
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Fullgás, Marina

terça-feira, 24 de maio de 2011
Abreugrafia (1997)
Liberadas as coletâneas, eis mais uma. Bem, na verdade esta não é exatamente uma coletânea, porque a cantora resolveu regravar novas versões de seus maiores sucessos e adicionou ainda, aqui e ali, canções (na sua voz) inéditas. Se os discos da Fernandinha eram um problema, pois muito irregulares, misturando poucas ótimas canções com alguns momentos simplesmente desprezíveis (bem, Veneno da Lata é acima da média. Da média dela), a solução veio melhor que a encomenda.Abre com a faixa que dá nome ao disco, Raio X, uma introdução ao projeto musical, como abstract de um artigo científico. Gosto muito também de Aquarela Brasileira que vem em seguida, música que aparece disfarçada de colarzinho na capa do álbum. Em seguida Fernanda apresenta Jacksoul Lenine Brasileiro, convidado que rapidinho se tornaria maior que a anfitriã, grande canção do pernambucano, muito bem acompanhado da carioquíssima sangue bom.
E de olho em Pernambuco, a garota suingue traz Chico Science para o Rio 40 graus, onde ele se sente muitíssimo à vontade, e termina a melhor canção da Fernandinha entoando um único "sô carioca, pô!". Jorge da Capadócia é outra das minhas interpretações favoritas, mas a versão deste disco é muito inferior àquela lançada originalmente junto com Rio 40 Graus, em SLA 2 - Be Sample, disco de... 92? por aí...
Speed Racer não é uma grande canção. Passaria totalmente desapercebida se não fosse o arranjo primoroso e a guitarra limpa e precisa de Fernando Vidal. É o tipo do jantar em que o acompanhamento é melhor que o prato principal. Ponto alto também para Um Amor Um Lugar (do paralama colaborador e amigo Herbert), Veneno da Lata e Kátia Flávia a Godiva do Irajá, hit sem par do amigão e parceiro Fausto Fawcett que recebe aqui uma versão avassaladora.
É Hoje o di-i-aaaa da alegri-i-a-aaaa e a tristeza, nem pode pensar em chegar!
Justo, para um disco tão festivo e inspirado, que representa o melhor de uma cantora que, se não tem aqueeeela voz, tem bom-gosto e sensibilidade suficiente para conceber esta obra-prima, uma das melhores dos anos 90.
Garota sangue quente, suingue, sangue bom!
[M]
domingo, 22 de maio de 2011
Vingança, Azul Limão

Voltamos à programação metal e, conseqüentemente, às capas toscas e bizarras...
Entre outras idiossincrasias, o heavy metal é criticado por uma temática de fantasia, castelos, dragões, satanismo etc.
Mas esse disco também traz letras mais contemporâneas e críticas, APESAR da capa acima.
Como cantava a torcida mais gay do Rio 'recordar é viver'.
Representante do metal carioca dos anos 80, esse disco foi gravado em condições 'precárias', mas mesmo assim traz um som razoável (para a época, claro), principalmente o instrumental típico, já que a voz tem uma sonoridade sofrível, principalmente nos momentos 'gritos a Rob Halford', justamente pela provável inexperiência do estúdio em gravar esse tipo de som, aliado ao fatos de que o vocalista (Rodrigo Esteves) não é o Rob Halford nem o Bruce Dickinson e ainda os vocais não terem sido 'dobrados', recurso freqüente que encorpa vozes, principalmente agudos sem punch.
Lembro de vê-los tocar no arcaico Caverna II, 'templo do metal carioca' (depois honradamente substituído pelo Garage), que ficava ao lado do shopping Rio Sul próximo ao Canecão, no Rio de Janeiro, junto com outras bandas daquela época, tais como Calibre 38, Metalmorphose e Dorsal Atlântica (que em breve terá um disco postado aqui). Naquele solão de 40ºC e a galera toda de preto e coturnos...é, o metal não foi feito pro Rio, como desmonstram a ausência freqüente de shows que não mais passam por lá. Também tocavam no Circo Voador às vezes, dividindo inclusive o palco com Robertinho do Recife na sua fase metal e o lendário guitarrista, hoje habitante de Joinville, Celso Blues Boy (que também merece um disco por aqui). Tempos mais tolerantes.
Também lembro de demo-tapes que tocavam na rádio Fluminense FM, nos programas Guitarras e Rock Alive, quando eu e meu irmão Adolpho ficávamos com as fitas K7 a postos para gravar algo inédito e/ou interessante, não necessariamente ao mesmo tempo... O Azul emplacava às vezes 'Johnny voltou' e 'Não vou mais falar', depois regravada para este álbum aqui resenhado.
Antes, chegaram a gravar um compacto para o selo B.B. Records do Billy Bond, no estúdio da Polygram, mas não foi lançado por ser 'muito pesado' para as rádios rock da época, rendendo só uma versão bem gravada de 'Satã clama metal', tocada na programação da Maldita.
Trata-se de um disco curto (acreditem, já existiram discos com menos de 70 minutos, nos tempos do vinil!) e com letras ingênuas. Mas é original, com estilo e garra. E é METAL, porra!
Começa com uma 'Introdução' rápida e emenda em 'As portas da imaginação', que 'não são mais que ilusão'. Música que começa rápida e dá aquela quebrada no meio. Volta a acelerar e tem um belo solo com ótimo som (milagroso!) quase no fim.
'Satã clama metal' é legal, rápida e na adrenalina, mas é quase caricato com a letra típica.
'Sangue frio' é minha preferida, um blues heavy com aquela levada pesada e as convenções típicas. Além disso, a voz é menos gritada, e aí vemos que é bonita. E a letra também é bem melhor:
"Dias e noites passam
E eu sempre a procurar
Alguém que possa ver
Ou entender o que eu vou tocar
Às vezes me sinto só
Ao lado da hipocrisia
Virei um homem de metal
Perdia a noção de gostar
Somos o corte profundo
Luz do sol"
(Tá tudo bem, não é Caetano, mas nem é pra ser, né?)
Tem um solo bem bonito também, sem malabarismo e emocionante, com vocais coletivos fechando bem com os 'ô ô ôs'.
'Fora da lei' é mais um boa música, com intro metal e acelerada depois, e um baixão na cara. Mas a voz parece outra língua, totalmente incompreensível...exceto no refrão. Aqui um solo rápido e legal, mas mixado baixo. Urros e bateção de cabeça!
'Não vou mais falar' é uma das que tocava em rádios, boa música bem canata e tocada, com apelo quase pop e uma letra interessante:
"Não vou mais falar em amor
Pois o ódio se apossou
Não vou mais falar em estrelas
Pois o universo todo se apagou
Só este sonho permanece
Só essa vida me enlouquece
Estou perdido, perdido no espaço
Quero acabar com o meu cansaço
Tudo que eu tenho é rock’n’roll
Pois só ele me dominou
Não vou mais falar em paixão
Estou derrotado, caído no chão"
Ainda se cantava em português o metal nacional. Em inglês, tirando o Sepultura, eu nem ouço.
'O grito' é mais uma no clima blues metal, com um bom riff e mais uma vez a bela voz cantada. No meio tem uma guitarra limpa bonita que caiu muito bem na mixagem. E um solo magistral, dobrado com perfeição, depois espalhado e dialogando pelos canais direito e esquerdo (apesar dos elogios da Andréa, esses aspectos técnicos às vezes são entediantes pra quem não é músico, eu sei).
"Se num mar de estrelas
Nós vamos deitar
Com o mais lindo sonho
Nós vamos sonhar
Ver a liberdade fatigando a mente
Entrando num mundo que tudo é diferente"(sic)
'Você não faz nada' é a menos legal pra mim, mais uma rápida mas com uma letra ainda atual:
"Pra tanta violência basta indiferença de quem pode mudar, de quem pode gritar
E você não faz nada
E você não faz nada "
O disco termina bem, com a acelerada faixa título, onde se ouve melhor a voz e seus gritos em falsete, além do instrumental nítido e o solo de bateria no fim.
A banda, além do vocal citado, tinha os seguintes músicos: Ricardo Martins (bateria), Vinícius Mathias (baixo) e Marcos Dantas (guitarra). Depois Rodrigo foi cantar ópera na Espanha(!!), o baixista também deixa a banda e rola um show de despedida em 1989, sendo que por duas vezes, em visitas do Rodrigo ao Brasil, a banda tocou no Garage. Marcos e André Chamon (baterista do Stress que chegou a tocar com o Azul numa reencarnação mista) formaram o X-Rated, banda de metal que chegou a ter alguma projeção local.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Tempos modernos, Lulu Santos

Sou (ou nós), Marcelo Camelo

terça-feira, 17 de maio de 2011
Mallu Magalhães (2009)

Mallu Magalhães sempre me chamou atenção. Daqui de longe ouvia falar de seu nome, de toda a estória do MySpace, das suas composições, da sua adolescência que se misturava com sua habilidade em consertar seus próprios instrumentos musicais.
Ao fim tive contato com sua voz infantil, meio amanteigada – que ao invés de entrar pelos nossos ouvidos, escorrega, devagarinho. E confesso que achei o máximo!
Quando pinta um único olho de azul nos seus shows, Mallu me faz lembrar Rita Lee – garotamutantes com seus coraçõezinhos no rosto na sua fase Tropicália. Mas Mallu me lembra também Bethânia, que aos 16 anos subiu no palco do Teatro Opinião.
Essas intervenções feitas por criaturas tão jovens são de uma ternura incrível, porque o limite entre a brincadeira e a coisa séria, entre o medo e coragem, são muito tênues.
Seu disco é muito delicado, gostoso mesmo de ouvir. Muitas das músicas parecem ter sido compostas com alto teor de amor no sangue. “My home is my man” é roquenrrol retrô, forte, guitarra presente em volume alto. Tudo rapidinho e aos poucos o som vai desbotando. “Shine Yellow” é outra de que gosto muito! Meio reggae, com sopros e percussões.
Esse segundo disco parece um tanto autobiográfico e “Make it easy” deixa claro isso. A música bastante blues começa com um assovio, como um calmante para a alma na hora de enfrentar a mãe. Aqui já estamos falando da “era” Marcelo Camelo...
Essa é a minha favorita! Música de uma paz incrível e a ideia de transformar em canção essa angústia feminina na hora de encarar o tamanho do amor, é maravilhosa.
E o vocal masculino é do namorado…
Make it easy!
“Bee on the grass” me lembra um tanto o som dos Beatles, slow, cheio de sopros, vozes abafadas e borbulhentas, como se drogas psicodélicas estivessem navegando pelas superfícies líquidas dos nossos canais.
Outra muito boa, country total é “ You ain’t gonna loose me”.
O disco acaba com “O herói, o marginal”. Sua canção mais forte, linda, com um arranjo definitivo. E aí Mallu Magalhães quase deixa seu tom de menina e entra fortalecida, viajando na sua própria voz, cresce e termina. E outra vez, Tropicália!
“She was a day tripper
One way ticket, yeah
It took me so long to find out
And I find out”
[ANDRÉA]
ps: essa resenha é para um certo Eduardo, de uma certa Ruberlei. Quando ouvi esse som pela primeira vez estávamos juntos e o Eduardo ficou altamente incomodado quando descobriu que a cantora era brasileira, apesar de cantar quase todo o cd em inglês…
sábado, 14 de maio de 2011
e depois do Sepultura...
Soulfly, Prophecy...veio o Soulfly, banda do dissidente Max Cavalera, vocal e guitarra base da antiga banda.
Na verdade, esse nem é o primeiro álbum, é o quarto, mas como é o meu preferido, será o primeiro por aqui.
O trabalho de Max pós-Sepultura foi muito mais experimental, utilizando mais percussão e se misturando com muitos outros tipos de música, tais como rap, música eletrônica, mpb, metal industrial, world music (eufemismo para músicas de países 'estranhos'), música instrumental e, no caso específico desse álbum, reggae e música sérvia. Essa referência já aparece na capa, com referência ao Leão de Judá e também nos agradecimentos, onde Bob Marley aparece.
Aqui também há um misticismo que junta Rastafáris, deuses gregos, umbanda, Antigo Testamento e cristianismo.
A mistureba quase esquizofrênica aparece em quase todas as músicas e entre elas também, que diferem muito entre si mas, inesperadamente, o disco tem uma unidade na figura de Max, que também toca cítara, berimbau e é o produtor.
A faixa título começa com um barulho que remete à música eletrônica em loop, mas deve ter sido feita com um whammy ou outro oitavador em cima de uma nota da guitarra. Quando entra a banda é como se os portões do inferno se abrissem. Não é heavy metal típico, pois tem o tempo todo uma percussão tribal, por conta de Joe Nunez e Meia Noite, que dá uma cara mais original a todo o álbum. No meio ocorrem muitas mudanças, inclusive um break com cítara sobre uma base de guitarras pesadas e uma parte bem mais acelerada. O final tem uns vocais fantasmagóricos que já emendam com a segunda música, 'Living sacrifice', mais metal e reta, mantendo o peso e os vocais rasgados, mas trazendo um refrão mais quebrado. Mas o break do meio da música é um dos mais legais da história da música pesada, com várias guitarras se cruzando de um jeito muito interessante. Ainda tem uma outra passagem, mais percussiva (num ritmo de baião) e com 'atmosfera' e vocais falados, emendando num final pesado. Diferente, mas sem ser chato. Quer dizer, meus amigos aqui não são muito fãs de metal, fazer o quê? E os que gostam de metal, acharão o disco estranhíssimo.
Respira um pouco e segue com a porradaria 'Execution style', alternando momentos mais rápidos com passagens mais tipicamente metal, além de um solo cheio de tappings e outros malabarismos guitarrísticos.
'Defeat u' é thrash metal típico do estilo Max, curta e grossa.
'Mars' é uma das melhores, pela letra sobre o deus da guerra, pelo refrão sensacional, pela percussão mais uma vez além do metal.
"I am Mars, the God of war,
you bow to me like you did before"
Então o clima muda totalmente, entram violões de nylon e barulhinhos atmosféricos, a música se transforma num som quase acústico e mais pro fim num reggae inesperado e herege (pros bitolados do metal, que até hoje esperam a volta do Max pra antiga banda). Como diria o colaborador sumido Xampu 'Gêêênio'...
'I believe' inicia com uma guitarra limpa e cheia de efeitos, pra depois emendar na típica porradaria esperada. No meio aquelas mudanças extremas, com sons mais calmos, vozes corais de fundo e a voz falada de Max. Muita dinâmica, às vezes demais. Não é som para fracos de coração nem portadores de ouvidos frágeis.
'Moses' muda a dinâmica, começando bem lenta com metais latinos típicos de ska e vocais de dub-reggae, alternando com passagens mais pesadas e gritadas, desembocando num refrão quase reggae-pop com bateria quase new wave (!!) e retornando ao clima reggae com sopros. Parece estranho, mas funciona, o trabalho de arranjo e mixagem deve ter sido insano. Aqui há a participação dos Eyesburn, que acho que deve ser uma banda de reggae/dub.
Falando em participações especiais, o disco traz Danny Marianino em 'Defeat U', Asha Rabouin em 'I believe' e 'Wings', além de 5 faixas com o excelente ex-baixista do Megadeth David Ellefson.
'Born again anarchist' podia ser um típico punk hardcore, mas como tem aquela percussão atípica foge ao esperado, além de mais uma mudança radical com sons percussivos e teclados ambientes.
'Porrada' não é cover dos Titãs (o Sepultura gravou 'Polícia'), começando com uma vinheta com violões de nylon e depois começando - agora sim - um hardcore na velocidade de luz e uma letra em português totalmente dispensável. Tem uma passagem no meio estranha, quebrada com uma voz falando umas coisas incompreensíveis, e termina com uma batucada de samba.
Um cover do Helmet, banda de metal industrial, 'In the meantime' é uma grata surpresa, principalmente pelo fato de ter ficado bem legal, apesar de toda quebradeira da música.
Como se tornou tradição nos discos do Soulfly, o disco traz uma instrumental calminha, 'Soulfly IV', muito bonita, que é seguida por uma também bela música inteirinha calma(!), 'Wings', com vocais femininos da já citada Asha Rabouin.
E termina com uma vinheta sem nome que parece música de circo!
Um disco variadíssimo, muito legal, que, claro, foi muito malhado pela imprensa metal... Tolerância elástica minha, dirão os detratores.
(Dão)