segunda-feira, 5 de novembro de 2012
D2 - À procura da batida perfeita
Prossegue a saga dos álbuns solo, agora com um caso especialíssimo, como se diria no jargão administrativo corrente, um case de sucesso!
Marcelo D2, ex e atual vocalista da banda Planet Hemp (que voltou e está em excursão pelo Brasil), mesmo antes do seu fim (temporário, como se vê), já havia lançado um álbum mediano (que será postado aqui em algum momento), o Eu Tiro é Onda, mas foi com esse que ele realmente estourou a boca do balão, além do sucesso popular (já previsto e inclusive criticado na música título do álbum - 'domingo no faustão terça-feira na Hebe', que Deus a tenha), ele criou um estilo novo de música brasileira, o samba rap, que, como todos, às vezes acerta e às vezes não...
O nome do álbum é referência direta ao disco do Afrika Bambaataa chamado Looking for the perfect beat.
Esse disco tem umas músicas que eu gosto muito onde ele acerta na veia, mas tem umas que pra mim são bem fraquinhas e totalmente dispensáveis.
Produção do citado na resenha logo abaixo, do disco do Seu Jorge, o americano/brasileiro Mario Caldato, juntamente com o próprio Marcelo D2 e Davi Corcos.
O disco conta uma historinha, começa com uma Intro Pra posteridade, com uns samples (acho até que é a voz da Elis Regina, mas não há crédito no disco), e já emenda com À procura da batida perfeita, feita em cima do sample creditado da música Bonfa Nova do violonista Luiz Bonfá, D2 faz seu rap por cima de uma base muito legal com uns vocais femininos bonitos, e a música termina até com uns ruídos saudosistas de vinil.
Mais uma mini introdução e começa mais uma das excelentes do disco, Vai vendo, mais uma bela mistura de samba e hip hop, cheia de scratches e terminando com um sambinha de raiz não creditado... Diz o autor 'o pesadelo do pop', mas ele virou pop.
Começo de disco matador, na sequência vem a sensacional A maldição do samba, a perfeita mistura de hip hop e samba, levada dançante, um trompete bonito e inesperado, uns coros muito legais a cargo do Seu Jorge e do Duani, um refrão maneiríssimo, showtime!!
"O gringo subiu no morro e bebeu cachaça
fumou maconha e obteve a graça
depois do samba sua vida nunca mais foi a mesma"
Ainda termina com um trechinho da música Argumento (Paulinho da Viola): "tá legal, tá legal, eu aceito o argumento, mas não me altere o samba tanto assim", e eu sempre continuo cantando "olha que a rapaziada tá sentindo a falta de um cavaco, de um pandeiro e de um tamborim"...
Pilotando o bonde da excursão é uma que poderia ter causado problemas legais ao autor, devido à potencial interpretação de apologia ao crime, no caso, posse de drogas, ainda mais que o Planet Hemp já tinha um histórico nesse sentido. Mas não deu em nada, é só uma descrição de vários tipos de ervas etc etc. Bom, aqui vou reproduzir os comentários do Seu Marcelo: "A minha versão para Rapper's delight. A base já estava pronta e faltava a letra. O Mario sugeriu uma anthem com os fans do Planet Hemp e eu resolvi contar um pouco do que vi, senti e fumei nesses anos", ou pelo menos a parte que ele lembra...É uma música simples mas divertida, com uma linha de baixo sinuosa e criativa, scratches, metais em brasa e uns tecladinhos eventuais.
Aí começa a parte mais chatinha do disco, Loadeando, onde o D2 canta com o filho Stephan, sobre evolução e a interação entre pais e filhos, e também sobre videogames, viagens etc. Mas a música é chatinha... Vale pelo refrão.
A seguinte, Profissão M. C., já retorna com a criativa mistura de rap com samba, além da mistura de rima com 'um bagulhinho'...
C.B. Sangue bom: sonzinho legal, guitarra meio reggae, D2 rimando solto por cima junto com o WILL.I.AM do Black Eyed Peas, o tema é fazer o bem e procurar a paz, dificuldade e superação, esses dilemas cotidianos e nem por isso fáceis.
"Quem é que mistura o rap com o samba? Sou eu, sou eu", assim começa Batidas e levadas, emendando uma base bem solta e rimas naquela vibe hip hop com alguns elementos de samba, principalmente os bons vocais femininos de resposta.
O álbum vai terminando e se encaminha bem assim com Re: Batucada, retomando a grande canção do primeiro disco solo Batucada, com mais um coro lindo de vozes femininas e o excelente mix de samba com rap. Homenageia no fim 'os verdadeiros arquitetos da música brasileira: Chico Science, Cartola, Jovelina, Tom Jobim, Candeia, João Nogueira, Dona Nelma, Tim Maia, meu amigo"
"Sorria
Meu bloco vem bem descendo a cidade
Vai haver carnaval de verdade
O samba não se acabou
Sorria
O samba mata a tristeza da gente
Quero ver meu povo contente
Do jeito que o rei mandou"
De passagem, tem um maluquinho falando umas paradas estranhas "Tu não sabe quem eu sou, Compadi? Quem? Ah, tá maluco, eu sou sinistro, como que tu fala assim comigo? Tu nem me conhece, tu nem me conhece...". Engraçado.
Qual é? começa com mais um corinho feminino lindo, é uma excelente música, daquelas com letra contundente, refrão grudento e pressão sonora! Guitarra suingada e funkeada!!
"Essa onda que tu tira
Qual é?
Essa marra que tu tem
Qual é?
Tira onda com ninguém
Qual é?
Qual é, neguinho, qual é?"
(Dão)
PS: essa resenha ou post é dedicada ao meu amigo Alexandre Duayer (honorável roadie do Rappa e NX Zero, que começou sua brilhante carreira trabalhando com essa máfia aqui) e ao amigo revisor Baiano...
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Samba Esporte Fino (ou Carolina) - Seu Jorge
Continuando a 'saga', como disse o colaborador eventual e crítico do nosso blog - o amigo imaginário Baiano, vamos a um caso de especial sucesso, o ex-integrante (e talvez futuro, porque sempre pode haver um retorno) da quase desconhecida banda Farofa Carioca (que, claro, merece um post aqui pelo seu excelente primeiro disco; é único?).
É um bom disco, excelente pra ouvir no domingo no churrasco, inclui bons e criativos sambas, nas suas muitas vertentes (nisso o samba lembra o metal com muitas subdivisões): samba funk, samba de raiz, samba soul, pagode etc etc etc.
Lançado também no exterior, onde teve o nome de 'Carolina', inciou uma trajetória de sucesso do Seu Jorge, incluindo participações em filmes de Hollywood com direito à trilha sonora e tudo. Mas mesmo na parte musical, Seu Jorge é um dos maiores sucessos brasileiros no exterior hoje em dia.
O cara já foi morador de rua, tendo saído dela através do parceiro no Farofa Carioca, o Gabriel Moura.
O nome do cd é sensacional, mesmo os que não gostam do cara ou do disco têm que admitir.
A produção é do boa praça mezzo brasileiro mezzo americano que produziu muita gente: Mario Caldato Jr. juntamente com Seu Jorge e uma faixa (Em Nagoya eu vi Eriko') produzida pelo DJ Zé Gonzales e Daniel Ganja Man (ô nomezinho pala...).
Então, vamos às músicas... Seu Jorge, que de bobo não tem nada, começa pela jóia 'Carolina', samba suingadíssimo, começando tranquilinha só com violão, depois com os metais pegando fogo, num fraseado cheio de síncopa. Além da letra safadinha, cuíca aparecendo aqui e ali, cordas ali e aqui, refrão levanta plateia, um detalhe é que os arranjos e frases instrumentais dos versos vão mudando durante toda a música, assegurando que não se caia na mesmice: muito bom gosto e malandragem, no melhor sentido.
'Chega no suíngue' já se posiciona mais pro samba funk, difícil resistir ao balanço. Ainda tem uns barulinhos de sintetizadores vintage, um toquezinho de modernidade, afinal Mr Caldato tá na área. Os coros femininos mais uma vez levantam o astral.
'Mangueira' é um daqueles típicos samba de exaltação a escolas de samba e/ou comunidades, ou ambos como no caso aqui, que começa até citando 'Alvorada' do Cartola. Mais uma vez guitarras de fundo e voz em vocoder são o toque muderno da faixa. Samba funk maneiro e o duplo sentido 'melhor parada da cidade'...
Chega a vez do partido alto 'Pequinês e pitbull', com citações e semelhanças com o Zeca Pagodinho, sacadas engraçadas e a voz da Velha Guarda da Mangueira.
'Te queria' chega pegando fogo, mais acelerada, com metais mais uma vez travessos e um baixo muito legal, samba funk balançante, com mudanças espertas no andamento.
'O samba taí' é um daqueles sambas que tentam explicar de onde veio o samba ou, como aqui no caso, ra onde ele foi, ou melhor ainda, onde ele está: 'tá no sangue daquele que sabe sambar'. Clássico e tradicional, com direito a uma cuíca malandra e aquele coro das pastoras.
Aqui vem o destoante reggae 'Hagua' (sic), sobre a crescente escassez da água, aquela aboragem apocalíptica que só deve aumentar até o fim do ano de 2012 ou, se as profecias estiverem certas, até o fim do mundo...
'Samba que nem a Rita a Dora', nome infame...começa com uma citação de 'A Rita' e continua desenvolvendo a historinha por aí, citando mesmo o Chico, sambinha gostoso e redondinho. Estranho é um 'sem mais e sem menos' que ele solta lá no meio...
Uma lentinha pra variar, 'Madá' é bonita, com um baixo fretless e um trompete intercalando frases com a voz. Classuda.
'Funk baby' é bem discoteca, com vozes de fundo bem sensuais, meio estranha no disco.
Mais um reggae, 'Em Nagoya eu vi Eriko' é legalzinha. E só.
E para terminar, Seu Jorge traz Carlos Dafé, lenda soul, em 'De alegria raiou o dia', cheia de charme.
(Dão)
sábado, 6 de outubro de 2012
Cidade de Deus - Antonio Pinto & Ed Cortes
Mas voltando, o que foi pouco comentado foi a parte instrumental da
trilha sonora, composta por Antonio Pinto (já comentado aqui no disco Pequeno
Cidadão) e Ed Cortes. Verdadeiro tratado e síntese do funk brasileiro. Mas
não o carioca, falo daquele criado por James Brown e que por aqui foi
devidamente adaptado e misturado, gerando música de altíssima qualidade,
inclusive pelo já citado Tim, que é influência, claro. Assim como a Black Rio.
E Jorge, claro, num violãozinho ali no meio de Funk da Virada. Parece que
quiseram homenagear seus heróis, mas de maneira sutil.
A trilha começa literalmente com porradas, socos na porta e o
clássico diálogo pulpfictioniano: Quem é, quem é? (...) Quem falou que a boca é
sua, rapá? (...) Colé Dadinho? Dadinho é
o caralho, meu nome agora é Zé Pequeno, porra! E atacam os metais.
Não vou descrever as músicas, não, essa é mais a onda de Dão, mas a
sequência instrumental começa com as três primeiras (Meu nome é Zé Pequeno,
Vida de otário e Funk da virada), perfeitamente mixadas, prontas pra botar numa
festa. São curtinhas, dá 5m30 no total.
A quarta música, Estória da Boca, é mais lenta, cuiquinha pontuando, clima de
samba, combina com a sexta, A Transa, mais lenta ainda, que o nome já diz, é cheia
de suingue e bem sensual.
Daí, pule pra 13a
e 14a, Morte de Zé Pequeno (sacanagem, já conta o
final o filme) e Batucada Remix, uma versão eletrônica de todas elas juntas,
mixadas pelos DJs Camilo Rocha e Yah.
Nunca ouvi ninguém falar, mas dá pra perceber influências em muita
coisa que foi feita dali em diante, o Drum‘n’Bass brasileiro sendo um. Certamente
influenciou também o Bixiga 70, que terá seu disco de 2011 comentado aqui, e
que desde já recomendo fortemente. Mais recentemente, Antonio Pinto participou,
tocando baixo, compondo e arranjando, do Almaz, banda com Lucio Maia na
guitarra, Pupilo na batera e Seu Jorge nos vocais, que atualizou a bossa-nova,
incorporando psicodelia, peso e guitarras, e que também vai aparecer por aqui.
O clima geral é retrô, mas Pinto e Cortes foram muito além.
Atualizaram os anos 70, juntaram um monte de groove e timbre antigo com umas
batidas mais novas e mostraram que a caravana passa. E passa bem.
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sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Paulo Miklos, Vou ser feliz e já volto
Prosseguindo a série discos solos, entramos no vasto território de integrantes e ex-integrantes dos Titãs, que inclui este aqui do Sr Paulo Roberto de Souza Miklos, a banda Kleiderman (nunca ouvi este, só um vídeo que passava na MTV) e os bem sucedidos solos Arnaldo Antunes e Nando Reis.
É um disco muito bonito, mais pro calmo do que pro rock raivoso. Com violões em todas as músicas.
Começa muito bem, com 'Vai acontecer de novo', guitarras bonitas cheias de espaço, com licks de ritmo espertos do guitarrista Émerson Villani (que acho que já acompanhou os Titãs), que deixariam o Keith orgulhoso, e isso é uma armadilha pro Mateus, que também gostaria muito da música... Ainda tem a voz luxuosa da Paula Lima na resposta.
"A noite é pra se divertir
Vou ser feliz e já volto
Eu não tenho medo que me achem um tolo
Se quem é feliz parece agir como um louco"
'Mamãe disse...papai disse' continua na calma, com uma parte mais rock no meio.
"Gente que nunca faz o que sempre sonha em fazer
É o pior que pode acontecer: acordar
sem ter lembrança
Nada do que foi o sonho
Papai disse meu filho...
Você parece cansado
Mas tem um brilho nos olhos, meu caro
Mamãe disse querido...
Você está mais magro
Mas tem um brilho nos olhos, o danado"
'Todo o tempo' é mais uma belíssima canção, lentinha, com guitarras viajantes e belas. Aqui temos mais um auxílio luxuoso: uma lap steel guitar a cargo do mestre Luiz Carlini.
Aí o disco dá uma animadinha, 'O que você me diz' é mais rapidinha, com mais uma guitarrinha comentando a música e um sax tenor discreto por Ed Côrtes.
'Hoje' mantém a animação, guitarras com mais peso, um drive leve, mas que faz a diferença no peso. Tem até um vídeo! Com aquele visual loiro da capa do cd e do personagem do excelente filme 'O invasor'.
'Por querer' é um pop gostoso, com sax tenor novamente, mais presente, legalzinha, poderia estar em um disco da banda original.
Volta a calma viajante, com 'Lâmina de vidro'. Guitarras bonitas e com timbres bonitos, com o bônus de um solo de baixo pelo Lee Marcucci, outro que eu acho que também acompanhou o Titãs numa época, além do histórico com o Tutti Frutti, antiga banda de apoio da titia Rita Lee.
'Orgia' é uma música sensacional, letra e música, pra mim o ponto alto do disco. Além de tudo tem a voz da Marina Lima, pra deleite do amigo Zeba, se é que ele vai ter paciência de ouvir...
O tema é recorrente, o querer, que inclui entre outras grandes músicas, 'O quereres', 'O que será que será' e 'Come as you are' (acho até que essa conexão merce um post no blog irmão, 1001 Canções).
"Não tenho nome
Eu tenho sede
Alimenta sua fantasia
Eu tenho fome
Eu tenho em mente
Uma grande orgia
Tudo o que eu mais quero
Você não tem
O que você tem
É só do que eu preciso
Tudo o que sempre quis
Eu não sou
Do que você precisa
É só o que eu sou
Não tenho rosto
Nada do que você possa
Se lembrar depois
Só o gosto
Por essas cenas
Que fazem você vibrar"
'Sem amor' é uma co-autoria do Paulo com o Arnaldo Antunes, mais uma belezurinha.
'Sinos entre os anjos' lembra muito o dedilhado da inédita música 'Desbalada', do meu amigo Mateus, será que ele já tinha ouvido? Música linda mesmo, pop romântico caprichado.
'O milagre do ladrão' (Leo Canhoto/Zilo) é uma daquelas músicas que conta uma looooonga história, no estilo 'Faroeste caboclo'. Aqui Paulo optou por um som bem country/blues, só com violão e dobro (by Luiz Carlini), maneiro! O original era sertanejo, que o Paulo descobriu no disco Clássicos sertanejos, de Chitãozinho e Xororó! Informação esta que eu descobri nesse bom artigo aqui:
http://cliquemusic.uol.com.br/materias/ver/paulo-miklos-nem-sempre-se-pode-ser-feliz
O disco foi produzido pelo Dudu Marote, mais conhecido pelas suas produções mais eletrônicas (Skank e Pato Fu).
A banda também conta com o baterista James Muller.
(Dão)
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sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Maquinado - Lucio Maia
O Mateus não gostou muito...
Sua banda principal é a fodona Nação Zumbi, já resenhada algumas vezes por aqui. Não vou dizer que é a melhor (talvez se o Chico ainda estivesse por aqui...), porque não dá pra esquecer o Rappa, o Planet Hemp (que em breve também terá discos de membros solo por aqui e são vários), o Skank etc. Além disso também participou do disco de estréia do Soulfly (banda solo do Max Cavalera, ex-Sepultura, sob a cobertura de um pseudônimo, Jackson Bandeira, por razões contratuais de gravadoras) e do EP Tribe. Faz parte do grupo Seu Jorge e Almaz (faça esse post, Baiano!) e atualmente, para desgosto de alguns (não meu), toca na banda de apoio da Marisa Monte.Esse disco tem algumas conexões com a banda original, claro, pela sonoridade em algumas músicas (não todas) e participações dos caras da banda em algumas músicas também.
Ao disco então: a sonoridade é bem eletrônica, mesmo sem deixar de lado a guitarra, instrumento principal do Lúcio.
'Arrudeia' começa com barulhinhos e um baixo distorcido muito legal, mas a estrutura da canção lembra uma ciranda, se é que alguém presta atenção nisso... Tem uma voz processada com aquele efeito vocodermeio bizarro.
Na sequência 'Não queira se aproximar', um encontro hoje usual entre a música regional e a música eletrônica, com voz do Buia (??), samba e um sample sem crédito 'sai pra lá, peste'.
'Tranquilo' traz o finado Speedy (ex-Black Alien) na letra e voz, um som mais pesado e acelerado, um heavy rap, maneiro, que começa com uma declaração falada bandeirosa: “Aí, compadre, tá tranquilo, amigo? É, tô tranquilo também, tô aqui, tranquilão, cigarrão de skunk na mão, copão de domec na outra”...
'Alados' traz Siba (ex-Mestre Ambrósio) e, mesmo com uma bateria eletrônica, parece bastante com essa banda, tem mais cara de canção, com aquela típica estrutura circular.
'Sem concerto' é cantada pelo próprio Lúcio, com voz cheia de efeitos, diferente, mais batida e suingada mesmo sendo ainda eletrônica, guitarrinhas bonitas, assovios, cheia de detalhes, sempre ouvidos melhor num headphone, é bom lembrar...“qualquer um que fotografar os pesadelos de quem não volta a dormirvai andando, olhando pro céu,estará sempre a um passo de cair"
'Dia do julgamento' é uma instrumental (tem umas falas esparsas em inglês, acho) viajandona, do tipo que a Nação Zumbi inclui nos seus discos, aqui com um scratch do PG e uma guitarra muito maneira do nosso guitar hero!
'O som' também poderia estar num disco da Nação e tem o Jorge Du Peixe na voz e na letra, além de outros da banda.O convidado agora é Rodrigo Brandão, do Mamelo Sound System, no hip hop sombrio 'Eletrocutado', suingada e eletrônica, com uma guitarra palhetadinha e discreta, Lúcio é muito bom mas discreto, toca pra canção.
'Despeça dos argumentos' traz o chato e sempre cansado Felipe S, do chato Monbojó, fica aquela cara de canção arrastada e que demora demais pra terminar...dispensável.
'Vendi a alma' é meio bossa nova com uns barulhos incômodos e temática heavy metal, bizarra e interessante, tendo o convidado Basa (nord lead, o que será essa porra?? e arranjo).
“Vendi minha alma ao Diaboposso falar mal dele e da alma tambéme da sombra tirei um retratovou pregar no muro e não mostrar a ninguém”
'Além do bem' vem pra fechar bem o disco, trip hop chapado, com umas vozes etéreas lindas da Verônia Ferriani.
(Dão)
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Nação Zumbi
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Amor pra recomeçar, Frejat
Mais um da série de discos solos de membros de bandas, no caso aqui uma exceção, pois a carreira solo do vocalista e guitarrista se tornou importante, fazendo com que divida seu tempo entre a banda original e a carreira solo, tendo inclusive se apresentado no último Rock in Rio 2011 (surpreendentemente no Rio!) como artista solo. A abordagem é levemente diferente do Barão, mais baladas e sons um pouco mais frequentemente acústicos, mas ainda naquela área pop rock.Os colegas de banda colaboram ativamente, sendo co-autores em várias faixas, principalmente o tecladista e co-produtor Maurício Barros, que atua junto com o saudoso e finado Tom Capone em quase todas as faixas.
Esse primeiro é pra mim o mais interessante, mas os três que eu tenho tem sempre alguma coisa bem legal.
Começa com uns sons meio eletrônicos, o que dá a falsa impressão de ser uma vibe 'Puro êxtase', o que não é real, apesar do uso desse tipo de sons.
Mas a canção 'Som e fúria' (cujo título vem de Shakespeare) é isso, uma canção, boa e forte, com guitarras legais, vozeirão e um refrão pra levantar a galera.
"E não adianta levar o mundo nas costas
a vida é cheia de som e fúria"
'Quando o amor era medo' é linda, letra confessional e bela, leve com slide bonito, bandolim e mais acústica.
"quando o amor era medo eu achava melhor acordar sozinho
quando o amor era medo a vida era andar por entre espinhos"
'Amor pra recomeçar' chegou a tocar nas rádios que ainda tocam pop rock, tem uma letra muito interessante (que tem partes que tenho impressão de que foram extraídas de um poema do Vinícius de Moraes, mas não deram crédito...), (mais) uma baladona pra platéia cantar junto.
"quando vc fica triste que seja por um dia e não um ano inteiro
e q vc descubra q rir é bom mas q rir de tudo é desespero
desejo que vc tenha a quem amar
e quando estiver bem cansado ainda exista amor pra recomeçar"
Belas guitarras e um teminha ganchudo.
'Segredos' teve um video fofinho, de animação meio desenho, mais uma balada bela sobre nossas amadas...
Tem até um solinho de slide bonito além da orquestra dulcíssima com arranjo de Jaques Moerelenbaum.
"e eu vou tratá-la bem
pra que ela não tenha medo
qdo começar a conhecer os meus segredos"
'Eu não sei dizer te amo' é mais uma balada, quase desanima...mas é bonita.
Ainda bem que vem 'Homem não chora', belíssima, cheia de detalhes sonoros, início com guitarrona com phaser (aquele efeito viajante de turbina de avião), alternando com partes de voz e piano e uma letra excelente. Termina com um dos solos mais bonitos do Frejat, muito legal ouvir a vávula fritando no final da música!!
"meu rosto vermelho e molhado
é só dos olhos pra fora
todo mundo sabe
que homem não chora"
A seguinte é bem diferente, um quase samba meio Luiz Melodia, 'Mão-de-obra ilegal', com participação e co-produção do Max de Castro, além do Dé (ex-Barão), Maurício Barros e Peninha.
"eu vi uma mina maneira
andando com um soldado
parecia estrangeira e
eu agora ando armado
o meuirmão morreu
meu primo se perdeu
a minha mãe pariu
e o meu pai sumiu
meu nome é Pimpolho
só conheço o caos
é olho por olho
aqui vencem os maus"
Parceria com Lenine e Arnaldo Antunes! Só pra irritar os amigos que subestimam o Lenine...
'Ela' é balada, claro, mas bem na ambientação 'Lenine', um violão dedilhado com cordas belas, dinâmica com um crescendo no refrão...ouça antes de falar, Baiano...
Um interlúdio carioca ixperto, 'Mais que perfeito', produzida pelo Max, mais suingadinha, com metais a la Tim Maia, guitarrinhas funky, pena que um pouco lentinha demais pro meu gosto.
'Você se parece com todo mundo' (Frejat-Cazuza), que tenho a impressão que já tinha sido gravada pelo Cazuza, é mais uma num clima acústico quase country, com slides e violões, letra amarga.
'No escuro e vendo' (Frejat/ Marisa Monte/ Arnaldo Antunes) é uma lentinha com o mais belo arranjo de cordas do disco por Jaques Moerelenbaum, linda canção, mas completamente diferente do repertório Barão.
'Voltar pra te buscar' é mais uma balada, esta mais rock, com banda (e que banda: Liminha no baixo, o Barão Fernando Magalhães na guitarra, João Barone na bateria e Maurício Barros), além das onipresentes cordas. Acho que o Frejat numa entrevista falou que era difícil resistir às cordas, eu entendo porque eu também sou assim, tenho muitos bancos de samples de cordas e sempre enfio... A música tem uma voz distorcida/processada e um bom solo de guitarra, coisa rara nesse disco.
Pra terminar pra cima, 'Sol de domingo' (Frejat/ Humberto Effe), um rock suingado com a cara do produtor da faixa, o Max de Castro, metais em brasa e mais um solinho de guitarra...
(Dão)
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quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Paula Toller
Inicio aqui uma série com cds de membros (opa!) de bandas que gravam e lançam cds solo.
Inicio pela nosa musa Paula Toller, a cada dia melhor, em todos os sentidos. Pena que não consigo adicionar aqui a capa do cd, com certeza um dos pontos altos do dito cujo... (Mas o amigo Paul rsolveu isso!)
Não que o álbum seja ruim, pelo contrário, a voz dela hoje é um veludo, como por exemplo cantando quase sussurando numa das melhores músicas daqui, a versão da música 'Fly me to the moon' (Bart Howard), consagrada na voz de Frank Sinatra. Na época do lançamento acho que foi usada numa propaganda de bombom, Sonho de valsa se não me engano.
Antes dessa doçura, o cd começa apimentado, com 'Derretendo satélites', uma letra sexual que, diz a lenda, era claramente pornográfica, mas ela não me confirmou...Enfim, uma legítima fuck music, que merece até um remix pra usar no ato. Depois eu peço pra ela, assim que alguém me der o telefone dela.
'Eu só quero um xodó' deve ter centenas de versões, como boa música de solidão consagrada e com apelo românticuzinho (ui), então essa aqui tem que ter algo que a diferencie, no caso uma roupagem dance eletrônoca quase drum'n'bass. No fim o meio termo faz com que ela não seja tocada nem em baladas bregas nem em nights dance... Ainda tem um uuuuhuhu no final que lembra a Marisa e seus amigos tribalistas quando plagiaram o Sly e sua família Stone.
'Oito anos' lida com um tema muito interessane, a Paulinha tem boas ideias!, sobre aquela curiosidade infantil voraz sobre quase tudo e principalmente sobre aquelas perguntas que demandam muito tempo/esforço além de outras que não tem respostas... 'Uel uel uel Gabriel'.
'Alguém me avisou' (Dona Ivonne Lara) começa com uma guitarra com um drive bonito, depois cai no clima dance alternando com aquela vibe meio 'Puro êxtase' do Barão; mas vale a versão curtinha, essa música é bem legal!
Mais uma extraída do samba, no caso '1800 colinas' (Cracia do Salgueiro), agora num clima bem romântico, bonito pra quem está bem acompanhado, desde que ela (ou ele, sei lá qual é a dos meus amigos e leitores) não preste atenção na letra. Essa letra tem a vibe parecida com a de 'I still haven't found what I'm looking for' (U2).
Aí vem o ponto alto, 'E o mundo não se acabou' (Assis Valente), uma letra genial sobre o fim do mundo que não aconteceu e o comportamento desesperado ou animal que o cantante adota diante do fim próximo. Esse arranjo é mais próximo do maxixe (será que é isso? com a palavra os universitários...) original, menos eletrônico.
"Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...
E até disseram que o sol
Ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez batucada...
Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando
De aproveitar...
Beijei a bôca
De quem não devia
Peguei na mão
De quem não conhecia
Dancei um samba
Em traje de maiô
E o tal do mundo
Não se acabou..."
No caso nossa Paulinha safada dá uma atualizada na letra:
''peguei no pau de quem não conhecia
dancei pelada na televisão"
!!!
Mais uma com uns beats eletrônicos, 'Onde está a honestidade' (Noel Rosa, não se pode reclamar do repertório da bela cantora), apesar de eu não ser muito favorável à ideia de que toda fortuna é suspeita, se bem que a letra é muito mais complexa do que faço parecer...
A versão de 'Patience' (Guns'n'Roses, isso mesmo!) é uma boa surpresa, foge completamente da original violõezinhos e assobios, quase irreconhecível, bateria eletrônica vagabunda e um slide muito legal (até o amigo Mateus gostaria dessa...).
'Cantar' (Godofredo Guedes) é um samba clássico, e aqui ela não inventa, arranjo careta e belo, que fecha bem o disco.
"Cantar quase sempre nos faz recordar
Sem querer
Um beijo, um sorriso ou
uma outra aventura qualquer
Cantando aos acordes do meu violão
É que mando depressa ir-se embora
A saudade que mora no meu coração"
(Dão)
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