram pessoas da minha idade fazendo (bom) rock em português, numa época que era hype cantar em inglês; 2. trouxe pela primeira vez a discussão sobre legalização de drogas e comportamento anti-democrático ‘dos políça’ (sic); 3. era parte de um movimento não articulado, mas que tinha em comum fazer a mistura de rock com músicas brasileiras (forró no caso dos Raimundos, maracatu no caso de Chico Science etc).
Mas além disso tudo, o disco é bom, poderoso, pesado e dançante, bom pra festas (mas ainda não chegava à perfeição pra essa finalidade, que foi alcançada em Rappa Mundi, post em breve).
Começa lento, com ‘Não compre, plante’, uma idéia ainda válida, mas ainda ilegal...
‘Porcos fardados’ resvala no panfleto, mas tem seu sentido no público eterno adolescente.
‘Legalize já’!!! Musicaça, com guitarras suingadas e um refrão forte, ótimo pra ser cantado pela galera. E finaliza com um samplerzinho do Peter Tosh que dá nome ao post, 'Legalize it'.
‘Deisdazseis’ começa com alguém dizendo baixinho ‘tô doidão de bagulho’, parada de maconheiro pra maconheiro... Segue uma mistura de hiphop com discurso, ou como eles dizem ‘rap rock’n’roll psicodelia hardcore ragga, baixo lendário mesmo, bebendo cana, o grito vem da rua movido a marihuana’!
Na seqüência ‘Phunky buddha’, mania de títulos estranhos, hein? Alterna guitarras pesadas com partes suingadas, e o grito ‘chapado de maconha’. Seguindo com peso vem ‘Mary jane’, um hardcore rápido e cantado em inglês, só pra contrariar.
Depois da quase instrumental e rapidinha ‘Planet hemp’, vem mais uma das mais legais ‘Fazendo a cabeça’, no estilo ‘falo mal do Rio mas gosto’, além do discurso maconheiro habitual, que começa a dar sinais de desgaste. Mas eu tinha esquecido como o disco é legal...afinal maconha causa amnésia e outras coisas que eu não lembro mais...hahahaha.
‘Futuro do país’ aponta pro que viria a ser base da carreira (ops) do Marcelo D2, a mistura de hip hop com samba. Mas aqui fica bem pesado, até parecido com Ministry.
‘Mantenha o respeito’, A música do maconheiro moderno, ‘Dê dois mas mantenha o respeito’. Só pra esclarecer, não sei se tem o mesmo significado no Brasil inteiro, mas ‘dar dois’ significa fumar THC. Sinta o groove do ragga e o peso do refrão, tem até solinho de órgão.
‘Puta disfarçada’ é misógina, sem nada de novidade na seara do hip hop. E o Gabriel fez melhor com ‘Loira burra’... Dispensável.
Depois da vinheta instrumental ‘Speed funk’, vem mais uma pesada e cantada em inglês macarrônico ‘Muthafuckin racists’. Também não lembrava que o disco era tão longo...
‘Dig dig dig (Hempa)’ tem aquela bateria marcial e a cara do hip hop brazuca (e carioca, que o paulista tem a cara dos Racionais MCs). Um dia eles vão ver que a lei estava errada...em breve, se Jah ajudar.
‘Skunk’, ao contrário do que parece, é uma instrumental em homenagem a um integrante falecido do grupo. Tenho um amigo que tinha uma banda, Os Namorados, que sempre tocava essa nas jams que eu tive o prazer de participar.
‘A culpa é de quem’ tem uma bateria eletrônica e auto-samples. E a pergunta segue sem resposta.
‘Bala perdida’ é mais um hardcore na velocidade da luz, pra galera do skate, com aquele break manjado no meio e voz distorcida. Aí vem uns 6 minutos de silêncio dentro da faixa até entrar um instrumental metal tenebroso. Imagina a cena: o ouvinte chapado, com preguiça de trocar o cd deixa rolar e, na hora que cochila entra a sonzeira...hehehe.
Discaço, meio longo, mas inesquecível. Por falar nisso, que cheiro é esse no meu cd?