sábado, 9 de outubro de 2010

Lero Lero - Luísa Maita (2010)


misto de tédio e mistério

meio dia / meio termo

incerto ver nesse inverno

medo que a noite tem

que o dia acorde mais cedo

e seja eterno o amanhecer

(misto de tédio e mistério – leminski)


Luísa Maita era um mistério. Lero Lero chegou nas minhas mãos no agosto gelado de 40 anos. Misto de mistério sem tédio. Uma poesia que só fui desvendar no agosto quente da Mountain Avenue.


E o cd foi se revelando devagarinho, na paz, como toda música ouvida pela primeira vez merece ser tratada. Abrindo com a sossegada Lero Lero, com voz de algodão acompanhada de um violão de batida marcante, Luísa Maita à vontade canta as coisas invisíveis e indizíveis da amizade. Uma música cantada em códigos. Códigos do olhar, da rua, da intimidade.


E assim segue, o cd todo desliza como se estivesse numa corda bamba. Os passos são lentos, mas a leveza e a graça são essenciais na travessia. É assim que eu escuto Lero Lero – a aspereza tratada com fragilidade.


O repertório é cheio de fatos cotidianos – amor, motoboys, uma pessoa andando de bici, o mar. É a simplicidade transformada em poesia do dia-a-dia: e tem um samba ali, uma música eletrônica aqui, uma cuíca lá e uma viola do outro lado. Luísa Maita em Lero Lero coloca notas musicais na rotina de São Paulo. As cores aparecem, mesmo na aparente ausência de cor. O caos gris flutua e se transforma numa viagem.


O som parece artesanal, saído de um ateliê. Lero Lero é cheio de conversas paralelas, de velocidade, de alegria, de rastros jamaicanos. “Onde é que aquilo ia dar/ E o medo vinha devagar/ Mas o desejo de sonhar tomava conta lugar”.


Lero Lero é um pedido de água, de trégua. É a poesia extraída de uma constelação nova. Supernova.

[ANDRÉA]

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Mais um com Robertão!



Um amigo um dia afirmou: “O problema da Maria Bethania é que se ela canta parabéns a você, realmente você se sente envelhecendo”.

Mas também é uma virtude. Veja o caso desse disco que ela fez só com canções de Roberto e Erasmo.

A principio achei uma heresia. Ninguém canta Roberto, como Roberto. E essa verdadeira tentativa infeliz de esquecer o fato não deve cair bem.

Mas, basta uma conferida superficial para concluir-se que a Bethania está para o Roberto nas suas intimistas, como a Ternurinha para a Jovem Guarda. Parceria tardia.

E bota tardia nisso. O disco é de 1993. Nesta época Roberto era o mesmo de hoje, só não andava de navio por aí. Fico pensando. Se essa parceria fosse mais constante, talvez o Robertão não pagasse o mico que andou pagando com musica pra gordinha, caminhoneiro...rimando Amazônia com insônia e, sonho dos sonhos, talvez Baleias não fosse sequer intuída.

Imagino assim: um belo dia Roberto Carlos acordaria suando, tremendo, cutuca a esposa e fala que teve um sonho estranho com mar, Moby Diky, arpões, coisas do gênero. Em vez da mulher falar ciosas do tipo “que os pesadelos são algum problema adormecido, durante o dia a gente tenta com sorrisos disfarçar alguma coisa que na alma conseguimos sufocar”, mandaria ele ouvir um Bethania qualquer, sugerisse uma bela muqueca baiana e mandava ele não mais encher o saco com essas bobagens que ela queria dormir.

Seja como for, as baleias sobreviveram.

Mesmo sendo de 1993, temos aí uma Maria Bethanea que tomou o cuidado de só escolher musicas da velha fase. Naturalmente, excluindo tudo da Jovem Guarda, por Deus!

As musicas do Roberto e Erasmo que se situam entre a Jovem Guarda e o Guerra dos Meninos (essa eu gosto, fazer o que?) são geniais e sempre foram as minhas prediletas de toda MPB. Esse disco resgata o que há de melhor desse interim. Pena que não é duplo!

Fera Ferida e Olha são, de longe, as minhas prediletas de toda obra da dupla. E estão no disco.

Essa obra com suas musicas só é comparável em sua biografia com o seansacional show que ele acaba de fazer para o centenário do TIMÃO!

ZEBA

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Meia lã com linha (Los Hermanos - 4, 2005)

Esqueça o Maracanã lotado em festa para um Fla-Flu decisivo. Esqueça todas aquelas bundinhas maravilhosas espalhadas sobre as areias de Ipanema e Copacabana. Esqueça o eterno bom-humor e joie de vivre do carioca. Los Hermanos é outra parada. É tão outra que, não fosse o sotaque, passaria a certeira impressão de ser da terra da garoa, do túmulo do samba. Ou ainda além: é tanta milonga que, como o nome mesmo sugere, Los Hermanos soa como música porteña...


4 parece ter sido seu disco de despedida (provisoriamente definitivo). E tem ares mesmo de missa de Réquiem:


É de lágrima que eu faço o mar pra navegar...


Canta o Marcelo Camelo na última faixa (É de Lágrima). Isso deve ser mesmo uma das frases mais triste de toda a música brasileira... E o disco todo é assim. A capa em tons de rabecão, as vozes cansadas, o ritmo arrastado...


O mar é tema. Mas nada de dia de luz, festa do sol, barquinhos a deslizar, peixinhos e beijinhos e outras frescuras. Aqui a coisa está mais pra Hemingway do que pra João Gilberto. Se termina em mar, assim começa também o disco. Em Dois Barcos o verso inicia-se...


Quem bater primeiro a dobra do mar / dá de lá bandeira qualquer / aponta pra fé... e rema


E adiante, o que parece ser a chave deste 4. Los Hermanos olham para o mar, e não para a areia. E o mar é solidão, é tristeza e medo do desconhecido:


Fez-se mar, senhora, o meu penar / Demora não, demora não / Vai ver o acaso entregou alguém pra lhe dizer / O que qualquer dirá...


Rodrigo Amarante também acompanha a onda do mar de Camelo, e traz do mar o parceiro, o Vento:


Posso ouvir o vento passar / Assistir à onda bater / Mas o estrago que faz / A vida é curta para dizer


E também dele é o melhor momento deste disco, Condicional. Num ritmo de baile de quermesse (ou marchinha, como prefere a banda), a melodia é cantada como uma partida de tênis, num bate e volta emendando o fim de um verso com o começo do próximo, deixando o miolo suspenso no ar...


Quis nunca te perder / Tanto que demais / Via em tudo o céu / Fiz de tudo o cais / Dei-te pra ancorar / Doces deletérios

Eu quis ter os pés no chão / Tanto eu abri mão / Que hoje eu entendi / Sonho não se dá / É botão de flor / O sabor de fel / É de cortar.

Eu sei é um doce te amar / O amargo é querer-te pra mim / O que eu preciso é lembrar, me ver / Antes de te ter e de ser teu, muito bem


Em seu quarto disco, que poderia muito bem se chamar (a)mar, Los Hermanos aprofundam a melancolia que já assolava os trabalhos anteriores. Fazendo lembrar que a alegria é um estado interior e que, mesmo em condições exteriores ideais, às vezes ela não bate.


Os dias que eu me vejo só / São dias que eu me encontro mais / E mesmo assim eu sei tão bem / existe alguém pra me libertar


Finaliza o Amarante esta belíssima canção. Mesmo na cidade maravilhosa, quente e ensolarada, dá pra ficar solitário e triste de vez em quando. Mas há de passar, viu? Depois da tormenta vem a calmaria, e, no mais


a gente quer ver...

o horizonte distante!


[M]

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Exagerado!!!!

Esse post é dedicado ao Ezequiel Neves, que ‘conseguiu’ morrer no mesmo dia - 20 anos depois – do Cazuza, 7 de julho de 2010 e de 1990, respectivamente.
Ezequiel, junto com Nico Resende (também tecladista no disco), produziu esse primeiro disco solo de Cazuza, chamado de Cazuza, mas conhecido como Exagerado.
Exagerado seria um excelente nome de disco, mais ainda sendo de quem é.
A essa altura, não preciso explicar quem é, o que fez antes, de quem ele é filho etc. Aqui vamos escutar e comentar esse disco de estréia, muito muito bom.
O gosto de Caju extrapolava o blues/rock’n’roll do Barão Vermelho e, conseqüentemente, o levou à carreira solo, onde poderia flertar com a MPB, o samba, Dolores Duran, Lupicío Rodrigues, Cartola, bossa-nova etc.
Agenor de Miranda Araújo Neto lançou 5 discos em 4 anos, alguns dos quais serão resenhados aqui. Conta muito a urgência de saber-se soropositivo, numa época em que a ‘sobrevida’ era bem menor.
O disco tem uma sonoridade mais limpa, menos rock do que os do Barão, mas ainda não tão MPB quanto os posteriores.
Começa bem, ‘Exagerado’ é um clássico, parceria brilhante com Ezequiel e Leoni. Também tem um solo belíssimo, curto e expressivo, do pra mim desconhecido Rogério Meanda. Nada que o Google não resolva: atualmente é guitarrista da Blitz, parceiro de composição da minha ex-colega de Direito na UFF Vanessa Rangel. Ah, também presente no disco ‘Xuxinha e Guto contra os monstros do espaço’...
E também é co-autor da radiofônica (tocou bem, eu lembro, meninos, eu ouvi) ‘Medieval II’. Muitas guitarrinhas bonitas. ‘Será que sou medieval?/ Eu que me acho um cara tão atual/ na moda da nova idade média/ na mídia da novidade média’.
‘Cúmplice’ é a canção seguinte, pop, legal.
‘Mal nenhum’ é das melhores, parceria com Lobão. ‘Eu não posso causar mal nenhum, a não ser a mim mesmo’, o óbvio eventualmente parece genial, principalmente em certas matérias sensíveis, tendentes à histeria, como aqui no caso, As Drogas.
‘Balada de um vagabundo’, parceria de Frejat e Waly Salomão, legal também, pop também. Destaques: ‘maracujá de gaveta num prédio vazio num terreno baldio’, ‘um vício só pra mim não basta/ é uma inflação de amor incontrolável’.
Segue a belíssima e açucarada ‘Codinome Beija Flor’, parceria com Ezequiel e Reinaldo Arias. Conhecidíssima, mas ainda boa de ouvir. ‘Prendia o choro e aguava o bom do amor’.
‘Desastre mental’ tem uns timbres de guitarra mais pesados no começo, alternando com uma calma nos versos. Legal.
Seguem 3 parcerias com Frejat: ‘Boa vida’, pop nada demais; ‘Só as mães são felizes’, bluesaço censurado (‘você nunca sonhou ser currada por animais/ nem transou com cadáveres/ nem quis comer a sua mãe’) e muito legal – mesmo que eu prefira a versão do Barão; e ‘Rock da descerebração’, que também foi gravada pelo Barão num ao vivo excelente.
Viva Cazuza e Ezequiel!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Sentinela - Milton Nascimento (1980)


"Sentinela" parece que veio ao mundo para celebrar a amizade. Sentinela, palavra feminina, é também o ato de preservar e de guardar - e tenho me dado conta cada vez mais que a música aperta o nó da amizade, preservando e guardando o vínculo aos que gosto. Uma onda amorosa que vai enlaçando suavemente um a um – sempre na melhor vibração.


Ganhei "Sentinela" ainda em vinil, quando terá sido isso? Sei lá, em 1984, 85? Já não me recordo mais... Mas me lembro de ter encontrado o LP na porta da frente da minha casa, encostadinho me esperando - e vinha com um bilhete escrito numa folha de caderno. Foi meu primeiro presente-musical vindo de um amigo.


Na época Caetano e Milton transitavam pelos meus ouvidos. Eram como duas ondas de rádios diferentes e elas conviviam muito bem dentro de mim. A música tem isso de nos transformar em mil – o tempo passa e cada vez mais novos canais vão se adicionando e se aninhando aos que já estão lá e todos se encaixam muito bem dentro da gente.


"Sentinela" é um disco que inspira sentimentos delicados. Com sua voz zen, Milton Nascimento vai virando as páginas do seu livro de estória musical e enreda a força da natureza com a força do homem, tentando entender esses dois mundos que se encontram inevitavelmente. Canta a solidão, a guerra, mas canta também o encontro, a comunhão. "Sentinela" aposta na irmandade, nos homens diários e nas suas minúsculas e imprenscidíveis lutas.


"Sentinela" zela pelo ser humano. É o otimismo sozinho na plataforma, esperando a fumaça e ouvindo o apito do trem.


"Sentinela" tem uma coisa única e por isso, especial: a cena musical leva minha imaginação para um lugar singelo, de poucas coisas, mas de muito sentir. É a magia da escassez.


Todas as músicas são como um sino de um mosteiro: te tocam fundo, duram dentro de você. E me lembro da surpresa que tive com a fala distante e inesperada de Leila Diniz dizendo:


"Brigam Espanha e Holanda

pelos direitos do mar

o mar é das gaivotas

que nele sabem voar

Brigam Espanha e Holanda

pelos direitos do mar

Brigam Espanha e Holanda

porque não sabem que o mar

é de quem o sabe amar"


Sentinela: Ah! Sol e chuva na sua estrada. Mas não importa não faz mal. Você ainda pensa e é melhor do que nada. Tudo que você consegue ser ou nada.

[ANDRÉA]

terça-feira, 6 de julho de 2010

Prefiro morrer de Vodka que morrer de tédio... (Essa tal de Gang 90 e Absurdettes, 1983)


Na época não dei bola. Só queria vestir minha cabeça dinossauro e invadir sua praia no passo do lui. Parece que é sempre assim, como aquela sua vizinha de óculos que de repente vira a Winnie Cooper... E o pior é que, dar essa bola que não foi dada há esses quase trinta anos atrás soa, e é, extremamente anacrônico. Da grande leva de novidades que assolou o roque tupiniquim na década de 80, este talvez seja um dos mais datados. Mas essa talvez seja até uma vantagem, pois escutar esse disco soa menos como flash-back do que os momentos clássicos daquela década.

Primeiro que as referências são demasiado óbvias: Blitz e B52’s. Uma ponte interessante entre os dois, menos teatral que o primeiro e mais pretensioso que o segundo, Essa tal de Gang 90 ainda pode ser uma audição bastante agradável, sem soar excessivamente nostálgica. O motivo é simples, basta olhar a lista de canções: são três hits memoráveis, Nosso Louco Amor, que foi tema de novela global, Telefone e Perdidos na Selva. Esta última aparece aqui em versão reggae, certamente bem menos conhecida que a original que participou de um daqueles festivais de MPB do início da década (de 80), fica devendo demais à original, mas ainda é um registro interessante.

Veja como a indústria nacional do disco vacila. Quase trinta anos depois, o disco é relançado em CD e custava nada ter Perdidos na Selva, na selva mesmo, não em nenhuma jamaican grass jungle, como faixa-bônus? O problema é de direitos autorais? Negociação com a Somlivre? Ou é má vontade mesmo? Depois a indústria fonográfica reclama dos downloads de graça...

Nem mesmo uma versão desprezível de Noite e Dia de Lobão com Júlio Barroso estraga o disco. Românticos a gô-gô, é o yin do Nome aos Bois dos titãs, lançada anos depois. Eu sei, mas eu não sei é total e deliciosamente bife com tutu, enquanto que Dada Globe Orixás e Mayacongo conferem unidade a um disco singular que marca a assimilação da Nova Onda em solo tropical, com pitadas de road movie e movimento beatnik...

A formação da banda para este disco clássico conta com a base clásssica, o vocalista Julio Barroso acompanhado de três meninas (Alice Pink Pank, May East e Lonita Renaux) ,mais o guitarrista Herman Torres que se entende muito bem com Wander Taffo (aqui não fica muito pra mim se este era da banda, ou um músico convidado que toca em mais da metade do disco) também na guitarra, as duas funcionando em contraponto, como se Richards e Wood tocassem new wave, o baterista Gigante Brasil, que viria a tocar depois com a Banda Isca de Polícia que acompanhou Itamar Assumpção, e no último disco da Céu, o tecladista Luis Paulo Simas, o baixista Otávio Fialho e o baixista tutti-frutti Lee Marcucci (provavelmente outro convidado, além de Guilherme Arantes que toca na infeliz música de Lobão). Ou seja, turma de respeito!

Como curiosidade (um tanto mórbida), em Convite ao Prazer, Julio Barroso canta:
Um sonho estranho nas paredes do prédio / Prefiro morrer de vodka do que de tédio / Acendo um cigarro e vou até a janela / Na rua umas sombras à luz do luar / Do luar, sombras à luz do luar.

Ironicamente morreria poucos anos mais tarde num acidente caindo desta mesma janela...
[M]

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Pérolas ao poucos - Zé Miguel Wisnik (2003)


“Pérolas aos poucos” rouba a gente pelo feixe de Hiss: aquele delicado sistema elétrico do coração que nosso corpo utiliza de tomada, entre outras coisas, para nos plugar às coisas bonitas da vida. A conexão aqui é pelo coração e não pelo cérebro. É amor e não razão.


“Pérolas aos poucos” entra pela tua esquina, em frases cristalinas – efeito circular que te envolve na roda. São enlaces sonoros, a voz, o piano, as rimas, as não rimas, a dor, o tempo e a cura. E tudo termina numa concha de cor escura, onde o sol se despede.


Tudo é macio, suave, música que pede calma, que te toma pela mão. A cadência das frases, as palavras cantofaladas, as vírgulas, o canto é alegre, de alma viva. Se a gente pudesse ver o som, “Pérolas aos poucos” teria os olhos brilhantes e curiosos.


É também um cd em que cabe o mundo – que se estica entre o campo e a cidade. Há a magia da escuridão em “Anoitecer”, a hora de se a ver com a verdade, que parece estar lá fora, mas não, ela está lá dentro, dentro da gente. Dessa hora tenho medo.


Adoro a “Tempo sem Tempo”! Gosto porque celebra o encontro. O verdadeiro – com todos os ingredientes. Comemora o desejo, o pedido e o risco. O risco das feridas e das despedidas. Mas ora! Só há despedidas depois dos encontros…

Arco-íris que espalha cristais sexuais! Delícia total.


“Sem Receita” – Música de amor temperável e comestível, como mesmo deve ser o melhor amor. E a lembrança é aquela hora em que a gente lambe os lábios com saudades de tudo o que rolou. Porque amor não tem receita, é inédito a cada vez!


O “Pérolas aos poucos” é todo gracioso! Com uma malandragem aqui e outra ali, o disco é cheio de pequenos prazeres escondidos no tom da voz de Zé Miguel, nas parcerias, nas percussões e nas palmas. “Presente” é aquela que só é realmente sentida depois que teus pés entram no compasso e levam teu corpo inteiro ao movimento. Gozo sem fundo.


“Perólas aos poucos” é a certeza de que no amor não há nem nunca haverá culpado. Sem palavras.

[ANDRÉA]