
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Sou (ou nós), Marcelo Camelo

terça-feira, 17 de maio de 2011
Mallu Magalhães (2009)

Mallu Magalhães sempre me chamou atenção. Daqui de longe ouvia falar de seu nome, de toda a estória do MySpace, das suas composições, da sua adolescência que se misturava com sua habilidade em consertar seus próprios instrumentos musicais.
Ao fim tive contato com sua voz infantil, meio amanteigada – que ao invés de entrar pelos nossos ouvidos, escorrega, devagarinho. E confesso que achei o máximo!
Quando pinta um único olho de azul nos seus shows, Mallu me faz lembrar Rita Lee – garotamutantes com seus coraçõezinhos no rosto na sua fase Tropicália. Mas Mallu me lembra também Bethânia, que aos 16 anos subiu no palco do Teatro Opinião.
Essas intervenções feitas por criaturas tão jovens são de uma ternura incrível, porque o limite entre a brincadeira e a coisa séria, entre o medo e coragem, são muito tênues.
Seu disco é muito delicado, gostoso mesmo de ouvir. Muitas das músicas parecem ter sido compostas com alto teor de amor no sangue. “My home is my man” é roquenrrol retrô, forte, guitarra presente em volume alto. Tudo rapidinho e aos poucos o som vai desbotando. “Shine Yellow” é outra de que gosto muito! Meio reggae, com sopros e percussões.
Esse segundo disco parece um tanto autobiográfico e “Make it easy” deixa claro isso. A música bastante blues começa com um assovio, como um calmante para a alma na hora de enfrentar a mãe. Aqui já estamos falando da “era” Marcelo Camelo...
Essa é a minha favorita! Música de uma paz incrível e a ideia de transformar em canção essa angústia feminina na hora de encarar o tamanho do amor, é maravilhosa.
E o vocal masculino é do namorado…
Make it easy!
“Bee on the grass” me lembra um tanto o som dos Beatles, slow, cheio de sopros, vozes abafadas e borbulhentas, como se drogas psicodélicas estivessem navegando pelas superfícies líquidas dos nossos canais.
Outra muito boa, country total é “ You ain’t gonna loose me”.
O disco acaba com “O herói, o marginal”. Sua canção mais forte, linda, com um arranjo definitivo. E aí Mallu Magalhães quase deixa seu tom de menina e entra fortalecida, viajando na sua própria voz, cresce e termina. E outra vez, Tropicália!
“She was a day tripper
One way ticket, yeah
It took me so long to find out
And I find out”
[ANDRÉA]
ps: essa resenha é para um certo Eduardo, de uma certa Ruberlei. Quando ouvi esse som pela primeira vez estávamos juntos e o Eduardo ficou altamente incomodado quando descobriu que a cantora era brasileira, apesar de cantar quase todo o cd em inglês…
sábado, 14 de maio de 2011
e depois do Sepultura...
Soulfly, Prophecy...veio o Soulfly, banda do dissidente Max Cavalera, vocal e guitarra base da antiga banda.
Na verdade, esse nem é o primeiro álbum, é o quarto, mas como é o meu preferido, será o primeiro por aqui.
O trabalho de Max pós-Sepultura foi muito mais experimental, utilizando mais percussão e se misturando com muitos outros tipos de música, tais como rap, música eletrônica, mpb, metal industrial, world music (eufemismo para músicas de países 'estranhos'), música instrumental e, no caso específico desse álbum, reggae e música sérvia. Essa referência já aparece na capa, com referência ao Leão de Judá e também nos agradecimentos, onde Bob Marley aparece.
Aqui também há um misticismo que junta Rastafáris, deuses gregos, umbanda, Antigo Testamento e cristianismo.
A mistureba quase esquizofrênica aparece em quase todas as músicas e entre elas também, que diferem muito entre si mas, inesperadamente, o disco tem uma unidade na figura de Max, que também toca cítara, berimbau e é o produtor.
A faixa título começa com um barulho que remete à música eletrônica em loop, mas deve ter sido feita com um whammy ou outro oitavador em cima de uma nota da guitarra. Quando entra a banda é como se os portões do inferno se abrissem. Não é heavy metal típico, pois tem o tempo todo uma percussão tribal, por conta de Joe Nunez e Meia Noite, que dá uma cara mais original a todo o álbum. No meio ocorrem muitas mudanças, inclusive um break com cítara sobre uma base de guitarras pesadas e uma parte bem mais acelerada. O final tem uns vocais fantasmagóricos que já emendam com a segunda música, 'Living sacrifice', mais metal e reta, mantendo o peso e os vocais rasgados, mas trazendo um refrão mais quebrado. Mas o break do meio da música é um dos mais legais da história da música pesada, com várias guitarras se cruzando de um jeito muito interessante. Ainda tem uma outra passagem, mais percussiva (num ritmo de baião) e com 'atmosfera' e vocais falados, emendando num final pesado. Diferente, mas sem ser chato. Quer dizer, meus amigos aqui não são muito fãs de metal, fazer o quê? E os que gostam de metal, acharão o disco estranhíssimo.
Respira um pouco e segue com a porradaria 'Execution style', alternando momentos mais rápidos com passagens mais tipicamente metal, além de um solo cheio de tappings e outros malabarismos guitarrísticos.
'Defeat u' é thrash metal típico do estilo Max, curta e grossa.
'Mars' é uma das melhores, pela letra sobre o deus da guerra, pelo refrão sensacional, pela percussão mais uma vez além do metal.
"I am Mars, the God of war,
you bow to me like you did before"
Então o clima muda totalmente, entram violões de nylon e barulhinhos atmosféricos, a música se transforma num som quase acústico e mais pro fim num reggae inesperado e herege (pros bitolados do metal, que até hoje esperam a volta do Max pra antiga banda). Como diria o colaborador sumido Xampu 'Gêêênio'...
'I believe' inicia com uma guitarra limpa e cheia de efeitos, pra depois emendar na típica porradaria esperada. No meio aquelas mudanças extremas, com sons mais calmos, vozes corais de fundo e a voz falada de Max. Muita dinâmica, às vezes demais. Não é som para fracos de coração nem portadores de ouvidos frágeis.
'Moses' muda a dinâmica, começando bem lenta com metais latinos típicos de ska e vocais de dub-reggae, alternando com passagens mais pesadas e gritadas, desembocando num refrão quase reggae-pop com bateria quase new wave (!!) e retornando ao clima reggae com sopros. Parece estranho, mas funciona, o trabalho de arranjo e mixagem deve ter sido insano. Aqui há a participação dos Eyesburn, que acho que deve ser uma banda de reggae/dub.
Falando em participações especiais, o disco traz Danny Marianino em 'Defeat U', Asha Rabouin em 'I believe' e 'Wings', além de 5 faixas com o excelente ex-baixista do Megadeth David Ellefson.
'Born again anarchist' podia ser um típico punk hardcore, mas como tem aquela percussão atípica foge ao esperado, além de mais uma mudança radical com sons percussivos e teclados ambientes.
'Porrada' não é cover dos Titãs (o Sepultura gravou 'Polícia'), começando com uma vinheta com violões de nylon e depois começando - agora sim - um hardcore na velocidade de luz e uma letra em português totalmente dispensável. Tem uma passagem no meio estranha, quebrada com uma voz falando umas coisas incompreensíveis, e termina com uma batucada de samba.
Um cover do Helmet, banda de metal industrial, 'In the meantime' é uma grata surpresa, principalmente pelo fato de ter ficado bem legal, apesar de toda quebradeira da música.
Como se tornou tradição nos discos do Soulfly, o disco traz uma instrumental calminha, 'Soulfly IV', muito bonita, que é seguida por uma também bela música inteirinha calma(!), 'Wings', com vocais femininos da já citada Asha Rabouin.
E termina com uma vinheta sem nome que parece música de circo!
Um disco variadíssimo, muito legal, que, claro, foi muito malhado pela imprensa metal... Tolerância elástica minha, dirão os detratores.
(Dão)
Lulu, Lulu Santos

Sobre as coletâneas
Mas como esse é um espaço auto-gerido (bonito, hein!), meio anarquista e, principalmente, não existe punição para eventuais transgressões, essa regra não pegou totalmente...
Então, trilhas sonoras (que quase invariavelmente são coletâneas com vários artistas, com exceção de algumas novelas do começo da década de 70, quando eram entregues para artistas escolhidos, como Paulo Coelho/Raul Seixas ou Erasmo/Roberto), coletâneas tributo (como 'Rei') ou coletâneas específicas (como a dos 20 anos de rock brasil ou uma de chorinho que acho que o Mateus postou) vêm sendo agraciadas com sua presença no nosso blog.
Penso que as que devam ser evitadas são as citadas pelo Paulinho, tais como 'o melhor de', 'milennium' etc.
Mas, mesmo assim, já vejo exceções.
Por exemplo, depois de postar o tributo ao Jackson do Pandeiro pelo Genival Lacerda, pensei em postar algo do original. Contudo, não tenho nenhum disco dele, só uma coletânea, muito boa por sinal, chamada 'Como tem Zé na Paraíba' (aliás aqui tb tem bastante Zés...hohoho).
Outra que, apesar de citada logo ali em cima, eu tenho vontade de postar é a milennium da Cassia Eller, pelo fato de ter músicas que não constam de outros discos dela (como 'Não deixe o samba morrer' com a Alcione, 'Smells like teen spirit' ao vivo, 'A flauta mágica/Satisfaction' com o Edson cordeiro etc).
E também tem os excelentes discos 'Casa de samba', com várias edições e artistas variados cantando clássicos do samba.
Enfim, acho que fica por conta de cada um, claro que de preferência com boas justificativas.
Obrigado pela atenção,
voltamos a nossa programação normal.
(Dão)
terça-feira, 10 de maio de 2011
Terminando a saga 20 anos de rock brasil

Continuando a saga Sepultura
