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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Lisbela e o prisioneiro - trilha sonora



Um filme leve, divertido, a cara da antiga sessão da tarde, se é que você me entende.

A trilha também diverte, é original e bem variada, com boas canções e versões.


Caê inicia bem o disco, com uma versão da música extremamente brega e bela 'Você não me ensinou a te esquecer', do repertório de alguém que eu não sei (socorro, Zeba!). A versão aqui traz um som mais muderno com uns lopps eletrônicos discretos mas interessantes, a cargo do excelente produtor André Moraes (que inclusive tem ou tinha uma banda de metal, Infierno, que será resenhada por aqui) e Pedro Mamede. Belíssimas cordas (violoncelo e violinos).


Em seguida uma surpresa maneiríssima: Zé Ramalho com Sepultura!! 'A dança dos borboletas' ficou sensacional, com as vozes se combinando muito bem sobre a base pesada do Sepultura ainda com o Igor, além da guitarra extra e Citar guitar do André.


'A Dama de Ouro' com Zéu Britto é uma daquelas engraçadinhas e divertidas, meio forró meio metal (parede de guitarras pesadíssimas no refrão) meio reggae...é, a matemática não tá muito coerente, né?


'Para o diabo os conselhos de vocês' é do antigo e malandro Carlos Imperial (com Nenéo), aqui interpretada pelos Condenados, com a voz hard rock de Clarice Falcão, bem legal.


'Espumas ao vento' acho que é do repertório do Fagner, aqui cantada pela Elza Soares, muito emocionada, voz fluindo entra o choro e a raiva, mais uma muito legal nessa excelente trilha.

O André Moraes toca aqui violão flamenco (o cara toca em todas as faixas até aqui!).


Aqui entra um gênio ainda não resenhado por aqui: Yamandú Costa, debulhando o violão de 7 cordas, fazendo uma base de luxo pra voz do Geraldo Maia na canção 'Deusa da minha rua'. Linda.


Aparece o vampiro Jorge Mautner acompanhado do Caetano cantando a antiga 'Oh Carol' (John Sedaka/Howard Greenfield), rock'n'roll doce e suave.


Lirinha, acho que do Cordel do Fogo Encantado, canta aqui 'O amor é filme', bela canção, aqui com todas aquelas percussões típicas pós-Nação Zumbi e mais umas guitarras pesadas a cargo do André...Tem até uma passagem meio jazz no meio.


A faixa-título, de Caetano e José Almiro, vem cantada pelos Los Hermanos, com os dois vocais cantando!! E o Rodrigo ainda toca uma viola caipira de dar gosto, muito muito legal.


'O matador' é da trilha incidental, uma instrumental do Sepultura com uns instrumentos orquestrais e mais a guitarra do André Moraes.


A próxima, 'O boi', também é instrumental e mais curtinha, só que aqui só com o André e mais uma outra banda.


No fim duas versões pra músicas já tocadas: uma orquestral de 'O amor é filme' e uma versão forró de 'Lisbela' pelo Trio Forrozão, que inclusive traz a informação de que a canção foi composta para a peça de mesmo nome.


Veja o filme e compre o disco.


(Dão)

terça-feira, 10 de maio de 2011

Terminando a saga 20 anos de rock brasil



20 anos de Rock Brasil cd 4


Rá! Você achou que eu não fosse terminar, né? Mas é sempre bom finalizar um projeto, mesmo que inútil como esse blog, música, cultura ou arte em geral...

Eu sempre olhava pra esse último cd meio com estranhamento, pois na verdade eu achava que a coletânea era sobre o rock dos anos 80, quando na verdade o título é claro e auto-explicativo: 20 anos de rock, e não rock de 20 anos atrás, bundão! E esse cd traz o rock dos anos 90.


Então vamos lá: começamos com os decanos Titãs, com a música do cd de renascimento 'Acústico' (que inclusive teve um filhote volume 2!) 'Os cegos do castelo', uma das poucas inéditas do disco, ainda cantada pelo agora solo Nando Reis. Música legalzinha, os Titãs têm muitas outras melhores.


Depois vem o Rappa, com certeza a melhor banda dos anos 90 e (mais ou menos) na ativa até hoje. 'Pescador de ilusões' não é a minha preferida, mas é hit pop reggae e cantada até hoje nos (cada vez mais raros) shows da banda.


'Por você' é uma música atípica de um disco atípico (Puro êxtase, com abordagem dance eletrônica) do Barão Vermelho, mas é uma belíssima balada entre as muitas já compostas pelo grupo.


Cidade Negra é uma banda antiga (com o nome de Lumiar), ainda dos anos 80, mas na época não fazia sucesso. 'Falar a verdade' ainda é cantada pelo Ras Bernardo, o antigo e desconhecido vocalista, depois substituído (ou saído) pelo Toni Garrido (vindo da banda Bel, não a baiana), quando a banda virou pop e merecidamente estourou a boca do balão.


O Skank traz um reggae tipo dancehall (vai no google, Zeba!), estilo no qual começaram, depois enveredando por um caminho mais rock anos 60 com pitadas de Clube da Esquina. 'Garota nacional' é um mega hit do disco 'Samba poconé'.


Tem gente que adora, tem gente que odeia. Eu gosto de Charlie Brown Jr, acho animado, bom pra festa e sessions de skate, principalmente os primeiros discos, ainda com a banda original azeitada e mais pesada, mais ligada no hardcore ou grindcore. 'Proibida pra mim (grazon)' podia ser uma balada, e assim foi gravada pelo Zeca Baleiro.


Raimundos sempre foi uma banda engraçada e com talento pra escrever quase-baladas grudentas. Aqui eles atingem o auge, numa música eterna, 'Mulher de fases', com um finalzinho com cordas e tudo! É do único disco deles que eu não tenho, 'Só no forevis'.


'Mantenha o respeito' é o hino definitivo do maconheiro bem educado, aquele que pede se pode acender no carro ou se deve ir fumar lá fora pra não incomodar. 'Usuário', já comentado por aqui, é um crássico desde sempre! É uma pena o grupo estar inativo, mas a carreira do D2, do BNegão e do Black Alien mantêm a tocha (entre outras coisas) acesa.


'Minha alma (a paz que eu não quero)' é uma bela composição do Rappa, daquele que é o seu melhor álbum, o 'Lado B lado A', o último com o compositor e baterista Marcelo Yuka. Deu origem a um belíssimo video.


'Anna Júlia' é um dos raros pop perfeitos criados no Brasil, o que levou o grupo Los Hermanos de um mundinho alternativo carioca para uma super-mega-ultra exposição nacional, o que levou a um previsível desgaste e antipatia por parte dos ouvintes. Mas a pérola resiste, mesmo que ninguém consiga ouvir mais...como os amigos daqui dizem, está de quarentena por alguns anos. E depois a banda se redimiu e fez um dos melhores discos ever, já comentado aqui pelo amigo e baixista Paulinho.


'Fácil' também é um pop muito tocado em festas, baladas e exposições agropecuárias Brasil afora e adentro. O Jota Quest é isso, sem vergonha e com muita vontade de ser isso, e são bons músicos e eficazes. Tem quem goste, eu até ouço se estiver tocando, mas pagar por isso...


Quase acabando o cd, vem o ex-Titãs Nando Reis, com uma música que a princípio foi gravada pela Cassia Eller e depois gravada pelo autor no disco solo 'Infernal', e em seguida regravada pela Cássia no seu estourado 'Acústico'. Essa música já foi interpretada por amigos aqui do blog sob uma ótica pornô-cosmológica, mas como eu não estava presente, vou me abster. Se alguém quiser anexar um adendo, fique à vontade.


Pra terminar o sempre pop Kid Abelha, agora sem 'os abóboras selvagens', trazendo aqui uma versão de uma música do síndico Tim Maia, 'Não vou ficar', animada e pra cima, com um sonzaço, presente no disco 'Tudo é permitido'. Mas podiam ter colocado aqui uma música própria, né?


Então é isso, terminou. Até que lancem '30 anos de rock brasil' incluindo os anos 00...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Meia lã com linha (Los Hermanos - 4, 2005)

Esqueça o Maracanã lotado em festa para um Fla-Flu decisivo. Esqueça todas aquelas bundinhas maravilhosas espalhadas sobre as areias de Ipanema e Copacabana. Esqueça o eterno bom-humor e joie de vivre do carioca. Los Hermanos é outra parada. É tão outra que, não fosse o sotaque, passaria a certeira impressão de ser da terra da garoa, do túmulo do samba. Ou ainda além: é tanta milonga que, como o nome mesmo sugere, Los Hermanos soa como música porteña...


4 parece ter sido seu disco de despedida (provisoriamente definitivo). E tem ares mesmo de missa de Réquiem:


É de lágrima que eu faço o mar pra navegar...


Canta o Marcelo Camelo na última faixa (É de Lágrima). Isso deve ser mesmo uma das frases mais triste de toda a música brasileira... E o disco todo é assim. A capa em tons de rabecão, as vozes cansadas, o ritmo arrastado...


O mar é tema. Mas nada de dia de luz, festa do sol, barquinhos a deslizar, peixinhos e beijinhos e outras frescuras. Aqui a coisa está mais pra Hemingway do que pra João Gilberto. Se termina em mar, assim começa também o disco. Em Dois Barcos o verso inicia-se...


Quem bater primeiro a dobra do mar / dá de lá bandeira qualquer / aponta pra fé... e rema


E adiante, o que parece ser a chave deste 4. Los Hermanos olham para o mar, e não para a areia. E o mar é solidão, é tristeza e medo do desconhecido:


Fez-se mar, senhora, o meu penar / Demora não, demora não / Vai ver o acaso entregou alguém pra lhe dizer / O que qualquer dirá...


Rodrigo Amarante também acompanha a onda do mar de Camelo, e traz do mar o parceiro, o Vento:


Posso ouvir o vento passar / Assistir à onda bater / Mas o estrago que faz / A vida é curta para dizer


E também dele é o melhor momento deste disco, Condicional. Num ritmo de baile de quermesse (ou marchinha, como prefere a banda), a melodia é cantada como uma partida de tênis, num bate e volta emendando o fim de um verso com o começo do próximo, deixando o miolo suspenso no ar...


Quis nunca te perder / Tanto que demais / Via em tudo o céu / Fiz de tudo o cais / Dei-te pra ancorar / Doces deletérios

Eu quis ter os pés no chão / Tanto eu abri mão / Que hoje eu entendi / Sonho não se dá / É botão de flor / O sabor de fel / É de cortar.

Eu sei é um doce te amar / O amargo é querer-te pra mim / O que eu preciso é lembrar, me ver / Antes de te ter e de ser teu, muito bem


Em seu quarto disco, que poderia muito bem se chamar (a)mar, Los Hermanos aprofundam a melancolia que já assolava os trabalhos anteriores. Fazendo lembrar que a alegria é um estado interior e que, mesmo em condições exteriores ideais, às vezes ela não bate.


Os dias que eu me vejo só / São dias que eu me encontro mais / E mesmo assim eu sei tão bem / existe alguém pra me libertar


Finaliza o Amarante esta belíssima canção. Mesmo na cidade maravilhosa, quente e ensolarada, dá pra ficar solitário e triste de vez em quando. Mas há de passar, viu? Depois da tormenta vem a calmaria, e, no mais


a gente quer ver...

o horizonte distante!


[M]

sábado, 13 de setembro de 2008

Todo carnaval tem seu fim? (Bloco do eu sozinho - Los Hermanos - 2001)




O que esperar do segundo disco de um grupo que surge com um hit fácil que acaba em superexposição, com aparições em faustões da vida? Nada? Pois é... eu cai nessa e quando Los Hermanos, após o sucesso pop e fácil de "Ana Júlia", lançou Bloco do Eu sozinho, seu segundo trabalho, não dei muita atenção. Eu e a mídia toda, que ignorou por completo esse disco na época do seu lançamento. Não se ouviu nada nas rádios (as mesmas que cansaram literalmente de tocar Ana Júlia anos antes) e acabaram rompendo com a gravadora.

Tempos depois, resolvi me libertar do preconceito (confesso), fui até alguma loja e comprei o disco sem nunca ter escutado nada (motivado pelo elogio que li em alguma revista confiável). E qual não foi minha surpresa a me deparar com uma das minhas melhores aquisições naquela época.

Tudo começa com "Todo carnaval tem seu fim" esbanjando uma bela nota 10 com um sensacional arranjo de metais de Rodrigo Amarante (a composição é do Marcelo Camelo). Na sequência, "A Flor" começa tímida até arrebentar com um ritmo surpreendente e muito bem trabalhado. "Retrato pra Iaiá" vem sonora numa balada mais tranquila. Depois de "Assim Será" (maravilhosamente destoante) e a poética "Casa Pré-fabricada" (Cobre a culpa vã... até amanhã eu vou ficar e fazer do seu sorriso um abrigo), até surgir outro ponto alto do cd, com a criativa e genial "Cadê teu Suin-?", momento de pura inspiração de Marcelo Camelo.

Depois vem a lindíssima "Sentimental", de Rodrigo Amarante, excelente trilha sonora para um romance, onde o sentimento de rejeição, acrescida de conselhos sentimentais no telefone quase imperceptível, resulta em outra música maravilhosamente harmoniosa.

Segue-se com "Chez Antoine", cujo toque fraancês não se restringe apenas à letra, mas ao ritmo semelhante ao um realejo. E seguida, "Deixa estar" e "Mais uma canção", outra romântica onde os arranjos de metais dão um toque especial. "Fingi na hora de rir" merece destaque pelas guitarras distorcidas.

Depois mais um ponto alto do disco (talvez o maior), com "Veja bem meu bem", canção de letra tão original e bem elaborada que outros grandes cantores como Maria Rita e Ney Matogrosso resolveram interpretá-la em seus trabalhos individuais.

Posteriormente, demonstrando que um disco homogêneo pode apresentar diferentes ritmos, Los Hermanos surgem com um som puramente hardcore - ou seria punk?, com "Tão sozinho". Para concluir essa verdadeira obra-prima, "Adeus Você", sintetizado o tema recorrente que dá uniformidade ao trabalho: pra que minha vida siga adiante.

Enfim... esse disco mudou totalmente minha opinião com relação ao potencial dos barbudos que fizeram parte de Los Hermanos. O fim anunciado no ano passado só serviu para minha admiração pelo grupo fosse maior, pois novamente tiveram a coragem de remar contra a maré no auge do reconhecimento do trabalho. A questão agora é saber se realmente todo carnaval realmente tem seu fim? Se tem, pelo menos deixaram grandes recordações.
[PAUL]