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terça-feira, 17 de abril de 2012

Sexo!! , Ultraje a Rigor




Como a Andrea sugeriu, vamos botar fogo no blog!




Comecei a fazer esse post e fui conferir, porra, será que não tem este álbum no blog, porraaaaa? Não tinha, mas é indispensável.




Claro que, em comparação com o primeiro, qualquer disco pareceria menor, mas este aqui é muito bom, diria excelente, e ainda tem 3 das melhores músicas nacionais dos anos 80!




Não acerta em todas, ou quase todas como o primeiro, dando umas derrapadas feias, mas o saldo é muito positivo.




Eu gosto de mulher é um maravilhoso início pra qualquer disco ou show, machista e divertida, mas não homofóbica, roqueira e festeira, animada e acelerada!




Dênis, o que você quer ser quando crescer? Pergunta de pai ou de professor, chata e geradora de ansiedade, principalmente para crianças ou jovens hiper-ativos, eu falo por exteriência própria...mas a música é legal, com muita guitarras legais e aquela letra sempre inteligente do Roger.




Em terceiro lugar, Terceiro, a música predileta do Zeba ou do Zedu, não tenho certeza. Mas um hino do espírito brazuca, ao lado de Inútil, Que país é esse, Até quando esperar, etc e tal. Por que se esforçar? Meritocracia não é pra latinos católicos, né, Weber, Xampu e Roger? Ou não? Voltemos à música, que é muito legal, com batida new wave tipo Rebelde sem causa, mas desacelerada, guitarras surf da melhor qualidade, refrão popular e até um solo de baixo no finalzinho, normalmente cortado pelas rádios fm da época...




Aí chega a primeira derrapada, A festa, uma música chata e arrastada, lenta e entediante, que nunca chega a lugar nenhum. Só salva um solo metal lá no meio, mas que soa meio deslocado na música meio Jovem Guarda (?). A letra é quase boa, sobre aquela onda adolescente de ensaiar o que fazer na festa, o que falar pra gatinha, essas coisas, que na prática nunca funcionam. FAIL...




E a segunda derrapada é logo na seqüência, Prisioneiro, o único heavy metal do grupo. É engraçado que se vc procurar resenhas por aí, principalmente em sites mais metal, tem pessoas que dizem que o grupo poderia ter ficado mais pesado, que o baixista Maurício Defendi (que canta essa música) saiu porque queria justamente isso e bla bla bla...mas a música é uma merda. E olha que gosto de metal, mas ainda bem que o Ultraje se manteve Ultraje.


Vá lá, a letra é inteligente e crítica e realista, mas isso é o mínimo pro Roger:


"Prisioneiro, prisioneiro, prisioneiro não


Se você me pegar eu vou chamar meu irmão
Com tanta gente roubando ninguém vai me pegar


Sigo tranqüilo no meio ninguém vai me dedar


Vivo bem com o tráfico e com a corrupção


Se o negócio sujar é só tomar um avião (...)


Duvido que um dia isso possa mudar


Tem prá todos ninguém irá tentar


Me tirar o apoio e a posição


Me colocar enfim numa prisão (...)”




Essa música e a anterior são as últimas participações do guitarrista solo Carlos Bartolini (Carlinhos) com a banda, tendo ele ido pra Califórnia eu acho, pra estudar produção musical e engenharia de som, se não me engano.


No seu lugar, ou melhor, no lado B, entrou o também excelente Sérgio Serra.


O Ultraje é, em grande parte, Roger Moreira, pelas letras e concepção do grupo, mas por outro lado, o excelente som de guitarras dos dois primeiros discos deve muito a esses dois guitarristas, era realmente muito superior a tudo que se ouvia de guitarra no Brock. Aliás, a tudo que se tinha gravado de guitarra antes. Com ressalvas para as guitarras limpas do Lulu e dos Paralamas.




Começando o lado B, Sexo, sensacional, crítica e ácida, divertida e inteligente, dinâmica com partes só com baixo e bateria, barulinhos de guitarra, backing vocais u u uuuu, letra genial, até solo de flauta do Roger tem! Solo de guitarra matador no final.




Pelado é toda genial! Solo marcante de poucas notas, rock'n'roll animado de poucos (e bons) acordes, vocaizinhos divertidos e harmonizados, mais um solo veloz no meio e aquele final só com baixo (by Liminha) e bateria pronto pro strip tease...


"Que legal nós dois pelados aqui


Que nem me conheceram o dia que eu nasci


Que nem no banho, por baixo da etiqueta


É sempre tudo igual, o curioso e a xerêta


Que gostoso, sem disfarce, sem frescura, sem fantasia


Que nem seu pai, sua mãe,seu avô,sua tia


Proibido pela censura, o decôro e a moral


Liberado e praticado pelo gosto geral


Pelado todo mundo gosta, todo mundo quer


A é? É


Pelado todo mundo fica, todo mundo é


Pelado, pelado, nú com a mão no bolso


Indecente é você ter que ficar despido de cultura


Dai não tem jeito quando a coisa fica dura


Sem roupa, sem saúde, sem casa, tudo é tão imoral


A barriga pelada é que é a vergonha nacional"




Ponto de ônibus é legalzinha, diminuída pela anteriores, bons vocais, com guitarras bem sacadas e arranjadas diferentemente.


"Ônibus? Nããããããããããooooo...


Quando eu tiver dinheiro eu prometo que eu só vou andar de táááááxi


O que que eu tô fazendo aqui?"






Maximillian Sheldon, é meio mistura de surf music, trilhas de filmes (com referência a Agente 86, acho que é o nome do cara) e guitarras reggae, inclusive com solo de bateria do João Barone, muito legal, backing vocais fantasmagóricos, letra mediana e meio nonsense, o Roger tem crédito sobrando...




A última, Will Robinson e seus robots é quase uma instrumental, só com umas falas referentes ao seriado Perdidos no espaço 'perigo perigo' e 'cuidaaado'. Diferente. Edgar Scandurra faz guitarra base e solo!




(Dão)

quarta-feira, 7 de março de 2012

áudio-retrato, Leoni


Link que me trouxe boas informações e boas sacadas: http://www.screamyell.com.br/musicadois/leoni_retrato.htm

Eu tenho uma teoria, em parte desacreditada pela minha alegada 'tolerância elástica musical' (Bernardes, Mateus; início do novo milênio): por cantar sobre assuntos românticos e relações - no fundo o mesmo motivo pelo qual foram tidos como 'mais bobos', além de serem pop - o Kid Abelha e o Leoni perdurarão. Assim será, por mais tempo que seus colegas de geração.

Mas este disco não é sobre passado somente, mostra tb que o cara não perdeu a expressividade e criatividade, mostrando belíssimas novas canções, além de uma releitura minimalista (ui) ou 'econômica' de sua relevante obra.

Aliás, 'áudio-retrato' é um excelente título, né?

Começa um classicão dos 80, 'Exagerado', do Leoni, Cazuza e Ezequiel Neves! Outro dia ouvindo o cd no carro lembrei que cantávamos essa música pro meu colega botafoguense no ônibus escolar, o Zé Geraldo!! Lembrei até de como sacaneei ele naquela goleada de 6 a zero do Mengão...coitado. Tergiverso, tergiverso. Ou, como diagnosticado precisamente e à distância pelo meu amiguinho imaginário residente em terras britânicas, o Luiz Marcelo Videro Vieira Souto, ou melhor, Vieira Santos, o Baiano, efeito da minha, da nossa, dda, ou ainda, ddah...

'Educação sentimental', sucesso dos anos 80 pela voz da Paula Toller no Kid Abelha, mas na verdade composição de Leoni, vem numa versão que privilegia a voz, com acompanhamento discreto de violão e órgão. Inclusive a voz dá umas derrapadas na afinação, o que mostra que o autotune não esteve por aqui...Bom, vc conhece a música, provavelmente. Uma situação tipicamente adolescente, afinal como saber se comportar nesse início de vida social e sexual? Como seduzir e parecer experiente? Enfim, como fingir? A gente vacila muito mas, aprendendo com o 'artigo no jornal', 'ninguém vai resistir se eu usar os meus poderes para o mal'.

'Fixação' (Leoni/Paula Toller/Beni) é umas das mais gratas surpresas do cd. Reduzida a voz, violão e um belíssimo violoncelo, mostra que, ao contrário do que parecia, é uma música muito triste, depressiva e obcecada. Enfim, mais uma adolescente. Talvez por isso, um pouco atemporal, afinal sempre haverá adolescentes passando por isso e nós (alguns, talvez) podemos sempre lembrar e nos identificar com a situação. Menos aqueles pais burros que esqueceram que já foram adolescentes, né?

Um pouco de alegria e testosterona, misturada com um benvindo realismo sobre como homens/garotos são de verdade: 'Garotos II - o outro lado'. Pelo nome podia ser até uma canção gay, né? Mas não é. Uma batida meio bossa nova em violão com cordas de aço, voz frágil de Leoni acompanhada pelo Dinho Ouro-Preto numa letra deliciosa.
'Garotos perto de uma mulher são só garotos'...

Iniciando a fase solo do nosso retratado, 'Nosferatu' traz um retrato entediado de Sampa. Arranjo mais suingado, mesmo acústico. Cheio de guitarras, inteligentemente espalhadas.

Ainda da fase solo, na verdade do grupo Heróis da Resistência, vem uma bela canção, 'Esse outro mundo', acompanhado no órgão do Barão Vermelho Humberto Barros. Bom compositor esse tal de Leoni.

'Só pro meu prazer' dispensa apresentações, uma das minhas preferidas, aqui reduzida ao mínimo, voz frágil e oscilante do Leoni e um belo pianão por Eduardo Souto Neto. A letra é um primor, expondo como nós criamos e nos transformamos expostos a paixões, mas no fundo o que queremos é o nosso bem, é o espelho refletido, é o bem que nos faz:
"Eu te imagino, eu te conserto,
Eu faço a cena que eu quiser
Eu tiro a roupa pra você
Minha maior ficção de amor
E eu te recriei
Só pro meu prazer"

E ainda tem o trechinho do Kid Abelha 'eu quero você, como eu quero' (tudo a ver...).


E por falar em Kid, a próxima música, 'Lágrimas e chuva' (George Israel/Leoni/Bruno Fortunato), é mais uma que surpreende pela diferença em relação ao arranjo original, mais pop e 'de banda'. Aqui, o violão lento é acompanhado pelas vozes de Leoni e Leo Jaime. Bonito. Um pouco de atenção à letra e percebemos que não é nada festiva...
"eu dou plantão dos meus problemas que eu quero esquecer
será que existe alguém ou algum motivo importante
que justifique a vida ou pelo menos esse instante?
eu vou contando as horas
e fico ouvindo passos
quem sabe o fim da história
de mil e uma noites de suspense no meu quarto?"

'Carro e grana(Beni/Leoni)/A fórmula do amor'(Leoni/Léo Jaime) formam um bom pot-pourri de músicas da fase solo e da parceria com o ícone do Brock anos 80. Alfinetadas, persistência, um pouco de rancor e mágoa por parte da fase 'adulta' e uma temática parecida com 'Educação sentimental' por parte da fase 'adolescente':
"ainda encontro a fórmula do amor
eu tenho a pose exata pra me fotografar
aprendi num vídeo pra um dia usar
um certo ar cruel, de quem sabe o que quer
tenho tudo ensaiado pra te conquistar"

Daqui pra frente, com exceção da próxima, as músicas são da produção recente (e relevante) do Leoni.

Começando bem com um sambinha, 'Falando de amor'! Um pouco surpreendente pra quem sempre esteve relacionado com a cena pop rock, mas o compositor acerta a mão, suingue, simplicidade, uma boa harmonia e uma excelente letra. Tem até um cavaquinho by Rodrigo Maranhão.
"Eu podia ser sua tara
a ferida que nunca sara
te humilhar, te dar na cara
mas eu tô falando de amor
eu tô falando de amor
e não da sua doença
eu tô falando de amor
e não do que você pensa"

'Doublé de corpo', gravada antes pela banda de Leoni Heróis da Resistência, é mais uma que tem guitarras, apesar do arranjo ser bem diferente do anterior. Bom resgate.

E aqui chega o ponto alto, uma música inédita, composta junto com o Herbert Vianna, que parece ser sobre a situação deste último pós acidente de ultraleve: 'Canção pra quando você voltar', linda e tocante.
Com co-autoria do Herbert Vianna e aparentemente feita sob forte influência do acidente de ultraleve dele, é uma das mais belas, com arranjo cheio de deliciosas sutilezas, delicadamente preenchida por cello e clarinete. De chorar! Sem vergonha.
"Quando o sol de cada dia entrar
Chamando por você
Querendo te acordar
Vai ter sempre alguém pra receber
Dizer pra esperar
Você já vai chegar
Alguém pra olhar a casa
E alguém que regue o seu jardim
Até você voltar
E como é normal acontecer
Se num entardecer
A dor te visitar
Vai ter sempre alguém pra socorrer
Fazer o seu jantar
Dormir no seu sofá
Enquanto a noite passa por mim
Eu rego o seu jardim
Você já vai voltar

Om mani padme hung Om mani padme hung Om mani padme hung"

(essa última linha é um mantra que estimula a compaixão e a cura, protege dos sofrimentos terrenos, purifica o karma ruim, os maus hábitos e as impurezas dos seres, recitada aqui pelo Lama Sonam)

Prosseguindo nas canções mais atuais, 'Temporada das flores' é mais um canção bonita com arranjo de banda, mais redondinho, mas ainda suave.

'Melhor pra mim' é a última do cd, também com arranjo de banda, sendo que esta foi extraída do cd 'Você sabe o que eu quero dizer'. Fecha bonito um álbum muito bonito.

(D)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Geração 80s - singles volumes 1 e 2






Apesar de estar sentindo falta das caveiras e do heavy metal por aqui, postarei essas coletâneas da Warner em 2 volumes, mais uma vez pra resgatar bandas quase desconhecidas (ou quase conhecidas) que sem isso nunca apareceriam por aqui. Tem de tudo, das pérolas ao lixo, do luxo à irrelevância.




Outro dia ouvi sem parar no carro e fiquei pensando que cabia aqui, mesmo com as condenações a coletâneas e blablablah, pra citar bandas de poucos (ou únicos) sucessos.




Então mais atenção a estas, as mais conhecidas eu vou só citar.




Volume 1



Começando pelo pop Lulu, com 'Tesouros da Juventude' e 'Areias escaldantes', sempre relevante apesar dos protestos de amigos por aqui.

Depois vem a banda Brylho, do Claudio Zoli e do mestre baixista Arthur Maia, com duas canções, a sempre tocada e eternamente reinterpretada 'Noite do prazer' e a desconhecida 'Cheque sem fundo'. A primeira é realmente muito legal, com timbres e improvisos legais, se beneficiando do fato de não usar overdrives/distorções numa época em que isto era muito mal gravado. Como cantavam uns amigos bêbados, "tocando de bikini sem parar"... A segunda é obscura mas tem um naipe de metais muito legal.

O sempre pop Kid Abelha comparece com as manjadas 'Pintura íntima' ("fazer amor de madrugada") e 'Por que não eu'. Paula Toller ainda não cantava tão bem quanto hoje, alguns maldosos até diriam que ela também não era tão gostosa quanto hoje...

'Sou boy' é uma das clássicas do Magazine, que também traz a música 'Kid Vinil', fraquinha e com derrapadas na afinição por conta do Kid Vinil, "o herói do Brasil'...

Aí vem o desconhecido (merecidamente, digo) Agentess, com 2 músicas nulas: 'Professor digital' e 'Cidade industrial'. Em frente...

Mais uma quase nulidade, o grupo/banda Azul 29, com 'Video game' e 'O teu nome em neon'. Já estou quase arrependido de postar essas merdas...essa última até que tem uma guitarrinha legal ali pelo meio, mas é só.

O genial Ultraje a Rigor comparece com 2 músicas ('Inútil' e 'Mim quer tocar') nas versões que saíram em singles, bem inferiores às do disco 'Nós vamos invadir sua praia' (que inclusive virou nome da biografia da banda, vc já leu?). Nada como uma boa produção e bons timbres pra melhorar uma banda.

O Ira! traz 2 boas músicas ('Pobre paulista' e 'Gritos na multidão'), acho que nas versões de singles também, o Nasi desafina direto, porra...vale pelo Scandurra!

E tem até Titãs: 'Sonífera ilha', ainda muito legal mesmo com aquele sonzinho de radinho de pilha AM, e 'Toda cor', menos conhecida mas também legal.

Volume 2

Eu acho Gang 90 & as Absurdetes supervalorizado, boas ideias mas sem conseguir uma concretização à altura. De qualquer modo, aqui eles trazem a boa composição e seu grande sucesso (e com som até que bom) 'Perdidos na selva'.

O Magazine retorna com mais 2 sucessos legais: 'Tic tic nervoso' e 'Comeu' (vcs sabem, da trilha da novela 'O gato comeu').

E dá-lhe mais Ultraje, agora com mais 2 nas versões do disco, bem melhor acabadas: 'Eu me amo' e 'Rebelde sem causa' (geniais, diga-se aqui!).

Surpresa: a banda Gueto, que acho que foi produzida pelo Nasi (que acho que até canta aqui, um rap com sotaque paulistano!), meio funk meio rap, diferente e original. 'Borboleta psicodélica' é bem legal, quase Red Hot Chilli Peppers dos primeiros discos, pra citar uma referência mais próxima. 'Você sabe bem' é um pouco mais pop, sem deixar de ser funky.

Leoni, ex-Kid Abelha, é um cara pouco badalado hoje, mas é um excelente compositor; além de suas contribuições pro Kid, fez boas canções pra banda meio solo dele, os Heróis da Resistência, e o faz até hoje, fora do circuito mais visível. Aqui vem com uma boa música em versão remix: 'Nosferatu' (MUITO legal, com um solinho esperto de trompete, riffs de metais bem sacados e uma guitarra com sonzaço).
"Morro de tédio e tristeza
quando você vai pro trabalho
e fico em casa deitado
solidão de Nosferatu"

'Kátia Flávia' é sensacional, um rap pioneiro nos ares praianos cariocas, criativo e com aquele dom do Fausto Fawcett de descrever uma história interessante numa canção, bem dentro do contexto da cidade babilônia, além da guitarrinha suingadíssima (arrisco apostar no Fernandinho Vidal). Tem mais um música dele, 'Santa Clara Poltergeist', mas não se compara a esta.

Aqui aparece uma banda bem parecida com o Gueto, a Clínica, que eu nem lembrava...a primeira música, 'Trauma' chegou a tocar nas rádios, se não me engano, legalzinha. Já 'Observatório' é dispensável, mas com um solo de sax improvável.

Eu não lembrava da banda Luni, legalzinha mas completamente esquecível, na mesma onda Gueto/Clínica, devia ser o hype da época (e como avisa o Public Enemy, "don't believe the hype"). Chatinha e datada, apesar das boas intenções nas duas canções, 'The best' e 'Rap do rei' (acho que agora lembrei, esta era da novela 'Que rei sou eu').

Ahá!!! Os Mulheres Negras! Boas composições, boas ideias, bons arranjos, parafraseando o amigo boleiro Chico: 'música é simples'...mentira, fazer o simples, bem feito e redondinho, com criatividade e apelo popular (por que quem quer tocar pra si mesmo?) é difícil pra caralho. Duas músicas aqui : 'Música serve pra isso' e 'Só telelê' (o que será isso???). Guitarrinha maneira, meu!

Pra terminar, uma banda da qual eu nunca ouvi falar, Rabo de Saia com a música 'Um amor destrambelhado'. Meio bizarro e curioso.

Vale pela lembrança, os anos 80 tiveram muita coisa boa mas muita coisa ruim também. Como em qualquer época, aliás.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Big bang, Paralamas do Sucesso



Aproveitando que comprei (e estou devorando) o 'Vamo batê lata', biografia do Paralamas pelo Jamari França - do excelente blog Jam Sessions do ogloboonline, da qual tirei muitas informações aqui expostas, vamos a mais um dos caras.

Durante a gravação, a banda inventou e divulgou que o disco se chamaria 'Rumo ao planeta ovo' e a imprensa caiu e divulgou.

Agora um septeto, com tecladista e naipe de metais, é um disco que aproveita essas possibilidades sonoras.



Inicia com o sacolejante xaxado 'Perplexo', levada pelo baterista João Barone quebrando tudo, além dos sopros mostrando a cara com vigor, incluindo um solo de trompete a cargo de Demétrio Bezerra no finzinho. Fala da perplexidade da população diante dos planos furados do governo (Cruzado 1 e 2), apesar da nova Constituição ("fim da censura, do dinheiro/ muda nome, corta zero/ entra na fila de outra fila pra pagar"). E a incredulidade e a disposição de luta, claro: "Não penso mais no futuro/ é tudo imprevisível/ posso morrer de vergonha/ mas eu ainda estou vivo/ eu vou lutar/ eu sou Maguila, não sou Tyson". No fim, Maguila foi à lona e elegemos Collor...



'Dos restos', co-autoria com Liminha, já traz uma guitarrona poderosa num riff maneiríssimo e ainda a resistência e a perplexidade: "Pra essa nova moral oportunista/ eu me viro e digo não", "Será que eu existo?/ será que não?/ surgem novas criaturas/ novos pontos de interrogação". Tem um solinho rápido no meio, harmonizado e criativo.

Coladinha (muito legal quando as músicas ficam mixadas assim!) já entra 'Pólvora', reggae rápido quase ska bombando com todo mundo sincronizadíssimo, além de uma das melhores letras de Mr Vianna, que aqui cita o título do disco ("as teorias que explicam o universo"). Dá aquela subida de tom no meio e acaba sensacional!



Diminuindo o ritmo vem a new bossa (obrigado, Jamari!) 'Nebulosa do amor', linda e intimista, depois coerentemente regravada no 'Acústico'. Cuíca de Armando Marçal dialogando com o naipe de metais.



'Vulcão dub' é uma instrumental arrasa quarteirão, com metais solando e alternando as luzes entre si. HUUUU!



'Se você me quer' começa diferente e quase acústica, pandeiro e violões, quase um samba, com pitadas de música sertaneja, vai crescendo a massa sonora no meio.

"Se você me quer eu te quero

se não eu não me desespero

afinal eu respiro por meus próprios meios

afinal eu vivo enquanto espero"



'Rabicho do cachorro rabugento' é no estilo 'Melô do marinheiro', reggae repente com bateria usando timbres eletrônicos, engraçadinho, cantado por Bi Ribeiro (canal esquerdo) e João Barone (canal direito). A música volta ao fim, com o nome 'Cachorro na feira'.



'Esqueça o que te disseram' é mais uma influenciada pela ju ju music africana, que já tinha gerado 'Alagados', com a qual inclusive é parecida. Vocais quase de lambada...

"É preciso sangue frio pra ver

que o sangue é quente

e que vai ser diferente"



'Lanterna dos afogados' é uma das mais belas canções do Herbert, belos arpejos, imagens ambíguas, podendo ser um local físico ou emocional. Foi uma das primeiras que eu notei (deve haver outras) que era afinada meio tom abaixo, o que facilita o trabalho sincronizado com os metais, em geral nos tons transpostos de Eb ou Bb. Alterna um belo solo de flugelhorn com um matador de guitarra por Mestre Vianna. Talvez uma das últimas geradas das infelicidades amorosas com Paula Toller (momento Caras...).



'Bang bang', reggae típico com bons riffs de metais, tenso, quando um bala perdida que matasse um jovem ainda era notícia. Hoje deixou de ser, pela freqüência e banalidade.

'Mas naquele dia até Deus se escondeu

não quis ouvir pedidos de socorro

a voz da razão sumiu

quando a polícia civil subiu o morro"



'Lá em algum lugar' é mais uma romântica, lentinha meio motel, bela e discreta guitarra, com o saxofone safado de George Israel (Kid Abelha).

"Eu sei que em algum lugar ficou uma luz acesa

no escuro desse amor que se apagou

a luz que um dia brilhou só existe num canto do coração"



'Jubiabá', versão do folclórico baiano Jerônimo para 'Give me the things', completa o excelente repertório do discaço. Animada e acelerada, quase um axé music.



Do release poético de lançamento, pelo então titã Arnaldo Antunes, trechos:

"O pé que dança decodifica melhor o recado.

As misturas rítmicas (África Londres Caribe Bahia Mangueira Kingston) se dão com uma naturalidade orgânica. Os contrastes já não são a meta, mas a matéria prima.

Entre a bossa a roça.

Entre a fossa e a troça.

Banalidade para pensar: 'Pode ser exatamente o que eu digo/e também pode não".

Profundidade para dançar: 'O que é tudo isso diante da pólvora?/(Dessa paixão que se renova)'.

Novos pontos de interrogação."



Na seqüência vêm mais discos dos Paralamas, além de pitacos complementares e secundários nos já postados da banda.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Uma nova volta ao passado: O rock errou, Lobão



“Dizem que o Rock andou errando
Não valia nada, alienado
E eu aqui na maior das inocências
O que fazer da minha santa inteligência?
Será que esse é o meu pecado, porque
Errou, errou, errou, errou
Eu sei que o rock errou”





Começa assim um dos álbuns mais relevantes da música brasileira dos anos 80. Lançado em 1986 em meio às mudanças político-econômicas pelas quais o Brasil passava, trata-se de um contundente retrato de sua época.



O Brasil vivia a (curta) lua-de-mel do Plano Cruzado – a euforia rapidamente deu lugar ao desespero da população. O então presidente José Sarney, que assumiu o posto “por acaso”, após o inesperado falecimento de Tancredo Neves, gozava de seus momentos de altos índices de popularidade (que jamais se repetiriam). O regime militar já era página virada de nossa História, mas um certo “Estado policialesco” ainda mostrava suas garras. E Lobão foi uma das vítimas desse estado de coisas.



João Luiz Woerdenbag Filho, o Lobão, foi preso por porte de drogas no exato momento da conclusão de “O Rock errou”. Encarcerado e com pouco acesso à defesa, o artista viu-se na situação de bode (lobo?) expiatório de uma sociedade retrógrada. Parte da grande imprensa atacou os “atos” de Lobão e defendeu sua prisão. A liberdade só veio após intensa batalha na justiça (cabe lembrar que dois Titãs, Arnaldo Antunes e Tony Belloto, passaram por situação semelhante na mesma época).



Ao final do processo, “O Rock errou” sintetiza o momento pessoal de Lobão. Também, conforme dito acima, é um pequeno instantâneo do Brasil de 1986.



A faixa título, um petardo, abre o disco. Trata-se de uma ácida crítica ao país e aos seus políticos (Jânio Quadros, então prefeito de São Paulo, é apresentado como o “bruxo da vassoura”). Fala das dificuldades da transição do militar para o civil (“vivemos num país bem revistado/uma nova volta ao passado”). O vocal rascante e as camadas de guitarras tornaram a canção um pequeno hino, e hoje pode ser considerada um clássico.



Entre os demais “clássicos” do disco, podemos citar “Noite e dia” (com letra safada e sacana, “menina quer brincar de amar”) e a porrada “Moonlight paranóia”. Outras duas canções merecem atenção especial.



A primeira delas é “Canos silenciosos”. A exemplo de “O Rock errou”, trata-se de um petardo. A letra, um primor. O início é acachapante:



“Onda na madrugada, silêncio na batida
Tá todo mundo se aplicando pra festa,
Pra chegar na festa bem aplicadinho
Movimento na esquina, todo mundo entra, todo mundo sai;
sexo, drops, rock'n roll, adrenalina;
diversões eletrônicas num poderoso hi-fi”.



A letra segue falando em “homens, fardas, cassetetes, camburões/abusando da lei com suas poderosas credenciais”. Lobão tinha autoridade para tratar do assunto – ele sentirá o peso da justiça e da lei sobre ele. Os contundentes “canos silenciosos” tinham endereço certo.





A música mais emblemática, porém, é “Revanche”. A letra é, digamos, autoexplicativa:



“Eu sei que já faz muito tempo que a gente volta aos princípios
Tentando acertar o passo usando mil artifícios
Mas sempre alguém tenta um salto, e a gente é que paga por isso, oh!
Fugimos prás grandes cidades, bichos do mato em busca do mito
De uma nova sociedade, escravos de um novo rito
Mas se tudo deu errado, quem é que vai pagar por isso?
Quem é que vai pagar por isso? Quem é que vai pagar por isso?
Quem é que vai pagar por isso?



Eu não quero mais nenhuma chance, eu não quero mais revanche
Eu não quero mais nenhuma chance, eu não quero mais ...



A favela é a nova senzala, correntes da velha tribo
E a sala é a nova cela, prisioneiros nas grades do vídeo
E se o sol ainda nasce quadrado, e a gente ainda paga por isso
E a gente ainda paga por isso, e a gente ainda paga por isso
E a gente ainda paga por isso



Eu não quero mais nenhuma chance, eu não quero mais revanche
Eu não quero mais nenhuma chance, eu não quero mais ...



O café, um cigarro, um trago, tudo isso não é vício
São companheiros da solidão, mas isso só foi no início
Hoje em dia somos todos escravos, e quem é que vai pagar por isso
Quem é que vai pagar por isso? Quem é que vai pagar por isso?”
Quem é que vai pagar por isso?



“Revanche” sintetiza o difícil momento de Lobão atrás das grades. O bode-lobo expiatório acaba por pagar pelos erros de todos – mas não quer revanche por isso. A canção é amarga e tem melodia e harmonia soturnas. Uma pancada forte no estômago – a verdade é ou não é incômoda?



O disco com tem ao menos um momento de grande ironia, quando Lobão mostra que o rock “errou” mesmo. Trata-se da canção “A voz da razão”, que conta com a participação especial (especialíssima) de Elza Soares. Menos rock e mais samba, impossível. O velho e bom rock´n´roll, tal qual o conhecemos, não tem mais o que dizer, segundo Lobão. Estará ele certo?



O tempo passou, Lobão virou VJ da MTV (quem paga as contas dele, afinal?) e nunca mais produziu uma obra de tal envergadura. Nem precisava. “O rock errou” é definitivo.



André Xampu

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Fullgás, Marina



Seguimos com mulheres cantoras, músicas, compositoras. Apesar dessa aqui não ser das preferidas do Mateus. Mas mesmo assim ele tem disco dela; gosta muito de música também o camarada e maior contribuidor do nosso blog!


Marina apareceu pro mundo da música através da Gal Costa, que gravou uma música sua, 'Meu doce amor', em 1977, que nem sei se foi regravada por ela mesma.

Tem como grande parceiro o irmão, poeta e filósofo (elogiado pelo Caê no livro 'Verdade tropical', mas isso também não garante nada), Antônio Cícero, neste disco com 4 músicas, uma versão e um poema declamado junto com a irmã.


Esse disco é o primeiro do qual eu me lembro, também algumas músicas tocaram bastante na rádio, que era pra mim um grande fonte de acesso, sem as facilidades (e suas conseqüências nem sempre positivas, como o pouco valor a um arquivo e a perda de sentido de um álbum como obra fechada) da nossa internet, paraíso do download 'de grátis'(sic).


Belo disco. Marina nos anos 90 começou a se chamar Marina Lima, mas esse aqui ainda é da Marina.


Começa com a faixa-título, pop delicioso, com a voz aveludada e aquele arranjo de época, muitos e muitos teclados, bateria eletrônica (mesmo tendo à disposição o excelente baterista - e compositor - Lobão, que toca em várias outras faixas do disco), baixo e produção do visionário Arnolpho Lima Filho, o Liminha, que inclusive comparece com um solaço de baixo virtuosístico e empolgante no fim da música, mas que infelizmente quase sempre era o momento 'vai abaixando o som' nas rádios e nos programas de auditório.

Meu único senão é a frase 'você me abre seus braços/ e a gente faz um país' que eu sempre preferia cantar, mesmo sem rimar, 'você me abre suas pernas/ e a gente faz um país', com muito mais sentido, antropo e biologicamente falando.


A segunda música é uma versão para 'Ordinary pain' do genial Stevie Wonder, aqui chamada 'Pé na tábua' (?), mais um pop gostoso que desce redondo.


'Pra sempre e mais um dia', além de título legal, é uma música legal também, sendo os destaques discretos as levadas nos pratos e contratempos do baterista Lobão, mesmo acompanhando a bateria eletrônica.


'Ensaios de amor', co-autoria com Ana Terra, traz mais uma dançante com uns efeitos percussivos de voz muito interessantes. Muitos teclados, alguns bem interessantes, cortesia do mestre Nico Rezende.


Aí vem uma versão pra uma música do Rei e do Tremendão, inusitada porque cantada por uma mulher, afinal a música fala sobre um homem pra chamar de seu, 'Mesmo que seja eu'. Mas gêneros são fluidos, a cada dia mais. Aqui finalmente não tem bateria eletrônica e traz a sempre ilustre presença do senhor Paulinho Guitarra que toca...ah, fala sério! Boa versão. Acho que quem cantava essa era o Erasmo, confere, fãs?


'Me chama' é uma música linda, já clássica, que 'sofreu' muitas versões, até mesmo do Mestre João Gilberto (que inclusive alterou a letra, pra desgosto do autor; se fosse comigo eu até parava de compor...), mas acho que essa aqui foi a primeira gravação, toda bonita, com um arranjo crescendo, guitarra bonita e uma levada de bateria muito esperta do compositor Lobão.

"Nem sempre se vê lágrimas no escuro,

nem sempre se vê mágica no absurdo,

nem sempre se vê,

cadê você?"


'Mesmo se o vento levou' é uma pérola desconhecida, com mais um arranjo caprichado e bela letra.


'Cícero e Marina' é um poema declamado pelos irmãos, cada um sobre si mesmo, recíprocos cobras nos paraísos alheios.


'Veneno' é uma versão de um música italiana que desconheço completamente. Nelson Motta comete essa aqui, depois ele repetiria a dose no álbum de estréia da Marisa Monte, com a hiper-saturada 'Bem que se quis'.


'Mais uma vez' é uma música da certeira parceria Nelson Motta/Lulu Santos, que aqui comparece com guitarra (com um ebow bem diferente, segura uma nota, um solo limpo e uma slide guitar discreta), bateria digital (com um efeito estéreo criativo, melhor ouvido em fones) e teclado korg lambada (?!).


'Nosso estilo' fecha bem o disco, uma parceria dos irmãos com Lobão, com um baixão slap por Pedro Baldanza, guitarra pelo Toquato Mariano (produtor de sucesso hoje em dia) e aqueles 'ô ô ô' de fundo pelo Lobão (também melhor ouvidos com fone). Aqui os teclados tem um efeito mais criativo, alterando o pitch e criando um efeito tenso de trilha sonora.


"E esses caretas ficam mais e mais banais"

quinta-feira, 14 de abril de 2011

20 anos de rock brasil cd 3



Continuo o cd quádruplo com o número 3, que tem o subtítulo de 'Mudança de comportamento', nome também de uma música aqui presente e, se não me engano, um disco do Ira!.

O cd começa muito bem, com 'Exagerado', co-autoria de Cazuza com Ezequiel Neves e Leoni, uma música muito boa e a cara do cantor. Do primeiro disco solo de Cazuza, que ainda (ou já) trazia músicas com o sempre parceiro Frejat, uma das quais inclusive fecha o presente cd.

E volta o Lulu, com um quase ska abrasileirado e uma guitarra MUITO legal. 'Sincero' é uma das muitas pérolas do nosso maior hitmaker, e você ainda leva um solinho safado e hard com wahwah, com um saxofone querendo aparecer, do Leo Gandelman.

'Os outros' é mais uma pérola do subestimado Leoni, aqui quando ainda era do Kid Abelha, que inclusive na época ainda era K.A. e os Abóboras Selvagens. Do álbum 'Educação sentimental', já comentado por aqui. Informação nova: o release do disco era assinado por Caetano Veloso, o que confirma minha teoria: quem sempre chuta uma hora acerta no gol.

'Mudança de comportamento' é uma das duas músicas do Ira! nesse cd. Como já falei aqui, adoro o Scandurra mas a voz do Nasi não me agrada (o Zeba me achou injusto com o Nasi, mas nem é essa a questão, eu respeito seu trabalho e principalmente sua atitude, mas a verdade é que não gosto da voz). E a música nem é das melhores deles.

'Bete Balanço' é crássica, como diriam uns amigos aqui do blog. Balançada, tema de filme nacional teen soft porn, solinhos bonitos, voz carioquíssima (esses bem puxados, erres bem arrastados), guitarra pesada dialogando com a voz. Enfim, desafia o argumento do Baiano de que as bandas cariocas são 'mais fraquinhas'. De onde ele tirou isso??? Aguardo a tréplica, com exemplos.

Camisa de Vênus era chamada de banda punk na época, mas quando ouvimos 'Eu não matei Joana D'Arc' fica muito difícil entender isso. A música é muito legal e divertida, com uma bateria claramente new wave e um som rockabilly (os quais na verdade são filhotes do punk).

'Pelado', apesar de ter sido música de abertura de novela, nunca ficou chata. Deve ser porque a música é muito inteligente e de um humor sensacional, mas mesmo assim é surpreendente. E o solinho de poucas notas do Roger é genial. 'Indecente é vc ter que ficar despido de cultura' e 'Sem roupa, sem saúde, sem casa, tudo é tão imoral, a barriga pelada é que é a vergonha nacional' ainda são versos eternos.

Engenheiros da Hawaii, banda controversa, alguns adoram, muitos odeiam. Mas 'Infinita highway' é clássica, todo mundo canta ou já cantou junto, com sua letra que alterna entre o criativo e lírico e o ridículo e absurdo. Um sonzaço de baixo, claramente inspirado no ídolo Geddy Lee.

'Flores em você' é uma música atípica do Ira! e do rock brasil. Uma orquestra e um violão fazem o instrumental para a voz do Nasi. E mais uma que foi abertura de novela (por que os rocks de hoje não são mais utilizados? rock virou música de tiozinho? mas tiozinhos não vêem novela??). Diz a lenda que Liminha, produtor do segundo disco 'Vivendo e não aprendendo', em franca hostilidade com a banda durante a gravação, disse ao fim da gravação da base: 'Vcs estão vendo como é uma música afinada?'. hahahaha

Inocentes vêm dar um toque punk no cd: 'Pânico em SP', cujo EP já foi comentado por aqui. A música foi lançada 20 anos antes do fato realmente ocorrer, mas a música já era legal mesmo se fosse só ficção e não profecia.

Até aqui as bandas são conhecidas e quase todas ainda sobreviventes. As próximas duas ficaram conhecidas somente pelas músicas aqui presentes: 'Carta aos missionários' dos Uns e Outros e 'Camila, Camila' do Nenhum de Nós. As duas músicas são realmente muito interessantes e radiofônicas, pena que não conheço mais nada de nenhuma delas. O Nenhum de Nós acho que ainda sobrevive no Rio Grande do Sul com acústicos e quetais. A música deles ainda foi regavada pelo Biquini Cavadão e por um dueto entre Cazuza e Sandra de Sá (!!!).
É engraçado pra mim as duas bandas virem em seqüência. Uma vez eu estava num teatro no Rio vendo um show daqueles comemorativos de rádios, e na minha frente estava o pessoal do Casseta & Planeta, exalando maresia, ainda cult, fazendo piadas a rodo. Daqui a pouco, depois de uma dessas tocar, o Bussunda mandou 'enquanto nenhum de nós ganha porra nenhuma, uns e outros ficam ricos'...kkkkkkkkk.

Esse cd realmente é um dos melhores, não tem música ruim.

RPM foi uma banda pop de uma maneira que hoje ninguém imagina que seja possível, principalmente pelo fato que, talvez devido ao fato de vir do underground paulistano e também o sr Paulo Ricardo ter sido jornalista, a crítica era bem positiva e compreensiva com a atitude magalomaníca. Mesmo que hoje a letra e o som soem datados, 'Revoluções por minuto' é uma música pop-rock muito legal. Acho que ninguém vai postar o primeiro disco deles por aqui...mas merecia.

'Ideologia' (de Cazuza/Frejat) fecha o cd, na versão ao vivo, poderosa e raivosa, antecipando em um ano a queda do muro. Versos sensacionais.

Só falta o cd 4.

quinta-feira, 17 de março de 2011

20 anos de rock brasil cd 2


Continuamos a apreciação de mais um cd dessa coleção de 4.
O cd2 inicia bem, com a zen-surfista 'Como uma onda' do hitmaker supremo Lulu Santos, em parceria com o onipresente Nelson Motta. Belíssima e cheia de boas sacadas e timbres caprichados.
'Pro dia nascer feliz' foi mais uma música de sucesso do Barão Vermelho, a princípio gravada pelo catador de pérolas Ney Matogrosso. Rock'n'roll visceral e carioca, ponto alto de shows até hoje.
'Uniforme' é uma música fraca do Kid Abelha, que poderia estar melhor representado nesse cd, mas não fui eu que fiz a seleção...
O Ultraje a Rigor aparece com um clássico da new wave brasileira, só que com bateria de verdade. Mais uma letra genial do Roger, música pra dançar nas danceterias (como se dizia nos idos dos anos 80), solinho preguiçoso e interessante. 'Rebelde sem causa': "como é que eu vou crescer sem ter com quem me rebelar?".
'Música urbana', se não me engano - e eu me engano bastante, é uma música do Aborto Elétrico, banda primitiva do trovador Renato Russo, mas aqui vem embalada pela superprodução com metais synth quase cafonas, pianos suingados e aqueles conhecidos 'ô ô ôs' do Dinho. Gosto muito! 'E essa aqui eu dedico ao amigo distante Xampu, ilustre e feliz morador da nossa capital, onde as ruas têm o cheiro de gasolina'. E onde não têm?
Aí chega o Ira!, com uma clássica deles, 'Núcleo base'. Adoro o Scandurra, mas sinceramente nunca gostei da voz do Nasi, então sou suspeito em dizer que pulo essa música.
'Tédio' é uma música interessante e, como muitas da época (como 'Lágrimas e chuva' ou 'Fixação', por exemplo), é uma letra depressiva/obsessiva que devido ao som de festa(?) passa batida. O grande sucesso(??) do Biquini Cavadão!
'Até quando esperar' é das minhas preferidas. Desde o início inusitado com violoncelo passando pelas belas guitarras e aquele riff surpreendente de baixo. Mas acho a letra panfletária e quase chata. E continuo esperando a resenha de 'O concreto já rachou', promessa do Xampu...
'Beat acelerado II' nos lembra da figura deliciosa à frente da brazilian one hit band Metrô, da qual eu infelizmente não lembro o nome.
O grupo feminino e feminista libertário Sempre Livre (ótimo nome; o absorvente é anterior ao grupo? será que elas receberam royalties pela ideia??) aparece com a divertidíssima 'Eu sou free', seu grande sucesso(?), regravada por mais alguém de quem eu não lembro o nome. Se não me engano a Dulce Quental saiu daqui. O interessante é que a música é de co-autoria da global Patrícia Travassos (acho que é isso).
'Só pro meu prazer' é uma das Muitas excelentes músicas do grande compositor Leoni (a já citada 'Uniforme' é dele e do Léo Jaime - olha ele aqui de novo, Mateus), com seu grupo pós-kid Abelha Heróis da Resistência. Poesia musicada ('é tudo real nas minhas mentiras' etc), piano bonito com violão bonito, bateria real emulando bateria eletrônica, guitarra de fundo com ebow, caprichada.
O Zero foi uma das muitas bandas injustiçadas que ficaram pelo caminho, com um bom disco e algumas boas composições esquecidas. Era uma das poucas com um bom vocalista que realmente sabia cantar (além de tocar saxofone!). Além de um guitarrista com sonzaço. 'Agora eu sei' foi bem executada nas rádios pops e rocks, alavancada pela participação especial do pop star Paulo Ricardo. Bela música.
'Tempos modernos' é mais um dos hits do Lulu Santos. Clássico absoluto, foi regravado pela Marisa Monte no disco 'Barulinho bom'.
E pra finalizar o cd duplo vem a banda multi platinada dos grandes tempos de venda de discos, RPM, com uma música do seu segundo disco ('ao vivo'!!), 'Alvorada voraz', com a letra datada e pseudo rebelde. Teria sido melhor se eles tivessem caído de avião, não é verdade? Mas o apelo pop e o sonzaço são inegáveis.
Depois completo com os cds 3 e 4.
(Dão)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

20 anos de rock brasil cd 1



Como foi aberto o precedente de coletâneas, venho aqui comentar o primeiro dos 4 cds dessa boa coletânea.
É legal principalmente porque nos permite ver bandas médias ou mesmo medíocres que emplacaram um ou poucos hits nesse louco mercado nacional de rock.

Começa com um dos muitos hits daquele que é o nosso maior rock hit maker, Lulu Santos, que, incrivelmente não tem nenhum disco individual ainda postado por aqui. 'De repente, Califórnia' é uma música estranha, mas que com o tempo nos acostumamos. Já vi ele próprio falar sobre isso, pois é meio bolero com slide, e ele comenta que anos depois o Ry Cooder fez o mesmo no 'Buena Vista Social Club'. Também é surf music, mesmo que não corresponda à sonoridade esperada por esse tipo de música e por essa tribo.

Na seqüência vem o delicioso Kid Abelha, com 'Educação sentimental', que eu não sei se é inspirado no livro, filme ou seja lá o que for. Pop bom e sem culpa, ainda com a voz mais ou menos da Paula Toller, que depois melhorou enormemente.

'Todo amor que houver nessa vida' foi uma música do Barão que estourou por conta do Caetano, que a cantou num show e a partir daí se abriram os olhos para a excelente banda carioca. O som é fraco, sem pressão, confuso, só se salvando a voz rasgada do Cazuza. Mas é rock autêntico!

Uma piada, mesmo uma boa piada, só tem graça nas primeira vezes em que é contada, às vezes só na primeira vez. Esse é o caso da engraçada 'Serão extra' da banda Dr Silvana e Cia, do infame refrão 'eu fui dar, mamãe'.

Mais uma banda de um hit só, o Magazine, do histórico Kid Vinil, comparece aqui com a também engraçada mas um pouco irônica 'Sou boy'.

E mais uma banda engraçadinha, o Inimigos do Rei, traz 'Uma barata chamada Kafka', uma música que mistura humor e Kafka, com um som bem legal, inclusive uma guitarra com distorção! Outro sucesso bizarro deles foi 'Adelaide, minha anã paraguaia'. Dessa banda saiu o Paulinho Moska.

Aí chega o Ultraje a Rigor, distante anos-luz com seu humor inteligentíssimo e ainda atual, primeiro com 'Nós vamos invadir sua praia' e no fim do cd com o eterno quase-hino nacional 'Inútil'. Sonzaços!

'Perdidos na selva' é aquele caso que é difícil criticar. Parafraseando uma conhecida citação sobre o cinema nacional, Julio Barroso era um gênio mas o som é uma merda. A banda é Gang 90 & Absurdettes.

Tokyo era a banda do Supla, com um único sucesso 'Garota de Berlim', que conta com a participação especial da Nina Hagen. Legal, superficial, nonsense e com um som ótimo. Destrooooy.

'Menina veneno' foi o grande sucesso dessa geração, ultrapassando a barreira das rádios AM e alcançando uma massa maior do que adolescentes bem criados e roqueiros. Um som pop acessível e redondinho. Pra quem gosta, eu não sou muito fã. Ah, quem canta é o Ritchie, se você tem menos de 35 anos.

Léo Jaime tem um disco que merece ser postado por aqui, mas hoje ele será (bem) citado com a boa canção 'A fórmula do amor', na qual divide os vocais com a já citada Paula Toller.

Blitz! Um nome de impacto, quase tanto sucesso quanto o Ritchie, sendo absoluta na faixa infanto-juvenil, principalmente carioca. Eu lembro da primeira vez que ouvi 'Você não soube me amar' e que fiquei chocado no trecho 'eu preferia que você estivesse NUUUUAAA'. Outros tempos. Humor carioca e praiano, com boa música de fundo pras divertidas performances da trupe.

Antes da derradeira faixa 'Inútil', vem a Camisa de vênus, que teve problemas com a censura por conta de seu nome. A princípio identificada com o punk por jornalistas ignorantes, a banda traz um humor mais cáustico e uma sonoridade mais rockabilly, como na excelente 'Simca Chambord', na qual a história do golpe de 64 é vista pelos olhos de uma criança/adolescente.

(continua por mais 3 cds, sabe-se lá quando eu postarei; alguém pode dar seguimento)

(Dão)