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domingo, 19 de junho de 2011

Guerra civil canibal, Ratos de Porão





Continuamos no peso, agora um punk um pouco mais tradicional, hardcore, com pitadas de metal, dos nossos já conhecidos RxDxPx.


'Obesidade mórbida constitucional' começa com aquele baixo e bateria típicos do punk, meio parecido até com 'California ubber alles' dos Dead Kennedys (inclusive nos EUA o disco foi lançado pelo Alternative Tentacles do Jello Biafra), fala sobre a condição gorda do João, que quase morreu e emagreceu depois. Como não dá pra entender quase nada do que o João Gordo canta (?), segue um pouco da letra:


"Atentado contra a vida,suícidio,punição


Sofrimento na UTI,tortura,medo,falta de ar


Pro inferno não quero ir e no céu eu não quero chegar


Eu vi a morte!Morte!


Mas nunca me arrependi,vida louca sem igual


De primeira quase morri, show de horror no hospital"


'Toma trouxa' é rapidona, fala sobre um balão em drogas que o João pelo jeito tomou de uma gostosinha...


'Guerra civil canibal' é a panfletária típica anti-guerra:


"Por quê?


Inocentes sempra vão


Pagar,sofrimento e o que vai restar?


Nova guerra por religião,carne humana mata a fome ou não?


Guerra civil canibal


Em nome de Deus


Sempre igual,sempre igual,


Realidade podre ficção.


Refugiados agora vão chorar,


Pelo sangue da populaçào


Quem dá mais,quem dá mais?


Morre o fraco,carne boa ou não?


O mais forte vai se alimentar,


No banquete da religião"


'Estaca zero esquerda' é mais do mesmo, com um refrão mais balançado, legal, com solinho de guitarra e tudo. Dá uma enganada no meio, entra uma guitarra mais leve, mas é só pra pegar vc. Bem metal crossover (vai anotando, Zeba!).


'Fire to burn' é um cover da banda/dupla Half Japonese ou 1/2 Japonese, de proto-punk (como diria o Xampu; por falar nele, vc conhece eles, Xampu?) ou de rock alternativo. Dizem até que o Kurt estava usando uma blusa deles quando se matou. Legal, acelerada e até dá pra entender o que o João canta aqui. Incrível, é mais fácil entender ele cantando em inglês...se bem que acho que outra pessoa cantando.


Mais um cover, 'Biotech is Godzilla' (Sepultura/Jello Biafra), sensacional!


'A cola' é uma piada, parece que alguém chega com a cola, usam a cola e ficam escutando um som ao fundo (que eu não consegui identificar) e rindo... :)


'Kill the Varukers' fecha o EP, disco curto, com alguém que não é o João cantando, que depois entra urrando no refrão. Metal!!!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Brasil-sil-sil - Ratos de Porão (1989)


Por aqui, vamos começar com os defeitos de um disco punk: panfletário, barulhento e com letras limitadíssimas.
Mas é um discaço! Pra quem consegue ouvir seu som pesado e rápido. Pra quem não consegue, vale a capa genial...
Foi um disco de virada pro punk-hardcore nacional: som bem gravado na Alemanha e produtor gringo, o que nesse caso se traduziu num som mais nítido, tirando os vocais do João Gordo, que realmente são difíceis de entender, tanto pela velocidade quanto pela gritaria.
O disco já começa com peso, o hardcore-crossover-com-metal 'Amazônia nunca mais', panfletária claro, mas estou me repetindo...
Na seqüência 'Retrocesso', sobre o possível retorno do poder militar. Bom, a ABIN agora é dirigida por um ex-membro do SNI, então nada é tão paranóico que não possa acontecer, né?
Depois, um dos crássicos do disco: 'Aids pop repressão', que tem até um scratch chupado do hip-hop, e o refrão definitivo, 'o que é que eu fiz pra merecer isto?'.
'Lei do silêncio', ainda atual em favelas dominadas por tráficos ou milícias.
Depois de 'Gil goma', alusão ao repórter Gil Gomes, vem o outro crássico do disco: 'Beber até morrer', o que não é um incentivo, e sim uma crítica.
Algumas músicas datadas e/ou irrelevantes, como 'Plano furado II', 'Heroína suicida', 'Crianças sem futuro', 'O fim' etc. Mas num disco com 18 músicas, é inevitável.
Merecem citação ainda 'Farsa nacionalista', 'Traidor' (que começa lentinha, heresia pra um disco dos Ratos Do Porão), 'Vida animal' (divertida e escatológica), 'Porcos sanguinários' (que não é sobre palmeirenses), 'Máquina militar' e 'Terra do carnaval'.
Voltando à capa, a trilha acompanhante é 'SOS país falido'. Mas isso antes de nós pagarmos a dívida externa.
Em cd, o disco vem junto com o mais fraquinho 'Anarkophobia' (que tem a excelente 'Igreja universal'), mais 'Jardim elétrico' do disco Sanguinho novo Arnaldo Baptista revisitado. Vale a compra, pra quem não tem medo de som pesado.
A única vez que os vi ao vivo foi no Circo Voador, abrindo pro Sepultura no lançamento de 'Beneath the remains' (outro post). Fiquei impressionado com o show e a super presença do João Gordo.