terça-feira, 9 de junho de 2009

Educação sentimental uôô (Kid Abelha 1985)


Vamos aqui tornar mais elástica a tolerância deste blog! Pop sim, por que não?
Falando de sentimentos e experiências adolescentes e juvenis, esse álbum de 1985 até hoje soa moderno e tem letras atemporais.
Partindo de um título de um romance de Flaubert (viva o google!), o Kid Abelha, que à época tinha em seu nome o apêndice ‘e os abóboras selvagens’ (???) e hoje se chama Kid, fez um disco marcante pra todos aqueles que eram adolescentes na época e, porque não, para aqueles curiosos sobre músicas e letras relevantes no Brock.
1985: época do Rock in Rio, festival no qual o grupo aqui resenhado teve um desempenho sofrível, a Paula Toller na época achava que bastava o microfone. Desafinava... Mas depois fizeram a opção cjavascript:void(0)erta pelo profissionalismo.
Ao disco: inicia bem, com ‘Lágrimas e chuva’, uma música que tocou muito nas boates da moda e nas festinhas americanas (o que aconteceu com elas?), sem atentar para o fato que a letra é extremamente depressiva, o que ficou claro na releitura da música no disco ‘Audio retrato’, do Leoni (que receberá seu post também, claro). Por falar nele, este foi seu último álbum no Kid Abelha. Tem um solo assobiável do Bruno Fortunato, um dos guitarristas brasileiros mais subestimados, com um extremo bom gosto para timbres de guitarra limpos e solos discretos porém marcantes.
Segue com ‘Educação sentimental II’, que vem antes da I (?), música em parceria com Herbert Vianna (momento Caras: na época rolou um affair entre ele e a Paula, pra quem inclusive teriam sido compostas algumas músicas de fossa dos Paralamas). Letra boa (‘a vida que me ensinaram como uma vida normal tinha trabalho, dinheiro, família, filhos e tal’; ‘agora você vai embora eu não sei o que fazer, ninguém me ensinou na escola, ninguém vai me responder’) arranjo bom, destaque do disco.
‘Conspiração internacional’ tem de relevante a idéia de que ‘todo mundo acho que o Rio de Janeiro não é bonito como foi no passado’, e só.
‘Os outros’ é a música que a Paula fez pra mim...hahaha, brincadeira, essa era (é?) a fantasia de todo adolescente que achava ela linda, e olha que ela é bem melhor hoje em dia. Mas todo mundo se imagina sendo a pessoa pra quem ela (ou alguém importante) canta a música. ‘Depois de você, os outros são os outros, e só’.
‘Amor por retribuição’ e ‘Um dia em cem’ são as músicas dispensáveis do disco.
‘Educação sentimental’ lida com o tema da estranheza da sedução (ou das tentativas e frustrações) na adolescência, fantasiando sobre o que se imagina ser o poder de ser realmente sedutor (‘ninguém vai resistir se eu usar os meus poderes para o mal’). Leoni é realmente um excelente compositor. Tem também um solinho legal do Bruno que emenda com o riff conhecido da música.
‘Garotos’ é outro ponto alto do álbum, apesar da música ser meio arrastada, não fazendo jus à excelente letra, que vale a reprodução integral:
Garotos gostam de iludir
Sorrisos, planos, promessas demais
Eles escondem o que mais querem
Que eu seja outra entre outras iguais
São sempre os mesmo sonhos
De quantidade e tamanho
Garotos fazem tudo igual
E quase nunca chegam ao fim
Talvez você seja melhor que os outros
Talvez quem sabe goste de mim
São sempre os mesmos sonhos
De quantidade e tamanho
Garotos perdem tempo pensando
Em brinquedos de proteção
Romances de estação
Desejo sem paixão
Qualquer truque contra a emoção
(Cruel pra nós, Garotos, que a letra seja tão real. Mais ainda porque, como canta o Leoni, 'Garotos, perto de uma mulher, são só garotos').

‘Uniforme’ é das mais ou menos, mas a letra compensa a música esquecível (‘eu ouço sempre os mesmos discos, repenso as mesmas ideias’, ‘e quantos uniformes ainda vou usar e quantas frases feitas vão me explicar, será que um dia a gente vai se encontrar? quando os soldados tiram a farda pra brincar’).
‘A fórmula do amor’, que fez mais sucesso na voz de Leo Jaime, termina bem o disco, retomando o tema do poder da sedução, ou pelo menos o desejo de descobrir (‘ainda encontro a fórmula do amor’). Continuamos procurando.
E o Kid continua aí, sobrevivendo ao teste do tempo e ao bombardeio da crítica.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Anjo Avesso (Alceu Valença, 1983)


Houve uma época em que Alceu Valença era um artista rebelde e criativo, cheio de boas canções e novas idéias. Este disco faz parte desta época, em que o cantor e compositor pernambucano se aproxima do ápice.

O disco é quase uma continuação de Cavalo de Pau (1982, resenhado aqui também), que arrebentou as rádios no ano anterior com Morena Tropicana, talvez seu maior sucesso até hoje. Como disco, este Anjo Avesso talvez seja ainda melhor que aquele, mais coeso, mais bem acabado, sem perder o pique, o bom-humor e o alto-astral.

A banda de Alceu incluía além da cozinha típica com baixo e bateria, percussão variada, piano e teclados, e o grande amigo, guitarrista e produtor musical, Paulo Rafael que usava timbres ousados para a época. Aqui aparece um convidado muito especial: Zé da Flauta toca em quase todas as faixas.

O disco abre com “Marim dos Caetés”, canção de amor, despedidas e reencontros, onde o destaque é o solo de guitarra-sintetizador executado por Paulo Rafael. “Anunciação” acho que foi a música de trabalho deste disco, eu me lembro de escutá-la no rádio e achar muito esquisita (mas naquela época meu universo se dividia entre Synchronicity, Queen Greatest Hits e os duplos azul e vermelho dos Beatles). Na verdade trata-se de uma bela canção de amor, anunciando a chegada da mulher amada:
Na bruma leve das paixões que vem de dentro / Tu vens chegando pra brincar no meu quintal
No teu cavalo peito nu cabelo ao vento / E o sol quarando as nossas roupas no varal...
Tu vens, tu vens: eu já escuto os teus sinais! / A voz do anjo sussurrou no meu ouvido
Eu não duvido já escuto os teus sinais / Que tu virias numa manhã de domingo
Eu te anuncio nos sinos das catedrais

Trata-se de uma das mais belas canções de Alceu, um primor de letra, curta e direta, com um toque charmoso de lirismo. Segue no mesmo tom, menos lírico, mais sensual em “Rouge Carmin”:
Meu amor tem um beijo guardado pra mim / E a cor do batom é vermelho carmin
Meu amor tem dez dedos cravados em mim / Que me rasga me arranha e me deixa assim
Assim que eu te vi muito louca / Olhei tua boca e ficamos afim
Afim de fazer um pecado / A cor do pecado é Rouge Carmin


“Balança o Coreto” e “Escorregando no Pífano” quebram um pouco o tom mais romântico deste início e fecham o lado A com um toque malicioso e ritmo mais acelerado. Nesta última, onde Alceu divide a autoria com Zé da Flauta, o tocador faz uma alusão erótica ao ato de tocar o pífano:
Balança bole remexe gostoso / Meu jeito é manhoso de te assoprar
Balança bole remexe gostoso / Meu jeito é dengoso de te dedilhar...

O lado B vem com “Filhos da Fonte”, homenagem ao carnaval e “Batendo Tambor”, que traz a especialíssima participação de Clementina de Jesus. E finaliza com “Trovoada” onde de novo o tema é o carnaval de Olinda e seus personagens, e o frevo acelerado de Carlos Fernando, "Anjo Avesso", que dá nome ao disco.

Alceu ainda lançaria mais dois ou três discos bons, mas não faz nem sombra, hoje, ao compositor de Anunciação, Rouge Carmin e Marim dos Caetés. OBS: Até onde eu saiba esse disco NÃO saiu em cd, uma pena. E viva a bolacha!
[M]

Ainda brincando, a aventura continua (Canções Curiosas, Palavra Cantada, 1998)


Porque as crianças crescem, as canções as acompanham. O que era brincadeira vira curiosidade (mas sem deixar de ser totalmente brincadeira) e Paulo Tatit e Sandra Peres conseguem, com maestria mais uma vez, capturar este estado de espírito no fantástico Canções Curiosas.

Em homenagem ao cinquecentenário (putz! essa palavra existe?) do descobrimento o disco abre cantado em português (de Portugal) os versos de “Pindorama”. Em seguida uma composição (incompreensível) de Carlinhos Brown, que toca violão e percussão na faixa “Erê”, deliciosamente cantada pelo Coro das Primas. O disco segue com duas das melhores músicas de Arnaldo Antunes (em qualquer sentido que se considere as composições de Arnaldo!). A primeira delas é uma parceria com Paulo Tatit, “Criança não Trabalha” cuja letra é um simples desfile de palavras (como em O Pulso, dos Titãs) como bola, bicicleta, lápis, caderno, band-aid, sabão, cadarço... intercalado pelo refrão simples, fácil e direto (por isso genial): criança não trabalha, criança dá trabalho!. Em “Cultura”, temos o universo Arnaldiano (desculpem-me pela invenção do termo intelecto-piegas...) perfeitamente adequado ao espírito das canções curiosas, em frases como o girino é o peixinho do sapo, as raízes são as veias da seiva e assim por diante.

“O rato” é a historinha do roedor que queria se casar com a lua, mas acaba ficando com uma ratinha esperta mesmo. O infinito volta em “Trilhares”, de Paulo e Edith Derdyk (antiga colaboradora) que se dão conta (?!) das incontáveis estrelas no céu e grãos de areia numa praia. Em “Fome Come”, o assunto da fome é abordado (a la Comida, Titãs mais uma vez) na sua concepção mais ampla e de uma maneira talvez mais digerível (com o perdão do trocadilho) para o público que outro dia ainda ouvia as canções de brincar. A batida da percussão feita com latas e copos de plástico é um capítulo (e uma brincadeira) à parte. Um par de canções se segue descrevendo o diálogo entre uma boneca esquecida, abandonada e a menina que cresceu e agora tem outros interesses.

Num disco como este é muito difícil falar em ponto alto, mas eventualmente a gente tem uma preferida... Aquela música que a gente ergue o volume do sonzinho, seja lá qual for... Aqui é a homenagem que o santista Paulo Tatit faz ao eterno ídolo. “Pelé” é disparado, a mais bela homenagem musical jamais feita ao rei do futebol e uma das melhores músicas sobre futebol feitas em português, sem ficar nada a dever a qualquer uma das (muitas) canções de Jorge Ben sobre o tema. O sãopaulino Edgar Scandurra fica encarregado da guitarra e o ritmo sugerido por ele e Paulo (violão e baixo) é o de uma saudosista partida dos anos sessenta, narrada-cantada suavemente por Paulo, tempo que o futebol passava só no rádio, não tinha televisão e em que os torcedores iam ao estádio ver o rei jogar e não ficar o tempo todo se xingando e arrumando briga e distribuindo pancadaria.
Ele é, ele é, ele é
O nosso rei da bola, o rei Pelé
Ele é, ele é, ele é
O rei de toda a Terra
Que conquistou a coroa
Pelo toque do seu pé!


O disco termina com “Eu”, uma suposta autobiografia que mistura o norte e o sul do país nas origens do protagonista, e a dispensável “Gramática” que mais parece uma concessão de Paulo a seu irmão Luiz Tatit. O que não tira o brilho de mais um disco fantástico da Palavra Cantada, este Canções Curiosas, que as crianças de 0 a 100 adoram!
[M]

Canções de Brincar, Palavra Cantada (1996)


Palavra Cantada é sinônimo de música de boa qualidade. Eu poderia escrever música de boa qualidade para crianças, restringindo a palavra cantada ao segmento “música infantil”. Mas isso seria por demais injusto e por si só não justificaria sua inserção num blogue com a proposta deste aqui. Primeiro porque de certa forma o trabalho da palavra cantada inaugura uma nova maneira de fazer “música infantil” e segundo porque é de muito boa qualidade a música que fazem, independente do público alvo.

Palavra Cantada é formada por Sandra Peres e Paulo Tatit e mais uma série de músicos de apoio e convidados que incluem estrelas da música brasileira além de filhos, primos, sobrinhos e uma criançada da pesada.

Canções de brincar é uma deliciosa aventura pelo universo da criança e a empatia é imediata. "A pulguinha" que faz cosquinha, a “Sopa” do neném (que ninguém sabe o que tem e que enquanto a mãe vai pondo espinafre, rabanete e agrião, os pequenos vão acrescentando sorvete, jacaré e caminhão...), a “Pipoca”, canção saltitante de Arnaldo Antunes (em cuja banda, durante muito tempo, Paulo Tatit foi baixista), que também contribui com “Água”, canção embalada por percussão africana suave e a aquosa voz de Mônica Salmaso.

Em "Aniversário", a data é comemorada como uma celebração ao crescimento, o moleque sente que (hoje!) cresceu tanto que está do tamanho de um elefante, de um gigante... Em “Ora Bolas”, a bola e o planeta se misturam e se confundem, o pequeno, o grande, e o infinito . E o planeta é uma bola que rebola lá no céu, bola que pula bem no pé, no pé do menino.

Como seria natural de se esperar no universo infantil, bichos aparecem às pencas, seja em “Tá na hora de mamar”, seja relinchando, uivando ou miando como em “É a vez do tamanduá”. Enquanto isso a deliciosa “Pomar" desfila frutas e suas árvores, cantada graciosamente pelas primas acompanhadas de percussão lúdica com pandeiro, reco-reco e artefatos do gênero.

O disco todo é delicioso, costurado com uma precisão e delicadeza incrível por Paulo e Sandra e o exemplar que tem em casa chegou antes da Clara. Daí, quando ela nasceu, já conhecia as músicas desde a barriga...
[M]

domingo, 29 de março de 2009

Barão vermelho, o primeiro (1982)


E pensar que a dupla Cazuza & Frejat (‘o mais próximo de Jaggers & Richards que o rock brasileiro jamais chegou. Feitos um para o outro’ conforme Arthur Dapieve) só começou a nascer devido a um fracasso do grupo, um show furado na feira da Providência, no qual a produção não providenciou amplificação...
De posse de uma fita demo, Ezequiel Neves (um Barão de fato) convenceu Guto Graça Mello de que tinham boa coisa em mãos. Difícil foi convencer o diretor da Som Livre, João Araújo, pai de Cazuza. Mas assim foi.
A gravação do primeiro álbum foi tumultuada, muita gente no estúdio, Cazuza muito doido tendo problemas no andamento. Mas salvou-se, e foi lançado em 27/09/1982, um dia depois de ‘As aventuras da Blitz’.
Mal gravado, mas com muitas qualidades. Aproximava-se do amadorismo no melhor sentido, músicos inexperientes e muita vontade.
Afinal, um disco que tem ‘Todo amor que houver nessa vida’ necessariamente é um clássico.

‘Ser ter pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia’

Depois Caetano tocou essa música no show de seu disco ‘Uns’, elogiando Cazuza e criticando as rádios que não tocavam o Barão. Havia aí um pedido de desculpas ao enciumado Cazuza que jogou uma mesa pro alto ao ver Caê se desmanchando pelo seu namorado...mas isso está parecendo Caras.
Mais tarde, com mais uma benção da MPB – Ney Matogrosso (ex namorado de Cazuza, olha a Caras aí de novo) gravou ‘Pro dia nascer feliz’, finalmente o Barão seria tocado nas rádios.

O Barão era formado por 4 colegas dos cursos de música da Escola Pro Arte: Guto Goffi, Maurício Barros, Frejat e Dé. Chamaram Leo Jaime pra cantar que, achando o grupo ‘esporrento’ demais, indicou Cazuza.
Os caras, como bem definiu Ricardo Alexandre, ‘conseguiam, instintivamente, encontrar um elo perdido entre o blues americano e as canções de dor-de-cotovelo de Dolores Duran, entre os gritos hippie de Janis Joplin e o resmungo tosco do punk; fazia a ponte entre os riffs herdados dos Rolling Stones e a esperteza das esquinas cariocas. E as letras uniam a marginalidade cosmopolita de Lou reed à boemia de Lupicínio Rodrigues’.
Finalmente A Banda de Rock brasileira. Ou conforme o citado Ezequiel Neves ‘rock sem frescura, sem nada de bem-comportado, garagem mesmo’.

Mas vamos às músicas:
‘Posando de star’ inicia bem, com uma bateria e o vocal característico do Cazuza, depois vira um rock básico e animado.
Aí o álbum cresce, ‘Down em mim’ é uma belíssima balada, pena que pouco executada. Letra típica (‘da privada eu vou dar com a minha cara de panaca pintada no espelho e me lembrar sorrindo que o banheiro é a igreja de todos os bêbados’) e bonito solo blues de guitarra limpa do Roberto Frejat!
‘Conto de fadas’ mantém o pique, e ao contrário da inspiração citada de fossa, mostra que a solução dessa geração era diferente. Se não deu certo, segue a vida.
‘Billy Negão’ estava na demo original, legal, animada, bem-humorada.
‘Certo dia na cidade’ começa instrumental, depois fica meio igual, mas dá uma mudada e vem mais um solo inspirado.
‘Rock’n’geral’ segue no pique, com solinho de teclado e tudo, uma declaração de princípios.
‘Ponto fraco’ é uma das melhores do disco, arrastada e malandra, uma letra que diz tudo (‘todo mundo tem um ponto fraco, você é o meu, por que não?’). Depois eles regravaram no ‘Ao vivo’, mais pesadona.
‘Por aí’ é mais uma declaração de princípios doidona, ouça e descubra de novo...
‘Todo amor que houver nessa vida’ dispensa comentários, poesia e rock’n’roll ao extremo.
E aí fecha com chave de ouro: ‘Bilhetinho azul’, tchu tchu tchuru.
(Dão)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Tim Maia, Descobridor dos sete mares, 1983



Depois da inclusão de diversos intérpretes e músicos entre os 1001 discos nacionais, torna-se questão de justiça citarmos algum disco (qualquer que seja) do nosso “síndico” Tim Maia. Uma das figuras mais célebres da música brasileira.

A dificuldade inicial é a escolha de um disco para citar aqui nesse blog. Um que pudesse representar dignamente a sua obra. Uma opção mais fácil seria citar algum Racional (dois volumes lançados, além de um terceiro que não chegou a ser lançado), muito em voga hoje em dia. Entretanto, seria injusto com o próprio Tim Maia, já que ele mesmo renegou posteriormente esses trabalhos feitos em uma fase careta, com letras ligadas à estranha seita que ele aderiu durante um curto período. Esses discos, embora tenham o seu valor, não servem ao propósito de retratar a carreira e a personalidade do Tim Maia.

Para mim, é importante citar um disco em que suas características marcantes estivessem mais que presente, ou seja: a polêmica, o vozeirão, o suingue, o romantismo e os metais da banda Vitória Régia, que sempre o acompanhava. Diante disso, optei por Tim Maia – Descobridor dos Sete Mares, de 1983. Trata-se de um disco com a cara dele, com seus dois estilos marcantes (funk e românticas), cada um ocupando um dos lados do vinil.

Começa com a música título do disco, um de seus maiores sucessos, que estourou nas rádios e tornou-se uma das músicas marcantes da década de 1980. “Pois bem cheguei, Eu quero ficar bem a vontade na verdade eu sou assim”.

Em seguida, Tim Maia arrebenta com “Terapêutica do Grito”. Uma música que tem a sua cara e a sua energia. Além disso, me faz recordar festas no tempo de Unicamp, já que era um dos sucessos do Álculos Escuros, um grupo formado por alguns amigos naquela época. Recomendada para acabar com qualquer estresse. Escutem.

O soul e funk que predominam nas primeiras músicas mantém-se em "Pecado Capital". Embora menos conhecida, é uma “loucura legal muito perto do prazer de ser”. Esse lado do disco termina com outras duas que também têm nos metais o seu forte, embora menos famosas: “mal de amor” e “3 em 1”.

No lado B do vinil, momento para rosto colado e música lenta. Aqui os metais e o funk cedem espaço ao romantismo, a começar com “Neves e Parques”: "comprei uma passagem no primeiro avião..voltei!".

Depois de outra romântica ("Rio Mon Amour"), Tim Maia vem com “Me dê motivos”, composição da dupla Sullivan e Massadas que marcou sua carreira. Trata-se de uma balada romântica clássica, que começa com ele narrando uma história com alta dose de dor de cotovelo. Até mesmo quem tem preconceito com música romântica (eu mesmo tenho um pouco), se emociona ao ouvir essa interpretação. “Me dê motivos... pra ir embora...estou vendo a hora...de te perder...”. Definitivamente, é nessas horas que um homem chora.

O disco termina com outras duas românticas de menor destaque: “Olá (emoções)” e “Essa dor me apanha”.

Enfim, trata-se de uma das obras do Tim Maia que sintetiza melhor o que ele foi e o que representou para a música brasileira. Figura ímpar no cenário musical que deixou muitas saudades. Felizmente sobraram seus registros musicais de 32 discos em 28 anos de carreira. Com a firmeza e os lampejos do farol. [Paul]

quarta-feira, 18 de março de 2009

REI!!!!!!!!!!!!!

Tem esse disco aí que é uma jóia, mora?

Até conhece-lo, e sendo fã do homem, vivia crente que ninguém cantava as musicas dele melhor que o próprio. Esse disco me fez mudar de idéia.

Como hoje todo mundo diz que idéia é projeto: esse foi um projeto que deu certo. Pegaram um monte de cantor pop da época e distribuiu-se algumas músicas do Roberto entre eles.

Quer coisa mais simples? Quem não gostaria de gravar uma musica do Rei? E que apelo melhor que colocar os pop’s da época? E o bacana é que quase todas as faixas deram certo!

É claro que tem aquelas sofríveis e que só nos dão o trabalho de ter que programar o cd para não toca-las. São: É Proibido Fumar - Skank, Por Isso Corro Demais - Marina Lima e Eu Sou Terrível - João Penca e os Miquinhos Amestrados. Mas, no meio de treze músicas o prejú não é grande.

Disco altamente recomendável para constar de qualquer “kit praia versão básica” de um solteiro da época: Rocambole Beach (toalha grande com recheio de um calção e duas cuecas) + Saco Americanas Summer (um Bukoswki qualquer, Dorflex, descongestionante nasal e o disco). Era sucesso garantido!

E tem até uma história ou mito interessante. No encarte interno tem um desenho do Angeli com todos as bandas caricaturadas...e um espaço em branco não ocupado por algum cantor qualquer. Dizem que era para ser o Lulu Santos na musica “quero que vá tudo pro inferno”.

Acontece que o Roberto Carlos não permitia mais ninguém falar coisas como inferno. O tal do TOC dele, sabem?. Assim não permitiu a faixa. Uma pena! Naquela época o seu ridículo tinha uma desculpa séria, depois disso ele só foi e é patético puro e simples mesmo com o seu quepizinho de capitão de navio “C” por aí.

Desabafo desnecessário de um fã à parte, o disco merece estar por aqui.

(ZEBA)