sábado, 1 de dezembro de 2012

Jorge Ben - A Tábua de Esmeralda


(Esse é um dos 'clássicos', 'históricos' etc. Mas vou postar porque gosto muito, mesmo achando o som do violão - apontado como o ponto forte e original do Jorge - meia boca e em alguns momentos até incômodo na mixagem. Mas é uma viagem, no melhor dos sentidos, e um deleite musical)

Um grande álbum atenta a todos os detalhes, a começar pela capa. Esta aqui, belíssima, foi baseada 'nas figuras que Nicolas Flamel encontrou no Livro de Abrahão', sendo que toda a apresentação gráfica acompanha os motivos principais das músicas do disco.
A princípio, um álbum baseado em Alquimia não havia agradado à Phonogram, mas agradou ao gerente visionário André Midani. E ficava difícil e arriscado negar alguma coisa ao cara que havia inventado o samba-rock e era o maior destaque negro da música popular desde o lançamento de 'Samba esquema novo'.

E, ao mesmo tempo em que se baseia em conceitos abstratos como alquimia musical, agricultura celeste e quetais, ainda está lá o simples no conceito, como em 'Eu vou torcer', onde se canta a paz, a alegria, as moças bonitas, o verão, o inverno e, claro, o Mengão! Tudo bem a enorme derrapada que ele dá na afinação...
(Dizem que quando a Fernandinha Abreu regravou essa música ela disse que ia cantar vascão e o Jorge avisou que se ela fizesse isso ele não autorizaria. Muito bem, Salve Jorge!!!)

Outra que foi regravada é a 'Cinco minutos', pela Marisa Monte, por sinal muito bem e bem diferente. É a música que finaliza o disco, que descreve um encontro que não se deu porque ela não esperou 5 minutos,''pois você não sabe quanto vale 5 minutos na vida'', uma interpretação bem emocionada ainda que malabarista, emocionante.

Mas voltando ao começo...existe um pré-começo aqui, Jorge dando um clima de ao vivo no estúdio "Salve...não, não, senta, pra sair legal. Tem que dançar dançando"...Ao que entra naturalmente aquele violão conhecido e extremamente rítmico e bem tocado, tecladinho, vocais 'ô ô ô ô' e aí está: 'Os alquimistas estão chegando os alquimistas'! Alquimia musical, é melhor ouvir pra entender, de preferência acompanhado de frutos da agricultura celeste...Teve até clipe no Fantástico!

'O homem da gravata florida' homenageia Paracelso, um grande alquimista, sem esquecer a leveza, a alegria e o humor. Começam uns efeitos espaciais de reverb na voz, um meio solinho de violão no começo depois com uma violão ou guitarra com wah-wah...

Os efeitos continuam emendando em 'Errare humanum est', mais uma com o violão em destaque, cordas mais altas, bonito! Ecos e outras viagens, 'e pensar que eram os deuses astronautas/ e que se pode voar sozinho para as estrelas'. Foda (é, eu sou chato...) é a tropeçada gramatical ''e de pensar que não samos (sic) os primeiros seres terrestres, pois nós herdamos uma herança cósmica''...
O Jorge devia estar conversando muito com o Tim e sua viagem Racional...
E que se pode voar sozinho até as estrelas-las-las-las-las/Ou antes dos tempos conhecidos/Vieram os deuses de outras galáxias-as-as-as-as-as/Em um planeta de possibilidades impossíveis…

Uma ode poética à beleza brasileira "com malícia", vocais femininos lindos e uma piração meio rap no vocal no finalzinho, isso é 'Menina mulher da pele preta'.

'Magnólia' é daquelas meio melancólicas, mais uma em homenagem às mulheres, com cordas espaciais muito originais (será o Duprat?), um violão realmente sensacional e sussurros no fim.
"Já consultei os astros
Ela chega na primavera
Ela já se encontra a caminho"
Aqui terminava o Lado A.

Aqui começava o Lado B:
'Minha teimosia, uma arma pra te conquistar', bonitona, agora vocais masculinos (deve ter algum significado astrológico que me escapa no momento), essa eu até vejo o Fred 04 e o Chico Science ouvindo, essa é muito a cara do mundo livre s. a. (talvez seja por isso que o Fred também derrapa na afinação às vezes...).
"lá lá lá lá
lá lá lá lá lá lá lá lála"

'Zumbi' também tem muitas versões, sendo a minha preferida a do Soulfly, que é a mais pesada e, a meu ver, isso combina muito com o tema. Aqui a música original é bem delicada, quase lírica, com poucos instrumentos de cordas, mais roots.
"Eu quero ver o que vai acontecer quando Zumbi chegar
Zumbi é senhor das guerras, Zumbi é senhor das demandas,
Quando Zumbi chega é Zumbi quem manda"

Tão abusado o cara estava que gravou até em inglês: 'Brother', vocais espaciais poderosos, uma guitarrinha discreta mas muito legal, disco cheio de detalhes...

'O namorado da viúva' é um samba rock, gostoso e malandro, típico do Jorge Ben, maneiro e suingado.

A faixa central (e quase título) a meu ver é 'Hermes Trismegisto e sua Celeste Tábua de Esmeralda', inspirada no lendário faraó sábio e possível alquimista, Hermes 'três vezes grande', cujos escritos foram encontrados pelos soldados de Alexandre da Macedônia na Pirâmide de Gizé, grifados com uma ponta de diamante numa tábua de esmeraldas, sacou? ;)
A música traz de volta os vocais femininos, narra sobre o Hermes e seus ensinamentos ("O que está em cima é como o que está embaixo" e outras viagens semelhantes).

O disco termina com 'Cinco minutos', já comentada acima.

Direção de produção por Paulinho Tapajós.

Fontes de consulta na rede:
Wikipedia
na mira do groove
Millarch
sacudinbenblog

(Dão)

6 comentários:

  1. Esse disco é muito bom!!! Talvez meu favorito dele... Parabéns pela resenha. [M]

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  2. Nunca ouvi esse cd e acabo de descobrir que está esgotado.
    E a resenha me deixou bastante curiosa...
    [A]

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  3. Disputa fortemente o primeiro lugar em minha lista dos maiores da historia da mpb.

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  4. Cinco minutos tem uma versao bem maneira também dos Los Sebozos Postizos..
    esse disco estava faltando mesmo nessa altura do campeonato.
    massa
    Paul

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  5. Discaço Dão! Super boa escolha!
    Beijo
    [A]

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  6. Ricardo da Rocha5 de julho de 2013 21:39

    Disco genial.
    Cara, "tropeçada gramatical", "derrapada na afinação"... parece que você ainda não entendeu bem o Jorge.

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