sexta-feira, 20 de maio de 2011

Sou (ou nós), Marcelo Camelo



Atrevo-me agora a postar uma resenha em complemento à da nossa querida amiga e infelizmente única mulher a postar por aqui - resenha logo aí embaixo, do disco da Mallu. Não cairei em generalizações ou simplificações, tais como 'mulher é mais sensível', mas é fácil notar que as resenhas da Andréa são lindas e bem diferentes das nossas (homens; se bem que não ponho a mão no fogo por ninguém...). Melhores? Eu acho.


Esse disco do Marcelo Camelo (pra quem acabou de chegar ao Brasil, vocalista e guitarrista da banda 'em suspensão temporária' Los Hermanos) é o primeiro solo dele. Como informação 'Caras', ele faz casal com a Mallu, com participações (e provavelmente influências) recíprocas nos discos uns dos outros.


A primeira curiosidade é o título, que oficialmente é 'Sou', mas olhando-se de ponta cabeça vira 'nós', como fica óbvio na capa. Surgiu de um poema visual do amigo Rodrigo Linhares.



Há um 'cantar baixo, quase sussurrado', como observou o irmão do Marcelo numa resenha aí pela net. Foi ajudado pelo grupo Hurtmold, com gravações ao vivo. Há também participações outras, como Dominguinhos, Clara Sverner, Mallu Magalhães e Domenico Lancelotti.

Há barulhos de mar e crianças entre as músicas e muito espaço nos arranjos, o que me sugere uma respiração mais tranquila, num ambiente praiano.

O disco se aproxima mais da MPB tradicional quase clássica, mas sem sê-lo na totalidade, não é a geração do Camelo, que, assim como eu, foi (ou é?) fã de Bon Jovi...

Foi lançado pelo selo do compositor, Zé Pereira, e distribuído pela Sony/BMG.


O disco começa com 'Teo e a gaivota', que originalmente tinha sido composta para um filme de um amigo. Introdução instrumental longa, Camelo só começa a cantar depois de mais de um minuto. Belo início. Não é um disco que você ache demais de primeira, demora pra perceber, digerir, ouvir detalhes e dinâmicas. No meio a música fica um pouco mais rock, mas depois retorna pra dinâmica mais tranquila. Como de costume, traz versos bonitos e melancólicos: "Todo amor encontra sempre a solidão".


'Tudo passa' quase cita uma música de bossa nova cujo nome esqueci ("eu, você ..."), mas é original e com muitas mudanças e boas ideias. "E até esse pra sempre / Tudo passa". Coincidência esa semana eu ter visto e compartilhado um video onde o fotógrafo fotografou as irmãs por 36 anos, o tempo passa, o que levou a piadinhas infames características, tais como tudo passa, até uva passa...hohoho.


'Passeando' traz um violão de nylon, instrumento não usado na banda antida do Marcelo, mais ligado a uma MPB clássica ou a música instrumental brasileira. Música curta com letra mínima "E lá vai deus sem sequer saber de nós/ saibamos pois / estamos sós".


'Doce solidão' conta com um assovio antes da voz cantando "posso estar só mas sou de todo mundo" (eco tribalista?), mais uma música tranquila e sossegada. E com um piano bonito.


'Janta' é a música que aproximou o casal, depois de Camelo ter 'assediado' (como ele disse) a cantora por emails. Fez a música e convenceu-a a cantar uma parte em inglês. Esta é bem a cara da Mallu, um quase folk com violões de aço e nylon dialogando, assim como os cantores, que alternam as partes no meio. "Pode ser cruel a eternidade".


'Mais tarde' já é um pouco diferente, começa com um tecladinho e o ritmo dá uma pequena levantada, quase rock, com uma guitarra invertida discretíssima no final.


'Menina bordada' continua o fictício lado B mais animado, numa levada com a bateria mais presente e suingada, sendo que no meio se mantém só com belos vocais. Parece feita pra Mallu: "menina bonita bordada de flor / eu vi primeiro / todo o encanto dessa moça / moça por favor / cuida bem de mim".


Dominguinhos aparece tocando a introdução da bela 'Liberdade', que respira e deixa entrar o violão e depois a voz, seguindo assim até o final. "De que vale ser aqui / onde a vida é de sonhar liberdade?". É uma música das mais antigas, que quase entrou no disco '4' dos Los Hermanos. Assim como 'Santa chuva', que já havia sido gravada pela Maria Rita.


'Saudade', 'Santa chuva' e as duas últimas, versões de 'Saudade' e 'Passeando' eu não posso comentar, pois não existe na minha 'versão' do disco (pois é, esse eu baixei e ainda não comprei...).


'Copacabana' é uma marcha-frevo, uma singela homenagem ao bairro, uma música alegre, ou pelo menos tanto quanto um 'quase samba' pode ser, com seus metais típicos.


'Vida doce' é mais uma que começa com violão, mais alegre e com a bateria e vocais bonitos. "Onde você for ó vida me leva / todo sentimento me carrega".


Um belo disco, tranquilo e original. Mas tenho a impressão que quem deveria ter postado esse disco se chama Andréa.

(Dão)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Mallu Magalhães (2009)


Mallu Magalhães sempre me chamou atenção. Daqui de longe ouvia falar de seu nome, de toda a estória do MySpace, das suas composições, da sua adolescência que se misturava com sua habilidade em consertar seus próprios instrumentos musicais.


Ao fim tive contato com sua voz infantil, meio amanteigada – que ao invés de entrar pelos nossos ouvidos, escorrega, devagarinho. E confesso que achei o máximo!


Quando pinta um único olho de azul nos seus shows, Mallu me faz lembrar Rita Lee – garotamutantes com seus coraçõezinhos no rosto na sua fase Tropicália. Mas Mallu me lembra também Bethânia, que aos 16 anos subiu no palco do Teatro Opinião.

Essas intervenções feitas por criaturas tão jovens são de uma ternura incrível, porque o limite entre a brincadeira e a coisa séria, entre o medo e coragem, são muito tênues.


Seu disco é muito delicado, gostoso mesmo de ouvir. Muitas das músicas parecem ter sido compostas com alto teor de amor no sangue. “My home is my man” é roquenrrol retrô, forte, guitarra presente em volume alto. Tudo rapidinho e aos poucos o som vai desbotando. “Shine Yellow” é outra de que gosto muito! Meio reggae, com sopros e percussões.


Esse segundo disco parece um tanto autobiográfico e “Make it easy” deixa claro isso. A música bastante blues começa com um assovio, como um calmante para a alma na hora de enfrentar a mãe. Aqui já estamos falando da “era” Marcelo Camelo...

Essa é a minha favorita! Música de uma paz incrível e a ideia de transformar em canção essa angústia feminina na hora de encarar o tamanho do amor, é maravilhosa.

E o vocal masculino é do namorado…

Make it easy!


“Bee on the grass” me lembra um tanto o som dos Beatles, slow, cheio de sopros, vozes abafadas e borbulhentas, como se drogas psicodélicas estivessem navegando pelas superfícies líquidas dos nossos canais.

Outra muito boa, country total é “ You ain’t gonna loose me”.


O disco acaba com “O herói, o marginal”. Sua canção mais forte, linda, com um arranjo definitivo. E aí Mallu Magalhães quase deixa seu tom de menina e entra fortalecida, viajando na sua própria voz, cresce e termina. E outra vez, Tropicália!


“She was a day tripper

One way ticket, yeah

It took me so long to find out

And I find out”


[ANDRÉA]

ps: essa resenha é para um certo Eduardo, de uma certa Ruberlei. Quando ouvi esse som pela primeira vez estávamos juntos e o Eduardo ficou altamente incomodado quando descobriu que a cantora era brasileira, apesar de cantar quase todo o cd em inglês…

sábado, 14 de maio de 2011

e depois do Sepultura...

Soulfly, Prophecy

...veio o Soulfly, banda do dissidente Max Cavalera, vocal e guitarra base da antiga banda.

Na verdade, esse nem é o primeiro álbum, é o quarto, mas como é o meu preferido, será o primeiro por aqui.

O trabalho de Max pós-Sepultura foi muito mais experimental, utilizando mais percussão e se misturando com muitos outros tipos de música, tais como rap, música eletrônica, mpb, metal industrial, world music (eufemismo para músicas de países 'estranhos'), música instrumental e, no caso específico desse álbum, reggae e música sérvia. Essa referência já aparece na capa, com referência ao Leão de Judá e também nos agradecimentos, onde Bob Marley aparece.
Aqui também há um misticismo que junta Rastafáris, deuses gregos, umbanda, Antigo Testamento e cristianismo.

A mistureba quase esquizofrênica aparece em quase todas as músicas e entre elas também, que diferem muito entre si mas, inesperadamente, o disco tem uma unidade na figura de Max, que também toca cítara, berimbau e é o produtor.

A faixa título começa com um barulho que remete à música eletrônica em loop, mas deve ter sido feita com um whammy ou outro oitavador em cima de uma nota da guitarra. Quando entra a banda é como se os portões do inferno se abrissem. Não é heavy metal típico, pois tem o tempo todo uma percussão tribal, por conta de Joe Nunez e Meia Noite, que dá uma cara mais original a todo o álbum. No meio ocorrem muitas mudanças, inclusive um break com cítara sobre uma base de guitarras pesadas e uma parte bem mais acelerada. O final tem uns vocais fantasmagóricos que já emendam com a segunda música, 'Living sacrifice', mais metal e reta, mantendo o peso e os vocais rasgados, mas trazendo um refrão mais quebrado. Mas o break do meio da música é um dos mais legais da história da música pesada, com várias guitarras se cruzando de um jeito muito interessante. Ainda tem uma outra passagem, mais percussiva (num ritmo de baião) e com 'atmosfera' e vocais falados, emendando num final pesado. Diferente, mas sem ser chato. Quer dizer, meus amigos aqui não são muito fãs de metal, fazer o quê? E os que gostam de metal, acharão o disco estranhíssimo.

Respira um pouco e segue com a porradaria 'Execution style', alternando momentos mais rápidos com passagens mais tipicamente metal, além de um solo cheio de tappings e outros malabarismos guitarrísticos.

'Defeat u' é thrash metal típico do estilo Max, curta e grossa.

'Mars' é uma das melhores, pela letra sobre o deus da guerra, pelo refrão sensacional, pela percussão mais uma vez além do metal.
"I am Mars, the God of war,
you bow to me like you did before"
Então o clima muda totalmente, entram violões de nylon e barulhinhos atmosféricos, a música se transforma num som quase acústico e mais pro fim num reggae inesperado e herege (pros bitolados do metal, que até hoje esperam a volta do Max pra antiga banda). Como diria o colaborador sumido Xampu 'Gêêênio'...

'I believe' inicia com uma guitarra limpa e cheia de efeitos, pra depois emendar na típica porradaria esperada. No meio aquelas mudanças extremas, com sons mais calmos, vozes corais de fundo e a voz falada de Max. Muita dinâmica, às vezes demais. Não é som para fracos de coração nem portadores de ouvidos frágeis.

'Moses' muda a dinâmica, começando bem lenta com metais latinos típicos de ska e vocais de dub-reggae, alternando com passagens mais pesadas e gritadas, desembocando num refrão quase reggae-pop com bateria quase new wave (!!) e retornando ao clima reggae com sopros. Parece estranho, mas funciona, o trabalho de arranjo e mixagem deve ter sido insano. Aqui há a participação dos Eyesburn, que acho que deve ser uma banda de reggae/dub.

Falando em participações especiais, o disco traz Danny Marianino em 'Defeat U', Asha Rabouin em 'I believe' e 'Wings', além de 5 faixas com o excelente ex-baixista do Megadeth David Ellefson.

'Born again anarchist' podia ser um típico punk hardcore, mas como tem aquela percussão atípica foge ao esperado, além de mais uma mudança radical com sons percussivos e teclados ambientes.

'Porrada' não é cover dos Titãs (o Sepultura gravou 'Polícia'), começando com uma vinheta com violões de nylon e depois começando - agora sim - um hardcore na velocidade de luz e uma letra em português totalmente dispensável. Tem uma passagem no meio estranha, quebrada com uma voz falando umas coisas incompreensíveis, e termina com uma batucada de samba.

Um cover do Helmet, banda de metal industrial, 'In the meantime' é uma grata surpresa, principalmente pelo fato de ter ficado bem legal, apesar de toda quebradeira da música.

Como se tornou tradição nos discos do Soulfly, o disco traz uma instrumental calminha, 'Soulfly IV', muito bonita, que é seguida por uma também bela música inteirinha calma(!), 'Wings', com vocais femininos da já citada Asha Rabouin.
E termina com uma vinheta sem nome que parece música de circo!

Um disco variadíssimo, muito legal, que, claro, foi muito malhado pela imprensa metal... Tolerância elástica minha, dirão os detratores.
(Dão)

Lulu, Lulu Santos



Trago hoje aqui o maior hitmaker pop do Brasil, sua ausência no blog era injustificável.


Escolha pessoal e emocional, lembro como se fosse hoje o primeiro show que vi dele, no ginásio do colégio Salesianos em Santa Rosa (hoje Jardim Icaraí) em Niterói, RJ. Aliás, todos nós temos momentos em que lembramos pro resto da vida onde estávamos (onde vc estava no dia da queda das torres ou do anúncio da morte do Tancredo, por exemplo). É engraçado que os mais marcantes pra mim sejam ligados à música: lembro do dia do assassinato do Lennon (e eu tinha 9 ou 10 anos!) e lembro perfeitamente onde e com quem eu estava, pra onde eu estava olhando e mesmo como o céu estava no momento em que ouvi 'Smells like teen spirit'...

É uma frase batida, mas verdadeira: minha vida mudou ali. PQP, som perfeito, guitarra maravilhosa, luzes, adolescentes lindas (Niterói é pródiga), fumaças, arrepios! Quero ser músico! Quero ser o Lulu! Bom, isso mudou, mas ainda sou muito grato por essa epifania, que inclusive me levou a muitas outras, shows são pra mim o mais próximo de uma religião. E acabei comprando uma Sitar Guitar igual à dele.


Luís Maurício Pragana dos Santos lançou muitos discos e incontáveis sucessos ao longo de sua prolífica carreira, mas esse aqui contem hits dos quais eu gosto muito e alguns são cantados/reinterpretados até hoje, ir a um show dele é cantar quase tudo mais antigo com quase toda a platéia.


Ao disco: o início com 'Casa (o eterno retorno)' já mostra muito do que são as músicas do Lulu: guitarras limpas e lindas com um arpejo criativo, letras narrativas e aqueles refrões ganchudos que normalmente já são cantados em seguida por quem ouve. Linha de baixo pulsante, guitarrinha slide discreta, solo mágico e emocionante com Ebow (afinal mágica é aquilo que feito/executado de um modo pelo qual vc nem sabe como, e eu nem imaginava o que era um Ebow; aliás se vc tb não sabe procura no google, ou melhor, no youtube, pra ver como funciona). Excelente canção com excelente embalagem.


O disco segue bem com uma música atípica para a época: 'Condição' traz uma guitarra mais pesada e é um quase-rap, sendo cantado uma vez por Lulu e na vez seguinte pelo genial baixista niteroense Arthur Maia, que acho que tocava no disco inteiro (não tenho esse disco fisicamente nem achei a ficha técnica na internet). Ainda tem aquela voz com vocoder que seria tão banalizada na música dance dos anos 00. E aquele feedback de guitarra que deve ter ensurdecido alguém no estúdio.


'Minha vida' é uma das músicas da qual eu mais me lembro no show citado, momento auto-biográfico do Lulu, mais um arpejo lindaço e um baixo fretless contribuem pro sonzão da canção. Piegas, mas compensa.


'Pé atrás' não é das conhecidas do Lulu, o que não quer dizer que seja ruim, é uma música bem balançada e balançante com apelo pop, antecipando uma linha um pouco mais brazuca e samba-rock que seria adotada no disco 'Popsambalanço e outras levadas'.


'Um pro outro' também é das clássicas e românticas do nosso ídolo pop, trazendo a característica slide guitar discreta e marcante. Refrão pra galera cantar fechando os zolhinhos..."Nós somos feitos um pro outro, pode crer, por isso é que eu estou aqui".


A música seguinte, 'Twist', é também muito legal, com uma letra estranha e uns harmônicos subliminares. Tem um solinho dialogando com o sax.


'Duplo sentido' é uma das desconhecidas, rápida e quase dispensável.


'Telegrama' diminui o ritmo, parecendo até com algo dos Paralamas mais antigos. Cantada com uma voz mais calma, é uma bela música. Aqui, Luís Maurício, guitarrista subestimado que mostrava todo a veia rock no trio Jacaré, nos brinda com um dos poucos solos com mais notas e bem mais drive.


'Demon' começa com um riff rock e desemboca num reggae cheio de ecos e dubs, e uma letra nonsense em inglês, finalizando com mais um solo dialogando com o saxofone. Interessante e bizarra, um pouco longa demais.


'Ro-que-se-da-ne' fecha o disco com um rock'n'roll rápido e mais uma letra estranha: "o cara fuma bebe e cheira e quer pegar no meu pau"...estranhíssima, aliás. Solo rock'n'roll pegando fogo. "as minas fuma bebe e cheira até passar mal, cheira a noite inteira, fala sem parar". Acho que estive nessa festa...


(Dão)

Sobre as coletâneas

Esclarecendo: realmente ficou implícito (ou explícito, sei lá) que evitaríamos as coletâneas por aqui.
Mas como esse é um espaço auto-gerido (bonito, hein!), meio anarquista e, principalmente, não existe punição para eventuais transgressões, essa regra não pegou totalmente...
Então, trilhas sonoras (que quase invariavelmente são coletâneas com vários artistas, com exceção de algumas novelas do começo da década de 70, quando eram entregues para artistas escolhidos, como Paulo Coelho/Raul Seixas ou Erasmo/Roberto), coletâneas tributo (como 'Rei') ou coletâneas específicas (como a dos 20 anos de rock brasil ou uma de chorinho que acho que o Mateus postou) vêm sendo agraciadas com sua presença no nosso blog.
Penso que as que devam ser evitadas são as citadas pelo Paulinho, tais como 'o melhor de', 'milennium' etc.
Mas, mesmo assim, já vejo exceções.
Por exemplo, depois de postar o tributo ao Jackson do Pandeiro pelo Genival Lacerda, pensei em postar algo do original. Contudo, não tenho nenhum disco dele, só uma coletânea, muito boa por sinal, chamada 'Como tem Zé na Paraíba' (aliás aqui tb tem bastante Zés...hohoho).
Outra que, apesar de citada logo ali em cima, eu tenho vontade de postar é a milennium da Cassia Eller, pelo fato de ter músicas que não constam de outros discos dela (como 'Não deixe o samba morrer' com a Alcione, 'Smells like teen spirit' ao vivo, 'A flauta mágica/Satisfaction' com o Edson cordeiro etc).
E também tem os excelentes discos 'Casa de samba', com várias edições e artistas variados cantando clássicos do samba.
Enfim, acho que fica por conta de cada um, claro que de preferência com boas justificativas.
Obrigado pela atenção,
voltamos a nossa programação normal.
(Dão)

terça-feira, 10 de maio de 2011

Terminando a saga 20 anos de rock brasil



20 anos de Rock Brasil cd 4


Rá! Você achou que eu não fosse terminar, né? Mas é sempre bom finalizar um projeto, mesmo que inútil como esse blog, música, cultura ou arte em geral...

Eu sempre olhava pra esse último cd meio com estranhamento, pois na verdade eu achava que a coletânea era sobre o rock dos anos 80, quando na verdade o título é claro e auto-explicativo: 20 anos de rock, e não rock de 20 anos atrás, bundão! E esse cd traz o rock dos anos 90.


Então vamos lá: começamos com os decanos Titãs, com a música do cd de renascimento 'Acústico' (que inclusive teve um filhote volume 2!) 'Os cegos do castelo', uma das poucas inéditas do disco, ainda cantada pelo agora solo Nando Reis. Música legalzinha, os Titãs têm muitas outras melhores.


Depois vem o Rappa, com certeza a melhor banda dos anos 90 e (mais ou menos) na ativa até hoje. 'Pescador de ilusões' não é a minha preferida, mas é hit pop reggae e cantada até hoje nos (cada vez mais raros) shows da banda.


'Por você' é uma música atípica de um disco atípico (Puro êxtase, com abordagem dance eletrônica) do Barão Vermelho, mas é uma belíssima balada entre as muitas já compostas pelo grupo.


Cidade Negra é uma banda antiga (com o nome de Lumiar), ainda dos anos 80, mas na época não fazia sucesso. 'Falar a verdade' ainda é cantada pelo Ras Bernardo, o antigo e desconhecido vocalista, depois substituído (ou saído) pelo Toni Garrido (vindo da banda Bel, não a baiana), quando a banda virou pop e merecidamente estourou a boca do balão.


O Skank traz um reggae tipo dancehall (vai no google, Zeba!), estilo no qual começaram, depois enveredando por um caminho mais rock anos 60 com pitadas de Clube da Esquina. 'Garota nacional' é um mega hit do disco 'Samba poconé'.


Tem gente que adora, tem gente que odeia. Eu gosto de Charlie Brown Jr, acho animado, bom pra festa e sessions de skate, principalmente os primeiros discos, ainda com a banda original azeitada e mais pesada, mais ligada no hardcore ou grindcore. 'Proibida pra mim (grazon)' podia ser uma balada, e assim foi gravada pelo Zeca Baleiro.


Raimundos sempre foi uma banda engraçada e com talento pra escrever quase-baladas grudentas. Aqui eles atingem o auge, numa música eterna, 'Mulher de fases', com um finalzinho com cordas e tudo! É do único disco deles que eu não tenho, 'Só no forevis'.


'Mantenha o respeito' é o hino definitivo do maconheiro bem educado, aquele que pede se pode acender no carro ou se deve ir fumar lá fora pra não incomodar. 'Usuário', já comentado por aqui, é um crássico desde sempre! É uma pena o grupo estar inativo, mas a carreira do D2, do BNegão e do Black Alien mantêm a tocha (entre outras coisas) acesa.


'Minha alma (a paz que eu não quero)' é uma bela composição do Rappa, daquele que é o seu melhor álbum, o 'Lado B lado A', o último com o compositor e baterista Marcelo Yuka. Deu origem a um belíssimo video.


'Anna Júlia' é um dos raros pop perfeitos criados no Brasil, o que levou o grupo Los Hermanos de um mundinho alternativo carioca para uma super-mega-ultra exposição nacional, o que levou a um previsível desgaste e antipatia por parte dos ouvintes. Mas a pérola resiste, mesmo que ninguém consiga ouvir mais...como os amigos daqui dizem, está de quarentena por alguns anos. E depois a banda se redimiu e fez um dos melhores discos ever, já comentado aqui pelo amigo e baixista Paulinho.


'Fácil' também é um pop muito tocado em festas, baladas e exposições agropecuárias Brasil afora e adentro. O Jota Quest é isso, sem vergonha e com muita vontade de ser isso, e são bons músicos e eficazes. Tem quem goste, eu até ouço se estiver tocando, mas pagar por isso...


Quase acabando o cd, vem o ex-Titãs Nando Reis, com uma música que a princípio foi gravada pela Cassia Eller e depois gravada pelo autor no disco solo 'Infernal', e em seguida regravada pela Cássia no seu estourado 'Acústico'. Essa música já foi interpretada por amigos aqui do blog sob uma ótica pornô-cosmológica, mas como eu não estava presente, vou me abster. Se alguém quiser anexar um adendo, fique à vontade.


Pra terminar o sempre pop Kid Abelha, agora sem 'os abóboras selvagens', trazendo aqui uma versão de uma música do síndico Tim Maia, 'Não vou ficar', animada e pra cima, com um sonzaço, presente no disco 'Tudo é permitido'. Mas podiam ter colocado aqui uma música própria, né?


Então é isso, terminou. Até que lancem '30 anos de rock brasil' incluindo os anos 00...

Continuando a saga Sepultura



Beneath the remains


Aqui começa uma seqüência de grandes discos do Sepultura. Depois do excelente 'Schizofrenia' a banda ganhou respeito e pode gravar um disco com mais condições, depois de uma semana de negociação do Max Cavalera com a gravadora Roadrunner em Nova Iorque, com orçamento inicial de US$8.000, que depois dobrou...

Foi contratado como produtor Scott Burns, que já havia trabalhado com bandas de metal extremo na Flórida (Obituary, Death, Morbid Angel), uma escolha certeira para a originalidade e sonoridade brilhante do disco.

O disco conta mais uma vez com os sintetizadores eventuais do amigo de BH Henrique Portugal (Skank).


Começando com a faixa título, que inicia com um dedilhado limpo e vozes fantasmagóricas, seguindo em frente depois com riffs acelerados e a voz bruta de Max, além de várias mudanças de ritmo, característica marcante da banda.

A segunda faixa, 'Inner self', teve até video na MTV, com cenas de skate e a banda numa produção tosca. A música se tornou um hit da banda, sempre cantada pela massa metaleira. Tem até uma passagem estranha no meio, com uma parte dedilhada e a voz falada.

'Stronger than hate' vem em seguida com força e rapidez, com um tapping de baixo no final.

'Mass hypnosis', mais uma letra excelente da banda que melhorava muito os temas, fugindo do satanismo/anarquismo primitivo anterior. Também sempre cantada pela galera, teve um video ao vivo que rolava às vezes, tirado de um show gratuito que a banda deu em sampa, novo lar dos mineiros. Um solo muito legal e uma bateria matadora no break pós-solo, com mais um dedilhado muito legal.

Foi após esse disco que os vi pela primeira vez no Circo Voador-RJ, me impressionou o som nítido e as variações de dinâmicas. A banda começava a ficar grande e extremamente profissional.

'Sarcastic existence' começa com a bateria com bumbo duplo e a massa sonora aparece na seqüência.

'Slaves of pain' mantem o pique e a bateção de cabeça continua, até a hérnia cervical chegar...idade é foda.

'Lobotomy' é mais do mesmo, o que não chega a ser ruim, mas o estilo faz com que as músicas não sejam muito diferentes entre si, mesmo com muitas mudanças durante a música.

'Hungry' também é bem legal e mais uma do estilo 'muitas mudanças, que música é essa mesmo?'.

'Primitive future' encerra muito bem o álbum, com um dos melhores vocais (pra quem gosta do estilo) do Max.


A reedição de 1997 traz mais 3 músicas, sendo 2 versões 'drum tracks' (Inner self & Mass hipnosys) e o cover dos Mutantes 'A hora e a vez do cabelo crescer', cantada aqui em inglês. Esse cover saiu originalmente no disco Sanguinho novo, um tributo ao Arnaldo Baptista, e, se não me engano, nesse disco era cantada em português. Se alguém tiver isso, aliás, é um bom disco pra ser postado aqui!